Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)

30 Capítulo 29 - All You Have is an Empty Heart


Notas iniciais
Alguém aí assiste Once Upon a Time e gosta de Rumbelle? Me inspirei neles para o título. ^^ E obrigada pelos comentários, adorei todos!!

CAPÍTULO 29 – ALL YOU HAVE IS AN EMPTY HEART

“Tudo que você tem é um coração vazio”

– NARRAÇÃO —

Assim que Alastor aparatou com Violet nos braços, Harry correu por entre a multidão silenciosa que se reunia ao redor da Torre de Astronomia. Todos estavam com suas varinhas erguidas em uma singela homenagem ao diretor, como pontos luminosos na imensidão escura da noite.

Dumbledore estava estirado no chão, a expressão suave e os olhos azuis abertos, encarando a Marca Negra no céu. Seus braços descansavam ao lado de seu corpo de modo que, se ninguém soubesse o que havia acabado de acontecer, acreditariam que estava apenas dormindo.

Harry então percebeu a dor que alastrava em seu peito. Ele nunca mais veria ou falaria com Dumbledore, nunca mais receberia seus sábios conselhos e nunca mais teria o grande amigo e professor por perto.

Dumbledore estava morto, e mortos não voltam.

Quando Harry ajoelhou-se ao seu lado, percebeu que o medalhão que havia pego com Dumbledore na gruta estava aberto no chão, mas algo estava errado. O medalhão que Harry vira nas lembranças de Tom Riddle era maior e tinha um S entalhado delicadamente, já o medalhão em suas mãos era menor e liso, nada parecido com uma joia valiosa de família.

Dentro dele havia um pedaço de pergaminho enrolado, e quando Harry abriu-o para ler, percebeu que aquela não era a Horcrux de Voldemort.

Ao Lord das Trevas.

Eu sei que eu já terei sido morto quando você ler isto, mas eu quero que você saiba que fui eu quem descobriu seu segredo. Roubei a Horcrux real e pretendo destruí-la assim que puder. Eu enfrento a morte na esperança de que quando você se encontrar com seu igual, será mortal outra vez.

R. A. B.

Harry amassou o pergaminho com força, irritado por Dumbledore ter dado sua vida por nada. Foi tudo em vão?

– Ele vai descansar agora... – sussurrou Luna ajoelhando-se ao lado de Harry e abraçando-o de lado. – Está num lugar melhor...

Harry então assistiu Luna fechar os olhos azuis do diretor levemente com a mão e logo em seguida deitou seu rosto no ombro da loira, que recebeu-o carinhosamente com um abraço enquanto o garoto chorava.

Dumbledore não merecia morrer. Não podia!

– Vamos Harry, você precisa sair daqui... – disse Hagrid, porém, Harry negou-se a se levantar. Ele não queria deixar Dumbledore sozinho.

Luna então agarrou os dois braços de Harry e levantou-o sem qualquer impedimento, arrastando-o por entre a multidão.

– Vamos à enfermaria.

– Eu não estou machucado.

– Ordens da McGonagall. – respondeu Luna suavemente. – Todos estão lá, inclusive parte da Ordem.

– Alguém... Alguém morreu?

– Nenhum dos nossos... – garantiu ela – Hermione me deu o Felicis em seu nome, obrigada Harry... Ele realmente nos ajudou bastante...

– E os outros? As amigas da Violet?

– Estão bem, apenas Mary está um pouco arranhada, mas nada grave... – tranquilizou-o – Neville e o Prof Flitwick também estão feridos e já foram para a enfermaria, vão ficar bem... Mas Greyback fez um grande estrago no castelo.

– O que ele fez? – perguntou temeroso.

– Ele feriu muitos alunos e professores e duelou com o Lupin, e enquanto subia para a Torre acabou arranhando o rosto de Gui Weasley.

– Gui? – surpreendeu-se – Ele está bem? Pode... Pode virar um lobisomem?

– Hoje não é noite de lua cheia, então provavelmente não. Mas ele está ferido e ficará com a cicatriz para sempre... – lamentou. — Talvez alguma sequela...

– Como ele chegou tão rápido ao castelo?

– Dumbledore pediu que ele viesse para o Castelo essa noite. Mas a Ordem chegou minutos depois da invasão e há pouco tempo os aurores também vieram com a Ministra Seyfried.

– Aurores? O Sirius está aqui! Eles...

– Não se preocupe Harry, a Ministra mandou Sirius embora assim que chegou.

Lupin estava em pé ao lado de uma cama e Tonks conversava com alguns grifinórios quando Luna e Harry entraram na enfermaria. Hermione foi a primeira a correr para os braços do amigo, seguida por Rony e até mesmo Gina, fazendo Luna se afastar ligeiramente.

– Você está bem? – perguntou Hermione perguntada.

– Estou bem sim... E vocês? – respondeu Harry ao perceber pequenos cortes nas mãos de Hermione e Rony. – E o Gui? Luna me disse...

– Ele não está feliz. – respondeu Rony – A cicatriz provavelmente não vai sair e ele está com medo de que a Fleur o abandone. Um motivo idiota, mas mesmo assim ele está preocupado, se acha menos bonito do que era...

– Ele não tem chances de se tornar um lobisomem, são apenas feridas... – disse Lupin sentando-se ao lado de Tonks e pegando em sua mão, o que não passou despercebido por Harry. – Mas ainda não sabemos se terá alguma sequela.

– Talvez Dumbledore possa fazer alguma coisa não é? Ele é poderoso... – comentou Rony, porém, Harry ficou sério instantaneamente.

– Ele não pode fazer nada Ron... – começou Harry – Dumbledore está morto...

– O quê?! Não, isso não pode ser... – respondeu Lupin levantando-se incrédulo.

Luna aproximou-se de Harry novamente e abraçou-o de lado, e enquanto o garoto passava um dos braços sobre o ombro da loira, ele assentiu de cabeça baixa. Lupin despencou nesse momento e caiu sentado na cadeira novamente, amparado por uma Tonks cabisbaixa.

– Como ele morreu? – perguntou Tonks – O que aconteceu?

– Snape matou Dumbledore. Nós vimos...

– Nós?

– Violet estava junto quando ouvimos barulhos na escada... Dumbledore estava fraco e usou o pouco de energia que restava para nos esconder. – começou Harry – Malfoy então apareceu e o desarmou.

– Draco? – surpreendeu-se Mary enquanto Sophie encolhia-se nos braços de Alessa.

– Ele é um comensal. – respondeu Harry – Assim como o Snape, que apareceu depois e matou Dumbledore. Ele sabia que nós estávamos lá e mesmo assim lançou a Maldição da Morte no diretor...

Alessa levou as mãos à boca instantaneamente, já imaginando a dor que sua amiga deveria estar sentindo e Sophie sentiu mais uma facada em seu peito. Além de mentir para todos, Draco havia ajudado os comensais a invadir o castelo.

O silencio instaurou-se imediatamente e ninguém que estava ali ousou falar alguma coisa até que a porta da enfermaria foi aberta novamente e por ela passou McGonagall, com cortes no rosto e a túnica rasgada. Seu rosto estava preocupado e ela parecia procurar por alguém.

– Arthur e Molly estão à caminho... – começou – Ah, Sr Potter... Hagrid me disse que você estava com Dumbledore quando... aconteceu. Disse algo sobre Snape...

– Snape matou Dumbledore. – respondeu Harry.

– Ele...O quê? — surpreendeu-se.

McGonagall ficou imediatamente pálida e desabou sobre uma cadeira rapidamente conjurada por Madame Ponfrey.

– Ele... Merlin, ele não... – começou Minerva – Nós pensamos... Dumbledore disse que... Que confiava nele!

– Snape sempre foi ótimo em Oclumência, todos nós sabemos disso. – disse Lupin irritado.

– É tudo culpa minha... – murmurou Minerva com um lenço nas mãos enquanto enxugava suas lágrimas. – Eu que mandei chamar Severo... Ficamos até aliviados em saber que ele estava a caminho! Quer dizer, nós sabíamos do passado dele, mas Dumbledore confiava tão cegamente que não tinha como pensar que ele faria algo tão horrível! Ainda mais agora que a filha dele está viva...

– Ele não pensou nela quando matou Dumbledore na nossa frente. – disse Harry perturbado.

– O que quer dizer com isso Sr Potter? – perguntou temerosa.

– Ela estava comigo. – respondeu Harry – Snape viu e mesmo assim não hesitou! Não se importou nem um pouco se ela ia sofrer ou não.

– Oh Merlin! – exclamou Minerva levantando-se rapidamente – Eu tenho que achá-la... Ela...

– Ela não está em Hogwarts professora.

– Não me diga que os comensais...

– Não. – recusou rapidamente – Quando eu desci para procurar meus amigos nós acabamos nos separando e ela foi atrás dele. – disse raivoso – Eu só a encontrei minutos depois, perto da cabana do Hagrid, chorando... Eu a trouxe de volta e quando chegamos Moody a levou para casa.

Moody... Graças a Merlin... – murmurou suspirando aliviada.

Pelos próximos minutos os membros do AD passaram a explicar aos professores e à Harry o que realmente aconteceu e como aconteceu.

Assim como Harry havia pedido, Rony e Hermione ficaram atentos ao Mapa do Maroto para qualquer movimentação de Draco, e quando não o viram, resolveram ir até a Sala Precisa para checar. Malfoy já estava lá há cerca de uma hora e, assim que viu os dois grifinórios, jogou o *Poder Peruano de Escuridão Instantânea e tudo ficou preto como piche. Os dois só puderam ver algo quando saíram da Sala Precisa, mas era tarde demais.

Os Comensais já haviam passado pelo Armário Sumidouro e se encaminhavam para a Torre de Astronomia. Rony e Hermione então correram e encontraram Lupin, Tonks e Gui em suas rondas e contaram tudo que estava acontecendo. Enquanto os mais velhos seguiam os comensais, Tonks correu para avisar à McGonagall e aos professores enquanto Hermione avisou o AD por meio dos galeões. Sophie então mandou um Patrono para a mãe, que acionou os membros da Ordem.

Lupin e Gui duelaram contra comensais e foi então que Greyback feriu o Weasley. O duelo não foi nada fácil e os primeiros estavam perdendo. Tonks e os demais professores entraram no duelo e inúmeras maldições eram jogadas ao vento pelos seguidores das trevas. Alunos foram machucados e muitos ficaram inconscientes.

E foi então que Snape apareceu. Nenhum deles tentou impedi-lo, afinal, ele era mais um dos professores que poderia estar caçando os comensais.

– Ele estava caçando os comensais sim, mas não para detê-los e sim ajudá-los! – completou Harry.

Os membros da Ordem apareceram mas mesmo assim estavam em desvantagem quando centenas de alunos poderiam ser feitos de reféns. Snape passou por eles novamente e, assim como antes, o deixaram passar.

Todos se sentiam culpados por não enxergarem antes, mas afinal, quem desconfiaria de um dos maiores bruxos que Hogwarts já teve em seu corpo docente quando até mesmo Dumbledore confiava nele? Minerva estava devastada, perdera dois amigos e já imaginava a dor que a afilhada estava sentindo.

– Como ele pode fazer isso na frente da própria filha? – deixou escapar, porém, antes mesmo que qualquer um dissesse algo, as portas da enfermaria abriram-se novamente e por ela entraram Molly e Arthur Weasley e uma apavorada Fleur.

Todos assistiram, com enorme surpresa e admiração, uma Fleur Delacour declarar abertamente que a nova aparência de seu noivo não mudaria nada em seu relacionamento. O amor não acabaria por causa de uma simples cicatriz ou o medo insólito de Gui Weasley tornar-se um lobisomem.

Tonks a admirou muito nesse momento e identificou-se. Ela e Lupin haviam conversado meses antes e desde então estavam juntos. Remo finalmente aceitou que ele era o homem que ela queria e assumiu que ela era a mulher que ele amava.

Juntos se completavam e juntos se amavam, nada nem ninguém mudaria isso.

– VIOLET –

[Link]

Eu senti quando Alastor me carregou pela escada e senti quando ele me colocou na cama para descansar, mas logo que levantou-se e eu segurei seu braço, ele entendeu o recado e sentou-se ao meu lado, abraçando-me ternamente.

Eu não queria ficar sozinha, não naquele momento.

Apertei-me em seus braços e deixei que as lágrimas silenciosas caíssem de meus olhos. Eu estava realmente destruída.

Como ele pode me enganar esse tempo todo? Eu sempre confiei nele, sempre o respeitei e sempre o amei...

Quando entrei em Hogwarts estava conformada em não ter família, mas então ele apareceu. Mesmo sendo uma das melhores alunas da classe, ele sempre me testava, sempre fazendo perguntas para ver se eu realmente sabia e sempre que podia me dava detenções.

Ele não admitia que uma simples aluna soubesse tanto e o enfrentasse, e eu não admitia que um professor fosse tão orgulhoso e até injusto. Nós dois éramos geniosos e orgulhosos e sempre que nos encontrávamos saía alguma faísca. Mas apesar de ser muito seco e frio, algo dentro de mim dizia que eu podia confiar nele... E eu confiei.

Eu aprendi a respeitar e idolatrar o Mestre de Poções, ele era o melhor e mais inteligente professor e eu era fascinada com suas matérias, fascinada com seu modo de pensar e fascinada com sua mente aguçada. Pouco a pouco, apesar de não admitir, eu aprendi a amá-lo como professor.

Mas então o “criminoso” Sirius Black invadiu o castelo e nos encontramos... Aquela não foi uma boa noite para ninguém. Meu pai ficou furioso ao saber que eu supostamente havia ido atrás do criminoso e assim que apareci demonstrou seu nervosismo e até mesmo perdeu a compostura. Ele me machucou fisicamente e também me magoou profundamente.

O homem que eu tanto confiava não acreditava em mim e chegou a me ofender... Suas palavras naquela noite feriram mais que qualquer outra coisa e então nos afastamos. Eu me sentia mal, é claro, mas era orgulhosa o bastante para tratá-lo com indiferença e esperar que um dia fosse se desculpar.

Era uma hipótese absurda, mas logo mostrou-se totalmente possível.

Semanas depois, quando Bellatrix me mandou um berrador, eu finalmente pude ver o homem por trás da máscara de indiferença. Naquela noite eu conheci uma pessoa diferente, um professor ranzinza que pediu desculpas e que me abraçou ternamente. Eu não sabia que ele era meu pai, mas mesmo assim o admirava e amava. Ele me passava segurança, conforto.

“Eu gostaria que confiasse em mim.”, foi o que ele disse. Foi então que eu me abri para ele pela primeira vez. Estava tão cansada de ser forte que cedi. Ele me ouviu, me consolou e cuidou de mim a noite toda... Ele não se importou com o que eu iria pensar, apenas ficou ao meu lado e velou meu sono.

– Por que se importa?! – insisti.

– Por que você é minha filha!!

Mesmo longe, ele cuidou de mim... Sempre se mostrou preocupado... Eu confiei nele cegamente, e conforme nosso relacionamento de pai e filha ia progredindo, mais eu o admirava e amava.

“Tenho medo de deixá-la entrar e depois te perder”.

Quando ele disse “perder”, não falou no sentido de eu morrer ou abandoná-lo, mas sim no contexto de ele matar Dumbledore e ME abandonar... Me deixar sem ao menos olhar para trás.

Ele afirmou que nunca me deixaria sozinha, que não me faria sofrer e que só queria minha felicidade.. “E eu estou disposto a qualquer coisa para nunca mais te fazer sofrer...” O que aconteceu nesse meio tempo que derrubou essas palavras por terra?

Desde o começo ele esteve por perto... Sempre que eu me machucava, lá estava ele para me ajudar. Quando caí da escada, ele me levantou. Quando me acidentei no quadribol, ele me segurou. Quando Lupin se transformou, ele me defendeu. Quando tentei fugir para lutar contra um lobisomem, ele me impediu. Quando contei sobre Sirius, ele acreditou em mim. Quando Rodolphus me perseguiu e quase me matou, Snape estava lá e me salvou.

Quando pedi ajuda para salvar Alessa, ele ficou ao meu lado. Ele se preocupou comigo e me ajudou a controlar minha Magia Negra, ele cuidou de mim cada vez que fui para a enfermaria e passou noites em claro velando meu sono.

Ele dizia que me amava...

“Eu não sou uma boa pessoa, e ser pai ainda é assustador... Mas eu finalmente percebi que... Eu quero ser pai... Que eu quero poder te chamar de filha... Que eu quero você na minha vida! (...) Mesmo não merecendo... Eu amo minha filha e não quero nunca mais me afastar dela...”

Eu confiava tanto nele! Tanto!

– Por favor Violet, confie em mim... – pediu – Eu te amo tanto! Você é minha única filha, a única pessoa que me importa nesse mundo... Jamais faria algo para te colocar em risco, nunca te machucaria por vontade própria Violet... Nunca, nem por um minuto, desconfie do quanto é importante na minha vida...

– E eu tenho motivos para desconfiar?

– Não, jamais... – repetiu segurando meu rosto e aproximando-o para dar-lhe um carinhoso beijo em minha testa. – Eu amo você princesa, e isso nunca vai mudar...

Mas então negou tudo noite passada.

Doía tanto repassar a conversa que tivemos poucas horas antes... Doía tanto ouvir que ele sempre amou Lillian Evans mas não teve o mesmo sentimento por mim, sua própria filha! Como ele conseguiu mentir tão descaradamente e me fazer acreditar? Ele sempre disse que eu não deveria ser uma comensal, que não deveria ceder... Mas quem era ele para dizer algo assim?

“Você foi sim criada por uma Comensal, mas isso não significa que tenha que se tornar uma... Prometa que nunca cederá, por favor. Ser comensal é a pior coisa que pode existir, e uma vez que esteja dentro, nunca mais poderá sair...”

Como eu nunca percebi? Os pesadelos em que Voldemort mostrava meu pai como comensal eram verdadeiros, nunca mentiram... Quando ele dizia que ser do círculo das trevas estava no meu sangue, ele estava certo.

Minha avó foi comensal, minha mãe e meu pai também. Meu melhor amigo.

Agora eu entendo como ele tinha tanta certeza do que falava.

Ele sempre foi um comensal, sempre soube que teria que matar Dumbledore e sempre soube que eu era a Escolhida... Ele ganhou minha confiança e meu respeito, conquistou meu amor e então se juntou aos Comensais...

Voldemort é esperto... Com as duas pessoas que eu mais amo ao seu lado, seria mais fácil me atrair... “Você terá uma família aqui”, foi o que ele dissera.

Eu me odiava por ter caído tão facilmente nos jogos de Severo Snape... Tinha raiva por um dia ter confiado nele e me sentia estilhaçada por ainda sofrer por ele.

Quando aceitei a missão que Dumbledore havia dado a mim e ao meu irmão, aceitei também as consequências. Eu me apaixonei pela família Black, mas algo sempre esteve na minha mente... O que eu mais senti falta naquele tempo foi de ouvir meu pai me chamar de princesa e dizer que me amava, de me abraçar ternamente e dizer que tudo ficaria bem...

Mas ali, deitada ao lado de Alastor, o que eu mais desejava era nunca ter ido para Hogwarts, nunca ter conhecido meu pai e nunca ter sofrido tudo que sofri. Desejava continuar odiando Draco Malfoy e repugnando Severo Snape, ansiava não ter voltado para o presente e nunca ter saído de 1974, quando eu finalmente pude ter uma família.

Bellatrix me manipulou sim, mas cuidou de mim minha vida toda, nunca disse que me amava e nunca me deu esperanças. Meu pai sempre afirmou que me amava, me abraçava sempre que podia e sorria ternamente logo que eu saia da enfermaria, mas na primeira oportunidade traiu a todos, matou Dumbledore e não hesitou um momento sequer ao fazer isso na minha frente. Ele mentiu o tempo todo e não se importou.

Ele nunca se importou realmente... Assim como Draco.

– NARRAÇÃO –

Draco Malfoy era seu melhor amigo, o único que a entendia perfeitamente a respeito de Bellatrix. De um garoto orgulhoso e preconceituoso, tornou-se um grande amigo, compreensivo e divertido. Mostrou-se mais humano e também mostrou a capacidade de amar.

Mas então tudo acabou.

Voldemort o recrutou para os Comensais e Draco cedeu. Passou a andar sozinho, isolou-se e afastou-se completamente da namorada e dos amigos. Quando foi buscá-la em 1974, mostrou-se desesperado e confuso... Ele tentou de todas as formas ser um bom amigo para Violet e a ajudou a entender as mudanças que Bellatrix sofreu ao longo do ano.

– Há dez minutos eu estava triste, melancólica e irritada, mas agora olhe para mim... Estou rindo!

– Isso é bom, sinal que consigo ser um bom amigo às vezes. – riu em resposta. – Não se esqueça disso sim? – falou, porém, mais sério do que antes.

Ele queria que ela lembrasse apenas dos bons momentos, do quão bom amigo poderia ser...

– Violet, eu não vou te deixar sozinha...

– Os dois mentiram... – sussurrou a garota pela primeira vez. – Eles disseram que não me deixariam sozinha e olhe só... Os dois me abandonaram sem ao menos pensar...

– Mas você não imaginava que daria errado e duas alunas inocentes sairiam feridas, entre elas sua melhor amiga...

– Não era para a Violet ser atingida... – disse com remorso – Foi um acidente e eu consegui evitar algo pior.

– Sim, você conseguiu. – concordou Dumbledore – Você a salvou várias vezes, Draco...

– Ela nunca foi meu alvo! – exclamou o garoto soltando lágrimas desesperadas, que Violet também soltava ao ouvir a conversa – Eu nunca a machucaria!

– São dois idiotas... – respondeu Alastor apertando-a ainda mais – Eles é que perderam por se afastarem...

– Se eu não fizer isso ele mata minha família! Minha irmã só tem seis anos... Eu não tenho escolha! Estou fazendo o que é melhor para minha família...

– Por que as pessoas mentem? – perguntou encarando o vazio.

– Pessoas infelizes contam mentiras... São covardes e tentam frustrar a felicidade alheia. – começou Alastor acariciando o cabelo de Violet ternamente – Mas saiba que todas essas pessoas são sozinhas e dignas de pena...

– Mas essas pessoas não se importam... – continuou Violet – Eles olham nos olhos e têm coragem de mentir descaradamente... Eles falam com tanta convicção que nós realmente acreditamos, confiamos...

– Traições machucam sim, mas as piores costumam vir das pessoas que mais confiamos... E normalmente são essas pessoas que devemos ter cuidado.

– Não deveria existir a palavra confiança... Pessoas mentem para benefício próprio e não se importam se vão machucar alguém... Apenas fazem.

– Violet, não deixe que uma pessoa manche a imagem das demais. – pediu ele – Snape te enganou sim, mas não significa que não existam pessoas verdadeiras...

– A traição sempre vem daqueles que mais confiamos... Pensei que soubesse disso.

– Pensei que fosse uma pessoa boa. – rebateu – Incompreendida, mas boa! Você, de todas as pessoas, era a que eu tinha certeza de que nunca iria me enganar...

– Você é igual à sua mãe. Confia demais nas pessoas e espera que todas elas te amem da mesma forma. — completou dando as costas.

– Ele estava certo. – respondeu Violet — Eu confio demais nas pessoas e espero que essa confiança seja recíproca. Eu o amava incondicionalmente e esperava que ele me amasse também. Mas tudo não passou de uma ilusão e eu fui uma idiota em acreditar nele...

– Violet, para... – disse Alastor soltando a garota e segurando seu rosto entre as mãos – O único idiota aqui é ele que não soube valorizar a filha incrível que tem... Você confia nas pessoas porque tem um coração! – insistiu – Você traz alegria às pessoas Violet, traz esperança! E não porque é a Escolhida, mas porque tem sentimentos e gosta de compartilhar sua felicidade! Não se ache idiota por confiar no seu pai, qualquer filho faria o mesmo... – sorriu levemente limpando as lágrimas da garota, que o encarava maravilhada. – Deveria se sentir orgulhosa da grande capacidade de amar que tem, de perdoar as pessoas e ver o lado bom de tudo...

Ela jamais esperou ouvir aquelas palavras do padrinho. Alastor sempre fora mais fechado e, por mais que brincasse e sorrisse, nunca demonstrou um lado mais emocional.

– Você é uma garota incrível e merece todo o amor do mundo, mas infelizmente têm muitas pessoas dispostas a estragar sua felicidade que vão fazer o possível e o impossível para isso... – continuou ele – Não deixe que eles consigam!

– E como eu faço isso? Esqueço tudo que aconteceu? Engulo as lágrimas e sigo em frente?

– Por mais que machuque, isso vai te deixar mais forte. Chorar não vai curar a dor que você sente, mas vai te aliviar... Não se pode ser forte o tempo todo, às vezes faz bem baixar as defesas e deixar alguém cuidar de você...

Violet apenas sorriu levemente e assentiu, voltando a deitar o rosto sobre o peito do padrinho enquanto dois braços fortes a envolviam carinhosamente. Depois do pequeno conselho, nenhum dos dois voltou a conversar e Violet, embora ainda sentisse a dor em seu peito, percebeu que estava mais leve, como se um peso tivesse sido tirado de suas costas.

Alastor estava furioso por saber que o “idiota do morcego” tinha colocado a culpa de tudo nas costas da menina. Violet era sim impulsiva e explosiva, mas também era frágil e capaz de grandes atos por amor. Ela tinha a incrível capacidade de ver o lado bom das pessoas e trazê-lo à tona.

Foi isso que aconteceu com ele, um velho ex-auror rabugento que estava sempre reclamando e exigindo o que as pessoas não poderiam dar. Violet despertou seu lado fraterno e conseguiu conquistá-lo em pouco tempo.

Violet ainda chorava quando sua respiração normalizou-se e seus olhos fecharam-se, finalmente cedendo ao cansaço. Alastor então beijou ternamente sua testa e deitou a cabeça na parede logo atrás com uma promessa em mente.

– Você não está sozinha pirralha. Vou cuidar de você... – sussurrou ele fechando os olhos e também cedendo ao sono ao lado da garota que pode, oficialmente, considerar-se órfã.

Notas finais
:( Ah gente, fiquei triste agora... Nem sei o que dizer... Medalhão de Slytherin é falso, Luna dando força para o Harry, Minerva desapontada, Lupin e Tonks de mãos dadas (é isso mesmo produção?)... E o momento mais incrível desse capítulo: Alastor cuidando da Violet e dizendo aquelas coisas bonitas... Sério, tem um cisco no meu olho de novo!!! Agora eu lhes pergunto: Violet foi consolada pelo padrinho, quem vai consolar nosso morcego predileto?? :( *Obs.: Poder Peruano de Escuridão Instantânea é uma espécie de pó negro que, se jogado no ar, impede qualquer um de ver qualquer coisa por determinado tempo. --------------------------- Capítulo 30 – It’s Hard To Say Goodbye (...) - Sirius Black, se você abrir essa boca para falar algo parecido de novo eu juro que arranco sua língua! (...) ---------------------------- Ameaças tão cedo? O que o Sirius fez dessa vez? Bjjss e até depois!