Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
26 Capítulo 25 - Sleep Well, My Angel
Notas iniciais
CAPÍTULO 25 – SLEEP WELL, MY ANGEL
“Durma bem, meu anjo”
– NARRAÇÃO – MAIO DE 1997 –
Violet dormiu a noite toda no quarto do pai, que preparou uma poção do Sono Sem Sonhos e deu para a garota tomar. Ela não teve pesadelos, não teve invasões de Voldemort e não pensou em nada, apenas descansou e repôs a energia que precisaria.
Snape ainda não havia concordado totalmente com o que a filha queria fazer, mas não a deixaria sozinha. Enquanto ela dormia, o professor foi até a direção e conversou com Dumbledore.
– Eu concordo que é perigoso, mas é melhor que ela faça isso sob a nossa supervisão do que sozinha... Você conhece sua filha melhor que eu e concorda que, se a proibirmos, ela fará por conta própria no momento em que menos esperarmos... – afirmou o diretor.
Quando Violet acordou, seu pai já havia pego um bom café da manhã e, juntos, desfrutaram de alguns minutos de calma e serenidade. Dumbledore, por sua vez, certificou-se de que não haveria ninguém nos arredores da enfermaria aquela manhã e deixou Madame Ponfrey preparada para ajudar em qualquer coisa que acontecesse.
Assim que o relógio marcou nove horas, o sol estava brilhando nos jardins e todos os alunos aproveitaram o momento para absorverem o máximo de calmaria que pudessem. Enquanto isso, na enfermaria, Violet, Snape, Dumbledore e Ponfrey fechavam as janelas e as portas.
– VIOLET –
– Tem certeza do que quer fazer Srta Snape? – perguntou Dumbledore.
– Sim, tenho certeza. – afirmei.
– Muito bem, então devo lhe falar algumas coisas. – começou ele – Para salvar uma pessoa do modo que a senhorita pretende, é preciso liberar uma grande quantidade de magia e energia. Também é preciso paciência, não é um processo rápido. A senhorita ficará fraca com o esforço e, por ser despreparada, pode ser que não consiga da primeira vez.
– Tudo bem, eu tento quantas vezes forem preciso.
– Não, a senhorita não entendeu... Caso falhe na primeira tentativa, não terá energia o suficiente para uma segunda...
– Pois então farei o melhor que puder para conseguir na primeira.
– Tudo bem. Eu e seu pai vamos nos afastar para não atrapalhá-la, lembre-se que estaremos aqui para o que precisar...
– Obrigada professor Dumbledore. – agradeci aproximando-me da maca e encarando Alessa. – Eu vou te salvar, eu prometo... – sussurrei beijando sua testa.
Uma de minhas mãos segurou a dela enquanto a outra ficou em seu rosto.
Eu posso fazer isso... É fácil! Apenas sentir...
Tudo que eu precisava era liberar a magia negra dentro de mim, e como a única forma de conseguir isso era por emoções fortes, busquei em minha mente a raiva que sentia de Voldemort, tudo que ele fez e todas as mortes que causou. Senti a raiva aflorar em meu peito, mas percebi que não era o suficiente.
Novamente mergulhei em minha própria mente em busca de momentos que me deixassem irritada. Lembrei-me então do Torneio Tribruxo, de quando Cedrico foi morto à minha frente e de quando Voldemort me usou para retomar seu corpo.
Quase pude sentir as pontas gélidas dos dedos de Bellatrix naquela noite, tentando me convencer a me tornar uma comensal. Sem sequer perceber, lembrei-me dos olhos negros que me fitavam naquele momento, da sinceridade que vi e do sentimento que começou a crescer em meu coração.
E foi então que senti algo forte ser puxado de mim, como se a magia estivesse se conectando com a mente de Alessa. Abri os olhos e vi que uma pequena névoa prateada rodeava o peito dela, e foi aí que entendi que a raiva não era a chave.
“Vocês dois, juntos, possuem algo que Voldemort nunca teve: amor. Mesmo depois de tudo que ambos passaram, continuam mantendo esse sentimento puro em seus corações, e por mais orgulhosos que sejam, amam intensamente...”, foi o que Dumbledore dissera.
Não é a raiva, é o amor...
Eu precisava curar o coração de Alessa para trazê-la de volta.
– Srta Snape? – tentou Dumbledore encarando-me, porém, já que eu sabia a resposta, não iria parar.
Fechei meus olhos e deixei que memórias viessem à minha mente. A primeira vez que conversamos, o cabelo vermelho fogo voando com o vento, seus olhos castanhos brilhando ao sol e seu sorriso incrível direcionado à mim.
Lembrei-me de todos os momentos felizes que compartilhamos, do apoio que Alessa sempre me deu e até mesmo da bagunça que fazíamos. Senti um formigamento no peito e mesma sensação de antes voltou, como se o amor que eu sentia pela ruiva à minha frente estivesse puxando minhas energias através de uma ponte invisível.
Inesperadamente me senti mais forte que nunca, apertei a mão de Alessa na minha e novamente pensei em tudo que passamos. Começamos uma amizade simples, mas a cada dia que passava eu sabia que esse sentimento crescia em meu peito. Alessa era mais que uma amiga, era uma irmã, uma companheira, uma parceira de crimes e uma especialista em me fazer passar vergonha.
Volta para mim Alessa... Estou te esperando...
E então algo pareceu se expandir em meu peito e senti algo inexplicável. Pouco a pouco os bipes do aparelho trouxa começaram a bater mais altos e rápidos, logo conquistando um ritmo acelerado. A pele gélida de Alessa voltava lentamente para a temperatura normal e algo dentro de mim dizia que eu havia conseguido.
Abri meus olhos e vi que ela já não estava pálida ou com olheiras, e sim com a pele rosada. Os cabelos ruivos voltaram ao seu brilho habitual e já não existiam cortes em seu rosto. Olhei ao redor e percebi que meu pai me encarava preocupado enquanto Dumbledore exibia um claro sorriso de satisfação.
Mas foi então que senti algo horrível. Era como se um buraco tivesse se aberto à minha frente e eu estivesse caindo por ele. Senti um puxão em meu peito e minhas mãos começaram a formigar, minha magia estava esvoaçando por entre meus dedos e eu não tinha forças para parar.
Meus joelhos estavam fraquejando e eu soube que não aguentaria muito tempo. A névoa prateada que acumulava-se sobre Alessa estavam agora avermelhadas e sugavam cada vez mais minha energia.
– Violet... – chamou meu pai, aproximando-se rapidamente assim que viu que eu já não estava aguentando. – Violet!
Reuni todas as minhas forças para afastar meus braços e, quando finalmente consegui, desabei.
– NARRAÇÃO –
Violet desmaiou e, no minuto seguinte, seu pai a pegou no colo e a colocou sobre uma das camas enquanto Dumbledore se aproximava rapidamente. Madame Ponfrey, por sua vez, correu até Alessa e a examinou cuidadosamente, partindo logo em seguida para Violet.
– E então?
– Ela está bem professor Snape, só precisa descansar um pouco e estará nova em folha... – respondeu ela.
– E a Srta Chambers? – perguntou Dumbledore.
– Os batimentos e a temperatura voltaram ao normal e ela já não tem ferimentos. É até inexplicável, mas nesse exato momento está apenas dormindo e acordará muito em breve... – sorriu.
– Ela conseguiu Severo, Violet salvou a Srta Chambers com sucesso... – sorriu Dumbledore.
– Sim, ela conseguiu... – respondeu ele acariciando o cabelo da filha.
– Violet é muito poderosa Severo, e agora que conseguiu usar esse poder com sucesso, vai controlá-lo cada vez mais e se mostrará realmente invencível... Ela está destinada a grandes feitos meu filho, e o primeiro deles acabou de acontecer sob os nossos olhos. – elogiou — Infelizmente creio que Tom sentiu a energia que emanou dela e virá com todas as suas forças para buscá-la, mas ela não cederá, é forte, poderosa e teimosa.
– Ela é o ser mais teimoso e persistente que conheço, sem dúvida... – concordou Snape sorrindo para a filha.
Snape, Dumbledore e Papoula concordaram em não divulgar o verdadeiro motivo da melhora de Alessa, diriam apenas que ela finalmente reagiu aos medicamentos.
Quando Jullie foi visitar a irmã naquela tarde, chorou como uma criança assim que foi recebida com um sorriso enorme da mais nova. Alessa havia acordado, estava perfeitamente bem, talvez melhor que nunca, e teve alta em dois dias.
Violet, por sua vez, permaneceu na enfermaria sem ninguém saber, sendo que apenas os professores, Jullie, Draco e Harry tinham o conhecimento de que ela havia voltado. Durante quatro longos dias a garota recuperou suas energias e só teve alta à noite, quando seu pai foi buscá-la.
Novamente ela dormiria com ele, mas daquela vez tinha um motivo ainda mais forte para que a mantesse por perto. Draco havia consertado o armário sumidouro e a invasão à Hogwarts aconteceria na noite seguinte, após o toque de recolher.
Voldemort realmente sentiu a energia poderosa que emanou de Violet e estava eufórico. Precisava da garota ao seu lado.
Snape, por sua vez, estava perdido, não sabia o que fazer exatamente e nem como agir. O pedido que Dumbledore havia lhe feito estava mais próximo de ser cobrado e ele sabia que, em poucas horas, teria que desaparecer da vida da filha.
Ele a amava mais que do jamais imaginou que faria, a garota era tudo em sua vida e o único motivo pelo qual ele empenhava-se cada dia mais para enganar Voldemort. Ele sabia que partiria o coração da filha muito em breve, e não estava preparado para abandoná-la ainda, não conseguiria olhar em seus olhos azuis safira e mentir, não conseguiria enganá-la e fazê-la pensar que a odiava.
– Eu não sou um herói como você pensa... – sussurrou, aproveitando que os efeitos da poção do Sono Sem Sonhos não a deixariam ouvir qualquer coisa – Não sou forte e, assim como você, tenho medo. Tenho muito medo, especialmente de te perder... Seja forte Violet, por favor... Não ceda à ele como eu cedi... – pediu, ignorando as lágrimas que lentamente caiam de seus olhos – Eu nunca deixei que ninguém se aproximasse, mas você é tão encantadora que eu não pude evitar! Se você soubesse o quanto eu te amo princesa... Você me resgatou das trevas e me deu uma razão para lutar. E é isso que me dói mais. Quando eu olho nos seus olhos eu vejo os da minha mãe. Assim como ela, você confia tanto em mim... Tem tanta devoção, adoração! Mas eu não sou digno disso. Amanhã você vai me odiar e talvez nunca me perdoe. – falou, finalmente percebendo a veracidade de suas palavras — E eu espero que realmente não o faça.
Suas mãos acariciavam lentamente os fios negros da garota, que dormia serenamente, alheia às palavras do pai.
– Gostaria de apagar sua mente e te fazer esquecer que eu sou seu pai, mas não posso. Você precisa conviver com essa dor e transformá-la em força para enfrentar o Lord e derrotá-lo. – sussurrou – Você é tão jovem mas já tem tanta responsabilidade! Uma criança não deveria passar pelo que você passou, mas eu sei que consegue... Cada dia que passa eu me convenço ainda mais de que é capaz de grandes coisas, sei que vai vencer essa guerra, eu confio em você! Tem capacidade para fazer o que quiser! – murmurou – Estarei lá quando tudo isso acabar, tenho orgulho de você e vou sentir ainda mais... Você é tudo para mim Violet, e é por isso que eu preciso ir.
Enquanto Violet dormia calmamente, Draco Malfoy não conseguiu pregar os olhos um minuto sequer. A culpa o consumia cada vez mais e a cada segundo estava mais perto da maior traição que faria.
Draco seria desleal à melhor amiga que já teve, a única que um dia confiou nele plenamente e o aceitou do jeito que era. Violet não o julgava como todos os outros, ela realmente acreditava nele e isso o fazia se sentir ainda pior. Sophie, também, não saia de sua cabeça. Ah, doce Sophie... A decepção que viu naqueles olhos verdes o perseguia dia e noite.
Sua mãe estava certa, nunca deveria ter aceitado a Marca Negra. Merecia tudo de pior que existisse e queria nunca ter que ver a decepção nos olhos de Violet e Sophie quando fizesse o que o Lord das Trevas o incumbiu na noite seguinte.
– Eu sinto muito...
Snape também não dormiu, usou aquela última noite para observar a filha e gravar o máximo que pudesse do rosto da menina.
Na noite seguinte tudo acabaria.
Ela seguiria com a luz, ele com as trevas.
– Boa noite, meu anjo. – disse beijando-lhe a face ternamente e fechando os olhos. – Minha princesa...
Fale com o autor