Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
20 Capítulo 19 - You Did a Good Job
Notas iniciais
CAPÍTULO 19 – YOU DID A GOOD JOB
“Você fez um bom trabalho”
– VIOLET – FEVEREIRO DE 1974 —
– Por que não estamos na sala de Dumbledore? Da última vez que usei um vira-tempo com a Mione nós voltamos no tempo, mas no mesmo lugar...
– Talvez porque a sala do diretor é protegida... – respondi. – Imagino que deve ser o lugar mais seguro de Hogwarts, não é?
– Deve ser... – concordou – Bom, agora só precisamos encontrar o Dumbledore desse ano e contar tudo...
Enquanto caminhávamos percebi que todos os alunos nos encaravam, talvez por Harry estar com roupas trouxas e eu de vestido, ou por nunca terem nos visto antes.
Assim que chegamos à Gárgula, dissemos todos os doces que apareciam em nossa mente, mas nenhum estava certo.
– Está vindo alguém... – disse Harry repentinamente, mas antes que qualquer um de nós tentássemos nos esconder, o miado de Madame Norra nos parou.
– Ei, vocês! O que fazem aqui?
– Sr. Filch! – exclamei virando-me e pensando numa boa desculpa – Hmm... Nós...
– Sra. Snape! – cortou-se – Pensei que já tivesse ido embora...
– Eu... – gaguejei, afinal, não sabia o que dizer.
Ele estava me chamando de Sra. Snape, ou seja...sabia quem eu era... Mas por que então senhora e não senhorita?
A não ser que... Será que ele pensa que sou minha avó? Mas não somos tão parecidas a ponto de nos confundirem... Somos?
– Hmm... Eu voltei porque preciso falar com o diretor... – tentei – Só não me lembro da senha...
– Claro, claro! – exclamou ele aparentemente animado – A senha hoje é torta de limão.
Nesse exato momento a gárgula moveu-se e abriu caminho para uma escada de pedras enquanto Filch me analisava sorrindo.
– Obrigada Sr. Filch...
– Não precisa agradecer Sra. Snape, não faço mais que minha obrigação para com uma das benfeitoras da escola! A senhora parece mais jovem... – disse desconfiado.
– Benfeitora? – surpreendi-me, porém, logo me corrigi – Ah, claro... Hmm... Certos cremes de beleza fazem milagres! Obrigada Sr. Filch, mas se nos dá licença, precisamos falar com o diretor... – sorri pegando Harry pelo colarinho e empurrando-o para as escadas, fechados logo em seguida pela gárgula, que voltou ao seu lugar.
– Sra. Snape? Benfeitora? – perguntou Harry – O que acabou de acontecer?
– Não sei, mas o que quer que seja, nos livrou de uma grande bronca... – suspirei. Quando ouvi vozes na sala do diretor, tentei impedir Harry de entrar, porém, ele já havia aberto a porta.
– Professor Dumbledore? Nós... – começou, porém, parou. – Merlin...
Droga!
– Ora, ora... O que temos aqui? – disse Dumbledore num tom divertido. – Quem é você meu rapaz? Embora muito semelhante com um de meus alunos, creio que não seja daqui...
– Ah... Desculpe professor, nós não queríamos interromper...
– “nós”?
– Sim, eu e... – falou, porém, parou assim que percebeu que eu não estava ao seu lado – Violet?
Suspirei fundo e decidi ignorar o frio que crescia em minha barriga. Dei dois passos para dentro da sala e quase não acreditei no que vi. Ali, ao lado de Dumbledore, estava uma mulher muito bem vestida, cabelos negros e pele pálida, um colar esverdeado pendia em seu pescoço e seus olhos azuis safira me encaravam com a mesma surpresa que os meus.
Era uma cópia minha, só que mais velha.
– Não é todo dia que vemos isso... – brincou Dumbledore, quebrando a tensão. — Creio que não sejam desse tempo, certo?
– Não. – respondeu Harry, já que eu estava imóvel encarando Eileen – Somos do futuro... 1997, mais especificamente.
– Que coisa magnífica! – sorriu animado – E como se chamam?
– Harry Thiago Potter. – respondeu Harry, olhando para mim em seguida e fazendo sinal para que eu continuasse.
– Violet. – suspirei, desviando o olhar de Eileen e encarando o professor – Violet Eileen Prince Black.
– Eileen Prince Black? – repetiu a mulher com espanto – Você é...
– Filha biológica de Severo Snape e adotiva de Bellatrix Black.
– Bellatrix? – repetiu com desgosto – Meu filho realmente tem azar no amor...
– Eles não... Eles não estão juntos, se é o que pensa... – corrigi rapidamente, imaginado o quão absurda era a ideia de meu pai e Bella juntos – Ela só... Me adotou e criou, desde que eu era criança...
– Mas...
– Creio que teremos tempo para maiores esclarecimentos a respeito dessa parte depois... – intrometeu-se Dumbledore, para o meu alívio – Agora... Digam-me, o que fazem aqui?
– Desculpe se vou parecer grosseira, mas... Ela é confiável? – falei.
– Como se atreve a falar comigo assim? – ofendeu-se Eileen.
– Eu sei o que tem no braço... – respondi surpreendendo-a.
– Não se preocupe Srta. Black, posso assegurar-lhe que Eileen é de total confiança, ela está do nosso lado...
– O senhor nos mandou para cá. – começou Harry – Nós estamos entrando numa guerra e precisamos de um objeto que está na posse de um de seus alunos... O senhor mandou um bilhete para o senhor... Não, quer dizer... Dumbledore do futuro te mandou esse bilhete... – corrigiu entregando o bilhete de Dumbledore para Dumbledore.
– NARRAÇÃO –
Enquanto Dumbledore lia o bilhete atentamente, Harry alternava olhares entre Violet e Eileen, que mantinha os olhos fixos na garota.
A mais velha analisava cada detalhe do corpo da menina e encontrou quase tudo de si mesma. O contorno do rosto, o cabelo, o tom de pele e aparentemente a textura. Viu também que a garota não era muito alta, mas o que mais chamava atenção para a semelhança-cópia eram os olhos. As duas safiras que Eileen sempre orgulhosamente chamou de olhos eram idênticos aos da menina, a mesma tonalidade e a mesma intensidade.
Quando descobriu que estava grávida, desejou internamente que o filho tivesse seus olhos, mas no fim nasceu um garoto de orbes negras como as do pai. Eileen não se preocupou muito, era apenas um detalhe na época, mas ver a futura neta ali, na sua frente, com os mesmos olhos e o mesmo rosto que ela mesma a fez ficar um pouco mais feliz e orgulhosa da genética forte dos Prince.
– Quem é sua mãe? – perguntou Eileen, não contendo a curiosidade.
– Não é importante...
– Não minta para mim garota, você é exatamente como eu e, obviamente, não consegue esconder coisas por muito tempo...
– Parece que o gênio forte vem de muitas gerações... – sussurrou.
– Quem é a mulher que você tanto evita?
– Lillian Evans.
– Lilly? – surpreendeu-se – E porque você não gosta dela? Todos gostam da ruiva grifinória!
– Porque ela me abandonou quando nasci e mandou para um orfanato. Fiquei 14 anos longe do mundo bruxo sem sequer imaginar que meu pai estava vivo, e ele também nunca soube que a filha estava viva.
– Ela sempre foi muito... Doce. E você sabe que tudo que é doce demais enjoa... – respondeu Eileen – Lillian não tinha o direito de fazer isso com o meu filho... Não bastasse o maldito Potter o importunando! – Harry segurou-se para não rebater nesse momento — Onde entra Bellatrix nessa história?
– Ela me adotou quando fiz cinco anos e me criou até eu entrar em Hogwarts.
– Isso é maravilhoso... – interrompeu Dumbledore após ler o bilhete — Minha escrita parece estar melhor do que é. – comentou rindo.
Dumbledore sendo Dumbledore...
– Realmente é surpreendente... Bellatrix Black adotando uma criança? Incrível... Algo mais que eu deveria saber? Alguma outra filiação de ambas as partes?
– Eu sou afilhado de Sirius Black e meio irmão dela... – disse Harry apontando-me.
– Você também é filho da Lillian? – interrompeu Eileen.
– Sim... Lillian e Tiago Potter.
– Oh, então eles se casaram... Minha antipatia por ela cresce a cada minuto.
– Ora Eileen, veja quem está à nossa frente! São crianças adoráveis e certamente tudo o que aconteceu teve um sentido... – refletiu – E você minha jovem?
– Pode parecer loucura, mas sou afilhada de Minerva McGonagall e Alastor Moody.
– Moody aceitou ser padrinho de uma menina?! – surpreendeu-se Eileen – Merlin, o futuro é mesmo surpreendente...
– Muito bem, farei o que for possível para ajudá-los, e pelo que li, os dois vão frequentar as aulas, certo? – continuou Dumbledore.
– Certo. – respondeu Harry.
– Aqui diz que ambos preferem ficar em suas casas do futuro, só que não informa quais são... Embora eu tenha um palpite, é claro... Sr. Potter?
– Grifinória. – respondeu orgulhoso.
– Srta. Black?
– Sonserina.
– A Srta. deve ouvir isso o tempo todo, mas a semelhança entre vocês duas é enorme... – comentou Dumbledore apontando as duas mulheres.
– É... Ouço isso com muita frequência... – riu Violet, assemelhando-se ainda mais com Eileen, que sorriu delicadamente. – Falando nisso, acho que temos um pequeno probleminha...
– Qual?
– O Sr. Filch nos viu lá em baixo e me confundiu com minha avó, se ele descobrir que era mentira vai querer me castigar aqui também...
– Também? – repetiu Eileen.
– Digamos que ele não gosta muito de mim no futuro... – admitiu a garota.
– Bem, este não será problema, vou conversar com o Sr. Filch e tudo ficará bem... – informou Dumbledore – Já está na hora de irmos não? O jantar já começou e vocês devem ser apresentados.
– Então já vou indo... Foi um prazer revê-lo Alvo, vou conversar com o meu filho sobre o que aconteceu ontem. – começou Eileen – E não se preocupe, esse assunto morre aqui...
– Obrigado Eileen.
– Violet... Foi um prazer conhecê-la... Você realmente é uma cópia minha!
– Digo o mesmo... – riu Violet encantada.
– Sr. Potter... – cumprimentou a mais velha antes de sair.
– Você me disse uma vez que eram parecidas, mas eu nunca imaginei o quanto! – comentou Harry ainda espantado.
– Eu só a vi por fotos... – explicou-se.
– Muito bem, vamos? — sugeriu Dumbledore levantando-se e seguindo até a porta. — Só peço para que não deem informações relevantes sobre o futuro, pode mudar muita coisa...
– Claro.
Durante o caminho Dumbledore os explicou o que poderiam ou não fazer e dizer, era muita coisa, claro, mas necessário. O diretor também informou que Catherine Jones, Lilian e Narcissa Black estavam no quinto ano. Lupin, Thiago Potter, Lucio Malfoy, Sirius e Peter Pettigrew estavam no sexto ano, onde Harry permaneceu, e Bellatrix, Meryl String, Andrômeda, Régulus Black e Severo no último ano, fora Violet, é claro. Minerva estava em seus primeiros anos como professora oficial e Alastor era estagiário em DCAT, preparando-se para ingressar no ministério como auror.
Assim que chegaram ao Salão Principal, Dumbledore os fez ficar ao seu lado e, logo que entram pela portinhola dos professores, ficaram frente à frente com os inúmeros alunos de Hogwarts. Violet novamente se sentiu como se estivesse no quarto ano, quando foi “premiada” como a quarta campeã do Torneio Tribuxo. Todos, exatamente todos, olhavam na direção de ambos.
– Antes do jantar ser servido, tenho uma novidade extremamente empolgante para lhes dar. – começou Dumbledore com Violet do seu lado direito e Harry do esquerdo – Durante os próximos dias teremos a honra de receber dois viajantes do futuro. – sua primeira frase foi suficiente para que burbúrios se espalhassem pelo Salão — Eles tiveram um pequeno acidente e acabaram em nosso tempo. Peço que, por favor, não façam muitas perguntas, pois conhecer o futuro pode mudá-lo drasticamente... – advertiu – Pois bem, eles permanecerão em suas casas do futuro e espero que os recebam calorosamente. Apresento-lhes Harry Thiago Potter, sexto ano, grifinória...
Assim que o diretor apontou para o moreno, a mesa grifinória instantaneamente encarou Tiago, que encarou o filho surpreso. Harry era muito parecido com o pai.
– ...e a Srta. Violet Eileen Prince Black, último ano, sonserina.
Se antes estavam surpresos, o anúncio de uma nova Black abalou as estruturas dos estudantes, que olhavam alternadamente para os cinco Black e a garota do futuro, na esperança de encontrar alguma familiaridade. Sirius ficou confuso e Lillian não conseguiu deixar de notar alguns traços extremamente familiares em Harry e na menina, que corria os olhos ao redor do salão.
– Sev, a garota... Ela...
– Eu sei Cissa, eu sei... – estranhou o sonserino.
– Muito bem, agora que as apresentações foram devidamente feitas, que o jantar seja servido! – anunciou Dumbledore e, com um movimento, o delicioso banquete surgiu magicamente nas quatro mesas. – Srta. Black, Sr. Potter, sejam bem vindos... – disse indicando as mesas Grifinória e Sonserina.
Enquanto Harry sentava-se entre os pais, Violet sentou-se na ponta da mesa sonserina, na parede. O salão ainda comentava sobre os viajantes, porém, Violet não estava nem um pouco interessada.
– Então... Você é uma Black... – começou Andrômeda encarando Violet – Desculpe, mas não vejo nenhum traço dos Black em você.
– Dizem que tenho o “jeitinho delicado” da minha mãe. Doce como um limão.
– Então Narcissa já foi descartada como sua mãe, ela é a criatura mais pura que conheço... – comentou Meryl sorrindo – Restam Andrômeda e Bella, mas eu apostaria em Bella...
– Por que não Sirius ou Reg? – perguntou Catherine, de cabelos e olhos negros.
– Sirius foi para a Grifinória, além do mais, duvido muito que ele um dia tenha filhos... – riu Meryl em resposta – E Régulos é muito solitário.
– Ei! – reclamou o garoto.
– Eu não quero ter filhos, então só resta Andrômeda. – comentou Bellatrix, fazendo com que Violet soltasse um sorriso malicioso idêntico ao da sonserina de cabelos cacheados, que franziu a testa.
– Sabem, não posso falar muito do futuro... – disse Violet – Além do mais, estou com fome... Tem pudim?
Severo não parava de encará-la um segundo sequer, ela era idêntica à sua mãe Eileen e também uma “Prince”. Snape era esperto e tinha certeza que a garota do futuro era sua filha, só precisava saber quem seria a mãe. E duvidava muito que um dia fosse se envolver com uma das Black.
– Que falta de educação a nossa! Nós nem nos apresentamos! – exclamou Meryl – Você deve conhecer alguns, mas mesmo assim... Meryl String. Ao seu lado estão Andrômeda Black, Catherine Jones, Lucio Malfoy e...
– Régulus Black. – disse ele galantemente, interrompendo Meryl. – Mas pode me chamar de Reg.
– Ela mal chegou e você já está jogando seu charme? – repreendeu-o Andrômeda.
– Enfim! – interrompeu Meryl em um tom mais alto – Continuando... Essas são Bellatrix e Narcissa Black e por último Severo Snape.
– Violet Black. – completou Violet sorrindo.
– Bom, os outros você vai conhecer durante as aulas, mas até lá... O que acha de fazermos um jogo? – sugeriu Andrômeda com um plano em mente.
– Que tipo de jogo? – interessou-se Violet.
– Nós faremos perguntas simples, assim você não precisa dar detalhes do futuro... Que tal? Aí no final nós juntamos as respostas e tentamos adivinhar quem são seus pais e sua história...
– Hmm... Tudo bem... – hesitou a garota. — Quem começa?
– Você é famosa no futuro?
– Que tipo de pergunta é essa, Andy? – indagou Bellatrix incredulamente.
– Ela é uma Black, todos os Black são famosos... – explicou — Você é?
– Mais do que eu gostaria. – suspirou Violet.
– Por que não gosta? – perguntou Narcissa.
– Porque é sufocante! E eu prezo muito minha privacidade...
– Poções, DCAT ou Transfiguração? – perguntou Meryl.
– Poções, com certeza.
– Você é uma boa aluna?
– Depende do ponto de vista. Sou ótima aluna no quesito matéria, tenho notas altas e um desempenho muito bom, MAS... Sou recordista em detenções...
– Como você consegue ser ótima aluna e recordista em detenções ao mesmo tempo?!
– Digamos que sou um tanto quanto... explosiva e geniosa...
– Conheço algumas pessoas assim... – riu Catherine – E que tipo de “travessuras” você já fez para conseguir detenções?
– Bom, a primeira que eu tive foi com o professor de poções por teoricamente chegar atrasada, mas como eu consegui entrar antes que ele na sala, me livrei...
– Mas isso não é motivo para detenções...
– Eu sei, o problema é que o professor também era genioso, então acabamos discutindo na sala e eu fiquei em detenção... – respondeu olhando rapidamente para Severo, que levantou a sobrancelha interrogativamente.
Enquanto os sonserinos faziam perguntas, os grifinórios bombardeavam Harry, especialmente Tiago.
– Por favor, me diz que sua mãe é uma ruiva linda e incrível!
– Pare com isso Potter! – reclamou Lillian.
– Hmm... Na verdade, tenho os olhos da minha mãe...
– São verdes, logo... Lilly, meu amor, teremos um filho! – exclamou Tiago abraçando-a de lado.
– Me solta Potter!
– Eles... São sempre assim? – perguntou Harry ao presenciar mais uma discussão do casal.
– Sempre. – respondeu Sirius – Mas então... Você chegou com uma garota muito bonita, uma Black! Ah se não fosse sonserina...
– Não fale assim da minha irmã! – rebateu impulsivamente.
– Irmã?!! – exclamaram Lillian e Tiago ao mesmo tempo.
– Ahnn... Acho que falei demais...
– Nada disso, pode ir falando... Eu tenho uma filha que foi para a sonserina e usa o sobrenome dos Black? – inconformou-se Tiago.
– Ela não é sua filha.
– Mas e então?
– Ela é minha irmã por parte de mãe.
– Lilly, você me traiu!
– O quê?! Mas eu...
– Não, ela não te traiu.
– Isso não diminui o fato de ela ter uma filha com outro homem! Sirius, eu juro que te mato!
– Eu?!
– Para com isso Potter! Não sou sua propriedade para você falar assim comigo! – reclamou a ruiva – Harry... Então... Violet Black, ela é minha filha também?
– Ela não vai gostar de saber que eu contei, mas sim, Violet é a primogênita.
– E por que ela usa o sobrenome dos Black? Por favor, não me diga que eu me envolvi com o energúmeno do Sirius ou Régulus...
– Nossa, tocou meu coração agora... – ironizou Sirius.
– Não! – recusou, para o alívio de todos na mesa — Digamos apenas que vocês duas têm uma história complicada...
– VIOLET —
– Eu não acredito, você explodiu a parede da sala de poções?! – surpreendeu-se Narcissa – Por quê?
– Porque seu filho era um idiota preconceituoso e nós não nos dávamos bem... Ele me provocou, eu perdi o controle e duelamos no corredor. – falei, mas logo percebi a burrada que tinha falado e tratei de mudar de assunto — E então, já sabem quem são meus pais?
– Bellatrix, é óbvio. – respondeu Régulus.
– Por que eu? – reclamou a morena.
– Vocês têm a mesma teimosia e o mesmo olhar assassino. Além do mais, ela filha de uma das três... Cissa é loira e obviamente será uma Malfoy. Andrômeda pode até ser, mas eu ainda aposto minhas fichas na Bella, minha querida priminha, doce como um limão...
– Concordo em grau, gênero e número... – riu Narcissa.
– Acontece que vou me casar com o idiota do Rodolphus, ela não deveria ser uma Lestrange então?
– Na verdade, seu marido já tentou me matar... Duas vezes. – comentei – E graças à Merlin ele não é meu pai...
– Rodolphus tentou te matar?! – exclamou Bellatrix surpresa. – Por quê?!
– Ordens superiores... – falei tocando o pulso esquerdo distraidamente.
Bellatrix calou-se imediatamente e ficou me encarando, provavelmente tentando descobrir porque Voldemort mandara me matar e como eu sabia sobre ela.
– Seu pai é professor? – perguntou Narcissa discretamente trocando olhares com Severo e desviando o foco de Bellatrix, afinal, eu não respondera nem que sim nem que não sobre ser filha dela.
– Poções. – respondi.
Meu pai do passado levantou a sobrancelha questionadoramente, exatamente como costumava fazer no futuro, e assenti levemente. Era a confirmação de que eu seria sua filha.
– Então foi ele que te deu suas primeiras detenções? – estranhou Andrômeda.
– Pois é... – ri.
– Você vai assistir às aulas? – interrompeu Lucio.
– Sim – respondi, tentando ao máximo conter minha aversão à ele.
– Então é melhor pegar seu horário. – falou estendendo-me um pergaminho.
Enquanto analisava quais seriam minhas aulas, percebi algo na mão de Andrômeda. Não contendo minha curiosidade, olhei melhor e então gelei.
– Andrômeda... – murmurei o mais baixo possível, tentando evitar que alguém ouvisse. O que obviamente não aconteceu. — Onde você conseguiu esse anel?
– Ah, esse? – perguntou levantando um pouco a mão com o anel – É de família... Todo Black tem um... – respondeu apontando para as irmãs e Régulus, todos com o mesmo anel – Por quê? Você não tem?
– Tenho... – concordei – Só não sabia que era de família. Na verdade, eu ganhei no meu aniversário com um bilhete anônimo dizendo: “É seu por direito”.
– Se você é uma Black, é claro que iria receber o anel... Só não sei o porquê de ser através de um bilhete anônimo... – falou pensativa – Como é o anel?
– É igual ao seu, mas a pedra é um pouco maior e dos lados tem uma flor incrustada em ouro branco envelhecido, e pelo que me lembro é bem antigo...
– Por acaso é igual ao da Bella? – perguntou apontando para a mão de Bellatrix, onde repousava um anel idêntico ao meu, porém, com a alça mais fina.
– Sim, só que a alça do meu anel é um pouco mais larga... Por quê?
– Só os filhos mais velhos tem o anel com alça larga. E pelas características que você falou, a única pessoa que tem um anel igual é a mamãe...
– Tem certeza?
Andrômeda então pegou sua varinha e conjurou um pedaço de papel, entregando-me logo em seguida. Assim que olhei percebi que era a foto de uma mulher incrivelmente bela, porém, com as feições duras e severas.
– Essa é Druella Black, minha mãe... Você reconhece o anel que está em seu dedo? – perguntou apontando para a foto.
Olhei mais de perto e analisei cada detalhe do anel, que para minha surpresa, era idêntico.
– É exatamente assim... – respondi.
– Então agora está explicado o porquê de te darem esse anel... – falou radiante – Normalmente o símbolo dos Black é passado para os filhos mais velhos, sendo que apenas os homens são enterrados com o anel. – explicou – Quando minha mãe morrer, seu anel será passado para Bellatrix, que consequentemente deve passar para seu primogênito, e eu posso apostar que é você. Os outros filhos ganham anéis mais simples quando nascem, como o meu...
– Ahh... Eu não sabia dessa história... — sorrivoltando a me concentrar no jantar, porém, o que Andrômeda disse não saiu da minha cabeça.
Se o anel era realmente de Druella Black e passou para Bellatrix, como foi parar comigo? Ou melhor, quem mandou?
– NARRAÇÃO —
O jantar passou lentamente para os viajantes do futuro, porém, enquanto Harry ficava maravilhado em conhecer os pais na mesma idade que ele, Violet sentiu o buraco em seu peito se abrir, afinal, estava no mesmo ambiente que Lillian, Tiago e Bellatrix, as três pessoas que mais a fizeram sofrer no futuro.
Violet estava sentada encostada à parede, logo, poderia ver todo o salão, inclusive Lillian, que vez ou outra tentava mandar-lhe um sorriso. A sonserina desviou de todos e, na última vez, correspondeu da maneira mais fria e séria que pode, deixando a ruiva sem graça.
Logo que Dumbledore dispensou os alunos, lançou um olhar de boa sorte aos irmãos do futuro e retirou-se, assim como os demais professores. Andrômeda era a mais animada das irmãs Black e já se sentia extremamente conectada à “sobrinha”. Ela sabia que não era a mãe da menina e podia apostar que o Black veio de Bella.
Lucio ficou extasiado quando Violet confirmou que ele iria se casar com uma das mais bonitas e ricas garotas de Hogwarts, teria dois filhos e o primogênito ainda seria um homem, de forma que poderia dar continuidade ao patrimônio Malfoy. Era tudo que ele poderia desejar. Narcissa, por sua vez, dividia-se na felicidade das novidades de seu futuro com Lucio e a suspeita de a garota ser filha de Severo.
– Sev... – sussurrou enquanto voltavam para o dormitório — Ela é...
– Sim, tenho certeza que ela é, ou será, minha filha. Só não acredito que seja com uma de suas irmãs...
– Você é filha do Severo! — exclamou Bellatrix repentinamente apontando para o garoto de cabelos negros.
– Eu...
– Srta. Black. – chamou alguém fazendo-a virar aliviada.
– Alastor! – murmurou instintivamente.
– Sr. Moody. – corrigiu friamente – O diretor mandou avisar que é para dormir no quarto das irmãs Black, ele já providenciou seu material e uniforme. Não se atrase para as aulas. – avisou afastando-se rapidamente.
Violet permaneceu estática no lugar, aquele não poderia ser o mesmo Alastor, seu padrinho.
Moody daquele tempo não tinha deformações por conta dos anos como auror e também não tinha uma perna metálica ou um olho mecânico, era um homem comum. Mas não era apenas fisicamente que estava diferente, aquele Alastor era mais duro e frio, mais...ríspido.
– Violet? – chamou Andrômeda despertando a garota. – Está tudo bem?
– Ahn... Sim, sim está... É que certas coisas são tão diferentes... – murmurou encarando o jovem Alastor virar o corredor.
– Você o conhece? – perguntou Andy aproximando-se e enganchando seu braço no da nova amiga.
– Mais do que imagina... – suspirou.
Andrômeda ignorou o comentário e seguiu com a garota para as masmorras.
O Salão Comunal da Sonserina do passado era muito mais luxuoso. Todo em tons de preto e verde, quatro grandes pilares rondavam uma mesa com quatro cadeiras, provavelmente a mesa de estudos. O chão era em mármore preto/cinza e a lareira ostentava um fogo magicamente esverdeado, assim como os dois lustres de cristais que pendiam no teto. Quadros e espelhos eram espalhados pelas paredes de pedra polida e a entrada para os dormitórios era como um arco gótico que dividia-se em dois lados: a ala feminina e a ala masculina.
– Uau... – surpreendeu-se Violet.
– Vamos lá. – sorriu Andy segurando em seu braço e rebocando-a para cima. – Esse é o nosso quarto, e a única cama disponível é a ao lado da porta...
– O destino é surpreendente... – riu a morena – Esse é o meu quarto no futuro, e minha cama é aquela... – disse apontando para o móvel ao lado da janela com visão para o Lago Negro.
– Aquela é a cama da Bella... – riu – É ela não é? Sua mãe?
– Como sabe?
– Vocês tem o mesmo temperamento, apesar de você ser mais calma.
– As pessoas que foram para a enfermaria por minha causa discordam... – gargalhou a garota em resposta no exato momento em que as outras Black entravam.
– Qual a graça? – perguntou Bella.
– Sua filha é incrível! – respondeu Andy sorrindo – E eu sou uma tia coruja...
– Filha?! – surpreendeu-se a mais velha.
– Ok tia coruja, acho melhor eu tomar um banho... – riu Violet levantando-se, desviando do assunto e indo até o banheiro. – Boa noite!
– Boa noite – respondeu Andy para logo em seguida a porta ser fechada.
– Que historia é essa de minha filha?
– Sério Bella? – ironizou – Além do mais, Violet confirmou, ela é sua filha. – respondeu Andy novamente arrumando sua cama – E eu acho que você fez um bom trabalho...

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