Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
16 Capítulo 15 - Without Protection
Notas iniciais
CAPÍTULO 15 – WITHOUT PROTECTION
“Sem proteção”
– NARRAÇÃO – JANEIRO DE 1997 -
A volta às aulas foi tranquila. Violet e as garotas conversaram sobre tudo que se possa imaginar e Alessa, particularmente, adorou saber da aventura entre Violet e Tonks, apoiando totalmente.
– Vocês são loucas... – comentou Mary – Não sei se eu teria coragem... Foi muito perigoso!
– Ela estava com uma auror recém formada! – rebateu Sophie – Estava segura...
– Sophie... Você está bem? – debochou Alessa – Desde quando a Srta. certinha apoia aventuras como fugir à noite?
– Não sou 100% certinha... – respondeu ela corando – Mas não vejo nada de mais... Violet estava acompanhada por uma auror jovem, as duas sabem duelar muito bem, ninguém sabia que elas iam sair juntas, a casa da Andrômeda é segura com inúmeros feitiços de proteção... Ela estava mais segura que nós, na festa da minha mãe...
– Isso é verdade... – concordou Mary – Mas então... Você disse que vamos ter aulas de aparatação?
– Sim! Jullie me contou semana passada... Quem tiver dezessete até 30 de junho pode fazer o teste e, se aprovado, terá licença para aparatar sozinho.
– Espera, então a Gemma, Jeremy e Amanda já podem aparatar?
– Sim, estão no sétimo ano...
– Nossa, eu não tinha percebido esse detalhe... – comentou Mary – De qualquer forma, a Violet fez dezessete no ano passado e nós três fazemos antes de junho, então nós podemos tirar a licença...
A notícia das aulas de aparatação espalhou-se pelo castelo rapidamente, todos queriam participar das aulas. Harry completaria dezessete apenas em julho, logo, participaria apenas das aulas e não poderia fazer o teste. Até lá, contentou-se com as aulas que Dumbledore lhe dava.
– Na última aula falamos sobre a infância e o nascimento de Tom Riddle, lembra-se? – perguntou o diretor após o horário das aulas em sua sala.
– Sim senhor.
– Por ser órfão, o fato de demonstrar uma incrível sede de conhecimento e grande habilidade em magia foi uma alavanca em sua vida escolar, Tom era admirado por todos os professores e recebeu vários prêmios em nome de sua casa... Era um garoto prodígio e o príncipe da Sonserina.
– Então ele... Ele se parecia com a Violet? – perguntou Harry surpreso e assustado.
– Realmente há certa semelhança entre o jovem Riddle e sua irmã. Ambos compartilham da sede de conhecimento, são membros da Sonserina e possuem um futuro grandioso no mundo da magia, mas não se engane Harry, a semelhança acaba por aí. Quando ainda estava em Hogwarts Tom encontrou o tio materno, Morfin, roubou sua varinha e matou o pai e os avós paternos, exterminando os últimos Riddle existentes. Morfin Gaunt assumiu a culpa e foi preso, porém, o anel característico da família Gaunt desapareceu e o pobre homem foi executado antes que pudesse ser inocentado.
– Mas se foi Voldemort, por que o Sr. Gaunt assumiu?
– Morfin deu detalhes do assassinato que apenas o assassino saberia... – continuou Dumbledore.
– Então... Voldemort controlou sua mente e manipulou os fatos?
– Exato. Alguns meses mais tarde, o jovem Tom fez uma pergunta interessante à Horacio Slughorn, que já era o professor de Poções da época...
– Qual pergunta?
– Tom perguntou o que era “Horcrux”. Tenho as lembranças da conversa entre o Profº. Slughorn e Tom, mas acaba neste exato momento. Para que possamos derrotar Voldemort, precisamos saber o que realmente aconteceu naquela tarde e qual foi a resposta de Horácio.
– Mas então não é apenas perguntar?
– O Profº. Slughorn tem motivos para se envergonhar de algo naquela conversa e, como o habilidoso bruxo que é, alterou as lembranças e recusa-se a me entregar o final dela. – explicou — Harry, esta é a primeira vez que lhe darei uma lição: preciso que pegue as verdadeiras memórias de Horácio.
– Eu? – repetiu Harry – Mas professor... O que faz o senhor acreditar que o Prof Slughorn dará essa memória a mim?
– Você é seu grande tesouro Harry, e também filho da melhor aluna que ele já teve, Lillian Evans.
– E por que não a Violet? Ela também tem essas qualidades e ainda carrega o nome de “Escolhida”...
– A Srta. Snape é muito talentosa sim, mas o Prof.º Slughorn tem clara preferência à você. Sua irmã recusa o fato de ser filha de Lilly e não é nem um pouco parecida a ela, já você, tem algo que sempre o lembrará de Lilian Evans: os olhos. O Profº. Slughorn te admira muito, e isso é algo à nosso favor...
– Certo... – suspirou — E como eu faço?
– Nenhum feitiço será de ajuda Harry, como eu disse, o Prof.º Slughorn é um bruxo experiente e poderoso... Você deve convencê-lo a entregar a verdadeira lembrança... – explicou o diretor – Mas antes que a noite termine, quero te mostrar uma nova lembrança, a última conhecida a respeito da adolescência de Tom Riddle e que talvez nos ajude...
Dumbledore então mergulhou as lembranças em sua penseira e Harry presenciou a cena em que Hepzibah Smith, uma velha senhora admiradora do jovem Tom Riddle, conversou com o mesmo a respeito de seu trabalho na Borgin & Burkes. A Sra. Smith era claramente uma colecionadora e, em algum lugar em sua casa, a Taça que pertenceu à Helga Hufflepuff e o medalhão de Salazar Slytherin eram guardados seguramente. Naquela tarde, entretanto, a velha senhora cometeu o erro de mostrar suas duas relíquias para o jovem Riddle, que mostrou-se fascinado com os objetos.
– Dois dias depois dessa tarde, a Sra. Smith foi encontrada morta e a taça e o medalhão foram roubados. – explicou Dumbledore – Tom entregou seu posto e desapareceu por anos, formando o círculo dos comensais. A última vez que o vi, entretanto, foi quando, já sob o nome de Voldemort, veio até mim e pediu o posto de Prof.º de DCAT. Eu claramente recusei, e depois disso, nunca consegui manter um professor de Defesa Contra as Artes das Trevas por mais de um ano letivo...
– O que significam esses... objetos? Por que ele os pegou?
– A taça e o medalhão pertenceram a dois dos fundadores de Hogwarts... Creio que esta escola foi o lugar mais próximo de um lar para Tom, talvez o único no qual podia ser livre... Mas quando pegar a lembrança que falta, tenho fé que o quebra-cabeças será montado e tudo fará mais sentido para nós dois... Mas até lá, não podemos prosseguir com as aulas.
E assim foi feito. Dumbledore recusou-se a continuar com as aulas e, quando percebeu que Harry deixou de dar atenção ao assunto, chamou-lhe a atenção. Hermione e Rony concordaram com o diretor, afinal, descobrir aquela lembrança poderia ser a chave para a derrota de Voldemort.
Com isso em mente, Harry fez sua primeira tentativa em uma das aulas de poções. A matéria era sobre antídotos e, daquela vez, o garoto viu-se à toa quando o professor pediu para criarem algum tipo de antídoto para as inúmeras substâncias tóxicas nos caldeirões. O livro do Príncipe Mestiço não continha nenhuma informação útil e, finalmente, Hermione conseguiu ultrapassá-lo.
Infelizmente para a castanha, no último momento Harry viu uma pequena anotação em uma das folhas do livro e correu ao armário de ingredientes. Foi uma solução incrível, afinal, Bezoar acabaria com qualquer veneno. Slughorn ficou radiante e elogiou o jovem Potter, comparando-o à finada mãe, Lilly, tão brilhante aluna em sua época.
Violet fez vários antídotos, e embora Bezoar fosse uma solução rápida e eficaz, estranhou a técnica de seu irmão. Não que não acreditasse no potencial do garoto, mas ela sabia que ele nunca fora bom em poções e que, repentinamente, havia melhorado 100% seu desempenho durante as aulas e ultrapassou até mesmo Hermione.
Violet ficou tentada a perguntar ao irmão o motivo do progresso repentino, mas acabou deixando para outro dia quando a aula terminou. Todos os alunos deixaram a sala, menos Harry, que aproximou-se do professor e perguntou abertamente a Slughorn a respeito de Horcruxes. O homem, entretanto, percebeu que Dumbledore havia mandado o garoto e expulsou-o de sua sala.
Harry ficou decepcionado e temeroso de que, depois daquele momento, Slughorn passasse a evitá-lo. E foi exatamente isso que aconteceu. Em todas as oportunidades que se seguiam o professor esquivava-se do garoto e suspendeu até mesmo as reuniões do Clube do Slug.
Foi no finalzinho da mesma semana que o rumor de uma notícia incrível finalmente chegou aos ouvidos dos alunos do sexto ano. As aulas de aparatação começariam no sábado, no Grande Salão.
– VIOLET –
As quatro grandes mesas das casas desapareceram e em seus lugares grandes tablados de madeira com arcos ocupavam os espaços. Meu pai, Minerva, Flitwick e Sprout, por serem os diretores das casas, estavam presentes e conversavam com um casal, que estava de costas para todos.
– Eu não acredito... – sussurrou Mary parando subitamente.
– O que foi?
– Aquele homem é o braço direito do meu pai... – sussurrou.
– E a Tonks! – completei. – Eu não sabia que ela era instrutora do ministério...
– Bom dia pessoal... – começou o homem – Sou Magnus Tyler, instrutor do Ministério, e esta é a Srta. Tonks, que me ajudará com vocês em aparatação. Primeiro devo lembrar-lhes que não admitimos brincadeiras nem trapaças, e qualquer coisa desse tipo vai lhes render uma linda e maravilhosa detenção.
– Ou uma fraturação e separação dos corpos, efeitos colaterais caso a mente de vocês não esteja suficientemente determinada nas lições. – continuou Dora.
– Eu tinha esquecido o quanto ela é direta... – comentei.
– E sem conversas paralelas, por favor... – pediu lançando-me uma singela piscadela.
– Muito bem, vamos lá. Primeiro gostaria que se posicionassem em frente aos tablados de madeira, há um para cada um. Tudo que precisam saber para essa matéria são os três D’s: Destino, Determinação, Deliberação. – continuou Magnus após todos os alunos estarem posicionados – Passo um: fixe sua mente no destino desejado, nesse caso, o interior de seu arco.
– Mas senhor, não é proibido aparatar nos terrenos de Hogwarts?
– Sim, mas o diretor liberou o Salão para treinarmos um pouco, então, não tentem sair daqui, não vão conseguir. – respondeu Tonks.
– Concentre-se nesse destino. – disse Magnus – Passo dois: foque sua determinação em ocupar o espaço visualizado, deixe esse anseio inundar sua mente e partir para cada partícula de seu corpo... Passo três, e somente quando eu der o comando: imagine aquele mesmo lugar, tente não sentir mais nada e mova-se com deliberação. Em meu comando! Um...
Nesse momento fechei meus olhos e tente eliminar qualquer outro pensamento. Limpei minha mente e foquei-me no tablado de madeira e no arco que eu deveria ocupar. Lentamente senti uma leve dormência em meus braços e uma corrente elétrica percorrer meu corpo. Era como se algo estivesse me puxando para outro lugar enquanto minhas pernas insistiam em me segurar onde estavam.
** Você teve um sonho interessante nas férias... **
Abri meus olhos repentinamente e, por interromper meu foco, perdi o equilíbrio e caí com força de costas para o piso frio.
** Sabe que esse sonho pode se tornar realidade, você pode ter uma família... **
– O que... – sussurrei ao perceber minha visão fora de foco.
** Bellatrix é muito agradável como mãe não é? **
– Violet? – sussurrou Tonks, tirando-me do transe, porém, não consegui ver seu rosto claramente. – O que aconteceu? – perguntou num sussurro enquanto se ajoelhava ao meu lado.
– Ele está na minha cabeça... – respondi surpresa.
** Sabe que o que eu disse é verdade... Você quer uma mãe! **
Tonks pareceu entender, pois agarrou meu braço e levantou-me do chão com força, arrastando-me do salão rapidamente. Tentei acompanhá-la e, conforme me afastava do Salão, minha visão começou a clarear e minha cabeça parou de doer.
– O que ele disse? – perguntou ela novamente enquanto me arrastava pelos corredores.
** Mas não qualquer uma... Você quer Bellatrix! **
– Violet? Não deveria estar na aula de aparatação? – perguntou Lupin aparecendo repentinamente.
– Violet! O que ele disse?! – exclamou Tonks, ignorando-o totalmente.
– Eu tive um pesadelo antes de voltar à Hogwarts... – comecei rouca — Eu era uma comensal e Bellatrix me chamava de filha, dizia que eu iria me acostumar... — continuei, porém, minha garganta travou e engasguei, tossindo desenfreadamente. — E-eu vi pessoas que amo morrerem e uma criança ser assas...
Daquela vez não consegui continuar a frase e senti como se alguém apertasse as mãos em meu pescoço, tirando-me o ar. Tonks falou alguma coisa, mas não ouvi. Minha garganta estava ainda mais travada e cada vez mais meus pulmões imploravam por ar.
** É incrível o que um pequeno descuido na proteção do castelo pode fazer, não? **
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