Notas iniciais
Capítulo narrado por: Spencer Hastings.

Fazia dois anos que a Alison desapareceu e a cidade ainda falava dela. Por quanto tempo eu ainda teria que viver em sua sombra mesmo depois de sumida? Isso tudo era um saco e a cada dia que passava Rosewood se tornava mais entediante.

Logo depois do sumiço repentino da Ali eu e as meninas nos afastamos demais, a primeira a se afastar foi a Ária que começou frequentando a escola muito pouco e sempre dando desculpas para evitar me ver ou ver qualquer uma das meninas. Alice foi a única que tentou nos manter unidas, ligava todos os dias e sempre ia atrás da gente onde quer que estivéssemos, isso até o Sr. e a Sra.DiLaurentis decidirem se mudar levando a Alice e o Jason, então uns dias se passaram e a Aria foi embora também.

A única que mantive um pouco de aproximação foi a Emily, todos os dias eu a encontrava na casa dos DiLaurentis, chorando na escada. Ela estava tendo pesadelos, não dormia e não comia, achei que o melhor para ela fosse sair de Rosewood, indiquei um colégio interno para a Sra.Fields e sem pensar ela mandou a Emily para lá.

A Hanna parou de ir de escola e ficava trancada no quarto o dia todo, semanas depois descobri que os pais dela estavam se divorciando e ela estava atrás de concursos de moda para ir embora com a mãe, o que não demorou muito para acontecer.

E o que aconteceu comigo? Eu não me afastei de todo mundo, não entrei em pânico e nem tive que passar pelo divórcio dos pais. Eu continuei em Rosewood, junto com a minha mãe, meu pai e a minha irmã. Me foquei nos estudos mais do que já era focada e aprendia novos esportes. A minha vida não estava se refugiando na Flórida como os DiLaurentis. Nem em uma colônia de férias em Roma como os Montgomery. Ou vivendo um pesadelo para tentar me recuperar como a Emily. E muito menos vivendo um sonho em Nova York como a Hanna. Minha vida estava como qualquer vida em Rosewood, simples e chata.

— Spencer, vai mesmo ficar trancada nesse quarto o dia todo? — Resmungou minha mãe parada na porta enquanto me olhava com uma feição séria.

— Me indique algo melhor pra fazer, eu iria adorar. — Revirei os olhos.

Ela estava batendo seus dedos levemente na sua cintura — A Aria está de volta. Encontrei a Ella no mercado hoje.

— E dai? Não somos mais amigas.

— Faça o que quiser, mas saia desse quarto se não vai criar teias.

Quando olhei para a porta e minha mãe não estava mais ali. Soltei o ar dos meus pulmões e levantei da cama, prendi o cabelo e desci as escadas.

— Bom dia, Spencer! — A voz irritante e irônica da minha irmã ecoou em meus ouvidos, recusei-me a olha-lá, mas respondi.

— Bom dia, Melissa! — Abri a porta e peguei a bicicleta.

Enquanto olhava em volta percebi um carro parado em frente a casa da Hanna, pensei que a Ashley havia vendido a casa, isso até ver uma garota de cabelos louros sair daquele carro. A Hanna tinha voltado. Mas por quê? Eu tinha que descobrir.

Continuei pedalando até ouvir um carro buzinar pra mim, olhei na direção do mesmo e era a Ária.

— Spencer? Meu Deus, quanto tempo.

— Ária? Minha mãe me falou que você tinha voltado, que surpresa.

— Voltei, infelizmente.

— Parece que a Itália estava boa.

— Estava ótima. Que tal tomarmos um café mais tarde?

— Parece bom! Até mais tarde.

Ela seguiu com o carro e eu continuei pedalando até a praça, quando cheguei lá, sentei no banco e fiquei olhando as crianças correndo para todo lado. Abri o livro que estava lendo no mesmo capítulo que eu parei. Estava em um mundo tão distante dentro da minha mente e no próprio livro, até ouvir uma voz.

— Hamlet? Sério?

Segui meus olhos em direção ao som, era um garoto, cabelos pretos, grandes, com as pontas encaracolas que caiam um pouco no seu rosto. Ele usava uma camisa azul de mangas curtas, sua calça era um jeans escuro. — Algum problema? — Respondi friamente.

Ele estava segurando um cachorro que parecia ser vira-lata de pelos brancos e com umas manchas marrom espalhadas pelo corpo, ele não parava de latir e balançar o rabo animado para brincar. — Senta, Kay Larsi — E ele sentou. Devo dizer ela.

— Kay Larsi? — Perguntei um pouco incrédula.

— É de um dos meus filmes favoritos. Three Rooms in Manhattan. — Ele sorriu sem graça. E olhou para o banco.

— A vontade. — Respondi.

Ele sentou-se ao meu lado. — Nenhum problema com Hamlet, na verdade ele é um ótimo livro, já o li umas cem vezes. — Sibilei os lábios enquanto o olhava ainda incrédula. — Está bem! Não umas cem, mas já li muitas vezes.

Ri do que ele disse e então continuei. — Gosta de Three Rooms in Manhattan?

— Sim, é um ótimo filme! Conhece?

— Já assisti muitas vezes. Quem sabe não foram cem? — Pude ver a expressão de riso em seu rosto.

— Não pode zombar de mim.

— Spencer Hastings.

— Me desculpe! Dan Humphrey, quero dizer, Daniel, Daniel Humphrey. — Ele estendeu a mão pra mim um pouco desajeitado e envergonhado.

Apertei a mão dele e não pude segurar o riso com o seu desjeito. — Você mora aqui a muito tempo? Nunca te vi por aqui.

— Ah… Não, eu não… Minha mãe, ela mora aqui, estou aqui com minha irmã, só de visita. E você?

— Nasci aqui e pelo jeito nunca vou sair. — Sorri um pouco falsa, tentando disfarçar a minha decepção. — De onde você é, Dan?

— Nova York! Estarei de volta amanhã.

— Muito longe daqui. A minha amiga estava morando lá… Quero dizer, ex amiga.

— O que houve?

— Dan, vamos pra casa. — Uma garota loira e muito bonita se aproximou.

Dan se levantou. — Essa é a minha irmãzinha, Jenny.

Ela deu um sorriso gracioso e sincero. — Olá.

Acenei para ela. — Sou Spencer.

— É um prazer! — Ela sorriu novamente e voltou a olhar para o Dan.

— Ah, sim, vamos. Foi um prazer te conhecer, Spencer.

— Foi um prazer, Dan. — Sorri e acenei para ele.

A única coisa interessante nessa idade em dois anos foi o Daniel e agora? Tudo volta ao tédio.

— Quem era? Um gato. — Ária estava em pé à minha frente, sorrindo.

— Um garoto que acabei de conhecer.

— Ária? Spencer? — Falou Hanna em quanto se aproximava da gente.

Levantei do banco para receber o abraço que eu sabia que ela iria dar e como já era de se esperar ela envolveu eu e a Ária em seus braços. A Hanna estava linda, estava mais magra, mais bronzeada, cabelos bem cuidados.

— Como você está maravilhosa, Hanna. — Disse Ária.

— Obrigada! Vocês duas estão ótimas também. Eu quero saber de tudo, sobre a Itália e sobre Rosewood. — Ela seguiu seu olhar até o meu.

Fomos até o café e pegamos uma mesa para três.

— Como foi em Nova York, Hanna? Por que voltou?

Hanna revirou os olhos. — Nova York foi o meu sonho. Eu estava trabalhando para Zana Bayne, uma estilista de lá. Ontem eu tive que desfilar porque uma das modelos dela teve de ir ao hospital. — Ela suspirou. — Infelizmente tive que voltar e largar todo o meu luxo de Nova York. Meu apartamento super luxuoso e com a vista linda para o centro de Manhattan. Meus pais voltaram.

— Sério, Hanna? Mas isso não é bom? — Falou Ária um pouco entusiasmada.

— Não era tudo que você queria?

— Era, mas eu não estava pronta pra voltar pra cá. Minha vida estava em uma fase ótima e por um tempo eu pude fugir do que houve com a Ali.

Ária colocou a mão no ombro da Hanna. — Você tem a gente agora.

Hanna sorriu. — Mas e você? Como foi na Itália?

— Roma é ótima. Eu estava em aulas de músicas e conheci um rapaz.

— Ária sempre com um algum gatinho.

— Claro, se não fosse assim não seria nossa pequena Ária, não é Spencer? — Hanna riu, o que me fez rir também.

— Ele era ótimo, mas quando meus pais disseram que estava na hora de voltar a Rosewood, perguntei se ele queria um relacionamento a distância e ele disse não.

— Isso é horrível, Ária.

— Um relacionamento a distância é complicado. — Tomei um gole do meu café.

— Mas não quando se ama, Spencer. — Respondeu Hanna. — Por que você voltou?

— Meus pais simplesmente acharam que era a hora de voltar pra casa.

Revirei os olhos. — Rosewood não pode ser chamada de casa. Isso aqui estava um tédio. Vocês tiveram notícias da Emily ou da Alice?

— A Emily ainda não voltou? — Perguntou Hanna.

— Não, Han. — Respondi.

— Não soube nada de nenhuma das duas. — Respondeu Ária.

— Alguma de vocês receberam mais mensagens como aquela?

— Não e você? — Respondeu Ária.

— Não! — Respondi.

— Eu nem lembrava disso. — Explicou Hanna.

O meu celular aptou e pude perceber que o da Hanna e da Ária também.

A Hanna Baleia não lembrava de mim? Que pena! Mas agora eu estou de volta e voltarei mais forte com todas reunidas. Sejam Bem-vindas de volta Ária e Hanna. Spencer pode ter certeza que eu vou deixar essa cidade muito animada pra você.

— A