Notas iniciais
Capítulo Narrado por: Emily Fields

Senti algo gelado em meu rosto, um vento forte fazendo meu corpo arrepiar, havia barulho de árvores balançando. Abri os olhos e me deparei com o céu preto, era noite, ou talvez até madrugada, as árvores balançavam sem parar e o vento soprava mais forte, me dei conta de que estava deitada em uma grama, me levantei e reconheci completamente aquele lugar, eu estava na floresta, na pedra do beijo, onde eu e a Ali costumávamos ir. Comecei a gritar por socorro, até ouvir um barulho de pedaço de galho sendo partido ao meio.

— Quem está ai? — Perguntei com um tremor em minha voz.

Vi uma sombra se aproximando de mim, era loura, estava usando uma blusa amarela, era a Ali. — Em? Não tenha medo, Em. Eu estou aqui. — Ela se aproximou de mim e sem pensar eu a abracei, ela afagou o meu cabelo. — Você é a minha favorita, Emily. — Ela me olhou, sorriu para mim. Como eu sentia a falta dela, e sentir ela novamente, a voz e o cheiro dela era muito bom, sem pensar eu a beijei.

Senti um calor enorme, eu estava suando, quando abri os olhos vi um teto branco acima de mim, o calor só aumentava, tirei a coberta e sentei na cama. Estava sonhando, ainda estava no quarto do internato que a minha mãe colocou.

O relógio marcava 6 horas, levantei da cama e abri a janela, permitindo que a luz do sol que já era forte entrasse no meu quarto.

Quando a Alison desapareceu eu enlouqueci e fiquei sem conseguir dormir, fiquei presa nesse colégio interno por dois anos, e agora, era o começo de um novo ano e tudo que eu queria era ir pra casa, mesmo que os pesadelos não tivessem acabado, esse lugar não era pra mim. Desde que entrei aqui só tive um amigo que conheci na detenção, que por coincidência era de Rosewood também, e uma colega de quarto, porém ela se suicidou, pensei em fazer o mesmo, mas nunca tive coragem de tirar minha própria vida.

Tomei meu banho, escovei os dentes, coloquei uma roupa para “curtir” o dia de sábado, estava pronta para descer e fazer as mesmas coisas que fazia todos os sábados quando a diretora bateu na porta.

— Srta. Fields, Bom dia! — Disse ela enquanto já entrava no meu quarto.

— Bom dia Sra. Jones!

— Eu estava fazendo uma arrumação nos quartos e percebi que você estava sozinha, desde o que aconteceu com a Srta. Wells. — Eu estava rezando para que ela não me arranjasse uma nova colega de quarto, faltavam poucos meses para eu sair do internato, não estava interessada em conhecer ninguém. — Essa é a Srta. Abrams.

Uma garota de cabelos pretos e cacheados em um coque mal feito, olhos esbugalhados e uma feição de tédio em seu rosto surgiu na porta, ela acenou para mim. — Vanessa Abrams.

— Emily Fields.

— Espero que vocês duas se entendam. Tenham um bom dia, meninas!

Ela estava sem jeito, colocou as malas em cima da cama que não estava em uso e começou a organizar.

— Quer ajuda? — Ofereci.

— Seria uma boa. Obrigada! — Ela agradeceu e eu sorri para ela.

Dentro de sua mala tinha tantos livros que eu me lembrei da Spencer e da Ária junto com a obsessão por literatura. Vanessa tinha um bom gosto para roupas, o que parecia ter para músicas também. Ela colocou em seu mini som uma banda chamada The Fray, deixou no menor volume possível que fosse o suficiente para nós duas escutarmos.

Quando terminamos de arrumar tudo decidimos descer e tomar um pouco de sol no pátio da escola. Sentamos no único banco vazio que tinha ali, de longe eu consegui avistar o meu amigo, Toby, acenei para que ele pudesse me ver e se juntar a gente. É loucura, mas minha mãe me colocou em um colégio interno para meninos e meninas, já que a preocupação dela nunca poderia ser meninos, pois que eu curto meninas.

Toby aproximou-se da gente e sorriu ao ver a Vanessa. — Nunca vi essa garota por aqui. Tudo bem? Eu sou o Toby Cavanaugh, melhor amigo da Emi.

Ela deu risada. — Vanessa Abrams.

— Ela é a minha nova colega de quarto. — Expliquei.

— Também tenho uma nova colega de quarto. — Respondeu Toby.

— Que sou eu. — Uma garota de cabelos pretos, alta, e realmente muito bonita, surgiu por trás dele. — Meu nome é Georgina Sparks. — Ela deu um sorrisinho animado e me puxou para um abraço, que eu retribui um pouco desajeitada, quando ela me soltou fez o mesmo com a Vanessa. — Como é bom fazer amigos. Quais seus nomes?

— Emily Fields. — Respondi.

— Vanessa Abrams.

— Emily… Sei muito sobre você Emily. — Ela sorriu um pouco traquina e continuou. — Você tentou fugir daqui, não foi? É amiga da garota morta.

— Desaparecida! — Corrigi. — A Ali está desaparecida.

— Que seja! Eu posso adiantar a sua saída daqui. A de todos vocês. — Ela colocou o dedo indicador no queixo, sua expressão era pensativa ou de quem acabara de ter uma ideia. Seja o que fosse, eu não estava gostando nada disso.

Vanessa cruzou os braços com uma expressão séria e desconfiada. — Se você pode nos tirar daqui, por que você ainda está aqui?

Georgina deu uma risada irônica. — Porque eu quero, amorzinho. Minha vida estava um pouco entediante. Eu sei mais do que vocês pensam. Sei muito sobre vocês. — Ela se aproximou mais um pouco da Vanessa. — Vanessa Abrams, você descobriu quem é o seu verdadeiro pai, tentou ir atrás dele. — Ela fez uma cara de surpresa, começou a rir e voltou a seu tom sarcástico. — Mas a mamãe não deixou e a mandou pra cá. Que triste! Garanto que você não vai querer entrar no mundo do seu verdadeiro papai. — Dirigiu seu olhar até o do Toby. — A sua namorada morreu como a da Emily. — Ela colocou a mão na boca como se tivesse dito algo que não era pra dizer. — Desculpa, devo dizer, a amiga da Emily que desapareceu. — Me fitou de cima a baixo, voltou seu olhar ao Toby. — Os dois perderam pessoas, e os dois surtaram com isso. — Ela cruzou os braços e sorriu. — Estão convencidos que precisam de mim ou quer mais?

[…]

Depois do jantar voltei para o quarto, sozinha, o que me dava espaço e tempo para ficar com meus próprios pensamentos, sentei na janela do meu quarto que dava uma vista linda para o pátio. Não podia negar que a tal Georgina me lembrou muito a Ali, o jeito de garota segura de si e que consegue o que quer com facilidade e sem falar que ela era muito atraente. Talvez uma versão morena da Ali. Ouvi uma batida na porta, parecia que a Vanessa finalmente tinha enjoado da conversa com o Toby. Me virei para falar com ela, mas não era ela, era a Georgina.

— Posso entrar? — Perguntou enquanto fechava a porta.

— Já entrou. — Levantei e andei até a cama, sentei na mesma e esperei que a Georgina falasse mais alguma coisa, mas ela não falou, simplesmente estava parada ao lado da porta me olhando, então eu decidi quebrar o silêncio. — Como sabe tanto assim sobre mim, Vanessa e Toby?

Ela sorriu. — Deus como ela me lembrava a Ali, aquele sorrisinho seguro de si, aquela feição de "eu faço o que eu quero", o jeito sarcástico e o entusiasmo. Não entendia como ela poderia parecer tanto com a Ali mesmo sendo tão diferente fisicamente. — Sentou-se ao meu lado na cama. — Eu sei tudo sobre todos vocês. — Ela me olhava com um ar de mistério, mas sua expressão misteriosa se transformou em uma risada. — Invadi a sala da diretora, sua boba, li a ficha de quase todos os alunos daqui.

— Por que chamou a Ali de minha namorada?

— Acha que sua mãe não sabe o que rolava entre vocês duas? Ela sabe, e descreveu para a Carmen, e ela tem tudinho anotado no inventário sobre vocês. — Ela sorriu.

— Qual a sua história, Georgina? O que está fazendo aqui?

— Estou aqui porque eu quero, já disse. — Ela sorriu novamente, mas esse sorriso se desfez ao ver a minha expressão incrédula fixa para ela. — Eu me apaixonei pela pessoa errada. E não deu muito certo, assim como você e o Toby, por amor eu surtei. Não estava com vontade de ir para Miami ou Grécia, quis algo diferente dessa vez. E nada tão fora do comum como um colégio interno, não acha? — Assenti com a cabeça. — Mas está tudo bem agora, Em. — Ela me chamou de Em, como a Ali chamava. — Você a amava muito não amava? — Assenti novamente. — Ela não a amava?

Respirei fundo. — Ali não gosta só… de mulheres, ela saia com vários rapazes e fazia questão de esfregá-los na minha cara. Tinha medo de assumir o que tínhamos, ou vai ver não tínhamos nada, era só coisa da minha cabeça. — Sorri de maneira leve e breve. — Tínhamos apenas 15 anos, éramos crianças.

— Talvez não a Ali. — Respondeu, ela colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha e voltou com aquele sorriso contagiante, que me fazia sorrir também. — Ela era uma boba por não gostar de você. Você é linda, Em, e parece ser incrível. Eu adoraria te conhecer melhor. — Não conseguia entender porque essa garota mexia comigo e o pior de tudo é que eu estava gostando, era como ter a Ali de novo em minha vida, só que sem as maldades. Pude sentir ela ficar cada vez mais perto de mim, seu perfume era doce e cada vez que ela chegava mais perto meu coração acelerava. Seus lábios estavam à um centímetro de distância dos meus, fechei os olhos e esperei o que quer que fosse acontecer, mas ela se afastou. — Desculpa! Estamos em um momento frágil, não posso me aproveitar de você dessa maneira. — Ela ia se levantar quando segurei em seu ombro, ela sorriu e entendeu o recado, voltou para perto de mim e me beijou. Sentia perfeitamente o gosto do seu gloss, sabor uva o que deixou o beijo doce e gostoso. Lembrei do beijo da Ali, de repente passei a ver a Georgina como ela o que me levou a intensificar o beijo e me sentir cada vez mais como se estivesse beijando ela, o amor da minha. De volta a realidade, abri os olhos e pude ver os cabelos negros da Georgina e sentir seu cheiro doce próximo a mim. Parei o beijo e a olhei, ela sorriu para mim, me deu um selinho e saiu.

— O que a Georgina estava fazendo aqui? — Perguntou Vanessa enquanto entrava no quarto.

— Ela só veio conversar. E ai? Como foi com o Toby?

Ela riu. — Ele é maravilhoso, engraçado e um fofo.

— Vai se apaixonar. — Ri, porém só por rir, meu pensamento estava longe entre a Georgina e a Alison.

— Jamais. — Respondeu ela, se jogando do meu lado na cama.

Me livrei dos meus pensamento e olhei para a Vanessa que estava deitada na cama sorrindo para mim. — Acho que já está apaixonada. — Ri e dessa vez foi sincero. Comecei a fazer cócegas nela e pude ouvir sua risada aguda e sincera.

— Para, Emi. — Suplicou ofegante.

— Quero ser madrinha. — Brinquei.

Ela deu uma risada sarcástica. — Engraçadinha. — Jogou o travesseiro em mim.

[…]

Me arrumei para dormir, deitei na cama e me afundei nos meus pensamentos sobre a Georgina e a Ali, eu me sentia como se tivesse a traído. Mas como trair alguém que nunca de fato foi sua e nem você dela? Eu estava ficando louca e essas garotas ainda iam me matar. Quando virei para o lado pude ver a Vanessa dormindo, parecia um anjo, caladinha e adormecida e não pude evitar em lembrar da Hanna, Spencer, Ária e Alice — Mas ver a Alice ia me fazer ver a Ali e eu não tinha ideia do que faria caso a visse outra vez. — Onde será que elas estavam? Será que estavam bem? Como eu sentia falta das minhas amigas, principalmente da minha maluquinha, a Hanna. Eu estava decidida, ia aceitar a oferta da Georgina, mesmo que isso significasse ficar sem o Toby e a Vanessa, eu precisava ver meus pais, minha irmãzinha Carol de apenas 5 aninhos e as minhas amigas. Eu veria o Toby quando ele saísse, afinal, ele morava em Rosewood e a Vanessa eu iria atrás dela, seja lá onde ela morasse, assim como estava disposta a ir atrás da Georgina algum dia e a encontrar a Ali.