Secrets - Erza & Jellal

1 1- Ninguém disse que seria fácil


Notas iniciais
Bem, fiz essa fic imaginando um final para um dos casais mais fofos e complicados de todos os tempos. Espero que gostem!
#Provavelmente ela será uma oneshot. Ou não.


Vim pra lhe encontrar, dizer que sinto muito,

Você não sabe o quão amável você é

Tenho que lhe achar, dizer que preciso de você,

E te dizer que eu escolhi você


Eu estava andando pela Praça de Magnólia, querendo acalmar minha mente após os recentes acontecimentos dos grandes jogos mágicos. A vitória da Fairy Tail, a expulsão de Sting, Rogue e Yukino da Sabertooth e suas vindas à nossa guilda, a volta de Jellal, Ultear e Meredy, uma Lucy do futuro, tudo que acontecera, era muita coisa para se acostumar e eu estava sentindo o peso de todo o mundo em meus ombros. Precisava relaxar.



Andei até uma ponte e fiquei observando o céu, estava tão maravilhoso, seu azul fez lembrar-me de certo homem que interrompe todas minhas noites de sono. Sim, eu estava completamente apaixonada por Jellal, e eu creio que ele por mim, inclusive porque ninguém acredita na sua mentira catastrófica em que ele afirma ter uma noiva.


Ofeguei soltando um suspiro alto e deixando rolarem algumas lágrimas que estavam presas. Meus cabelos eram balançados pelo poder dos ventos e isso me deixava um pouco mais relaxada, porém não o suficiente. Mais algumas lágrimas rolaram de meus olhos, escorrendo por todo meu rosto e eu não tinha certeza se queria secá-las. Era como se tudo que eu estivesse segurando esse tempo todo virasse uma simples fumaça e fosse embora junto com a brisa dessa noite calma, mas eu sabia que não seria tão by Savings Sidekick\">fácil assim. Tudo na by Savings Sidekick\">vida tem uma finalidade, todos esses obstáculos são postos com o propósito de nos superarmos, de desafiarmos by Savings Sidekick\">nossos limites, tanto físico, quanto mental.

Mas sendo franca comigo mesma, eu já não sabia se conseguiria superar mais uma barreira. Nessa hora, todos na guilda estavam se divertindo, tentando esquecer ou pelo menos sobreviver aos acontecimentos sem tanta preocupação. Eu não era assim, eu não conseguiria esquecer isso tão facilmente. Jellal mantinha-se como protagonista na minha mente, e eu não fazia questão de mudar isso. Então amar é assim? Pensar constantemente em uma pessoa, confessar seus segredos, sorrir mesmo que ele a faça chorar, esperar um futuro que não se sabe se virá? Então no momento eu estava fechando meus olhos, decidida acreditar na mentira que Jellal havia me contado, desejando que essa seja a melhor by Savings Sidekick\">solução. Mas algo me chamou a atenção.

Jellal estava caminhando lentamente até onde eu estava e logo me apressei em secar as lágrimas que insistiam em cair. Sério, misterioso em seu papel de Mystogan, ele não pareceu reparar que eu estava quase prendendo minha respiração para não chorar novamente. Ao levantar seu rosto e se dar conta de que eu me encontrava ali, lhe observando, ele sorriu fraco.

“Olá Erza” Disse após se aproximar de mim. Assenti com a cabeça e devolvendo-lhe o sorriso respondi: “Oi, Jellal”. Dentre as coisas que eu queria lhe dizer, essa foi a única que consegui pronunciar. Ele pareceu notar minha inquietação quando pousou sua mão em cima da minha, que batia repetidas vezes no mármore da ponte. “O que há?” Interrogou-me quando direcionei meu olhar a ele. “Não há nada, acredite” Quando ele elevou meu queixo com sua mão. “Você é uma péssima mentirosa”.

Essas palavras foram processadas por mim como milhões de espadas em meu estômago. Porque era a mesma coisa que eu havia pensado dele quando ele me disse que tinha uma noiva. Fiquei ponderando que talvez ele tivesse me escutado, mas logo percebi que era impossível, ele foi embora logo em seguida e foi apenas um sussurro, não tinha como ele ouvir. Mas minhas expectativas e ilusões andam lado a lado.

“Olha quem fala...” Sussurrei e logo em seguida respirei profundamente, arrancando uma expressão curiosa do homem à minha frente. “O que quer dizer?” Ele perguntou-me.

“Jellal, me promete uma coisa?” Olhei em seus olhos enquanto adquiria coragem suficiente para lhe pedir isso. Ele me encarou durante alguns segundos, mas logo respondeu: “Se estiver ao meu alcance...”. Eu sinceramente preferia que ele dissesse um sim ou não. “Fala a verdade para mim...” Disse simplesmente. Entre nós dois não tinha quase nenhum espaço, porém teoricamente poderia caber um abismo.

“A verdade...?” Ele perguntou, desviando seu olhar para o lado e pude jurar que suas bochechas tomaram uma cor escarlate, assim como meus cabelos. “Sim, somente a verdade. Me diz... O que eu sou pra você?”.

Ele respirou fundo antes de falar, ainda sem olhar para mim, ele estava apertando seus dedos com força e se recusava a me encarar. “É como algo inalcançável, exatamente como o por do sol, tão distante, instigante, maravilhoso, mas que não está em meu alcance. Não há como você possuir algo que nunca foi seu, e que nunca será”. Ele disse, abaixando a cabeça. Fiz o mesmo e respondi:

“Acontece que... Eu sei que as chances de você ser feliz comigo são mínimas...” Ele me fitou incrédulo. “Erza eu não disse que...” O interrompi, continuando a falar: “Pode ser que pareça egoísta ou doentio se eu te pedir para sermos infelizes, porém juntos?” Disse encarando seus olhos.

“É impossível” Ele respondeu “Eu não sou a sua felicidade”.

“A felicidade vem pelas circunstâncias. Talvez sorte, mas não é algo irrealizável. Só você pode ter a chance de ser feliz se tentar esquecer todas essas punições que têm feito a si mesmo, felicidade é um sentimento simples, pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade”. Disse lembrando-me de uma das frases que um dia Simon me disse.

“Simplicidade... É uma palavra que não combina conosco, não é mesmo?” Ele respondeu sorrindo calmamente.

“Ninguém disse que seria fácil...” Respondi lhe abraçando. “Um quarto de minhas lágrimas são por culpa sua, por que então um quarto de meus sorrisos também não poderia ser por seu mérito?” Sorri me aproximando dele.

“Eu sou digno de seus sorrisos?” Ele disse se aproximando mais ainda.

“De todos eles” Respondi. Quando íamos nos aproximar mais ainda, eis que uma voz ecoa da escuridão. “Er-chan... O que faz aqui?” Milliana. Era Milliana. Ela não tinha mais vontade de matá-lo, embora eu acredite que sua raiva não desapareceu por completo.

“Eu... Estava conversando com Jellal” Disse simplesmente. Ela me encarou, sua face transmitia um pedido de desculpas que ela não falou em voz alta. “Eh... Que bom que está bem, vou indo então”. Ela disse se virando e correndo na escuridão, não sem antes virar o rosto e franzir as sobrancelhas para o homem ao meu lado. “Ela ainda me odeia” Ele concluiu.

“Ódio não é uma coisa que some de um dia para o outro” Disse respirando fundo “Você tem tempo pra resolver isso”. E me virei: “Nós temos...”.

Antes que eu terminasse a frase, fui interrompida pelos lábios dele, que se selaram aos meus. Eu não tinha fechado os olhos e ainda mantinha minha expressão surpresa. Mas durou pouco, no momento seguinte eu já tinha esquecido de tudo e afundei minhas mãos nos cabelos dele, puxando-o mais contra mim. Os melhores beijos acontecem quando nós menos esperamos, são aqueles carregados de saudades, amor, paixão, que queríamos tê-lo há muito tempo, só ai então, você percebe que realmente valeu a pena esperar por eles.

Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas,

Oh, vamos voltar para o começo,

Correndo em círculos, perseguindo a cauda,

Cabeças num silêncio à parte

Eu estava sonhando? Pois parecia mais um daqueles sonhos dos qual você não tem certeza se quer acordar, percebo então o quanto ele fez falta para mim, durante esse tempo. Ele sorriu quando nos separamos, mesmo que por alguns segundos que ficaram presentes, o sorriso dele me fez esquecer as tristezas por qual eu passei durante todo esse tempo. Como eu quis ver esse sorriso por muito tempo, um sorriso despreocupado, que não podíamos nos dar o luxo de ver todo dia.

Mantínhamos-nos abraçados, ele olhava no fundo dos meus olhos, como se quisesse me desvendar completamente, só com o seu olhar.


“Agora realmente eu posso morrer realizado” Ele disse. “Eu nunca pensei que fosse agir tão irracionalmente perto de você, como eu fui burro por todo esse tempo...” Ele disse se martirizando novamente. “Bem, amor não combina com lógica ou racionalidade, Jellal” Disse sorrindo. “Não estrague esse momento” Disse após encostar minha cabeça em seu ombro, respirando profundamente. Ele continuou silencioso durante mais ou menos cinco minutos. “Mas... Amor... É uma infinidade de ilusões que serve para anestesiar a alma”. Ele disse. “Sim, aprendeu bem...” Respondi após sorrir, embora lágrimas escorressem pelos meus olhos, elas não eram de tristezas, muito pelo contrário. Penso em como uma coisa tão assustadora pode ser ao mesmo tempo tão boa quanto o amor. Assustadora sim, pois são como ventanias descontroladas que enfunam as velas dos navios, algumas vezes o submergem, mas sem elas não se pode navegar.

“O que tanto pensa?” Questionou-me. Sequei um pouco das lágrimas que teimavam em descer com as costas da minha mão esquerda e respirei fundo. “Pensando sobre tudo, sobre paixão, amor... Essas coisas das quais eu nunca fui especialista”.

“Somos dois então” Ele riu e acompanhei-o. O som da sua risada ecoava pela noite silenciosa e por um momento fiquei com medo de acordar alguém que dormia ali perto, mas logo esse sentimento passou.

Metade dos nossos erros na vida nascem do fato de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir. Ele fez isso, mas parece que esse é o tempo certo para consertarmos, pode ser que ele pensava que fosse preciso sofrer para se redimir, uma punição pelos erros do passado. Mas, somente seu sentimento de justiça já era suficiente. Sentir, sofrer, amar, punir-se, dominar-se, são muitas coisas para que uma pessoa queira fazer de uma só vez, sozinha. Redimir-se não é impossível, mas não é necessário punição eterna por isso. Jellal acabou de descobrir isso.

Conte-me seus segredos, Jellal. Deixe-me te ajudar. Voltaremos a ser quem éramos só pelo fato de ajudarmos a nós mesmos. Deixe que as pessoas lhe entendam, deixe que eu te ajude.

“Não é tão difícil assim...” Sussurrei e ele me observou. “Venha para a Fairy Tail. Você não deve mais nada a ninguém. Está livre, não está?” Perguntei-lhe. “Venha, traga Ultear e Meredy, mas só se elas quiserem, seja feliz então...” Eu disse sorrindo. Ele me observou durante algum tempo, como se estudasse minha proposta. “Mas Erza...” Ele balançou a cabeça, negando a terminar a frase que começara. “Ninguém jamais disse que seria tão difícil assim” Ele respondeu. “Todo esse tempo, eu venho procurando motivos para me manter afastado das pessoas que amo, pelo fato de que já as fiz sofrer demais, se você diz que eu preciso ser feliz, parar porque já me redimir demais, eu acredito sim, eu acredito em você”. Ele respondeu segurando meu rosto entre suas mãos. “Não... Acredite em si mesmo” Eu disse olhando bem no fundo de seus olhos.

Ninguém disse que seria fácil,

É uma pena nós nos separarmos,

Ninguém disse que seria fácil,

Ninguém jamais disse que seria tão difícil assim

Oh, me leve de volta ao começo...

“Como eu pude passar tanto tempo longe de você?” Ele me perguntou. “Bem, não tivemos tanta culpa assim” Sorri após ouvir um barulho perto de onde estávamos. “Vem, o pessoal deve estar festejando na guilda até agora. Eles vão adorar saber que há mais pessoas para ficar” Sorri puxando-o. Ele não tentou me parar.

“Gente! Olha lá, é o Jellal-kun!” Ouvi Wendy gritar apontando para onde nós estávamos. “Jellal!” Ouvimos várias vozes e vimos que Meredy e Ultear já estavam lá, sorrindo cúmplices. “Viemos para ficar?” Meredy perguntou. “Sim!” Jellal respondeu feliz e todos se juntaram a festa, embora só o puxassem. Mas ele parou e me encarou. “Comemore comigo Erza, é por sua causa que estou me sentindo vivo novamente” Wendy o fitou. “Graças a você também, Wendy-chan” Ele riu se lembrando de que ela que o ressuscitou. Lucy nos fitou feliz, e eu pude ver Mirajane cutucando-a, talvez para que ela tomasse finalmente alguma iniciativa em relação ao Dragon Slayer parado a seu lado. Talvez não hoje, Mira. Ainda temos tempo.

Os novos integrantes da guilda se amontoaram no centro. Agora Rogue, Sting e Yukino exibiam suas marcas da Fairy Tail. A mais nova guilda número um de Fiore. Um recomeço, uma vitória, com um passo de cada vez.

A festa durou até o comecinho da manhã, mas todos já estavam completamente exaustos. Um ou outro continuavam festejando, mas a maioria das pessoas já tinham ido para casa, algumas meninas para a Fairy Hills, outras como Lucy para sua própria casa, seguida de um Happy e um Natsu completamente cansados. Mas eu ainda estava lá, examinando o quadro de missões quando fui interrompida por Mira.

“Erza, descanse um pouco. Não vai inventar de pegar uma missão logo agora, não é?” Ela disse piscando para mim. “Aliás, poderíamos até lutar um pouco se não for incomodo”. Mas fomos interrompidas por um Laxus irônico. “E destruir a guilda? Fiquem fora disso, baixinhas” Tsc, ele não mudaria nunca mesmo.

“Onde está o pessoal novo?” Perguntei me referindo à Sting, Rogue e Yukino. Mira pôs um dedo em seu queixo, pensando. “Bem, acho que eles alugaram uns quartos numa pousada aqui perto. De qualquer forma, eles estão bem. Mas eu acho que não é deles que você quer notícias...” Ela disse rindo maliciosa. “São deles sim” Disse erguendo uma das sobrancelhas. “Pare com isso Mira, deixe-a em paz docinho” Docinho? Certo, de todos os adjetivos que já vi Laxus chamando Mira, esse foi o que mais me assustou. “Docinho? Isso é estranho vindo de você, Laxus” Disse. Eles se encararam e eu me perguntei o que exatamente eu havia perdido. “Ah, você ainda não sabe” Mira sorriu se desculpando. “Estamos juntos...” Ela respondeu.

“J-juntos? Céus, de todas as pessoas que eu imaginei fazerem um casal vocês são as últimas” Disse examinando a cena. “Bah, você nunca foi boa mesmo nisso” Laxus disse batendo fraco na minha cabeça. “Não me trate como uma criança!” Gritei com ele. “Ora, vejo que o clima aqui já está fervendo” Ouvir a voz dele me fez esquecer completamente que eu estava com raiva de Laxus. “Vamos embora... Alerta casal” Mirajane disse sorrindo. Ela e Laxus saíram, deixando a guilda completamente vazia, se não fosse por nós dois.

Corri até os braços de Jellal, que estavam me esperando abertos. Não estava usando minha armadura tradicional e sim um vestido branco. Ele me rodopiou durante alguns instantes e ao me pôr no chão o beijei. Um beijo cheio de ternura, um daqueles que só ele mesmo poderia me proporcionar. Me perdi em seus carinhos e amaldiçoei o ar por precisar tanto respirar. Tentei conseguir armazenar o máximo que pude desse momento, de suas mãos percorrendo meu corpo, de seus lábios junto aos meus. Talvez porque nada mais lá fora importasse para nós dois, ou então porque o que havia sido controlado durante todo esse tempo havia finalmente alcançado a liberdade.


‘O segredo do amor é maior que o segredo da morte’

Oscar Wilde.


Notas finais
P.S. Essa fic não é realmente o que acontece no final de Rogue, Sting e Yukino, nem dos jogos mágicos, é apenas uma especulação de uma mente insana, não levem em consideração caso eles realmente não entrem na guilda, e se entrarem, garanto que vou jogar na mega sena. kkkkk '
Comentem se gostaram, se odiaram, se gostam de brownies e cupcakes, se você é NaLu, NaLi, JerZa, GaLe ou qualquer outro, se vocês já viram o episódio dessa semana, se vocês odeiam a Minerva tanto quanto eu, enfim, façam uma autora super dramática feliz.
Beijooos,
Rocky ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!