Secrets
7 Bolo.
Notas iniciais
Ah, que sensação boa de ver as pessoas se foderem. Sei que isso pode parecer muito errado de minha parte, mas eu adoro ver alguma pessoa se lascar na frente dos amigos. Quando os idiotas do outro lado da sala eram postos para fora da sala por que estavam conversando, meus amigos estão de prova que eu ficava rindo como nunca. Mas agora dá certo remorso de Laís.
Naquela manhã de quarta-feira, minha amiga Laís acordou ao lado de uma lata de cerveja. É, eu me lembro muito bem de quando Laís estava chateada ou depressiva com algo, sua única saída era o álcool. Chegava a ser triste. Mas parece que agora seu único amigo é o álcool.
Naquela quarta-feira, na escola, minha amiga Natália e meu amigo Luan estavam mortos de cansados. Ambos ficaram até muito tarde enterrando certo corpo na floresta. É, eles estavam exaustos. Minha amiga Laís não estava tão sozinha, pois tinha a saída de seus amigos do outro lado da sala. Luciana e Cléber simplesmente a receberam de braços abertos quando ela havia terminado com Leandro e terminado a amizade com o resto de meus amigos. Todos eles simplesmente a ignoraram o tempo todo na aula. Estavam muito preocupados com minha situação:
⁃ Eu passei a ter nojo de Laís. — falou Daniel.
⁃ Não é só você. Mas não vamos dar atenção a ela. — fala minha amiga Karine, tentando mudar de assunto. — O caso de Matheus. Bem, sabemos que ele cometeu algum tipo de crime.
⁃ E ele sabia que poderja ser preso. — fala Fernando. — o que significa que a pessoa que ele estava falando no telefone sabia disso e estava o ameaçando com isso.
⁃ Ah, Matheus, o que você fez? — perguntou Natália, para um todo.
⁃ É nessas horas que vemos que nunca sabemos tudo sobre nossos amigos. — fala Juliana. — Até que ponto podemos confiar neles?
⁃ Pois é. — fala Luan, exausto, olhando para Juliana com um olhar que só os dois entendem: um olhar de quem compartilha um segredo obscuro.
⁃ Oi? — pergunta uma voz feminina conhecida ás suas costas. Juliana consegue ver a imagem de minha amiga do outro lado: Naiara.
⁃ Naiara. Que surpresa, você por aqui. — fala Juliana, com seu jeito sarcástico.
⁃ Eu... Só queria saber como vocês estão... — fala minha amiga Naiara, com um rosto de aparência triste. — Eu queria ter uma perspectiva, por que não tem um dia que eu não me lembre de Matheus...
Minha amiga Naiara chorou na frente de meus melhores amigos. Suas lágrimas foram consoladas por Karine, que tentou falar para ela que de algum lugar eu estou vendo e eu não iria querer que chorassem por mim. É, eu estou vendo. Mas quero que chorem por mim. É divertido pra caralho ver todos sofrendo. É, eu acho que tenho um espírito psicopata.
⁃ Obrigada, Karine. Obrigada a todos. — fala Naiara, com seu espírito político de sempre. — Tchau.
Enquanto Naiara se afastava, meus amigos se reuniram mais perto e continuaram a discussão sobre o que diabos acontecera comigo:
⁃ Temos que nos encontrar novamente. — fala Karine.
⁃ E dessa vez, sem lésbicas acabando com amizades. — fala Natália.
⁃ Ei, eu ainda estou aqui. — fala Daniel, indignado.
⁃ Desculpa. — fala Karine, envergonhada. — Mas vamos nos encontrar. Hoje mesmo, na minha casa. Depois da aula. Vocês podem almoçar lá. Todos podem ir?
Ninguém pareceu discordar da tentativa de Karine de não ficar sozinha em casa para fazer sexo com seu padrasto. Era essa a intenção de minha amiga desde o início. Evitar o abuso.
Naquele chão perto deles, estava um celular. Um celular que, ao tocar do intervalo, seria recolhido por Laís. É, Laís deu discretamente seu celular a Naiara para ela posiciona-lo no chão enquanto gravava a conversa de meus amigos. Laís sabia que meus amigos iam se encontrar na casa de Karine. E tinha um plano. Um plano que envolvia vodka, whisky e cerveja. É, Laís só ia falar verdades na cara de meus amigos mesmo.
Naquele dia, no fim das aulas, meus amigos pegaram apenas algumas poucas paradas no ônibus para chegar no prédio de Karine, que é basicamente perto da escola. Mas minha amiga Laís tinha algo mais especial planejado.
Envolvida com álcool correndo em suas veias, Laís chegou ao ponto de pegar o carro de seu pai escondida mesmo sem habilitação, juntamente com seu cartão e passar em uma loja de doces para comprar um lindo bolo de aniversário.
É, Laís calculou tudo muito bem para quem estava com álcool a mil no sangue. Ela chegou no prédio de Karine na beira-mar de Copacabana e pediu para o porteiro para entrar. Ela estava com um imenso bolo de aniversário na mão, algo que ela mal conseguia equilibrar, já que estava mais bêbada que tudo. O porteiro, coitado, a deixou entrar sem interfonar. Afinal, bem vestida e parecia uma boa moça, ainda por cima indo para um aniversário. Estava a mil e só queria poder abrir a porta de entrada do prédio. Antes que o porteiro perguntasse qual apartamento minha amiga bêbada ia, ela já estava na escada. E antes que o porteiro pudesse finalizar de interfonar, ela já havia pego o elevador. Não que isso fosse um problema, já que ninguém atendeu o interfone.
No momento em que minha amiga Laís tocou a campainha de minha amiga Karine, ela foi atendida pela mesma dona da casa.
⁃ Laís? — perguntou Karine, com um jeito preocupado. — O que está fazendo aqui? E com esse bolo?
⁃ Feliz aniversário! — falou minha amiga Laís, rindo como uma boba e deixando soltar seu eu bêbada. É, ela é boa em esconder sua bebedeira perto de quem interessa, mas se solta com quem não liga para que saibam que ela está bicada.
⁃ Meu aniversário foi á três meses. — fala Karine, sem entender nada. — Laís, você está bêbada? Você comprou um bolo? Pelo amor de Deus!
⁃ Ei! Essa ideia parecia genial quando eu parei pra pensar... — falou Laís, tentando não derrubar o imenso bolo em suas mãos.
– Bem, não é. É ridícula. Assim como o fato de você vir aqui. Estava nos seguindo? — pergunta Karine, ainda mais desconfiada e olhando o hall do andar.
⁃ Eu soube que vocês vinham aqui! — gritou Laís, sem sentido algum. — Naiara ajudou!
⁃ Ah, sabia que tinha coisa ali naquela visita de Naiara. — fala Karine, decepcionada. — Pode ir, ninguém quer você aqui.
⁃ Eu quero! — grita Laís, que joga o bolo imenso de aniversário em minha amiga Karine.
Karine fica desconcertada, e Laís corre pelo imenso apartamento duplex atrás de meus amigos. Sobe as escadas, passa pelas salas, quartos, e se depara com algo que nunca pensou ver antes.
Meus amigos estavam todos num mesmo quarto, numa mesma situação, cobertos pelo mesmo sangue, olhando para o mesmo corpo.
⁃ Ótimo. Mais alguém para essa bagunça. — fala Fernando, enquanto vê Karine coberta de bolo de aniversário aparecer na porta do quarto.
⁃ Eu tentei impedi-la! — fala Karine.
⁃ Agora é tarde. Temos que incluí-la. — fala meu amigo Luan, puxando Laís bêbada em estado de choque para o quarto ensanguentado, junto á Karine.
Luan fecha a porta, e atrás daquela porta mais segredos serão formados. Isso eu não tenho dúvida.
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