Secrets
4 Cap. 4
Notas iniciais
Quando Belphegor o ouviu, ele se afastou um pouco de mim, mas continuava me prendendo com os braços e dizia não tirando os olhos de mim e com aquele sorriso sádico assustador dos lábios.
– Não te interessa. Por que não vai tomar conta da sua própria vida?
– Kufufu tomarei assim que tirar essas mãos imundas de cima da jovem moça.
– Ora vá se fu...
Antes mesmo que Belphegor terminasse de falar um soco o atingiu em cheio o fazendo cair, eu cheguei a soltar um gritinho assustada por não esperar aquilo.
– Maldito! Você se verá comigo!
Ele se pôs de pé e colocava uma das mãos sob o nariz que estava sangrando muito e provavelmente quebrado enquanto se apressava em sair dali me deixando a sós com o meu “herói”. Me virei para encará-lo para ver se reconhecia quem era e agradecer.
–Ele poderia ter chamado guardas ou algo assim.
– E deixar todo mundo saber que ele apanhou? Ele é orgulhoso demais para isso.
– Sendo assim... A-arigatou senhor...
– Kufufu... Senhor? Não sou tão velho jovem moça.
Ele dizia se sentando no murinho da sacada enquanto me observada com um sorriso sínico nos lábios. Não o reconhecia ainda, talvez por conta da máscara, o pouco que conseguia ver de seus olhos era que o direito era um azul oceano hipnotizante e o outro era curiosamente vermelho, ele tinha o cabelo azulado e um penteado diferente... Parecia uma espécie de “abacaxi”, digamos assim, e atrás um fino e longo rabo de cavalo baixo, tinha também ombros largos e era bem mais alto que eu. Então aquele sorriso desapareceu por um momento e ele voltou a falar.
– E o que fazia com aquele traste? Não deveria ficar sozinha com quem não conhece.
– É uma longa história...
– Bem... Deixe-me adivinhar... Sua família te obriga por ele ser rico e ter status?
Aquilo me assustou por alguns segundos, como ele sabia disso? Estava tão evidente assim?
– E-etto... Na mosca...
– Não se sinta mal... Isso é mais normal do que imagina...
Ele voltava a sorrir daquele mesmo jeito sínico enquanto me olhava e um silêncio se formava, aquele olhar me deixava terrivelmente intrigada. Parecia que ele lia cada pensamento meu, era desconfortável.
– Bem, acho que está começando a encher... Não quer sair daqui?
– Não foi você que disse para eu não ficar sozinha com quem não conheço?
Ele era suspeito demais, não queria acabar com um segundo Bel em cima de mim...
– Ora estamos sozinhos aqui há algum tempo, se eu quisesse fazer algo já teria feito, e você não tem cara de quem gosta muito desse tipo de festa, é só olhar para você e qualquer um percebe isso.
– Só olhar para mim?
– Sim, olhe as outras mulheres...
Ele dizia apontando e levando minha atenção para as mulheres que dançavam no baile.
– Veja como elas se vestem... Exageradas, saltos muito altos, maquiagem em excesso e parecem desesperadas por qualquer homem rico que apareça. Você por outro lado é mais simples. Se me permite dizer é a mais bonita daqui.
Quando ele disse isso não pude evitar em corar, torcia para que a máscara estivesse tampando meu rosto vermelho. Soltei um longo suspiro e falei tentando mudar de assunto e disfarçar o meu rosto corado.
– Está bem... Vamos para outro lugar...
Ele soltou uma risadinha e então estendeu a mão para que eu pegasse e o acompanhasse. Rezava para que não estivesse nada errado e que as intenções dele realmente não fossem ruins. E assim atravessamos o salão, e eu torcendo com todas as forças para que não visse Adelheid no caminho, quando enfim saímos de lá logo me dei conta de onde ele estava me levando. Era o jardim, como eu amava aquele lugar, era tão calmo e bonito. Tinha um caminho de pedras que levava até o meio dele, onde havia uma fonte e um banco. Nós fomos até lá e nos sentamos. Por um momento eu até me esqueci da presença dele e fechei os olhos apreciando o forte cheiro das flores que vinha com a brisa. Quando lembrei que ele estava do meu lado abri os olhos para observá-lo e vi que estava sem a máscara. Eu entrei um pouco em transe, ele era muito bonito, tinha traços delicados e realmente não aparentava ter muita idade. Quando percebeu que eu o olhava ele retribuiu o olhar sorrindo, eu desviei o olhar voltando a ficar vermelha.
– Por que não tira a sua também?
Ouvindo aquilo eu ergui a cabeça e aos poucos tirei a máscara, não sei porque estava fazendo aquilo, quando o olhei agora sem a máscara, eu fiquei mais nervosa. Ele percebeu e parecia se divertir com aquilo.
– Kufufu... Eu não estava enganado quando disse que era a mais bonita daqui.
Por que ele tinha que dizer isso? Ele só podia estar brincando comigo... E eu não entendia porque estava ficando tão nervosa.
– B-bem... Não é isso o que eu ouço todos os dias...
– E quem diria uma mentira tão rude?
– Minha madrasta...
– Acredite em mim, provavelmente ela diz isso por inveja. E o seu pai? Sabe que ela te trata assim?
– Hm... Ele morreu quando eu tinha oito anos...
– Sinto muito.
Ele fazia uma expressão preocupada. Me perguntava se realmente estava.
– Está tudo bem... Algumas pessoas não gostam de falar de parentes falecidos, mas acho que não falar é como se estivéssemos tentando apagar que um dia existiram.
– Bem, nisso você tem razão.
Ele realmente não parecia ser má pessoa ficamos em silêncio por algum tempo depois disso, nós dois coincidentemente olhávamos para o céu, a lua e as estrelas, estava realmente lindo. Inevitavelmente eu me lembrava do papai que sempre ficava comigo a noite tentando contar quantas estrelas havia lá. Depois de um tempo comecei a me incomodar com aquele silêncio e logo tentei falar algo.
– Bem... Estamos aqui há algum tempo e ainda não sei o seu nome.
– Mukuro. Rokudo Mukuro e quem seria a senhorita?
– Chrome Dokuro.
– E então Chrome... Onde aprendeu a dançar tão bem?
– E-eu não danço bem Mukuro-sama...
– Mas é claro que dança... Eu vi você dançando com o Belphegor.
– Etto... Sobre ele... Me descul...
– Só vou aceitar suas desculpas se aceitar dançar comigo.
– O-o que?
– Ora é só uma dança.
E assim Mukuro se levantou e estendeu novamente sua mão para mim, sem muitas opções eu aceitei e logo estávamos dançando no jardim ao som da música que vinha do salão. Ele me olhava com um pequeno sorriso e eu senti que começava a ficar nervosa novamente. Não entendia o que estava havendo comigo. Dançava com muitos homens em uma única noite e nunca havia me sentindo assim... Eu me sentia como se estivesse flutuando conforme ele me guiava. Quando a música terminou, nós paramos e ele apenas me observava, eu senti meu rosto esquentar e meu coração bater contra as minhas costelas ele tocou meu rosto com uma de suas mãos, o toque era leve e aos poucos percebia nossos rostos se aproximando, não sabia o que estava havendo, nem se o que estava fazendo era certo, mas de alguma forma queria continuar. Quando estávamos a milímetros um do outro, um grande timbre do relógio me fez cair em mim e me afastei o rosto verificando que horas eram. Sim... Era meia-noite.
– S-sinto muito eu tenho que ir...
Notas finais
Então se semana que vem eu demorar um pouco não estranhem ok? ToT
Kissu kissu ♥
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