"Olá, seu perfil está mais que aprovado! Venha fazer um book conosco. Eu estou encantado com tamanha beleza! Grandes trabalhos te esperam! Você vai arrasaaaaaaar!

Aguardo ansiosamente o seu retorno,

Curtis Holt"

Era o terceiro e-mail que ele me mandava. Curtis Holt era o booker de uma das agências de modelo mais renomadas de Star City. Eu tinha entrado em contato com a Rochev Models já fazia um meses, em outro e-mail o Sr. Holt dizia que iria me receber muito bem em Star City. Eu só precisava da autorização dos meus pais e estaria a um passo de realizar meu sonho.

Suspirei e olhei para o relógio, era hora de levantar para a realidade. Larguei o celular de lado de fui me arrumar para a escola, coloquei o uniforme e prendi meu enorme cabelo preto em um rabo de cavalo.

— Bom dia! — falei entrando na cozinha onde meus pais tomavam café e conversavam animadamente.

— Vem tomar café, filha! — falou meu pai enquanto bebericava a xícara. Sentei ao seu lado e o encarei, ele estava arrumado demais. Já ia viajar a trabalho de novo. Isso explicava a carranca que a minha mãe tentava disfarçar.

— Você devia ganhar mais pelo tanto que você trabalha, amor. — Donna disse servindo café para mim — Está viajando muito e se alimentando mal. O salário não está compensando.

Ele deu de ombros, vi aquilo como a minha deixa.

— Pai, mãe, o booker da agência de modelos me procurou de novo, já é a terceira vez. — sorri — Perguntou quando poderei ir para Star City.

— O que diabos é um booker? — meu pai perguntou

— Essa menina fala tanto em ser modelo que eu já até sei o que é isso — mamãe falou

— E o que é então? — ele levantou uma sobrancelha

— É tipo o rapaz que fica procurando as modelos, Noah, tipo um olheiro.

— Isso, mãe! — sorri — Ele amou minhas fotos. Disse que eu poderia morar em Star City com outras meninas, tipo uma república.

— Você ficou maluca, Felicity? — minha mãe alterou o tom de voz — Você tem que estudar, menina! E quando chegar a hora da faculdade ai sim você pode ir para lá.

— Sua mãe tem razão, filha — meu pai falou pegando o jornal — Nem pensar que você vai sozinha para outra cidade com gente que eu não conheço.

— Mas eu quero ser modelo, pai!

— Primeiro você tem que estudar, quando você crescer e tiver idade, aí sim você decide — disse minha mãe

— Já viu modelo velha, mãe? Ninguém inicia carreia velha.

— Por isso mesmo, Felicity, você tem que ter uma profissão segura, estudar.

— Mãe, você diz isso porque você não estudou

— Eu fiquei grávida de você — apontou para mim — todo mundo sabe que tive lagar a minha faculdade de direito para ter você. E eu me arrependo — bebeu café. Meu pai assistia tudo com um olhar divertido, como se estivesse assistindo uma boa novela.

— Se arrepende de eu ter nascido?

— Claro que não, filha. Você é o meu bem mais precioso. — sorriu — Me arrependo de não ter voltado a estudar. Mas o assunto está encerrado. Você não vai para Star City sem terminar o ensino médio.

— Que saco! — gritei levantando da cadeira — Vocês nunca me apoiam! Graças a Deus ano que vem eu faço 18 anos e vou poder tomar minhas próprias decisões — peguei a minha mochila que estava pendurada na cadeira e sem querer derramei o café que estava no xícara todo em cima do blazer do meu pai.

— Felicity! Olha o que você fez! — gritou jogando o jornal na mesa e tirando a peça de roupa suja.

— Papai, pai, perdão — falei o abraçando — Desculpa, por favor!

— Tudo bem querida, foi um acidente!

— Desculpa — insisti

— Noah, me de isso antes que manche — minha mãe falou pegando o blazer da mão dele — E você mocinha, vai pra escola que já está atrasada.

Assenti e sai em direção à porta da rua. A escola não ficava muito longe da minha casa, então dava pra ir andando. E eu amava essa caminhada de manhã.

Meu pai tinha dois empregos, mas mesmo assim vivamos no aperto. Ele trabalhava três dias da semana em Coast City, e os outos dias aqui em Central City. Eu queria ser modelo não só para realizar um sonho, mas também para ajudar minha família financeiramente. Eu ainda iria conseguir!

A manhã na escola passou normalmente. Eu utilizava o kit de sobrevivência do ensino médio: ficar na minha até a hora da saída. Eu não tinha amigas na escola, então quando eu o horário eu fui direto para cara, sem paradas para bater papo. Entranhei quando cheguei em casa e vi o Golf preto do papai parado na rua. Ele não havia ido viajar? Caminhei até a porta de casa e me assustei com a gritaria que vinha la de dentro, gritos da minha mãe. Sai correndo para dentro de casa nervosa pensamos no que poderia ter acontecido.

— Olha só o que você fez com a nossa família — entrei na sala e escutei minha mãe gritar desesperada — Você destruiu a minha família! — os gritos vinham do quarto dela, me apressei até lá.

— Mãe? Pai? — bati na porta — Está tudo bem?

— Não entra, Felicity! — meu pai gritou

— Não, ela vai entrar sim. Ela vai saber o filho da puta que o pai dela é — e então a porta abriu mostrando uma Donna acabada. Os cabelos presos em um coque bagunçado, os olhos azuis estavam inchados e vermelhos provavelmente de tanto chorar. Aquela visão da minha mãe me fez tremer. Ela era sempre tão alegre. — Entra, bebê. — fungou. Fiz o que ela pediu e quando passei ela bateu à porta — Você tem uma irmã, Felicity. Uma Irma de sete anos.

— O que? — perguntei sem acreditar. Aquilo devia ser alguma brincadeira de mal gosto.

— Filha, senta aqui — meu pai falou apontando para a cama. O ignorei.

— Que história é essa, mãe? — olhei para a minha mãe que voltou a chorar desesperada — Alguém fala o que tá acontecendo?

— Eu vi uma conta de luz no nome do seu pai, conta de luz com um endereço de Coast City. — secou as lágrimas e respirou fundo — Hoje de manhã eu fui até lá, fui até esse endereço. E o que eu vi? Vi seu pai brincando de casinha com uma vagabunda. Descobri que ele mantém outra família nesse endereço.

— Que brincadeira de mal gosto é essa de vocês dois? — meus olhos encheram de lágrimas. Eu não queria acreditar que meu pai tinha feito isso — Isso é mentira! Não é pai?

— Donna, para de jogar as coisas desse jeito em cima dela, você tá assustando a menina — meu pai falou

— Papai — gritei — me diz que isso é mentira dela

— Não, querida — ele abaixou a cabeça — Eu sinto muito! Mas isso tudo é verdade.

— Não! — me sentei no chão encostando a cabeça na parede — Porque você fez isso?

— Ele enganou a gente por mais de 7 anos, filha! — minha mãe cruzou os braços — tempo suficiente pra fazer outra filha.

— Porque você fez isso pai? — gritei

— Fiz por paixão. — seus olhos marejaram — Eu me apaixonei. Eu amo a Tatiana. E então ela engravidou... Eu planejava contar tudo para vocês duas quando a Felicity fosse para a faculdade. — ele me olhou — Meu amor, você tem uma irmãzinha tão linda quanto você!

— Não compara a minha filha com a filha daquela piranha — minha mãe rosnou

— Não, mãe — funguei — Isso não dá pra mudar. Eu tenho uma irmã é uma hora eu vou querer conhecer ela.

— Isso não, Felicity! — gritou — Vai arrumar suas coisas, vamos embora daqui.

— O que? — perguntei limpando as lágrimas

— Não faz isso Donna. Eu acho que você está tomando uma decisão sem pensar.

— Quem tomou uma decisão aqui foi você, tomou uma decisão por todos nós. Que foi arrumar outra família por aí. E eu ainda tenho que ficar ouvindo que você ama aquela vagabunda. — minha mãe voltou a chorar se apoiando na parede. Me doía ver ela assim — Tatiana sabia que você era casado e você foi um burro em cair no golpe da barriga. Aceitou ser a outra e ainda foi morar com você, Noah. Pra mim isso é coisa de vadia. Piranha.

— Mãe, para, — chorei — eu nunca te ouvi falar desse jeito

— Teu pai me deu todos os motivos pra falar desse jeito. — limpou as lágrimas — e o que você está fazendo jogada nesse chão? Vai arrumar suas coisas!

— Eu ainda acho que você está tomando uma decisão precipitada, Donna. – meu pai falou mais agressivo

— Não venha alterar o tom de voz para mim – ela gritou – Eu já me decidi. – passou a mão no rosto se sentando na cama de frente para mim – Vamos pra casa da minha irmã.

— Em Star City? – perguntei surpresa. Minha mãe assentiu me olhando.

— É inicio do ano letivo, a gente ainda pode pedir transferência.

— Mas e o resto? – papai perguntou

— Que resto, Noah? Que resto? – olhou para ele – Essa casa é do teu pai, moramos aqui de favor. Vou levar uns livros da Felicity, umas roupas e mais umas coisas. Ah! – levantou ficando de frente pra ele – E o carro.

— O carro? – perguntou surpreso

— Sim! – assentiu rindo sem humor – O carro que compramos juntos e está no nome da minha filha. É da Felicity por direito e ela já pode dirigir. Aquela vagabunda pode ter ficado com o meu marido, mas não vai ficar com o carro da minha filha não – abriu o guarda roupa e puxou umas bolsas, voltando a chorar – E sai daqui, Noah, some da minha frente antes que eu cometa uma loucura. Vai dormir em outro lugar até a gente ir embora, me recuso a dividir o mesmo teto que você essa noite.

Meu pai assentiu e com lágrimas nos olhos se retirou do cômodo sem dizer nada.

Meu coração doía, era uma dor sufocante. Desgosto. Era isso que eu estava sentindo em relação ao meu pai. Desgosto. Mas ele era meu pai, eu não podia virar as costas para ele, era o único que eu tinha. E eu o amava. Eu não podia deixá-lo ir embora sem me despedir.

Me levantei do chão e fui correndo atrás dele.

— Pai! – gritei da porta de casa e ele se virou, já na calçada, e esticou os para mim e fui correndo na direção de seu abraço – Eu ainda vou te ver de novo, pai?

— Mas é claro que sim, meu amor! – me apertou – Você é a minha princesinha. Sempre estarei aqui por você. E eu sinto muito por tudo isso!

— Isso dói, pai1 Dói muito – funguei. Ele desfez o abraço e colocou as chaves do carro na minha mão.

— Você não queria tanto ir para Star City? – assenti. Ele só não entendia que não era dessa forma que eu queria ir pra lá. – Essa é a sua chance, é a sua chance de realizar seu sonho – colocou cada mão em um lado do meu rosto – Vamos pensar positivo, filha. Sei que grandes coisas te esperam. – Boa Sorte! – beijou minha testa e se distanciou, observei ele se distanciar e antes de virar a esquina e sumir de vista, ele acenou. Retribui o aceno com o resto coberto de lágrimas.

Entrei em casa correndo e me joguei na cama. Meu coração estava em fiapos, minha família que sempre fora unida, agora tinha acabado. Eu nunca mais iria ver minha mãe batendo um bolo animada e meu pai a observando com um olhar apaixonado. Ele sempre teve esse olhar apaixonado, como ele a traiu por todo esse tempo? Eu não conseguiu acreditar, queria que isso fosse um pesadelo e que quando eu acordasse seria tudo diferente. Sei que a partir de agora eu deveria ser forte e cuidar da minha mãe, ela não seria mais a mesma.

A minha euforia de me mudar para Star City tinha se dissipado. Agora eu estava com medo do que me esperava na grande cidade.

(...)

Da janela do carro as luzes de Star City brilhavam na noite fria de inverno, outdoor com fotos das mais lindas modelos e propaganda para todos os lados. Star City definitivamente era um berço empresarial e as grandes agências de modelo se localizavam ali. Eu estava a um passo de conquistar o que eu queria. E eu faria de tudo para conseguir.

Chegamos à casa da Tia Dottie a tempo do jantar. Fui recebida com abraços e apertões nas bochechas como uma boa criança.

Dottie era a irmã mais velha da minha mãe. Uma viúva de 50 anos que morava apenas com a enteada, Carrie. Minha tia não podia ter filhos, então criou a enteada como se fosse dela. Carrie Cutter tinha a minha idade e nunca nos demos bem.

— Dottie, isso é provisório, é até arrumarmos um lugar para ficar – minha mãe falou quando terminou de jantar.

— Não se preocupe, irmã – sorriu – essa casa é tão sua quanto minha. — A casa era herança dos meus avôs que moravam em Star City. Eles morreram em um acidente de carro antes de eu nascer e a minha tia mudou pra cá quando se casou. – Podemos colocar uma cama no quarto da Carrie e Falicity dorme lá com ela. E você, Donna, fica no quarto de hóspedes. Decore ele a seu gosto, e você querida – olhou pra mim – pode decorar seu cantinho também.

— Então vou ter que dividir meu quarto com ela, mãe? – Carrie perguntou fazendo careta

— Querida, não começa – minha tia repreendeu

— Eu posso dormir com a minha mãe, tia

— Não, vocês vão dividir o quarto e assunto encerrado.

Carrie bufou e eu sorri por educação. Pelo visto eu teria que aturar as provocações dela calada, afinal eu estava na casa dela.

Tia Dottie contou para a mamãe que estava com uns problemas financeiros, Carrie tinha bolsa integral na escola particular e elas viviam dependentes da indenização do meu tio Frank, que morreu enquanto trabalhava. Minha tia era uma professora aposentada.

— Espero que você tenha gostado da comida, querida – titia falou olhando para mim – Não é primeira, mas fiz com carinho para vocês – sorriu. Tia Dottie era linda, já estava na idade, porém linda. Os olhos azuis iguais os da mamãe, iguais os meus, cabelos loiros com uns fios grisalhos e nariz fino. Ela e minha mãe eram muito parecidas. Puxei do meu pai apenas o cabelo negro, o resto eu era idêntica as duas.

— E eu lá ligo pra isso, tia. Esse escondidinho é o melhor!

— Vai ficar puxando o saco dela, mãe? – bufou Carrie, revirei os olhos

— Para de ser chata, só quero agradar sua prima.

— Ela não é minha prima – falei

— Felicity! – minha mãe repreendeu e eu dei de ombros.

— Enfim, — minha tia começou – Conseguiu o trabalho, Donna?

— Sim, eu liguei de lá de Central para o número que você me passou, Dottie. O Sr. Belly disse que está me esperando lá amanhã. Não é grande coisa, mas já da pra ajudar aqui.

— Vai trabalhar de que, mãe? – perguntei

— Filha, foi a única coisa que consegui. E nos estamos precisando, — suspirou – É uma vaga de garçonete em uma lanchonete

— Mas você nunca trabalhou

— E agora eu preciso, querida.

— Vou ter uma titia garçonete, que legal! – se esse projeto de ruiva abrisse a boca pra falar mais uma gracinha, eu ia voar no pescoço dela.

— Carrie! – repreendeu minha tia fazendo a ruiva rir debochada

— Eu estou tão feliz da possibilidade de já ter um emprego. – minha mãe sorriu.

— Se está feliz com isso, vai ficar com a noticia que vou te dar – minha tia sorriu fazendo suspense

— Fala logo, Dottie

— Consegui escola para Felicity! – alargou o sorriso – Ela vai estudar na Elite Star, com bolsa integral.

— Não! Ela vai estudar comigo? Ah! Não! – Carrie reclamou e olhei para ela de cara feia

— Dottie como você conseguiu isso? – minha mãe perguntou

— Eu já dei aula de história lá, o diretor já foi meu aluno. Ele disse que vai ser um prazer receber minha sobrinha lá. – sorriu – Amanhã mesmo ela pode começas. Carrie tem uniforme sobrando, já separei um para Felicity.

— Que maravilha! – exclamou mamãe – E eu preocupada com os estudos dela! Minha sobrinha e minha filha estudando com a elite de Star City. Que orgulho!

Eu só quero ver no que isso vai dar!

Como eu ainda não tinha a cama no quarto da minha adorável prima, essa noite eu passei com a minha mãe. Foi estranho, a ouvi chorar a noite toda baixinho. Isso partia meu coração. Eu estava morrendo de saudades do meu pai, da minha casa, da minha família reunida. E olha que passei só um dia aqui.

(...)

— Hoje você vai com a Carrie, sei que vocês não se gostam, então aprende o caminho pra não depender mais dela! – minha mãe falou para mim na porta de casa enquanto esperávamos minha adorável prima postiça terminar de se produzir para a aula. Não sei o que tanto ela fazia naquele quarto. Eu coloquei a saia do uniforme, a camisa branca de botões com o símbolo da escola e prendi meu cabelo com elástico em um coque solto. Coloquei meus óculos e pronto, estava ótimo!

— Tudo bem, mãe!

— Toma esse dinheiro aqui pra você comprar algo – falou abrindo a carteira

— Que isso, mãe! Você ta dura. Não quero.

— Para com isso, minha filha! Vai passar fome? Toma isso aqui! – ela pegou minha mão e colocou o dinheiro lá. Aceitei e guardei na mochila, eu sabia que pestanejar não daria em nada.

O furacão Cutter apareceu toda produzida. Maquiagem, cabelo feito, brincos e anéis. Minha mãe prendeu o riso. Então era assim que os riquinhos se vestiam na escola? Revirei os olhos.

— Vamos logo se não você vai me atrasar! – falou atravessando a rua para pegar o ônibus. Oh, sim, Carrie, sou bem eu que estou atrasada!, pensei

— Tchau, mãe. Boa sorte hoje no Big Belly Burguer! – beijei sua bochecha e me distanciei. – Ah! – voltei para perto dela – Já ia esquecendo... – sorri – Posso marcar de ir na agência de modelo hoje mais tarde?

— Não, filha... Tira isso da tua cabeça! – acariciou meu rosto

— Mas mãe, eu posso ser modelo, rica, te ajudar.

— Meu bebê, todas as garotas querem ser modelo... Filha, isso é sonho!

— Mas, mãe, é o meu sonho. Deixa eu tentar. O não já é certo. – juntei uma mão na outra como se tivesse rezando.

— Anda logo, quatro olhos – gritou Carrie do outro lado da rua

— Mãe...

— Ta bom! Marca! Pode marcar! – gritei de felicidade e abracei ela – Olha só, mas eu vou junto. Quero ver o que vão fazer com o meu bebê lá.

— Ai, mãe. Obrigada! — falei e sai correndo para o ponto de ônibus.

— Oi, filhinha de mamãe. – falou Carrie quando parei ao seu lado

— Não enche!

— Vamos deixar as coisas claras. Naquela escola nós não nos conhecemos, ok? Não quero ser vista perto do desastre ambulante que você é.

— Isso não vai ser um problema, priminha — joguei um beijo no ar

Quando cheguei na escola fiquei embasbacada. O lugar parecia um shopping de tão grande e com tanta gente bonita. Tudo naquela escola era enorme, piscina, quadra, área de lazer, pátio, sala de cinema, refeitório... Era um mundo. O pátio tinha uma decoração com pichação, diferentes desenhos com o nome da escola e símbolo.

Agora eu entendia porque Carrie se arrumava tanto. Mas eu não me importava, vim aqui para estudar e não pra competir quem se veste melhor.

Vi Carrie se aproximar para um grupinho de meninas histéricas que estavam sentadas no pátio. A famosa panelinha do ensino médio. Eu estava completamente desproporcional ao padrão de lá. Diferentes tipos de pessoa, diferentes tipos de panelinha. Nada comparado à escola pública que eu estudava. Mas também, se me zoarem por ser diferente, problema deles!

No banheiro peguei duas meninas fumando. No corredor mais estreito do colégio, tinha uma espécie de corredor polonês. Outro grupo brincava de passar o papel de um para o outro com boca. É, realmente, outro universo que eu não estava acostumada.

— Hey, — Estava subindo as escadas quando escuto alguém me chamar – Você ai!

— Oi – sorri. Ela era linda, pele branquinha, olhos azuis, e cabelos curtos na altura do queixo. Tinha um blazer preto por cima do uniforme e uma leve maquiagem. Com ela tinha mais duas meninas, e uma delas era Carrie, que observava tudo incomodada.

— É aluna nova? – perguntou me avaliando de cima a baixo e fazendo uma careta. Provavelmente desaprovando o que via. Não me importei– Sou Thea Dearden, presidente do comitê de alunos

— Felicity Smoak – sorri – Sou aluna nova sim – olhei de Thea para Carrie, e depois encarei Thea novamente — Meus pais se separaram e então me mudei para Star City e...

— Blá blá blá... Amor, eu não pedi a sua biografia — piscou

— Deixa ela, Thea. Não vale a pena – falou Carrie puxando a amiga escada acima. Subi junto.

— Eu queria saber onde é minha turma, não consegui achar a sala ainda.

— Já deu pra ver que a bolsista né – Thea sorriu com desdém

— Como você sabe? – perguntei. Olhei pra Carrie que meneou com a cabeça, provavelmente querendo dizer que não tinha falado de mim para ninguém.

— Meu amorzinho, só você se olha no espelho. – gargalhou junto com as outras meninas

— O que tem de errado com a minha aparência? – perguntei seguindo ela

— Começa pelo cabelo – uma morena baixinha falou – Corte é esse?

— Eu quase não corto, longo assim eu achei que tava bom – falei mexendo no meu cabelo. — Todas gargalharam inclusive Carrie, mas dava pra sentir que ela estava incomodada. Mas incomodada do que eu.

— Você é uma piada pronta – a morena falou

— Vem, Makenna, deixa a trapinho aí. – disse Thea se distanciando

Sai correndo e entrei no banheiro. Joquei uma aguá no rosto para ver se apagava um pouco da raiva. Mesquinho. E então lembrei as atitudes do meu pai. Ele foi tão mesquinho e hipócrita quanto essas meninas, quanto Carrie está sendo. Será que Thea e Makenna sabiam que ela era filha de uma professora aposentada e um metalúrgico falecido? Será que Thea e Makenna sabiam que ela vivia de aposentadoria e indenização? Pelo perfil das duas, eu acho que não. Também não seria eu a contar.

Aguentei as risadas o dia todo na escola, ignorei tudo com sucesso. Eu só queria que o dia acabasse para que eu pudesse ir à agência com a minha mãe. Eu já tinha lido tantos e-mails que já tinha o endereço de cabeça.

Quando eu cheguei em casa Carrie ainda não tinha chego, minha tia falou que ela foi fazer um trabalho na casa de uma amiga. Estranhei mas não falei nada, afinal, éramos da mesma turma e não tinha trabalho algum. Mamãe contou que tinha conseguido o emprego na lanchonete, começaria amanhã. Ela estava animada. Não mais que eu, afinal estávamos indo na agência finalmente.

Mamãe estacionou o carro em frente ao pequeno prédio com onde a placa dizia “Rochev Model”. Antes de entrar um calafrio passou por minha espinha, uma sensação ruim. Mas ignorei, afinal, estava a um passo do meu sonho, literalmente.

— Boa tarde, eu gostaria de uma informação – minha mãe falou para uma moça rechonchuda que estava sentada em um balcão.

—Aaaaaaaaa, você veio!!!! – olhamos para trás de um rapaz lindo com o estilo afro veio correndo e batendo palmas na nossa direção e me abraçou.

— Desculpa... Quem é você? – perguntei sem graça

— Sou o Curtis, vínhamos nos falando a dois meses – sorriu, retribui – Nem acredito que você veio!

— Nem eu – falei sincera

— Oi, eu sou a mãe dela – mamãe disse esticando a mão para um cumprimento. Curtir a abraço forte. – Eu to um pouco confusa, ela veio aqui porque o...

— Eu mesmo! – sorriu – Eu que mandei ela vir aqui. Sou eu mesmo. – colocou a mão no peito rindo.

— Ata – minha mãe suspirou. Curtis me olhou de cima a baixo. Diferente de Thea, ele me olhava com aprovação. – Altura mediana, magra, esses olhos azuis. Poderosa! – exclamou – Podemos mudar uma coisa aqui – tocou no meu cabelo – E outra ali – colcou a mão no meu rosto. – Mas não fala não, só fica calada?

— Olha ela está com essa carinha porque tivemos uns dias difíceis. – minha mãe falou.

— Não tem problema, a gente muda isso também. Daqui a pouco ela está esbanjando glamour por a, virando notícia – sorriu batendo palmas

— Vocês é mesmo Curtis Holt? To te reconhecendo da internet. – falei

— A própria diva booker do momento – falou se jogando no puf rosa que tinha ali. – Com pouca carne – bateu na própria coxa — e ossinhos delicados! – levantou do puf – Atenção do todos, por favor! – todos pararam o que estavam fazendo e olharam para ele. – Essa aqui é Felicity, a minha mais nova descoberta. Encontrei ela com esses meus olhinhos aqui. Guardem esse nome – bateu palmas – porque ela vai arrasar!

Eu estava contando com isso!

Notas finais
Tive a ideia dessa fic ontem a noite. Decidi postar um Prólogo para ver como iria ser aceita por vocês. Comentem e dêem opinião. Digam o que gostaria de ver ou não. Vai ser um cap com POV da Felicity e um com POV do Oliver. Essa fic vai ser um grande desafio para mim e estou disposta a driblar com a ajuda de vocês! Comenteeeeeeem!