Secret Place

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Fanfiction sobre relação homossexual, portanto, SE NÃO GOSTA DAS BICHAS SE PEGANDO não leia!! (:
História bem melosa pra passar o tempo. Espero que gostem. Boa leitura!!

Já estava tarde. Estava tarde e ainda assim eu continuava com a minha caminhada solitária por aquela rua deserta e cheia de árvores. Se Dean pudesse me ver, provavelmente me bateria por ser estúpido e ficar tão vulnerável quanto eu estava agora.

As estrelas enfeitavam o céu de forma sinérgica. Aquilo era obra dele, só podia ser. Ele sabia muito bem como me deixar feliz. Sabia que eu gostava de um céu estrelado... Agora, olhando mais atentamente, reparei que algumas um pouco mais para a esquerda, parecia formar seu rosto. Definitivamente coisa dele.

- Gabriel!

Eu o chamei, ainda olhando as estrelas com seu rosto num “canto”. As estrelas que, em formação, pareciam suas sobrancelhas, arquearam-se.

- Ninguém merece – Falei ouvindo suas asas farfalharem atrás de mim.

- Hei, baby! – Ele disse com seu sorriso exageradamente lindo. Mesmo de costas, eu sabia que ele estava sorrindo. Ele sempre está. – Feliz em me ver?

Eu me virei para encarar o anjo. Ele estava lindo, com aquele sorriso safado que tinha; os cabelos penteados divinamente para trás, cheio de ondas; os ombros relaxados e os braços abertos, pronto para um abraço.

- Sério? – Perguntei. Era mesmo necessário dar um abraço? Em um local público. Alguém podia nos ver... Alguma coisa podia nos ver. – Tudo bem – Falei revirando os olhos. Além disso, eu queria mesmo aquele abraço, só que... era estranho para mim. Gabriel era do mesmo sexo que eu... bom... eu acho.. Anjos têm essa coisa de sexo?

- Você está fazendo aquela cara – Ele disse enquanto me abraçava.

- É que... É muito bom estar com você. Libertador, na verdade, mas ao mesmo tempo é um pouco estranho. Ainda estou me acostumando. Sempre estive com garotas.

- Eu também – Ele disse ao lado de meu ouvido quase sussurrando. Me arrepiei todo e, pelos movimentos de suas bochechas percebi que ele sorriu por isso.

- Podemos ir para algum lugar? – Nós dois nos afastamos um pouco. Longe demais, quase quinze centímetros — Quero ficar com você.

- Eu tenho uma ideia – Gabriel falou levantando o dedo indicador e no instante seguinte desaparecendo de vista.

Eu olhei em volta suspirando. Odiava quando ele fazia aquilo.

Me senti um idiota. Senti minhas bochechas quentes, portanto, devia estar corando. Por causa de Gabriel ainda por cima. Nem sei como eu fui gostar dele... Bom, na verdade eu sei.

Após eu terminar com Amélia Richardson, eu não tinha mais lugar para ir então comecei a vagar até encontrar-me com Gabriel... Digo, até Gabriel me encontrar. Acho que ele esteve de olho em mim e em Dean após fingir sua morte para fugir de Lúcifer e da guerra. Gabriel esteve escondido por esse tempo todo e quando me viu sozinho, se aproximou. Ele disse que eu despertava algo nele, mas não me disse o que era.

- Vai mesmo ficar aí olhando para o nada? – Gabriel disse me dando um leve susto – Que foi?

Ele perguntou tirando sarro de mim após ver minha reação.

Gabriel estava montado numa moto preta segurando dois capacetes – me oferecendo um. Ele não podia estar falando sério. Ele é um anjo. Ele é um Arcanjo! Ele poderia nos tirar dali num piscar de olhos.

- Eu sei. “Eu posso nos tirar daqui num piscar de olhos”. Isso é óbvio, duh! Só... vem logo, Sammy!

Pus o capacete e me ajeitei na moto atrás de Gabriel. Eu fiquei um pouco afastado, mas o anjo insistiu que eu me aproximasse mais. E de fato não eu não tinha motivos para estar acanhado. Eu e ele estávamos juntos já fazia uns bons meses. Por que eu estava agindo daquele jeito? Tendo isso em mente, eu o abracei na cintura, ao invés de apoiar-me atrás.

- Agora sim, Sammy! Parece que você está começando a entender.

Algo dentro de mim sabia que Gabriel iria dar a partida o mais rápido que podia (e que não podia também). Segurei forte no anjo e tudo o que eu senti dali pra frente foi o corpo do receptáculo de Gabriel sendo arremessado para trás sendo pressionado contra o meu. Eu apertei meus braços envolta de seu corpo.

Apesar da velocidade no qual estávamos, eu me sentia seguro. Não só por estar com Gabriel e me segurando nele. Era como se... uma parte de mim me dissesse que nada de ruim poderia acontecer comigo enquanto estivéssemos juntos.

- Aonde estamos indo!? – Gritei imaginando que minha voz talvez não pudesse alcança-lo devido ao barulho forte do vento contra nossos corpos.

- Não precisa gritar, querido — Sua voz parecia estar em minha cabeça de tão nítida e próxima. Talvez estivesse – Eu posso ouvi-lo.

- Desculpe... Aonde vamos, Gabriel?

- Você verá! Só queria te mostrar algo antes.

- Mostrar o quê!?

Ele devia estar rindo da minha cara. Eu odiava quando ele fazia esses suspenses desnecessários, mas curti bastante o fato de ele estar tentando me agradar.

Algo piscou verde ao lado de meu capacete. Não pude ver direito por ter aparecido bem no canto. Devia ser algum vagalume ou coisa do tipo.

Ignorei, afinal era só um vagalume... Até que mais uma vez, algo piscou. Outro vagalume?

Aquilo começou a me preocupar. A probabilidade de isso acontecer era muito pequena e, li em alguns dos livros de Bobby que o comportamento de alguns animais pode significar a presença de seres sobrenaturais. Será que haveria algum por perto?

Mais uma vez, uma luzinha verde apareceu de repente próximo ao cabelo de Gabriel.

- Gabriel – Eu o chamei começando a ficar preocupado

- Relaxa! – Ele respondeu sem deixar que eu continuasse. Quase como se soubesse o que eu iria dizer. Talvez ele soubesse.

- É que... – Eu tentei continuar, mas fui interrompido novamente.

- Apenas observe, cabeção!

Eu fiquei quieto e observei as àrvores ao nosso redor, como se também estivessem em movimento. Se ele estava agindo daquela maneira, é porque estava preparando algo, porém até agora nada havia acontecido, além das luzes verdes piscando fraco próximo à nós.

- Hei! Olha isso.

Olhei para os dois lados e não vi nada... inclinei a cabeça para perguntar à Gabriel se ele não estava com problemas mentais ou algo do tipo, e foi quando eu vi... À nossa frente, um enxame. Vagalumes vindo em nossa direção. Várias luzes verdes, lindas e harmonicamente piscando vindo a nosso encontro.

Quando todos os pequeninos deixaram de estar à nossa frente e passaram a estar ao nosso redor, tudo pareceu mover-se em câmera lenta. Era possível ver o bater de asas dos mais próximos.

Era a coisa mais linda que eu já havia visto. Dava uma sensação de liberdade e dava espaço em meu coração para o florecer da esperança.

- Gostou? – Perguntou Gabriel

Eu não respondi. Não conseguia responder porque estava fascinado. Tive medo de piscar e aquilo tudo acabar, mesmo sabendo que não iria. Gabriel era o melhor.

Abri os braços, tão lentamente quanto o que estava acontecendo ao redor. O frio da noite não me atingia mais. Eu estava quente, ou pelo menos me sentia assim. Gabriel me fez sentir assim.

- Eu amei – E o abracei novamente.

Gabriel acelerou, se é que isso era possível.

Alguns instantes depois os vagalumes tinham desaparecido. A estrada que corríamos de moto, era agora uma estrada de chão coberta de neve. Estávamos numa montanha. Olhei ao meu redor e vi muitas luzes descendo a montanha. Parecia uma estação de esqui.

Nós dois descemos da moto e eu agarrei Gabriel como se este fosse o último dos anjos. Como se eu nunca mais fosse tê-lo comigo. O abracei forte, quase sufocando-o.

- Foi lindo – falei.

- Ainda bem que você gostou. Já quer me matar por ter gostado, imagina se não tivesse gostado!

Ele falou, mas o som da sua voz estava abafado pelo meu casaco.

- Podemos por favor... — Eu o soltei, contra a minha vontade – Teremos tempo para isso. Venha!

- Mas e... – Olhei para trás, imaginando o que Gabriel faria com a moto, porém a moto já havia desaparecido – Hoje você está todo misterioso. O que está havendo?

- Eu descobri essa pista de esqui enquanto você estava com seu irmão e com o pequeno Cas no esconderijo de vocês... E imaginei que...

Gabriel aproximou-se de uma cabana de madeira. Enorme e coberta de neve. Estalou os dedos e a porta da cabana abriu-se.

- Imaginou o quê? – Perguntei curioso.

Gabriel entrou sem me responder. Eu fui logo atrás. Estava frio lá fora. Novamente, Gabriel estalou os dedos e do nada, a lareira acendeu, aquecendo a cabana imediatamente e fechando a porta atrás de nós.

- Exibido.

Tirei meu casaco e o depositei sob o cabide bem ao lado da porta. Havia um pequeno sofá, uma cama de casal, um guarda roupa, televisão, frigobar, aquecedor, lareira... era tanta coisa que parecia mais uma casa de um quarto só.

- Onde é o banheiro? – Perguntei – Tem banheiro, não é?

Gabriel apontou para a porta ao lado do guarda roupa, enquanto tirava os sapatos e a calça. Eu engoli em seco. Por que ele estaria tirando a calça??

- Que foi? – Ele perguntou quando percebeu meu olhar – Eu sempre tiro a calça primeiro... você não ia no banheiro?

- Não. Só... Ah! Esquece.

Tirei os sapatos e fui em direção à cama. Estava cansado. Fora uma dia exaustivo.

Gabriel, sorridente como sempre, depositou o casaco sob o cabide assim como eu havia feito e deitou-se ao meu lado, cobrindo-se.

- Agora fala. – Comecei – O que foi isso tudo?

- Tudo o quê?

- Tudo! As estrelas, os vagalumes e agora a cabana. O que está acontecendo Gabriel?

Gabriel suspirou e fitou-me antes de responder.

- Acho que não gosto de te ver triste.

- Não estou triste – Disse sem pensar – Só... confuso...

- Não gosto de ver você confuso.

- Como você gosta de me ver?

- Feliz – Ele olho para mim e sorriu — Pelado, na cama... de preferência comigo... Você ainda está usando alguma roupa?

Senti a mão de Gabriel em...

- Hei!!

- Yep! Você ainda está usando algo.

Gabriel virou-se e me beijou. Fitou-me por alguns segundos como se pudesse ler minha mente, com seu olhar hipnotizante. Eu podia sentir sua respiração em meu rosto. Sua boca, um pouco úmida, apenas a alguns centímetros da minha. Longe demais. Nos beijamos novamente. Sua língua, atrevida como o próprio, invadia a minha boca e acariciava o que pudesse alcançar. Sua mão, em minha cintura, puxava nossos corpos para perto. Eu queria ficar ali, daquele jeito, para sempre, mas a necessidade de respirar nos separou.

- Você é adorável – Comentei

- Adorável?

Eu ri. Era bom irritá-lo de vez em quando.

- Você ainda não respondeu minha pergunta.

- Eu vi esse lugar e achei que... que poderia ser o nosso cantinho.. Digo, quem iria achar que Sam Winchester estaria comigo numa cabana num topo de uma montanha na Suíça? – Gabriel falou levantando as sobrancelhas fazendo uma careta – Nosso lugar secreto. Nossa fuga. Só... eu e você.

- Nosso lugar secreto – Eu ri. Parecia perfeito – Espera, Suíça?

Eu queria discutir mais um pouco, queria continuar a brigar com ele por ter me levado para o fim do mundo, mas ele me impediu com mais um beijo.

- Eu sei que... está frio. Mas sinto que estamos usando mais roupas do que o necessário.

Falei, fazendo Gabriel sorrir maliciosamente de um canto ao outro do rosto e eu amava aquele sorriso.

- Você tem toda a razão, baby!

Notas finais
E aí? O que vocês acharam!?
O feedback de vocês contribui para histórias cada vez melhores!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!