Secret Love

10 Um péssimo recomeço


Notas iniciais
Sim, o nome do capítulo tem a ver com o fato de eu ter feito merda nesse capítulo >.< /foge/ Eu fiquei meio travada e acabei demorando demais para escrever~ Y.Y
De qualquer forma, boa leitura

Secret Love

Capítulo 10 – Um péssimo recomeço



TaeMin bocejou. Olhou para trás, encontrando KiBum sentando em um dos bancos no fundo do ônibus. Ele lia distraidamente, mas TaeMin conhecia o turbilhão de sentimentos que devia estar passando por dentro dele.

Há um pouco mais de dois meses, Key chegara chorando com a notícia de que havia terminado o namoro com JongHyun. TaeMin jamais diria que ficara feliz com isso, não quando o irmão parecia tão destruído. Os dois foram para o Japão no dia seguinte, decididos a aproveitar o tempo com o pai dos dois já que ele não poderia voltar à Coreia tão cedo.

Nesses dois meses, TaeMin viu o irmão mais velho amadurecer, de certa forma. Por algum tempo, sentiu falta da ingenuidade nos olhos de KiBum, mas logo descobriu que o mais velho não havia mudado, no todo. KiBum era o mesmo de antes, até mais forte talvez.

Virou-se para frente mais uma vez, implorando para que chegassem no colégio logo. TaeMin ia começar seu primeiro ano graças a MinHo. Sorriu ao pensar que reveria o amigo, mas o sorriso logo morreu ao lembrar que Key estava evitando o moreno. MinHo ligara para TaeMin várias vezes quando este estava no Japão, e sempre que ele pedia para falar com Key, o irmão mais velho dizia que estava ocupado. TaeMin sabia que KiBum estava envergonhado demais com tudo o que aconteceu, e sinceramente esperava que ele encarasse a vida de frente.

Suspirou, pegando o celular no bolso por puro reflexo. Já estava quase acostumado a ler as cartas do “admirador secreto” de Key. Algumas delas, ele já sabia decoradas. Estava disposto a encontrar aquela pessoa, aproximá-la do irmão e ver KiBum ser amado como realmente merecia.

Seu sorriso se alargou enquanto lia as palavras tão cheias de sentimentos.

Havia fotos de cada página do caderno azul em seu celular, mas ele passara cada carta para um editor de texto, apenas para poder lê-las melhor. Aquelas palavras lhe causavam conforto. Imaginava como seria a pessoa por trás delas...

– TaeMin! – Quase jogou o aparelho pela janela aberta quando a voz de Key praticamente gritou em seu ouvido. – Com o que você está sonhando? Vamos, nós já chegamos!

O mais novo se levantou encabulado, vendo o motorista olhá-lo com um riso simpático e divertido. Ouviu o irmão falar com ele antes de sair.

– Já está cansado no primeiro dia, Minnie? – KiBum sorriu, passando um braço pelo ombros do irmão.

– Eu só estava pensando como vai ser...

– Vai ser ótimo, contanto que você estude! Por falar nisso eu tenho um monte de coisa para fazer! Até mais! – Deu um beijo estalado na bochecha do mais novo e saiu correndo, sumindo entre a multidão de alunos. TaeMin nem teve tempo de se sentir sozinho, um segundo depois sua cintura era agarrada por alguém que não conseguia ver. Quase se desesperou, mas logo o rosto pequeno de MinHo surgiu por sobre seu ombro, descansando o queixo ali.

– Você me assustou! – O loiro reclamou, emburrado. MinHo se limitou a rir baixinho.

– Key fugiu quando me viu, ou é impressão minha?

– Ele disse que tinha coisas para fazer. Ele é ocupado, você sabe.

– Não sei se eu fiz a coisa certa, Taeminnie. – Suspirou. – Às vezes acho que fui uma péssima pessoa...

– Isso foi o melhor a se fazer! – O loiro falou resoluto, apertando uma das mãos do moreno. Estava cansado de ouvir MinHo se lamentar sobre ter contado de JongHyun para Key. – Agora se você não se importa... Poderia me largar e me ajudar a encontrar minha sala?

MinHo riu antes de soltar o mais novo, e logo o puxou para entre os alunos.


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– Olha quem resolveu aparecer! – ChanSung ergueu os olhos no momento em que KiBum adentrou o pequeno escritório. – Você sabe que está bem encrencado por ter sumido por dois meses, não é?

– Desculpe, sunbae, eu quis voltar antes, mas meu pai não deixou. – O loiro fez uma pequena reverência ao mais velho que sorriu contra a própria vontade.

– Espere muito trabalho sobre os seus ombros nesse semestre. – Riu ao ver o loiro concordar, embora fizesse careta. – Comece organizando a lista de alunos que vai para a pasta, eu vou colocar a lista de salas no quadro de avisos.

– Okay – KiBum resmungou baixinho enquanto encarava a mesa bagunçada do presidente. ChanSung riu e saiu do escritório, deixando o loiro sozinho com seus afazeres.

KiBum quase ficou feliz com o exagero. Não queria ter que pensar que logo encontraria com JongHyun em algum lugar da escola. Também estava envergonhado demais para encarar MinHo. O moreno o mostrara aquilo que Key sempre fechou os olhos para não ver, e isso mostrava que mesmo alguém de fora conhecia mais de sua vida do que ele próprio.

Suspirou, encarando a lista que continha seu nome. Estaria na mesma sala que MinHo e JinKi mais uma vez. Se perguntava se JinKi também já estaria sabendo sobre o que JongHyun fez. Não queria que ele tentasse confortá-lo, porque, por alguma razão, Key gostava de confortar o mais velho. Não queria que os papéis trocassem.

Descansou o queixo em uma das mãos, descobrindo algo quase divertido. MinHo o protegia enquanto ele protegia JinKi. Era uma escala um tanto errada porque, embora fosse apenas meses de diferença, MinHo era mais novo que ele, e JinKi mais velho. Quase sorriu, achando que os três podiam se tornar bons amigos.

Só saiu de seus devaneios quando ouviu seu nome ser chamado pela voz grave. Não queria olhar para cima e ver os grandes olhos de Choi MinHo, mas sabia que devia fazê-lo, estava “trabalhando” e era seu dever ajudar um aluno que precisasse.

– Oi – falou com um sorriso forçado nos lábios avermelhados.

– Oi.

– Você precisa de algo, MinHo?

– Hum... – O moreno concordou com um mínimo aceno de cabeça. – Eu vi a lista de alunos agora a pouco. Na realidade, eu queria falar com você mesmo. É sobre o JinKi.

– JinKi? Aconteceu alguma coisa? – perguntou. Com uma incômoda pontada no peito, percebeu o moreno baixar os olhos. – O quê...? O que aconteceu com ele, MinHo?

Mas a resposta demoraria a chegar.


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– Então, você me aceita? Vamos lá, eu sou bem responsável! – TaeMin fez bico para o moreno a sua frente.

Minutos antes, ele e MinHo estavam esperando alguém vir colocar as listas de salas de aula. O amigo sumiu logo depois de estudar os vários nomes por alguns segundos, deixando-o sozinho. Mas a atenção de TaeMin tampouco era levada a encontrar seu nome dentre tantos do primeiro ano. De tanto ouvir o irmão mais velho falar do presidente “perfeito” que a escola tinha, TaeMin pôde criar a imagem em sua cabeça, e não acreditou na própria sorte ao vê-lo ali.

Já fazia um bom tempo que estava planejando entrar para o conselho de aluno, assim teria um fácil acesso às várias fichas de alunos. Encontraria, mesmo que tivesse de comparar um milhão de caligrafias, a pessoa que escrevera as cartas para Key. Ele sabia que o trabalho seria difícil porque, mesmo levemente borrados, os caracteres eram muito bem desenhados, de forma incrivelmente simétrica. Algo que qualquer pessoa poderia ter feito para esconder a real caligrafia.

Mas TaeMin encontraria uma base. Estava disposto a isso.

– Você confia no Key, não é? Pode apostar que eu sou como ele! – Sorriu de forma fofa. Estava acostumado a conseguir tudo o que queria apenas sorrindo. E não foi muito diferente com ChanSung. O moreno pareceu considerar seu pedido por algum tempo.

– Tudo bem. Temos que escolher algumas pessoas do primeiro ano, de qualquer forma. – TaeMin comemorou internamente. – É melhor que você trabalhe bem! Você será o representante do primeiro ano, ou seja, os representantes de sala vão levar os problemas até você e você terá de resolvê-los.

– Claro, sunbaenim! Eu entendi! – Pôde sorrir ainda mais largo.

– Então o que ainda está fazendo aqui? – ChanSung perguntou, tentando parecer mais severo do que realmente era. – Vá logo para a sua sala!

– Okay!

E o loiro saiu correndo entre o aglomerado de adolescentes, não tendo a mínima ideia de para onde ir.


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– JongHyun! Hey, cara, espera aí! – JongHyun virou quando uma mão forte agarrou seu ombro. Na verdade, tinha ouvido HeeChul gritar por ele há bastante tempo, mas achou que se o ignorasse, ele desistiria. Uma grande ingenuidade. – Ficamos na mesma turma de novo.

– Vou passar mais um ano ouvindo você falar o quanto gosta de dar a bunda? – JongHyun riu da fingida expressão de indignação do amigo.

– Não venha para cima de mim com essa, seu puto! Eu que tive que passar dois meses ouvidos seus lamentos por causa do Key!

– Você consola muito bem , HeeChul! – JongHyun ironizou enquanto voltava a andar.

– E você faz como um animal! Eu ainda tô assado da última vez! E sem contar que... AAH! – JongHyun olhou para o lado, vendo o amigo ser espremido por um gigante de mármore, ou pelo menos era o que SiWon parecia. O mais alto se afastou para dar um longo selinho nos lábios cheios. O soltou, e HeeChul quase caiu, piscando confuso. SiWon fez o mesmo em JongHyun que o afastou irritado, limpando os lábios sujos pelo gloss de HeeChul.

– Vocês não vão acreditar! – Ele sorriu largo, mostrando suas covinhas.

– Seu amorzinho está na nossa sala, eu vi. – HeeChul falou pouco interessado, passando as mãos sobre os cabelos bagunçados.

– É! – O mais alto dos três sorriu ainda mais, erguendo o corpo de HeeChul mais uma vez, girando-o no ar.

– Me larga, sua bicha histérica! – JongHyun só pôde rir dos dois, embora seu humor não fosse dos melhores.

Ele sabia que mais cedo ou mais tarde encontraria com Key naqueles corredores. Sabia que o loiro o evitaria, mas JongHyun não permitiria que ele se afastasse. Dois meses foram mais que suficientes para o recém moreno entender que precisava de Key. Por alguma razão, sentia necessidade dele. Sua força parecia vir daquele relacionamento. Pouco estruturado, era verdade, mas, ainda sim, um relacionamento.

E ali, naquele momento, ele era apenas mais um fraco. Seus amigos não o entendiam. Não poderiam. “Qual é a sensação?” E a voz de MinHo ainda era um fantasma que o assombrava a cada instante. Sempre o fazendo lembrar que ele não tinha mais nada.

Avistou DongHae ao longe, sentando na grama junto com uma garota de cabelos longos e um rapaz loiro de sorriso largo. Eles pareciam rir de alguma piada. JongHyun sentiu uma pontada de irritação, algo que vinha tentando controlar. Observou outra garota se aproximar do grupo e deitar na grama, apoiando a cabeça sobre as perna estendidas de DongHae que passou a afagar os cabelos curtos da garota. JongHyun a reconheceu imediatamente como irmã mais nova do ex-amigo. Ela provavelmente estaria começando o primeiro ano. Sorriu. Um sorriso quase maldoso.

– Os deixe em paz. – Ouviu a voz de SiWon no mesmo instante em que fez menção de seguir até o grupo. Virou-se para os dois que o observavam.

– Aquele desgraçado acabou comigo!

– Serve de consolo dizer que foi você mesmo quem se destruiu sozinho? – HeeChul perguntou com sua expressão dissimulada.

– Vai se ferrar!

– Você sabe que ele não fez por mal, JongHyun. DongHae estava tentando ajudar você, de algum jeito. – SiWon se aproximou do mais baixo, sorrindo de maneira reconfortante. – Ele fez algo que eu mesmo pensei em fazer várias vezes.

– Ótimos amigos, eu tenho.

– DongHae é retardado demais até pra ser mau! Se quer culpar alguém, por que não culpa aquele MinHo? – JongHyun bufou, concordando. MinHo era mesmo o culpado de tudo. Viu SiWon lançar um olhar irritado para HeeChul que resmungou um “Que foi?”, mas não deu importância a eles.

HeeChul tinha razão. Se havia um vilão na história, esse era Choi MinHo.


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– Me explica de novo porque eu não posso ir com vocês – TaeMin pediu, cruzando os braços. Key suspirou.

– Você mesmo disse que ia ficar para ver a apresentação dos clubes – KiBum falou , ajeitando a mochila pesada sobre os ombros. – Além disso, é sua obrigação ficar! Eu vou porque ChanSung me deu permissão e ele vai tomar meu lugar. É claro que ele não faria isso por você também.

– Hyung, se vocês vão para um encontro, é só dizer! – o mais novo resmungou, fazendo bico.

– Não é isso, Taeminnie. – Quem respondeu foi MinHo que apenas observava a conversa dos irmãos. – Temos um assunto importante, e faz parte do trabalho do Key também.

TaeMin apertou os olhos para os dois, mas acabou concordando.

– Por que você aceita quando é ele quem fala? – KiBum se indignou, apontando para MinHo que riu.

– Eu confio mais nele do que em você, hyung – respondeu simples.

– Não vou fazer sua preciosa lasanha para o jantar hoje.

– O QUÊ? Eu confio em você, Key! Mas é claro...

– Vamos, MinHo. – E saiu pelos portões da propriedade. O moreno o seguiu.

– KEY, MINHA LASANHA!! – Ouviu TaeMin gritar e riu contido. Seu irmão era uma fofura, por Deus!

– Você é cruel – MinHo comentou baixinho.

Era final de tarde. As aulas haviam terminado para a maioria dos alunos. A outra parte devia fazer apresentações de seus clubes para os novatos. Ele mesmo devia estar lá como vice-presidente do conselho, mas havia algo mais importante naquele instante.

Os dois tomaram um ônibus e não demorou muito para que descessem na frente de um imponente prédio. Não recebera bem a notícia que MinHo o levara naquela manhã. “JinKi está em coma.” Quase caíra sob o impacto daquelas palavras.

O moreno lhe contara sobre o que havia acontecido com o primo. JinKi sofrera uma overdose. Tivera que ser reanimado. Quase morrera. Agora estava em coma. A mãe dele estava pagando o hospital, mas nunca aparecia. A razão era que o pai de JinKi não queria mais vê-lo, afinal, ele era “uma vergonha” e sujara o nome da família na frente de vários convidados importantes.

KiBum se irritou com aquilo. O filho estava em coma e o homem só se importava com o que as pessoas iam pensar. Aquilo era repugnante.

MinHo o guiou pelo vários corredores. Viraram mais um corredor e Key estacou, olhando para frente. MinHo seguiu seu olhar e comprimiu os olhos. JongHyun havia saído de um dos quartos e agora seguia para o final do corredor, virando a esquina com a cabeça baixa.

– Aquele é o quarto do Onew – MinHo lhe disse, parecendo tão confuso quanto ele.

– O que ele está fazendo aqui?

– Não sei. Eles são amigos?

– Não. – KiBum respirou fundo, ignorando o fato de que JongHyun estivera ali e apressou-se. – Vamos logo.

O quarto branco parecia incrivelmente sem vida, exceto pelas margaridas que davam cor ao local. KiBum se perguntou se aquilo fora presente de JongHyun, e quase imediatamente soube que sim. Eram as flores favoritas do ex-namorado. Olhou para o rapaz deitado e teve vontade de sacudi-lo pelos ombros. Lee JinKi não ficava bem com aquela falta de expressão. Afastou os cabelos longos que caiam sobre a testa do mais velho, sentando na ponta da cama.

– Seu estúpido, você disse que não ia mais fazer isso! – reclamou, embora não houvesse acusação alguma em sua voz.

KiBum continuou o carinho que fazia nos cabelos castanhos, alheio às duas pessoas que o observavam.


Notas finais
Porque eu recebi muitas juras de morte e tortura via twitter, eis o dubu de volta! 8D /aquelaquetemamorpelavida/
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