Secret Love
24 Descobrindo sentimentos
Notas iniciais
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Para as lindas da Tayh-chan e Rey que lembraram da existência da fic e que hoje era dia de postar :)
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Boa leitura a todos n.n
Secret Love
Capítulo 24 – Descobrindo sentimentos
Ele nunca fora alguém que se irritava com facilidade, ao contrário, a paciência que Choi MinHo possuía era quase louvável, mas ali, enquanto observava JinKi dormir com um sutil sorriso no rosto, toda e qualquer paciência que ainda possuía se esvaiu como se nunca tivesse existido. Xingou-se baixinho antes de xingar o próprio primo, atirando a blusa que ainda tinha nas mãos sobre o outro como se o fino tecido fosse machucá-lo.
Fechou a porta não querendo que Key escutasse a futura briga, porque ele estava irritado demais para não atirar boas verdades naquela cara redonda que agora o deixava tão irritado. Ficou o observando por poucos segundos até resolver acordá-lo de vez. Sua longa perna se ergueu e o chute contra as coxas do primo foi pesado e forte.
– Yah! – estava recolhendo a perna para chutá-lo mais uma vez quando JinKi o encarou por trás de pálpebras pesadas.
Não foi preciso mais que alguns instantes para que Onew percebesse o que estava acontecendo. Seus pequenos olhos dobraram de tamanho quando ele sentou no colchão macio, fazendo com que as cobertas escorregassem pelo seu corpo nu. Não soube o que dizer. Não tinha o que dizer.
– MinHo-ah... Desculpe – baixou os olhos, deixando-os recair sobre suas mãos trêmulas.
MinHo apenas riu, cobrindo o rosto e esfregando-o com violência. Deu as costas ao primo quando este se levantou e passou a procurar suas roupas jogadas por ali.
– Eu não queria ter...
– É claro que você queria! – retrucou em um grito silencioso o bastante para não atravessar as paredes. – É claro que você queria, JinKi!
– MinHo-ah...
– Pro inferno! – o mais alto retrucou, voltando a olhá-lo. Seus grandes olhos brilhando perigosamente. – Você sabe que eu gosto dele! Sabe que eu gosto dele desde muito tempo, e você faz sexo com ele na minha cama! – sibilou furioso.
– Você também sabia, MinHo, e você teve dois meses pra tentar algo quando ele terminou com o JongHyun. Você sabia que se eu sobrevivesse, eu tentaria ficar com ele. – Apesar de tudo, JinKi se mantinha sereno, o rosto impassível.
Quantos sentimentos se passavam no interior de Choi MinHo? Eram tantos que ele não podia conter apenas um por mais de um segundo. Todos iam e vinham em um círculo vicioso que tinha como único intuito tirar completamente sua sanidade. O ódio, raiva, mágoa, arrependimento, tristeza... tudo ia se mesclando aos poucos.
– Você é um cretino, JinKi.
– Você tem razão! Eu sou mesmo um cretino filho da puta, mas pelo menos eu desisti de ter medo de tentar. E você, MinHo? Você nunca vai ter o Key! Nunca vai fazer com ele o que eu fiz naquela cam...
E a palavra, que era a última que planejava dizer, foi impedida de ser terminada pelo violento soco que o atingiu. O pesado punho de MinHo acertou em cheio no seu rosto, o fazendo dar passos vacilantes para trás. Os longos cabelos castanhos caiam sobre seus olhos quando ele os ergueu para encarar mais uma vez o primo que parecia querer matá-lo. Buscou uma blusa qualquer e a vestiu rapidamente sob o olhar do outro.
– Quer saber? – se aproximou do mais alto sem qualquer medo. – Era o meu nome que ele estava gemendo, não o seu. Descontar sua raiva em mim não vai trazê-lo pra você.
E saiu, deixando o outro no quarto.
Não se importou em procurar por Key, seguiu direto até a porta da frente, saindo para a noite alta.
SL
KiBum sorriu quando terminou de preparar um jantar que pareceu bom o suficiente com o que tinha na casa. Se perguntava como os amigos conseguiam sobreviver comendo apenas verduras. No fim, conseguiu fazer uma macarronada que não parecia muito apetitosa de vista, mas pelo menos tinha um sabor digno. Preparou os três pratos com cuidado, os adornando como podia. Aplaudiu a si mesmo quando olhou para a mesa posta. Ficara mais bonito do que realmente esperava.
Saltitou feliz até a sala, esperando encontrar MinHo ali, mas o amigo não estava. Chutou-se mentalmente enquanto subia as escadas às pressas. MinHo certamente fora ao seu quarto, e lá encontraria JinKi em sua cama que ficara suja e cheirando a sexo. Corou por antecipação. Como podia ter esquecido que transara com JinKi horas antes? Quando encontrara MinHo mais cedo, ele simplesmente esquecera do outro que ainda estava dormindo.
– Eu sou um vadio mesmo! – resmungou.
Abriu a porta lentamente, mas o cômodo estava vazio. Nem sinal de Choi e nem mesmo de JinKi, assim como as cobertas e fronhas da cama haviam sumido também. Pensou por algum tempo e decidiu que talvez Onew as tivesse tirado e agora estivesse as colocando para lavar. Sorrindo, buscou cobertas limpas dentro do armário bem arrumado e não demorou até que tivesse deixado a cama impecável.
Sentou-se na ponta, esperando que o outro voltasse, afinal, ele devia ter seguido direto ao banheiro.
Com olhos curiosos, observou o quarto onde estivera tão poucas vezes. O cômodo tinha a personalidade de MinHo gravado nele. Era aconchegante e iluminado. As paredes de um azul claro eram limpas e sem muitos adornamentos, e assim como no quarto de seus pais, a única coisa que chamava atenção era a estante repleta de livros. KiBum se levantou, rindo com um boneco do Keroro que certamente não fora MinHo quem comprara. Observou os títulos lidos pelo moreno e sorriu ao notar o gosto semelhante dos dois. Na parte inferior havia alguns CDs e DVDs, e na parte superior, onde até mesmo precisa se esticar para alcançar, havia algumas caixas médias. Se perguntou se MinHo escondia pornô ali.
Observou alguns porta retratos, reconhecendo TaeMin em um deles. O irmão ainda tinha longos fios naquela foto, e acabou por rir, percebendo só agora como irmão mais novo realmente parecia uma menina. Aliás, os dois na foto sorriam felizes como um casal apaixonado. Qualquer um que parasse para olhar aquela foto, diria que em alguns anos aqueles jovens se casariam e formariam uma família. E mesmo sendo dois homens, eles ainda podem.
Bufou. Como podia continuar sentindo ciúmes do seu irmão e do recente amigo? Isso era tão ridículo. Além disso, TaeMin nunca falara sobre sua sexualidade. Ele tinha que parar de pensar que só porque era gay, todos que o cercavam também eram!
– Aish, eu sou tão idiota! Tão idiota!
Deu as costas à estante e se jogou na cama recém arrumada.
Quanto mais ele planejava se enganar? Definitivamente sentia ciúmes e nem sabia se havia uma real chance de TaeMin e MinHo estarem juntos. Lembrou-se de mais cedo quando o moreno brigara com ele e saíra desesperado atrás de TaeMin. Aquela era a atitude de alguém que sentia apenas amizade? Ele não saberia dizer, nunca tivera muitos amigos. Um ou dois, no máximo. A muito não tinha notícia do seu ex melhor amigo. Mas depois de lembrar-se dele, achou que aquele garoto realmente sairia desesperado à sua procura. Talvez MinHo e TaeMin só fossem mesmo melhores amigos mesmo.
Queria acreditar nisso.
Piscou, não acreditando que estava mais uma vez se deixando levar por essa linha de pensamentos. Cobriu os olhos, envergonhado.
“Meu Deus! Eu acabei de transar com o Onew e tô aqui com ciúmes do MinHo! Eu sou um puto!”
Continuou ali, rolando na cama e se martirizando com os próprios pensamentos por alguns minutos até ouvir a porta do quarto abrir. Estava pronto para brigar com Onew quando seus olhos encontraram com os de MinHo que pareceu tão surpreso quanto ele. Corou levemente ao observar o tronco desprovido de roupas. O moreno buscou um moletom ao sentir o olhar sobre si.
– Onde está o Onew? – Key perguntou, sentando na ponta da cama educadamente.
– Não sei – foi seco.
– Pesei que ele estivesse no banho.
– E onde você imaginava que eu estava? – se virou para o loiro.
– Não sei... No banheiro do quarto dos seus pais, talvez – foi simplista. – Ele saiu?
– Ele é seu namorado, não meu, Key – o loiro estreitou os olhos com aquele comentário, se levantando da cama do outro para que seus olhos ficassem no mesmo nível.
– Por que você ficou assim de repente? – o encarou com vontade, os olhos castanhos perfurando os mais escuros.
– JongHyun tinha razão – o mais alto comentou de repente, a raiva e mágoa ainda presentes em sua voz.
– E sobre o que ele tinha razão? – KiBum perguntou abalado, mas conseguiu disfarçar bem a surpresa em sua voz, a transformando em desafio.
– Você só gosta de sexo.
O loiro o fitou por alguns segundos antes de arrancar a própria blusa sob o olhar surpreso do outro. Se despiu completamente, sem qualquer pudor, e buscou suas roupas que ainda estavam amontoadas sobre o cesto de roupas sujas. Sua indignação estava presente em cada mínimo movimento. Xingou alto quando não conseguiu abotoar a calça, se frustrando. Queria acreditar que as lágrimas que brotaram em seus olhos e passaram a correr livres por seu rosto fossem por causa daquilo, e não pelas palavras que ouvira.
– Key... – ouviu a voz grave sussurrar baixinho, mal se atrevendo a chegar até seus ouvidos.
– Eu já entendi, MinHo – respondeu sem fitá-lo. – Eu só... – soluçou, levantou as mãos aos olhos tentando secar as insistentes lágrimas. – Eu só não esperava ouvir isso de você.
Voltou mais uma vez às frustradas tentativas de abotoar a maldita calça. Não entendia porque aquelas palavras acertaram seu coração com tanta força. Minutos antes ele mesmo estava se chamando de vadio, quase aceitava esse fato, mas ouvir aquela acusação partir de MinHo o destruiu. Doeu, e a dor só aumentava com o passar dos segundos. Queria poder gritar com o outro, mas ele não tinha um porquê. MinHo não era nada dele, nem mesmo amigos eles eram.
Sentiu as mãos grandes alcançarem as suas, o impedindo de continuar aquela ridícula e perdida luta. O tecido quente do moletom que o moreno usava afagou suas costas nuas quando o outro o abraçou. Podia sentir o rosto enterrado em seus cabelos, e o nariz fino tocando sua nunca.
– Me desculpa, Key – pediu estreitando o aperto, prendendo o corpo esguio contra o seu próprio. – Eu só fiquei irritado – a voz saiu vacilante, mas Key interpretou aquilo de forma errônea.
– Você está certo, Min. Nós não devíamos ter feito isso aqui. Foi falta de respeito da nossa parte – secou as lágrimas, achando que tinha descoberto o motivo da ira repentina do moreno, mas ele não poderia ver a expressão de dor marcada no rosto bonito. – Não faremos na sua cama de novo – riu fraco, sentindo as mãos deixarem seu corpo e o abraço se desfazer.
Virou-se para encarar o moreno que se afastara dele como se tivesse recebido um choque. MinHo foi até a janela, agarrando o parapeito com uma força desnecessária e mirando o horizonte com fúria; as ruas estavam escuras e vazias, e ele achava que aquela visão definia bem o lugar onde ele se sentia estar: pairando no nada.
Suspirou, voltando o rosto para encarar mais uma vez o loiro que ainda o observava confuso. Se não estivesse se sentido tão vazio, ele poderia rir amargurado. Como KiBum podia ser tão cego? Talvez ele simplesmente não quisesse enxergar. Ou talvez o problema fosse justamente porque era ele, MinHo.
– Por que o escolheu, Key? – perguntou de repente, chamando a atenção do garoto que terminava de pôr o uniforme com que chegara ali.
– Ah, bom... – KiBum pensou, e logo sorriu para o outro, não percebendo como isso machucava ainda mais o moreno que tanto o ajudara. – Eu me sinto bem com ele. JinKi é gentil, amável, engraçado e ele gosta de mim.
– Esses são todos os motivos? – MinHo se aproximou mais uma vez, não se importando com a proximidade exagerada. Não deu tempo para o loiro responder e simplesmente continuou. – Eu tenho todas essas qualidades – sussurrou com a sua voz profunda –, talvez eu não seja muito engraçado, mas... – se aproximou ainda mais do outro que simplesmente se afastou. – Por que você não me escolheu, KiBum?
O loiro riu nervoso, desviando o olhar daqueles grandes orbes castanho avermelhado que o olhavam com tanta determinação. O que MinHo estava fazendo? Que tipo de pergunta era aquela?
E quando ele viu as mãos do mais alto se adiantar até ele, KiBum o empurrou, saindo da prisão que era o corpo do outro e a estante. Não sabia se ficava assustado, ansioso ou feliz. O turbilhão de sensações o fazia sentir apenas medo. E foi isso o que o fez seguir até a porta do quarto sem nem mesmo olhar para trás. Tinha medo de ficar e descobrir o que aconteceria. Tinha medo de olhar mais uma vez para aqueles olhos e perceber que a fina cortina que escondia o verdadeiro MinHo fora finalmente tirada. E ele nem sequer sabia por que sentia isso. A única coisa que ele tinha certeza era do seu coração que estava batendo tão forte como a muito não acontecia.
Ele estava se sentindo vivo mais uma vez, e seu medo era de voltar a morrer.
SL
Não fazia a menor ideia do horário, mas isso não o impedia de andar sozinho pelas ruas escuras a passos desleixados, rindo para a própria sombra. Estava flutuando. Ele sempre gostou de flutuar, de sentir livre, sem qualquer peso sobre seus ombros fracos. Mas logo essa sensação seria substituída por uma euforia que ele não queria.
Ah, aquilo não era algo que ele realmente gostava, mas não tinha dinheiro para reclamar, e o ecstasy ganho de alguém naquela boate até que fora bem vindo, embora ele soubesse que a pessoa certamente não estava dando aquilo de graça. Mas ele não ficaria por lá para servir de objeto sexual para alguém que mal conhecia apenas para pagar uma droga barata – embora tenha feito isso umas dezenas de vezes.
Saíra na primeira oportunidade, quando os primeiros efeitos lhe atingiram, porque mesmo com o excesso de álcool em seu sangue ele tinha uma vaga noção de tudo.
Mas ele estava errado. Ele não tinha noção. Não percebia as ruas mudando. Não percebia que seus pés o guiavam para o caminho errado. E foi só quando a bonita casa de JongHyun surgiu diante de seus olhos que ele percebeu que estava parada defronte a essa. Riu de si mesmo, sentando na calçada. As sensações estavam mudando e ele não devia ficar ali, sabia que não venceria contra aquele efeito que muitas vezes julgara tão útil: o desejo sexual. Fora isso que o fizera dormir com JongHyun na primeira vez, ele não pôde vencer mesmo quando reconheceu o rapaz que sempre detestara.
Assanhou os cabelos, rindo da própria desgraça. Agora que estava ali, na porta de JongHyun, com seu corpo ficando mais quente a cada segundo, ele percebia o quanto queria ter o outro para si mais uma vez. Desejava Key, mas definitivamente desejava JongHyun também. Sentia-se sujo como sempre julgara o outro.
Foda-se tudo.
Abriu o pequeno portão e adentrou a propriedade, parando à porta do outro. A campainha foi apertada freneticamente até a luz do hall se acesa, lançando uma luz preguiçosa e fraca por baixo da porta. Riu ao ouvir os palavrões do outro lado, imaginando que o outro fora acordado por ele. Sorriu quando a porta foi aberta.
SL
JongHyun bagunçou os cabelos irritado. A pessoa que apertava sua campainha acabara de fazer com que a melodia recém criada fugisse de sua mente. Dedilhou as teclas do piano mais uma vez, não consigo arrancar deste o som que queria. Suspirou, deixando o lápis e a partitura pela metade sobre o piano, e se arrastou até o hall. Acendeu a luz, ficando completamente cego por alguns segundos e abriu a porta.
Não esperava ver JinKi, e muito menos um JinKi que lhe sorria.
Mal teve tempo de piscar antes que o outro adentrasse a casa e o puxasse para um beijo faminto. JongHyun não reagiu, ficara congelado, completamente em choque, e só despertou quando o outro o empurrou contra a porta que fora fechada com um estrondo e atacou seu pescoço. Empurrou o mais velho, saindo de seu aperto.
– Você usou de novo! – acusou, ficando irritado quando o outro simplesmente riu. – Porra, Onew!
– Qual o problema, Jong? Eu sei que você gosta – riu e se aproximou mais uma vez, dessa vez jogando o outro contra a parede do pequeno hall, e usou da força para mantê-lo ali. – Você parecendo tão indefeso e assustado – lambeu a orelha do outro – isso me deixa ainda mais excitado, sabia?
– Onew, você está drogado! – Tentou sair do aperto dos braços que eram mais fortes do que aparentavam ser. – Você precisa de um banho e precisa...
– A única coisa que eu quero é comer você, JongHyun – comentou enquanto beijava o pescoço alvo. Sentiu o menor finalmente conseguir a força necessária para empurrá-lo para longe.
– Eu tô preocupado com você, caralho! – gritou e percebeu que realmente estava assustado. Sentia medo de receber mais uma vez aquela notícia. Ainda se lembrava da voz de SiWon chegando até ele completamente despreocupada como se JinKi fosse um ninguém. “Aquele garoto estranho da sala do Key” foi assim que SiWon o chamou. O garoto estranho que quase morrera e ficara em coma. JongHyun não queria que aquilo se repetisse. Não queria ter que ouvir aquela notícia passar de boca em boca como se não fosse importante. Não queria se achar responsável mais uma vez por não ter, ao menos, tentando impedir.
– Então não se preocupe, droga! – JinKi gritou em resposta. – Eu não tenho a porra de um centavo no bolso, e a única coisa que eu consegui foi uma bala! Porra, JongHyun, até você usa essa porcaria!
– Me prometa que não vai fazer de novo – autoritário.
– O quê? – Onew perguntou confuso com a repentina mudança. JongHyun já não gritava, seu tom era baixo, mas firme o suficiente para passar tudo o que queria. E esse tudo era o medo que ainda reinava em seu interior.
– Me prometa que não vai se drogar de novo, JinKi.
– E por que eu faria isso?
– Porque só assim você pode ter algo comigo – falou, e ficou surpreso consigo mesmo. Fez o possível para suavizar a própria expressão, não queria que o outro soubesse que por trás de toda aquela firmeza havia o mesmo espanto que refletia nos pequenos olhos.
Mas JinKi logo voltou a sorrir de forma irônica, embora JongHyun notasse o leve tremor em seus lábios.
– Quem disse que eu quero ter algo com você? – encostou-se à parede, de frente para o mais jovem.
– Então porque está aqui? – foi a vez de JongHyun sorrir com ironia, desarmando completamente um Lee JinKi que já não aguentava o próprio desejo.
– Eu prometo – sua voz saiu baixa, falha, mas JongHyun sorriu com as duas palavras. Aproximou-se do mais velho, não acreditando em si próprio, e beijou os lábios que, inconscientemente, tanto desejava.
O beijo iniciado possuía mais carinho do que eles realmente esperavam. Um jamais saberia o quanto o outro estava assustado com os próprios sentimentos que acabara de perceber.
SL
Acordou com o som irritante de seu celular que devia estar jogado em algum lugar – não conseguia identificar de onde a música vinha. Fechou os olhos mais uma vez, querendo continuar ali, jogado na sua cama quente e confortável. Não lembrou imediatamente o que tinha acontecido, ou de quem eram aquelas mãos que abraçavam sua cintura com possessão. A dor apenas o atingiu. Maldito Onew!
Levantou-se com dificuldade, sentindo a ardência incômoda que experimentara apenas uma vez. Esse desgraçado! Desde que conhecera JinKi, seu orgulho passara de ferido para completamente destruído. Agora tudo o que restava era aguentar aquela maldita dor. Não ia reclamar, afinal, ele próprio se violou com o corpo do outro. E Onew depois lhe dissera que poderia tê-lo preparado, mas isso parecia ainda mais humilhante, então recusou categoricamente. JinKi gozara dentro dele duas vezes, e nas duas, ele não teve o menor cuidado, dizendo a toda hora o quanto gostava do fato dele, JongHyun, ser masoquista.
Mas JongHyun não era.
Mas apesar de tudo, o outro o tratou com carinho em sua força exagerada, e se fosse comparar, era diferente da forma como fazia com Key. JongHyun se irritou consigo mesmo ao perceber que quase nunca tratara o ex-namorado com carinho; ele apenas o subjugava, como achava que o sexo entre dois homens tinha que ser.
Sou um idiota!
Percebeu que o dia nem mesmo tinha nascido, e esse devia ser o motivo do sono que quase o impedia de manter os olhos abertos. Ia voltar para a cama quando o toque cessou, mas este logo voltou a preencher o quarto. Resmungou antes de buscar o aparelho sobre a escrivaninha.
– Até que enfim! – a voz do outro lado reclamou.
– TaeMin? – ficou surpreso ao ouvir a voz do garoto
– Eu tenho um favor para pedir – o outro o ignorou. – MinHo com certeza vai procurar você no colégio, e vai querer saber o que eu estava fazendo no seu quarto, vestindo suas roupas e com umas lindas marcas, que eu só vi quando cheguei em casa, no rosto.
O mais velho bufou. MinHo era irritante o suficiente para fazer mesmo aquilo.
– Então o quê?
– Eu vou ficar devendo uma e você pode pedir o que quiser, menos o meu irmão de volta, por favor – explicou rapidamente, e JongHyun revirou os olhos. – Você vai dizer ao MinHo que nós transamos – foi simplista.
– O quê?
– Você é surdo? Eu fui até você e confessei meu desejo que “eu sempre nutri em segredo”, tivemos uma linda tarde de amor selvagem e fim.
– Você é louco. MinHo vai me matar!
– Eu vou proteger você. Então... – suspirou e JongHyun sabia que, diferente dele, o loiro ainda possuía seu enorme orgulho intacto – por favor, me proteja também.
Seu olhar pairou sobre a cama bagunçada. Não tinha ideia do que aconteceria quando Onew acordasse, mas a pequena esperança que ele nem sequer sabia existir, fora completamente arrancada de seu peito quando ele tomou sua decisão.
– Eu vou proteger você também... TaeMin.
SL
Notas finais
Reviews? *u* /caradepau
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