Secret

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Como há muito poucas fics Scorlily, resolvi postar uma, mesmo que seja apenas uma one. Espero que gostem. Bjssss

Scorpius Malfoy

Eu tinha um segredo.

Um segredo que nem mesmo meu melhor amigo sabia. Que principalmente meu melhor amigo não poderia saber. E esse segredo tinha nome, sobrenome, um cheiro delicioso, sorriso lindo, longos cabelos ruivos e era a minha perdição.

Lily Luna Potter era a garota mais irresistível de toda a Hogwarts, e eu fui caindo por ela aos poucos durante todos os anos. A primeira vez que a vi foi em seu primeiro ano em Hogwarts, e ela entrou com os outros alunos iniciantes sorrindo como se tudo fosse uma grande brincadeira e ela não tivesse dúvidas sobre nada. Talvez não tivesse mesmo. O chapéu seletor quase nem tocou no topo de sua cabeça antes de gritar grifinoria, e ela correu até os primos e o irmão com um sorriso radiante. Depois de se acomodar na mesa, se virou para Albus e lhe lançou um sorriso e um dar de ombros, como quem se desculpa. Albus me contou que a casa de Lily tinha sido uma grande discussão durante as férias, porque se havia alguém na família que poderia se encaixar tão bem na grifinoria quanto na sonserina, esse alguém era sua irmãzinha, e que todos achavam que ele era um peso para a escolha dela. Acho que ele ficou um pouco chateado por continuar sendo o único da família na casa das serpentes, mas nada disso importou, porque Lily tratava as divisões de casas como se não existissem, e isso ajudou a unir a família, acho.

Depois disso, todas as lembranças que tenho da escola, Lily está envolvida. Com ela aqui, Albus ficou incomparavelmente mais feliz, e de alguma forma, Lily conseguia estar em todos os lugares possíveis. Em algum momento nesse ano, decidi que a ruiva era terreno proibido, e então a isolei em um canto qualquer em minha mente.

Funcionou bem por um tempo. Não que nós não conversássemos um com o outro, porque nós o fazíamos. Principalmente para brigar. Lily entrou para o time de quadribol no terceiro ano dela, como apanhadora, e a partir desse momento nós passamos a ter uma rivalidade séria. As partidas eram sempre equilibradas e difíceis, e ela me levava ao máximo de raiva que eu achava ser possível. Quando a sonserina joga contra grifinoria, as apostas rodam soltas, porque ninguém nunca sabe quem vai conseguir o pomo. Nunca.

As coisas ficaram diferentes apenas no meu sexto ano, e o quinto dela. Ela sempre foi linda, mas aquele ano...Aquele ano ela voltou das férias em um nível superior, e eu tinha dificuldades de desviar o olhar. Como geralmente acontece, ela seguiu até a nossa mesa para tomar o primeiro café da manhã em Hogwarts com o irmão, e eu me vi perdido em seu rosto cheio de sardinhas, os olhos incrivelmente castanhos e os cabelos ruivos caindo em cascata sobre seus ombros. Ninguém deveria ser tão animado aquela hora da manhã, mas Lily não era como o resto de nós, e parecia sempre irremediavelmente pronta para se jogar me alguma confusão ou aventura.

Normalmente o Albus segue para a mesa da Grifinoria, — os Potter- Weasley não ligam muito para as divisões de mesa se querem comer juntos, então é um tanto quanto normal ver alguém da lufa lufa, corvinal e sonserina na mesa dos leões em algumas refeições- mas naquele no primeiro dia geralmente era Lily quem vinha até nossa mesa, pelo menos até o resto deles chegar, atrasados e barulhentos, e os dois Potters serem sugados para alguma outra mesa.

Enfim, ela chegou se jogando ao lado do irmão e cumprimentando o resto de nós com um sorriso animado, ao qual eu retribui com um sorriso de deboche, como sempre acontece. Ela arqueou a sobrancelha em resposta, me incitando a fazer algo mais. Me ocupei em desviar o olhar. Zabini brincou com ela sobre qualquer coisa, provocando sobre a grifinoria, e ela pois língua para ele antes de rolar os olhos. Lysander Scamander chegou por trás dela, bagunçando seu cabelo e se sentando do outro lado dela. Dentre todos da sonserina, eu era o que menos conversava com ela. E algo bem no fundo me avisava para continuar assim, porque se eu desse abertura, acabaria caindo nos encantos da irmãzinha de meu melhor amigo. Talvez eu já estivesse despencando aos poucos.

Ela lançou uma provocação sobre quadribol, e eu retribui na mesmo moeda, sorrindo de lado. Eu queria me manter distante, mas bastava um puxão dela e ali estava eu, respondendo, sorrindo, desmanchando. Ela se inclinou para frente, roubando um bacon do meu prato, e partiu da mesa, e eu a segui com os olhos, sem conseguir evitar.

—Você está babando, Malfoy – acusa Zabini e eu o xingo baixo, sentindo o olhar de Albus em mim.

—A minha irmã não, Scorpius – diz Albus e eu o olho com descrença. –Eu sei que você gosta de se divertir com todas as garotas possíveis de Hogwarts, mas ela não.

—Eu não faria isso com sua irmãzinha – digo seriamente, fixando os olhos nos dele. O meu subconsciente parece rir de mim.

(...)

A diretora Mcgonagall tinha me convocado no horário do almoço para sua sala, e eu fui, refletindo se tinha feito alguma merda, mesmo que ainda estivéssemos no primeiro dia. Bem, eu não tinha.

—Malfoy, suponho que você esteja se perguntando o que está fazendo aqui – diz assim que entro em sua sala. Tudo em Minerva Mcgonagall grita praticidade, e eu gosto disso nela.

—Na verdade estou sim, professora – concordo respeitosamente.

—Você não foi exatamente bem nos seu NOMs de Transfiguração. – diz e eu sinto meu sengue gelar. – E essa é uma matéria muito importante, como você sabe. Você conseguiu passar, mas o examinador me pediu para garantir que você tivesse algum reforço.

—Eu posso pedir ajuda ao Albus...

—Lily foi designada a você – ela me corta, olhando para mim por cima de seus óculos de meia lua.

—Lily? Ela é do quinto ano. – resmungo. Mcgonagall acena em concordância.

—E ainda assim é a aluna com maior facilidade em transfiguração em toda Hogwarts – responde com calma. – No ano passado ela teve algumas aulas extras comigo, depois que a professora Mckinnon achou que ela estava muito avançada e merecia aulas especiais, e eu acredito que ela será ótima em seu auxilio.

Eu não tinha com o que argumentar, então apenas acenei. E eu soube que isso era o começo do fim.

(...)

As aulas aconteciam constantemente. E a cada vez que nós nos víamos, nós discutíamos, e então riamos, e então descobríamos algo em comum. E a cada vez que eu sentia seu perfume, ou via seu sorriso, eu sabia que estava mais e mais atraído.

Em algum momento, começamos a nos ver fora das aulas também. Ela passou a ter mais intimidade, a me abraçar quando eu não esperava, e o mais impensável de tudo: a mexer no meu cabelo sempre que desse na telha. Eu tentava me convencer que gostava dela como a irmãzinha de meu melhor amigo. Que ela poderia ser uma irmã para mim. A verdade é que o simples pensamento de ter Lily Luna como minha irmã me fazia doente.

Eu parei de sair com outras garotas. E olha que muitas delas estavam no meu pé. Eu comecei a sentir raiva de qualquer garoto que se aproximava demais da Lils, assim como dos que eu sabia que ela tinha se envolvido antes. Mas ainda assim, a ruiva era um terreno proibido para mim, então eu tinha um segredo. Um segredo só meu, e que as vezes eu queria esconder até mesmo de mim. Eu era irremediavelmente atraído por aquela ruiva.

Dentre todos os momentos que nós nos tocávamos, a minha maior tortura eram os beijos na bochecha. Sentir seus lábios em minha bochecha, tão perigosamente perto de onde eu realmente os queria...Isso acabava com meu psicológico. Eu não sabia se ela notava, mas tinha a impressão que sim.

As brincadeiras ficaram mais intimas. Eu passei a ter mais liberdade em toca-la. Abraça-la. Te-la por perto. E cada momento ao lado dela, era cheio de uma tensão, uma espera, uma faísca, que nós dois fingíamos que não estava ali, mas que nos queimava e sufocava.

Bem, eu fingia que não estava ali. Lily sabia, e ela não fingia. O que só piorava as coisas para mim.

“ Eu sei que você quer, Malfoy” ela disse baixinho um dia, depois de nossa aula “ Vejo em seu olhar, em seu tom de voz, e no seu modo de agir. Sei que está em conflito. E vou deixar você resolver o que vai fazer”

E eu decidi. Em meio a uma discussão, eu simplesmente decidi que não conseguiria evitar mais. Não queria evitar mais.

—Você é insuportável – resmunga Lily, se virando para sair, o rosto vermelho de raiva, os cabelos se soltando de seu rabo de cavalo alto, os olhos faiscando em impaciência e fogo.

Eu a puxo pelo braço com delicadeza, e ela se vira para me encarar, os olhos fixos nos meus em desafio, então enlaço sua cintura com o outro braço e ficamos cara a cara, tão perto que sinto seu calor contra meu corpo, sua respiração batendo contra meu queixo, e seu perfume me embriaga.

Meu segredo, penso, é mais do que estar atraído por Lily Luna. Então desço minha boca sobre a sua, e estamos nos beijando. É como se uma faísca tivesse entrado em contato com gasolina e agora estou no meio de um incêndio, e tudo o que quero é me queimar.

Puxo-a para mais perto, ao mesmo tempo que ela enlaça meu pescoço com os braços e acaricia meu cabelo. Tudo em mim responde a ela, os arrepios sobem por minha coluna, e estamos próximos mas não é o suficiente. Não é nem perto disso.

Subo minha mão por seu braço, em um movimento suave e carinhoso, sentindo sua pele se arrepiar contra mim, passo por seu ombro coberto pela camisa de uniforme, e subo por seu cabelo, libertando as madeixas ruivas, enroscando minha mão ali, segurando-a firmemente.

Um gemido escapa da ruiva, que responde puxando meu cabelo de leve e arranhando minha nuca. Eu a aperto contra mim, e separo nossas bocas, para seguir para seu pescoço.

—Lily— gemo contra sua pele e ela faz o mesmo, apertando as unhas contra minha nuca.

—Scopius.

E é a partir desse primeiro beijo, desse primeiro momento, que eu encontro minha perdição. Não há voltas. Eu não estou atraído por Lily Potter. Esse era o meu antigo segredo. Eu estou apaixonado por Lily Potter. E esse é o meu segredo agora, mesmo que eu saiba que não vá ser um para sempre. Não. Lily não é alguém para ser escondida.

Aquela ruiva merece o mundo, e eu não poderia oferecer isso a ela sem revelar meu segredo. Aquela ruiva não mentia para a família, e isso não poderia continuar assim se eu não revelasse meu segredo.

E é pensando nisso, que eu a espero no Salão comunal. Todos os outros do time já entraram, ainda de uniforme e meio sujos depois de um treino, mas Lily chega atrasada, resmunga sobre qualquer coisa, inegavelmente linda naquele uniforme vermelho e dourado. Os cabelos estão soltos, caindo por suas costas, e ela tem aquele ar feliz que sempre toma conta dela depois de uma partida de quadribol. Ela me nota, sorri de lado e arqueia a sobrancelha.

—O que faz aqui, parado na porta do salão? – pergunta se aproximando e me dando um beijo na bochecha. Eu me afasto e puxo seu queixo para mim

—Esperando você – respondo encarando-a e então beijando-a levemente. Ela se afasta lentamente, me olhando confusa, e nem um pouco incomodada.

—Você enlouqueceu? – pergunta sorrindo.

—Tomei uma decisão, só isso. – digo com calma. Ela sorri de lado – Resta saber se você decidiu o mesmo que eu.

—Isso é um pedido? – pergunta se afastando um pouco.

—Você sabe que sim, ruiva – respondo. Ela sorri e se aproxima novamente.

—Nesse caso, eu digo que aceito? – pergunta apoiando a cabeça em meu ombro.

—Você diz o que quiser, Lils. – respondo. E ofereço minha mão a ela, que a aceita.

De mãos dadas, seguimos até sua família, toda reunida na mesa dos leões. Os olhares se viram para nós, passando de nossas mãos unidas para nossos rostos. Os irmãos dela com uma atenção especial, predatória, prontos para protege-la. Albus parece pronto para ter um ataque.

—Eu e Lily estamos namorando – jogo a bomba sem me alterar ou mudar minha expressão.

O pandemônio começa. Albus se levanta indignado. James grita, Fred acompanhando-o. Dominique ri, cantando algo sobre um shipp. Louis e Hugo me encaram ameaçadoramente. Rose balança a cabeça em negação, sorrindo. E Lily...Lily joga a cabeça para trás e ri, enquanto aperta minha mão, e se move para minha frente de maneira sutil.

Então não há mais segredo. E eu me sinto bem com isso.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!