Cena

No primeiro plano, um barco, com a parte esquerda superior. Ao fundo o mar, com uma ilha distante. Esta de manhã, com um forte sol, no fundo. O violão começa a tocar, depois acompanhado pelo baixo e bateria... oito personagens pasageiros do barco, aparecem, discretamente e começam a cantar.

Todos: Leve, como leve pluma, muito leve, leve pousa.

Martim: muito leve, leve pousa

Todos: Na simples e suave coisa, suave coisa nenhuma

Martim: Suave coisa nenhuma.

todos: Sombra, silêncio ou espuma. (pausa rápida, todos olham pra cima e continuam) Nuvem azul, que arrefece.

Captão: Simples e suave coisa, Suave coisa nenhuma.

Todos: que em mim amadurece (começam a andar, pelo barco, até o fim da parte instrumental e voltam a cantar) Leve, como leve pluma, Muito leve, leve pousa.

Martim: Muito leve, leve pousa. (todos começam a cantar o tiriririri, tip tip, tiririri, até o fim da música, com o tip. Depois saem de sena, deixando apenas Martim e Rosa, no palco...)

Rosa: mas afinal, Martim, o que é o amor?

Martim: amor é o que nós acabamos de cantar...

Rosa: mas eu ainda não entendi, Martim...

Martim: o que não entendeu, Rosa? É leve, pousa... simples e suave coisa... suave coisa nenhuma.

Rosa: ta bom, ta bom... mas acho que não posso sentir o amor...

Martim: ah, bom... (sobe em uma caixa, que está por perto, pega um binóculo e começa a olhar pra o céu, ainda conversando com Rosa) você tem que sentir... é que nem sentir o doce...

Rosa: o doce?

Martim: ... e o amargo

Rosa: é...

Martim: o sol, o dia... vestido... vermelho...

Rosa: o que!?

Martim: o sol que veste o dia (começa a cantar) O sol que veste o dia, O dia de vermelho, O homem de preguiça, O verde de poeira, Seca os rios, os sonhos, Seca o corpo a sede na indolência (canta de novo essa mesma estrofe e depois muda) Beber, o suco de muitas frutas, O doce e o amargo, Indistintamente, Beber o possível, Sugar o seio, Da impossibilidade (sobe, na caixa com os dois pés e ct com ambas as mãos abertas) Até que brote o sangue, Até que surja a alma, Dessa terra morta (desce da caixa) Desse povo triste.

Notas finais
duas musicas não minhas:

Amor: http://letras.terra.com.br/secos-molhados/138104/

O doce e o amargo: http://letras.terra.com.br/secos-molhados/166909/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.