Second Chances

25 Welcome to the Mercy


Notas iniciais
Yay, segundo capítulo do dia, super gigante por sinal. Espero que gostem.

— É com prazer que eu anuncio que suas novas identidades estão prontas – Skye disse com os olhos pesados de sono, porém muito empolgada com seu trabalho. Passara o restante da tarde anterior e a madrugada toda em seu árduo trabalho de hackear o sistema de registro cinco vezes, uma para cada pessoa que precisava ser registrada, e criar novas identidades para eles – Philip Coulson, sem nome do meio – informou, entregando para o homem uma carteira de motorista e identidade nova – Melinda Qiaolian May-Coulson – prosseguiu e entregou a mesma documentação para a chinesa, que não reclamou do último nome acrescentado – Eleanor May Coulson e Lucy May Coulson – disse por fim, e entregou duas identidades na mão da mulher – Temos também dois documentos de adoção secreta – anunciou e Phil pegou a pasta que estava sobre a mesa de café da manhã, onde duas folhas timbradas informavam os detalhes da adoção das meninas.

— Eu espero que você tenha aproveitado e feito uma documentação para você – Melinda disse com firmeza e a jovem assentiu – E espero também que essa documentação aponte nossos nomes como seus pais – prosseguiu e Skye abriu um sorriso imenso, balançando a cabeça positivamente em seguida.

— Skye Qiaolian Coulson – apresentou-se e logo justificou o uso do primeiro sobrenome da chinesa – Skye e May tem uma sonoridade parecida, não fica muito bom.

— É um trabalho perfeito Skye – o diretor elogiou e a jovem sorriu, orgulhosa de si mesma por ter feito algo tão bom.

— Realmente Skye, você se superou nessa – May concordou, analisando os documentos de adoção.

— Eu tenho quase certeza que a administradora da escola vai pedir toda a documentação possível, então fiz também uma certidão de casamento para vocês dois – disse em seguida, um pouco insegura se fizera bem, e entregou um papel cuidadosamente envelhecido por FitzSimmons.

— Uau, é do estado de Nova York – Phil falou impressionado, e admirou o papel. Era tudo o que sempre imaginara: uma bela e antiga certidão de casamento, com seu nome e o nome da mulher que amava.

— Tomei a liberdade de colocar uma data de casamento bem antiga – disse e apontou para o papel, que marcava a data de 25 de novembro de 1988.

— 28 anos de casamento, é um longo tempo – a chinesa comentou e Phil revirou os olhos.

— Nós nos conhecemos a 32 anos mulher, isso sim é um longo tempo – respondeu de maneira engraçada e sorriu para o homem, que agora era, pelo o menos no papel, seu marido.

— Muito bem marido, vamos lá conseguir uma vaga nessa escola pomposa pra nossa filha – rebateu imediatamente e ele assentiu.

— Boa sorte com a entrevista – Skye desejou e cruzou os dedos da mão direita, mostrando-os que estava torcendo por eles.

— O que você vai dizer quando perguntarem sobre a sua adoção? – Melinda perguntou, pela trigésima vez, para Eleanor.

— Que eu e minha irmãzinha Lucy ficamos em um lar pra crianças, antes de vocês encontrarem a gente – a menina respondeu naturalmente, já sabendo a resposta de cor, e sorriu para os pais. Ela estava sentadinha no banco traseiro do corvette vermelho, usando uma de suas roupinhas mais formais: um vestidinho jeans claro, meias três quarto clarinhas com botinhas marrons de cano curto escolhidas especialmente por Simmons, e um casaquinho verde escuro que cobria-lhe o vestido afinal era um dia particularmente gelado para o mês de maio. Particularmente, a menina havia reclamado do que vestira, e preferia estar com sua camiseta favorita, estampada com o rosto sorridente do Chewbacca.

— E nós chegamos – Phil anunciou assim que avistou o prédio de quatro andares. Era um bonito edifício, pintado de cores claras, com telhadinho de telhas marrons e um belo jardim na frente.

— Tem certeza que é uma escola? É tão clara que parece uma casa de repouso – a mulher comentou maldosamente, e Phil olhou-a em advertência – Mas é muito bonito, e parece um ótimo lugar pra você estudar filhinha – acrescentou, em busca de concertar seu primeiro comentário. Rapidamente, o diretor estacionou o carro em uma das vagas de visitantes e saltou para fora do carro. Como um cavalheiro, caminhou até o lado esquerdo do carro e abriu a porta pra Melinda. Eleanor, como a verdadeira moleca que era, saltou para fora do carro por cima da porta.

— O que nós conversamos sobre isso? – ele perguntou, dirigindo a ela o mesmo olhar que dera à esposa minutos atrás e a pequena bufou.

— Que é perigoso fazer isso – ela respondeu com um biquinho e ergueu os braços, pedindo colo. Com um sorriso contrariado, o diretor pegou a menina no colo e deu a mão esquerda para a mulher, que apertou com força, antes de caminharem junto em direção a escola.

Dez minutos depois, o casal estava sentado na sala da diretora, de frente para a mulher que se apresentara como senhora Hanson. Ela aparentava estar na casa dos 60 anos, muito bem vestida em um terninho azul marinho, os cabelos acinzentados semi presos, óculos redondos em seu rosto fino e um sorriso muito simpático, ansiosa para saber mais sobre o casal a sua frente.

— Então me diga senhora Coulson, quem falou sobre a nossa escola para vocês? – perguntou curiosamente, segurando uma caneta na mão direita, a espera para fazer qualquer anotação em seu bloco de notas.

— Nossa filha mais velha – Melinda respondeu com tranquilidade, e a diretora encarou-a com a curiosidade renovada. Com um sinal, pediu que a mulher se explicasse – Nós somos pais de três meninas. Skye, Eleanor e Lucy. Skye tem 26 anos, e foi ela que encontrou a escola. Quando dissemos que queríamos colocar Eleanor para estudar fora de casa ela logo se ofereceu para buscar um local adequado.

— Sua filha mais velha tem 26 anos? É uma grande diferença de idade – comentou enquanto anotava a informação.

— Ela é nossa única filha biológica – Phil apressou-se a mentir e Melinda assentiu – Nós éramos jovens quando ela nasceu, e na época acreditávamos que um filho era o suficiente – estendeu-se e a diretora mostrou-se interessada para saber mais.

— E qual foi o motivo para decidirem adotar duas crianças depois de tanto tempo? – interrogou, e essa a vez de Melinda contar sua mentira ensaiada:

— Nós dois temos uma profissão que ocupou uma grande parte de nossas vidas por muito tempo, e graças a essa profissão, nós perdemos alguns importantes momentos na vida da nossa filha mais velha – disse de forma dramática porém contida – Não que nós fomos pais ruins, muito pelo o contrário. Nós demos o nosso sangue para criar nossa menina, e sempre fomos muito apegados a ela – a esse ponto, a senhora Hanson parecia até hipnotizada pelo casal.

— Quando Skye saiu de casa para a faculdade, nós percebemos o quão vazia ficou a casa, e como nós não estávamos prontos para ficarmos completamente sozinhos – Phil continuou a história, segurando firmemente a mão da esposa – E foi quando nos envolvemos em trabalho social, ajudando a encontrar lares para crianças órfãs.

— Nós encontramos Eleanor e Lucy dessa forma, no ano passado – a chinesa prosseguiu e sorriu levemente – Lucy tinha apenas dois meses e Eleanor ainda não tinha nem quatro anos. Na verdade, nós ainda não sabíamos com precisão a idade das duas e só recentemente Eleanor foi capaz de nos contar.

— As duas foram retiradas de uma família complicada. Pelo o que foi nos dito, a mãe morreu no parto e o pai era perturbado – o diretor contou, omitindo as partes que o pai das meninas era um traficante internacional de drogas, com sérios problemas de temperamento, e que o mesmo suicidara-se em sua sala de interrogatórios.

— É uma história realmente linda – a diretora disse por fim, com emoção – Se me permitem a pergunta, vocês mencionaram uma profissão que os privou de várias coisas, se importam de me dizerem qual é?

— Claro que não nos importamos – Melinda disse imediatamente e encarou Phil, esperando que ele viesse rápido com uma mentira. Droga, como nós não discutimos isso antes, resmungou internamente, e fez uma nota mental para inventar uma profissão da próxima vez.

— Nós somos arqueólogos – Phil respondeu após um segundo de hesitação e May concordou, segurando-se para não rir – Passamos muito tempo viajando, e muitas vezes não podíamos levar Skye conosco.

— Muito bem senhor e senhora Coulson, se vocês estiverem preparados, nós podemos começar agora mesmo a discutir sobre a matrícula de sua filha Eleanor em nossa escola – a senhora anunciou com o mesmo sorriso simpático que ostentava há alguns minutos e os dois agentes concordaram.

Após vários minutos de conversa, Phil e Melinda tinham toda a informação que poderiam ter sobre o colégio – suas doutrinas, as matérias ensinadas, a grade de professores, os horários de entrada e saída, a política de pais e mestres e os preços a serem pagos – e pareciam plenamente satisfeitos com a escolha.

— Muito bem, agora que já se decidiram, eu gostaria de ter uma palavrinha com a pequena Eleanor, se não incomodo para vocês – a diretora pediu com tranquilidade e os agentes concordaram imediatamente.

— Eleanor querida, pode vir até aqui? – Phil chamou com carinho, após abrir a porta que dava para a sala de espera. A pequena estava sentada em uma das confortáveis cadeiras de madeira, com os fones enfiados no ouvido e o celular da mãe na mão, assistindo um episódio de um de seus desenhos animados favoritos: As Meninas Super Poderosas. Ao ouvir a voz do pai, a menina ergueu os olhos e saltou para fora da cadeira e caminhou até o homem – Querida, essa é a senhora Hanson, a diretora da escola – ele apresentou e a menina pareceu tímida, porém, ergueu a mão direita, como fora ensinada, e cumprimentou a diretora.

— Eu sou Eleanor – apresentou-se com uma firmeza surpreendente para a idade, e a diretora pareceu encantada.

— É um prazer Eleanor – disse com um sorriso bondoso – Você se importa de conversar comigo um pouquinho, só nós duas? – perguntou, inclinando-se para ficar na altura da menina. Em dúvida, a chinesinha olhou para os pais em busca de aprovação, e os dois acenaram positivamente.

— Sem problemas – respondeu e a mulher mais velha pediu que ela a seguisse para dentro do escritório.

— Ela vai se sair bem, não vai? – Melinda perguntou insegura e Phil deu uma risadinha, puxando-a pelo braço para sentar-se na sala de espera.

— Então Eleanor, o que você pode me dizer sobre você? – a diretora perguntou assim que ficou a sós com a pequena.

— Eu tenho 5 anos, eu tenho uma irmãzinha bebê e eu não sei o que você quer saber –respondeu com um sorriso fofo e deu de ombros de uma forma adorável.

— Por que você não me diz o que gosta de fazer? – sugeriu e a menina empertigou-se na cadeira.

— Eu gosto de ler com o tio Lincoln, e gosto de jogar vídeo game com a tia Simmons e o tio Fitz, e de brincar de luta com o tio Hunter e a tia Bobbi, de ajudar o tio Mack a consertar as coisas, de mexer no computador com a Skye, de assistir Star Wars com a mamãe, e de falar de filmes com o papai – disse longamente, e a diretora pareceu surpresa e intrigada com a quantidade de parentes mencionados.

— Você tem uma família bem grande – comentou com um leve toque de curiosidade em sua voz – E você vê sempre essa família? – perguntou, incapaz de conter-se.

— Todos os dias – afirmou com um sorriso.

— E como é essa família?

— O tio Hunter e a tia Bobbi são casados – ela começou a explicar, usando pela primeira vez na vida a palavra “casados”, que Bobbi a ensinara uma vez, quando fora perguntada sobre sua relação com Hunter – A tia Simmons e o tio Fitz são namorados, e o tio Lincoln é namorado da Skye – prosseguiu e a senhora Hanson parecia cada vez mais admirada: com as relações familiares da pequena e a desenvoltura com que ela se expressava – E o tio Mack é meu melhor amigo, e todo mundo acha que ele gosta da tia Yoyo.

— Tia Yoyo? O nome dela é Yoyo?

— Não, mas o tio Mack chama ela assim, então todo mundo chama também – respondeu e deu de ombros.

— E como foi quando você foi adotada? – a diretora perguntou com delicadeza, afinal, não queria assustar a menina.

— Foi legal. A mamãe que achou a gente primeiro. Ela cuidou da gente, e depois levou o papai pra gente conhecer – disse simplesmente, e a mulher decidiu não fazer mais perguntas.

— Como foi a conversa? – May perguntou, escondendo todos o seu nervosismo atrás de um sorriso inabalável, assim que Eleanor caminhou para fora do escritório da diretora na companhia da senhora, direto para o colo sua mãe.

— Muito interessante, Eleanor me falou sobre a enorme família de vocês – a mulher respondeu sorrindo e os agentes tremeram por um minuto – Ela disse que todos vocês moram na mesma casa, isso me surpreendeu muito.

— É uma casa bem grande – Phil tratou logo de justificar, e respirou aliviado, afinal, não de todo uma mentira. A casa que servia como uma das entradas do Playground era uma verdadeira mansão, construída pela SHIELD em 1970, com 6 quartos espaçosos e uma área externa imensa – E nós somos uma família muito apegada.

— É ótimo ouvir isso, principalmente vindo de pais – a mulher mais velha comentou e sorriu, convencida de que havia encontrada o casal mais perfeito de sua vida – O apreço pela família nos diz muito sobre o caráter de um ser – e após isso, despediram-se rapidamente.

— Parece que nós nos saímos bem – o diretor comemorou e Melinda respirou fundo, como se o peso do mundo tivesse sido retirado de seus ombros.

— Vamos pra casa agora, pelo amor de Deus – ela pediu, completamente exausta da hora torturante que passara sendo interrogada e agarrou-se com força à Eleanor em seu colo.

— Você foi muito bem filha – Phil elogiou e a pequena deu uma risadinha empolgada – Um dia você vai ser uma espiã tão boa quanto a mamãe.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Titia ama vocês!