Second Chances
14 Santa pt. I
Notas iniciais
As duas semanas que antecederam o Natal foram as mais divertidas que aquela base presenciou nos dois anos que ali haviam se passado. Todos os funcionários foram para casa, deixando no fim das contas, somente a Equipe Alfa, que se dividiu entre distrair e cuidar de Eleanor e Lucy e ir para lojas e supermercados atrás de tudo o que precisavam para a ceia e os presentes de amigo secreto, e é claro, vários para as meninas. Em especial Phil e Melinda, que em um dia, saíram as 8 horas da manhã e voltaram somente a tarde, com o carro cheio de mimos para as pequenas, sem falar da roupa de Papai Noel que ele tinha comprado em uma loja de fantasias. May se recusara veemente a usar qualquer coisa parecida com Mamãe Noel, afinal, todas as fantasias eram definidas como sexys. Quando o dia 24 finalmente chegou, todos pularam da cama logo cedo e foram para a cozinha, onde May os esperava com uma prancheta na mão.
– Isso pode parecer calculista mas nós precisamos de organização pra que tudo dê certo hoje — ela disse como uma general e a equipe posicionou-se como se para uma missão — Eu fiz um cronograma simples, designando pessoa para cada tarefa.
– Sim chefe — Hunter e Mack disseram em uníssono, em tom de brincadeira.
– Hunter e Mack, ótimo que vocês se pronunciaram — ela respondeu seriamente e leu em sua tabela a função dos dois — Como eu não quero nenhum dos circulando pela base e atrapalhando qualquer outra função, vocês cuidaram de Eleanor e Lucy o dia todo. Elas precisam ser acordadas as 9:00 e aqui está o resto do que elas precisam fazer durante o dia — ela designou e entregou uma folha para o dois, que não reclamaram, afinal, se davam muito bem com as pequenas e se divertiam cuidando delas — Lincoln, Skye e Bobbi, vocês vão limpar a sala de estar e lavar todos os pratos, talheres, copos e taças que vão ser usados hoje e depois arrumá-los na mesa para uso — continuou, entregando um papel para a hacker, que sorriu empolgada ao se ver útil em sua primeira celebração oficial de Natal — FitzSimmons, doces. Fitz me disse ontem que sabe fazer três tipos de doces de Natal diferentes, então fique a vontade para fazer. Simmons, você ajuda — disse e sorriu para os dois nerds, sem entregar papel algum, pois eles conseguiam memorizar suas funções.
– E eu diretora? — Phil perguntou após um longo bocejo. Não dormira bem, afinal passara metade da noite brincando com o cabelo de Melinda, enquanto ela dormia calmamente.
– Você vai fazer o presunto e as batatas assadas — respondeu e voltou a olhar para sua prancheta — Eu vou fazer o peru e as saladas — disse por fim e todos concordaram em uníssono, e um minuto depois, todos o que tinham funções fora da cozinha saíram para cuidar de suas vidas — Nós quatro precisamos pensar no revesamento do fogão, afinal temos dois fornos para muitos assados. Fitz, quantos de seus pratos são assados? — perguntou para o engenheiro, que sentia-se supreso afinal May falara mais nos últimos dez minutos do em todo o tempo que a conhecia.
– Dois, scoones, que são biscoitinhos que nos comemos no Natal lá em casa — ele respondeu imediatamente e Simmons sorriu.
– E bolo red velvet, meu clássico de Natal favorito — ela completou e May colocou-se a pensar.
– Bem, vocês dois ficam com a cozinha do lado esquerdo, e usem o forno de lá também — disse após racionalizar a lógica da cozinha — Phil e eu ficamos com o lado direito, que tem uma bancada maior para os salgados — concluiu, agradecendo-se mentalmente por ter montado uma cozinha quase profissional quando chegaram na base há dois anos. FitzSimmons logo foram para o lado indicado da cozinha e começaram a conversar sobre como fariam os doces.
– Eu gosto de ver você desse jeito, toda mandona — Phil comentou em voz baixa, quase abraçando-a por trás quando ela encostou-se na pia para lavar as mãos e começar a trabalhar.
– Phil, desencosta de mim e se controla por favor — ela pediu tentando segurar o riso e a vontade de beijá-lo. Desde aquele dia na praia, a relação dos dois mudara completamente, e o que antes era apenas um flerte aqui e outro ali se solidificara em algo que os permitia beijos até tarde da noite e a divisão de cama e chuveiro.
– Eu só não consigo manter minhas mãos longe de você — sussurrou e ela revirou os olhos, empurrando-o para longe.
– Concentre suas mãos em cozinhar, por favor — disse com leveza e foi até a geladeira, onde, no dia anterior, havia guardado um peru imenso, de 8,5 kg, que havia disputado com uma mulher no supermercado. Tirou-o de lá com habilidade e colocou-o sobre a bancada, e com uma faca, rompeu o barbante que amarrava as duas pernas do bicho, e em seguida, começou a separar os temperos que usaria. Phil nada fez além de sentar-se em uma das banquetas, para observá-lo. Sua função, que envolvia assar o presunto e fazer um purê de batatas, era simples, e demoraria apenas poucas horas, portanto não precisaria começar a trabalhar antes das quatro da tarde.
Em algum momento do dia, Eleanor correu para dentro da cozinha e causou certo pânico em Melinda, afinal, o lugar estava cheio de facas e bocas de fogo e fogão ligadas.
– Eu dei uma única função pra vocês dois — Melinda ralhou quando Mack e Hunter entraram para cozinha atrás da pequena, que encontrava momentaneamente no colo de Phil.
– Ela saiu correndo — Hunter defendeu-se, porém recebeu um olhar de ódio e preferiu calar-se.
– Levem Eleanor daqui, saiam pra tomar sorvete ou algo assim, e tomem cuidado com Lucy, ela é só um bebê e não pode comer doce — Phil pediu, entregando a menina no colo de Mack, que saiu rapidamente, levando Hunter consigo.
– Eles parecem criança — a chinesa comentou, e voltou a picar pimentões com agilidade, fazendo com que o diretor desse risada da atitude de mãe da mulher.
Do outro lado da cozinha, FitzSimmons se entendiam com perfeição, e seria pouco dizer que seus doces cheiravam deliciosamente bem.
Exatamente as 20:00 da noite, todos os trabalhos na cozinha foram encerrados quando finalmente o presunto ficou pronto. Poucos minutos depois, o trio que se encarregara da limpeza dos utensílios, entrou na cozinha, parecendo extremamente satisfeitos com o que fizeram, seguidos por Mack e Hunter, trazendo as meninas no colo.
– Tudo pronto — Melinda declarou orgulhosamente e todos comemoraram com empolgação — Me devolvam as pequenas e vão se arrumar — pediu e recebeu Lucy no colo, que sorria com um dedo na boca. Eleanor foi saltitando até o lado de Phil e abraçou-o pela perna.
– Antes de vocês irem eu tenho um presente pra vocês — o diretor declarou e todos olharam confusos — É uma coisa que a gente sempre ouve falar que as pessoas fazem com as famílias, e eu acho muito legal — explicou-se e pedindo licença, correu para fora da cozinha. Voltou alguns minutos depois, com uma sacola imensa, e dentro dessa, várias caixas de presente de tamanho médio. Como um professor de colégio, chamou nome por nome de seus agentes conforme o que se lia em cada caixinha e entregou os tais presentes.
– Eu não acredito nisso — Skye exclamou como uma criancinha e estendeu o presente que ganhara. Um suéter com as cores típicas de Natal e o símbolo da Shield bordado na frente. Na verdade, era isso que todas as caixas continham, no tamanho exato de cada um da equipe, incluindo Eleanor e Lucy, que ganharam na versão mini — Nós somos literalmente uma família unida e cafona — ela brincou, porém estava emocionada demais para fazer qualquer outro comentário. Todos riram da brincadeira, e mostraram-se igualmente agradecidos e contentes. Quando saíram da cozinha, deixando somente o diretor, May e as meninas, a chinesa pediu que Eleanor fosse indo para o banho, e quando a pequena dobrou a esquina para fora da cozinha, roubou um longo beijo de Phil, e em silêncio, agradeceu pelo gesto.
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