Notas iniciais
Adiantei um diazinho a postagem desse capítulo porque eu o amo. Esse tem um pouquinho de muita coisa que eu amo: conversa pirada, Beatles, intimidade esquisita e equipe linda. Espero que vocês gostem (queria que tivesse emoji de coraçãozinho)

Ele bateu na porta várias vezes seguidas, ouvindo somente o som da água do chuveiro.
– Que foi? — Melinda perguntou irritada, com a voz destacando-se sobre o barulho.
– Eu preciso conversar — Phil pediu e grudou a orelha na porta , aguardando uma resposta. Dentro do banheiro, May avaliou se seria certo permitir que ele entrasse, porém acalmou-se, sabendo que o vidro do box era escuro até certa altura, e sendo pequena como era, somente o topo de sua cabeça poderia ser visto.
– Entra — gritou e ouviu a maçaneta ser girada.
– Você me nocauteou com uma injeção — ele disse indignado, sentando-se no chão como uma criança.

– Eu não tive escolha, você ainda estaria com dor se eu não tivesse feito — respondeu racionalmente e ficou nas pontas dos pés para espiá-lo — Deixa de ser criança — brincou e voltou a esfregar o cabelo com shampoo.

– O que você ficou fazendo enquanto eu estava eu estava apagado? — perguntou enquanto mexia nos bolsos da calça em busca de chicletes.

– Cuidei das meninas — disse simplesmente e acrescentou em seguida, ouvindo os sons da busca de Phil — Tem chiclete no bolso da minha jaqueta.

– Por que? Você odeio chiclete — rebateu confuso e pegou a jaqueta de Melinda no chão, fuçando em busca do doce.

– Porque você gosta e sempre perde os seus — declarou antes de enfiar a cabeça em baixo da água para tirar a espuma de seu cabelo.

– Obrigado — agradeceu e logo prosseguiu: — Eu quero conhecer as meninas.

– Você vai, assim que tomar um banho e limpar o curativo — disse com firmeza.

– Isso é um convite? — brincou maliciosamente e a chinesa bufou.

– Só nos seus sonhos Phil Coulson — rebateu com uma risada em seu tom de voz.

– Elas tem nomes? — perguntou e May aproveitou a oportunidade para rebater.

– Por acaso você está falando dos meus peitos ou das meninas? — disse com malícia e ambos riram.

– Óbvio que é das meninas — respondeu com uma risada — Eu já sei há décadas que seus peitos se chamam Thelma e Louise.

– Eu nunca disse isso — negou e respirou fundo — Eu pensei em Lucy para a bebê.

– Lucy in the sky with diamonds? — Phil repetiu a mesma pergunta que Skye fizera — É proposital que a nova menina dos seus olhos tenha o mesmo nome da minha música favorita? — provocou com um esboço de sorriso.

– Foi acidental. Ela não parava de chorar, eu a chamei de Lucy e ela parou — esclareceu, desembaraçando um imenso nó que se formara em seu cabelo.

– Como nós vamos fazer isso Mel? — perguntou, referindo-se à presença das garotas.

– Eu não sei — confessou com um suspiro — Nós não podemos mandá-las de volta para o sistema de adoção. Nós não sabemos nada sobre elas.

– Seria um perigo mandá-las pro sistema — concordou e acrescentou — Ainda somado ao fato de que nós não existimos — disse referindo-se à falta de presença dos agentes no sistema de registros.

– Fecha os olhos — Melinda pediu ao desligar o chuveiro, e o homem largado no chão obedeceu imediatamente. Cuidadosamente, ela abriu uma fresta na porta do box e estendeu a mão para fora, em busca de sua toalha. Ao alcançá-la, puxou-a para dentro do box e tirou o excesso de água de seu corpo e cabelo.

– Já posso abrir? — perguntou, colocando-se de pé.

– Pode, e abre a porta — respondeu, saindo do box enrolada na toalha estampada. Phil olhou-a por um momento, analisando-a.

– Essa por acaso é a minha toalha do Capitão América? — perguntou ao reconhecer a estampa.

– Por acaso é — a mulher respondeu, saindo com Phil do banheiro.

– Como você conseguiu isso? — questionou curiosamente enquanto caminhavam até o quarto da chinesa.

– Eu salvei do seu apartamento quando você morreu — disse com um suspiro longo no final da sentença — Tem mais coisas no meu armário.

– Eu quero ver — pediu com um biquinho e acompanhou-a até o quarto. Quando entraram, May apontou para uma caixa em cima de sua escrivaninha.

– Fica a vontade — falou em tom baixo e foi mexer em suas gavetas em busca de uma roupa. Phil caminhou até a caixa e levou-a até a cama.

– Você salvou tudo que eu gostava — ele comentou enquanto tirava item por item da caixa: um livro de história da Segunda Guerra, dois vinis dos Stones, um bonequinho de madeira do Capitão América e várias coisas relacionadas aos Beatles, como vinis, fitas cassete e livros sobre a trajetória da banda.

– Tem umas camisetas aqui, mas eu não devolvo jamais — ela respondeu, já vestida com uma calça jeans, enquanto passava uma camiseta de banda pelos braços.

– Hey, essa é a minha camiseta — disse fingindo indignação, apontando para a camiseta do The Who.

– Era — rebateu e prendeu o cabelo — Vai tomar banho Phil, e depois desce pra conhecer as meninas — ordenou, e ele sorrateiramente tentou levar a caixa — Não ouse — ameaçou e recebeu um biquinho em resposta.



Uma hora depois, Phil encontrou Melinda tentando aprender a usar um sling.

– Parece que você precisa de ajuda — provocou e ela olhou com uma careta.

– Skye comprou isso, e nas instruções parece fácil, mas eu não sei usar esse pano — reclamou frustrada e ao perceber que não era certo rir da situação, Coulson apenas suspirou.

– Depois eu ajudo você — garantiu e tirou o tecido da mão da mulher — Agora me apresente as meninas.

– É pra já — ela respondeu e pediu que ele a seguisse até a cozinha.

Quando chegaram no cômodo, parecia uma reunião de agentes, porém todos estavam em volta das duas meninas. Zero estava sentada na mesa, conversando animadamente com Bobbi, Simmons e Skye, enquanto Mack, Hunter e Fitz encaravam com curiosidade Lucy, que brincava com os pézinhos dentro do carrinho. Era bem patética a visão de três homens adultos curiosos sobre uma bebê.

– Parem de encarar, ela não é uma boneca — May brincou com os rapazes que se afastaram imediatamente — Essa é a Lucy — disse ao pegar a bebê no colo e colocá-la no colo de Phil.

– Oi Lucy — ele disse ao segurá-la sem jeito, e por precaução, colocou-a de volta no carrinho.

– Eu sou a Zero — a menina apresentou-se após caminhar sobre a mesa para cumprimentar o diretor.

– Muito prazer Zero — ele respondeu apertando a mãozinha pequena da garota — Eu acredito que você queira mudar esse nome.

– Quero, não gosto de ter nome de número — afirmou com firmeza, e todos acharam fofo a determinação da menina.

– Eu tenho um livro de nomes se você quiser olhar — Bobbi ofereceu e Hunter a olhou com uma careta desconfiada.

– Não precisa — a garotinha negou — Eu quero me chamar Eleanor.

– E existe um motivo pra isso? — May perguntou, ajeitando inconscientemente as tranças da menina.

– É o único nome que eu me lembro — respondeu simplesmente — Eu não sei se era meu nome, mas eu não sei mais nenhum além desse, e o de vocês agora.

– Sabia que seu nome combina com o da sua irmã? — a chinesa brincou e por um segundo a base não entendeu — Lucy in the Sky with diamonds e Eleanor Rigby — ela esclareceu e os adultos entenderam.

– Eu não sei o que é — a menina, recém nomeada Eleanor, comentou.

– São músicas dos Beatles — Phil explicou e acrescentou: — É a minha banda favorita.

– Eu quero ouvir — ela pediu com empolgação e saltou para fora da mesa, deixando toda a equipe com uma expressão encantada.

– Vem, eu mostro pra você — ele chamou e ela estendeu a mão para que ele pegasse. Ambos saíram juntos da cozinha, e Melinda seguiu-os, empurrando o carrinho de Lucy.



Bastaram três músicas para que Eleanor afirmasse com certeza que havia adorado a banda. Phil e Melinda haviam tocado para a garota as duas músicas citadas na cozinha e Here Comes the Sun, e sobre cada uma delas, receberam comentários.

–Eu gostei que a Lucy tem olhos de cadeloscópio,mesmo que eu não saiba o que é — a pequena disse com empolgação, errando a palavra caleidoscópio — Mas tadinha da Eleanor, ela parecia legal e morreu sozinha.

– Acontece as vezes, é realmente triste — Phil respondeu penalizado, pois ela parecia realmente chateada.

– Meu nome vai mesmo ser Eleanor, em homenagem a ela, tadinha — afirmou e os dois mais velhos riram — E eu quero que o nome da minha irmãzinha seja Lucy, porque ela tem olhos bonitinhos.

– Que bom que você gostou — May falou com um sorriso e novamente, a pequena surpreendeu-os com um comentário:

– É legal, porque o meu nome combina com o dela e com o da Skye.

– É mesmo? — Phil questionou curioso e ela esclareceu seu raciocínio.

– É. Lucy in the Skye with Diamonds — respondeu e juntos caíram na gargalhada, espantados e surpresos com a sagacidade da menina.

Notas finais
O que acharam?