Notas iniciais
Oi pessoas lindas que lêem essa história!! Espero que vocês gostem

A segunda feira seguinte começou da forma mais atribulada e corrida dos últimos meses. Um alarme soou no Centro de Comando e todos correram para lá. Um dos agentes da SHIELD na Noruega recebeu um aviso de um possível atentado bioterrorista praticado por agentes da HIDRA e decidiu pedir reforços para a central.

— Estaremos aí em menos de 12 horas — Coulson garantiu e logo começou a destacar agentes para a missão.– Dezessete agentes especialistas, vinte soldados armados com o melhor armamento da SHIELD, Bobbi, Hunter, Mack, Skye e eu na liderança e FitzSimmons para reconhecimentos de ameaças biológicas e todos os soldados restantes da base para patrulhar a cidade ameaçada. Essa é uma missão de extrema importância. Não deixem que saibam que vocês estão lá, e não ousem falhar. Um ataque a um pais não será tolerado — o diretor disse firmemente para todos os agentes da base, que assentiram e saíram para se prepararem para a missão.

— Phil, eu quero ir — Melinda pediu, seguindo-o para fora do Centro de Comando.

— Você não vai — ele respondeu imediatamente, sem pestanejar.

— Eu sou mais experiente que todos eles juntos, eu posso comandar essa missão — ela insistiu, quase correndo pra alcançar os passos de Phil.

— Você já está em missão, cuidar de Lucy e Eleanor. Elas são prioridade — ele disse com firmeza e parou para olhá-la — Elas precisam de você.

— Se eu não vou, você também fica — intimou e o diretor a olhou com uma careta — Você não vai para o campo sem mim.

— Eu sei me cuidar Melinda — rebateu e entrou em seu escritório. May não desistiu e continuou seguindo-o.

— Você não sabe não, e se eu não for, você não vai — dessa vez, seu tom de voz não era baixo e compreensivo como sempre. Era inquisitivo e estava algumas oitavas acima do normal — Avise a equipe que você fica — intimou e saiu da sala, batendo a porta atrás de si. Skye entrou alguns segundos depois, com uma cara engraçada.

— Uau, o que você fez pra ela ficar tão brava? — a hacker perguntou, entregando um tablet para o diretor, com a localização dos acessos para a Noruega.

— Ela não quer que eu vá, e pelo jeito eu vou morrer se eu desobedecer — respondeu coçando os olhos e colocou os óculos para ler com clareza as informações na tela.

— Acho melhor você ficar — ela sugeriu e Phil levantou os olhos para encará-la — É sério, você destacou toda a base para acompanhar a missão — a jovem começou a argumentar de forma racional — Toda a base — repetiu, para enfatizar — Você não pode deixar a May sozinha com duas crianças. Ela vai surtar.

— Skye, eu preciso dar o exemplo como diretor — ele contra argumentou, porém foi fraco e Skye não se convenceu.

— Todos te respeitam pelo que você é, e outra, o seu exemplo de coragem diária já é suficiente. Não faz nem duas semanas que você levou uma surra no armazém, e outra, a May ainda deve ter algumas costelas fora do lugar por causa daquela outra missão. Fica aqui e ajuda ela com as meninas — ela disse por fim, com um biquinho infantil — Pensa sobre isso — insistiu e saiu da sala, deixando o diretor atônito.



— Skye me convenceu a ficar — Phil disse timidamente, entrando no quarto onde May velava o sono de Lucy e Eleanor, exatamente dez minutos após a base ser esvaziada.

— O que ela te disse? — a chinesa perguntou em voz baixa, levantando os olhos para ele.

— Ela me disse que eu não deveria ir porque eu tomei uma surra há menos de duas semanas, e que eu não poderia deixar você ir porque provavelmente tem alguma costela sua fora do lugar — respondeu e pensou se deveria acrescentar a última parte — E que eu não deveria deixar você cuidando das meninas sozinha — disse por fim e ela mordeu o lábio inferior.

— Ela tá certa — concordou e levantou-se da cadeira — Vem ver uma coisa — ela pediu e caminhou até o berço onde Lucy dormia. Com cuidado, abriu os primeiros botões do body que a bebê usava e pediu que Phil colocasse a mão no peito da menina — Ela parece quente demais ou é impressão? — questionou com preocupação.

— Será que não é a roupinha? — sugeriu, percebendo a alta temperatura da bebê. Concordando com a sugestão, a chinesa retirou a roupinha da menina com delicadeza, tomando cuidado para não acordá-la.

— Phil, o que é isso? — perguntou assustada ao ver algumas bolinhas avermelhadas e inchadas no tronco de Lucy.

— Eu não sei, mas já descubro — respondeu e tirou o celular do bolso. Com alguns cliques, estabeleceu uma vídeo chamada com Simmons.

— Algum problema? — ela disse com um sorriso prestativo.

— O que é isso? — ele perguntou para a cientista, virando a câmera do celular para o corpo da bebê. Simmons olhou atentamente por alguns segundos, pensando em diversos possíveis diagnósticos, até que finalmente percebeu o que realmente era.

— Catapora — disse simplesmente e uma expressão apavorada surgiu no rosto de Melinda.

— E como eu cuido disso? — a chinesa questionou acarinhando a barriguinha da bebê que agora acordava aos poucos.

— Não se apavora, não é nada grave — a cientista garantiu — Tem uma pomada no laboratório que cura isso. Passa um pouquinho em cada bolinha que surgir e deixa ela quietinha — recomendou e logo acrescentou — E se vocês ainda não tiveram catapora, se preparem — avisou e despediu-se.

Seguindo as recomendações de Simmons, Phil e Melinda levaram Lucy para o laboratório e procuraram pela pomada. Encontraram-na em cima da mesa de Fitz e espalharam uma generosa quantidade por todo o tronco da menina, e em seguida, colocaram-na em um dos boxes de quarentena. O boxe era do tamanho de um quarto normal de hospital, porém com paredes de vidro. Por precaução, deixaram a bebê confortável dentro do lugar e sentaram-se do lado de fora, no chão, observando a pequena se remexer no leito.

— Eu não consigo me lembrar se eu já tive — May comentou após meia hora em silêncio. Phil, que estava quase cochilando encostado em uma bancada, balançou a cabeça e analisou-a. Ela parecia diferente do que era há uma semana. Os cabelos presos em um rabo de cavalo bagunçado como ela nunca permitia que eles ficassem, roupas de moletom que com certeza ela jamais usaria em dias normais na presença de outras pessoas, os pés descalços e uma expressão cansada porém satisfeita. Era como se em uma semana ela havia se tornado outra mulher.Ou melhor, não outra mulher, e sim a mulher que ela era antes de todo o trauma que o Bahrein a trouxera — Você já teve? — ela perguntou, insistindo em conversar, e isso também era algo novo.

— Eu não lembro — respondeu com um sorriso e ela revirou os olhos.

— Eu acho que enfim a idade nos alcançou — ela brincou com uma risada que a muito tempo ele não ouvia, e um calor se acendeu no coração de Phil.

— Meu Deus, há quanto tempo eu não ouvia essa risada — ele comentou extasiado e ela olhou-o com um brilho nos olhos.

— Phil, eu sinto como se alguma coisa tivesse mudado pra sempre dentro de mim — ela confessou e com leveza, inclinou o corpo para deitar com a cabeça no colo do homem, que imediatamente começou a brincar com os fios presos.

— Lembra quando você me disse que seu sonho era ter filhos? — perguntou, referindo-se a um acontecimento de quase trinta anos atrás.

— Você não se lembra se já teve catapora mas se lembra disso — ela comentou com uma careta e Phil continuou.

— Você sempre dizia que teria dois, um menino e uma menina, e que ela pareceria com o pai e ele com você.

— Parece que eu estava completamente errada — disse com uma voz menos triste do que o esperado.

— Elas são suas — não era uma pergunta, e sim uma afirmação, e fez com que Melinda sorrisse.

— Eu nunca me apeguei tanto a alguém e tão rápido — confirmou e logo pensou em uma exceção — A não ser você e Skye, e FitzSimmons.

— Você é a pessoa mais cheia de amor que eu conheço Mel, não é nada difícil pra você se apegar a alguém — disse com a voz cheia de orgulho e os dois ficaram lá, estirados no chão, conversando sobre nada e tudo ao mesmo tempo.

Em algum momento os dois adormeceram, e foram acordados duas horas depois pelo choro forte de Lucy e um grito assustado vindo do andar superior.

— Eu vou ver o que é lá em cima, você cuida dela — Coulson disse e May assentiu antes que ele saísse correndo. Com cuidado, Melinda entrou na sala de quarentena e inspecionou o corpinho de Lucy. Ainda haviam muitas bolinhas e a febre não baixara o suficiente, e isso fez com que a chinesa se apavorasse um pouco. “Não pira”, disse a si mesmo e espalhou mais pomada no tronco e nas perninhas da bebê, onde haviam surgido várias novas manchinhas. Phil voltou minutos depois, com Eleanor no colo e um sorriso.

— Parece que temos mais uma mocinha com catapora — declarou e entregou a menina para May — Ela gritou quando viu as bolinhas.

— Eu cuido dela — a chinesa disse com uma careta. Mal podia acreditar que as duas estavam com catapora no mesmo dia. Colocando a menina sobre outra maca, inspecionou o corpo de Eleanor e começou a passar pomada em todas as bolinhas. Por um milagre ou coisa do tipo, ainda não havia febre, e Melinda rezou para que continuasse assim — Fica quietinha, e tenta dormir um pouco, logo você fica boa — garantiu e deu um beijinho na testa da menina antes de voltar para o lado de fora.

— Pelo jeito nós vamos ficar de vigia a noite toda — ele comentou com uma expressão dividida entre o cansaço e a ansiosidade.

— Olha elas que eu vou fazer um café pra você — pediu e estava saindo do laboratório quando ele perguntou:

— Se você odeia café, por que você sabe fazer?

— Porque você gosta — respondeu simplesmente e saiu em direção a cozinha, deixando-o com um sorriso bobo.