Second Chance
21 Walk Your Walk and Don't Look Back
Notas iniciais

— Fica quieta ou eu posso usar isso. – Aviou o cara mostrando a arma que levava
— Isso, atira em mim e suas chances de sair vivo diminui para zero. – Expliquei parando de me debater.
Ele somente riu como se eu tivesse contado uma piada. Filho da mãe! Espero muito que Bruce quebre sua cara e mostre bons modos. Ele me soltou quando o motorista deu um sinal, para meu alivio temporário, isso não significa que quando chegasse ao local, ele não fizesse algo.
O cara entrou no túnel, olhei para trás e a policia estava longe, o que me deixou num pouco apavorada, agora dependia mais do Bruce e ele nem deu sinal. Um barulho em cima do carro chamou atenção, todo mundo olhou para cima e antes que qualquer um pudesse tomar uma atitude, uma mão quebrou o vidro e o cara foi puxado pela janela e foi jogado.
Não consegui segurar o grito de susto com a cena e nem os outros, quando os caras começaram a atirar no teto. Joguei-me no banco e tentei o máximo possível me proteger, então outro barulho chamou a atenção, olhei na direção ao cara ao lado do motorista, porém ele tinha sumido.
Preciso realmente sair daqui, sei que Bruce não vai fazer nada que arrisque minha vida, então preciso fazer ele não pensar em mim. Voltei a sentar, abri a porta ao meu lado e me joguei. Assim que encosto no asfalto, me arrependo amargamente desse plano, rolei varias vezes até parar. Meu corpo estava todo dolorido, senti dor no lado do corpo, devo ter machucado algumas costelas, meu pulso dói e minha cabeça roda.
Escutei um barulho, olhei em direção e vi fogo e pequenas explosões. Fechei os olhos, tentando parar minha cabeça.
— Scarlett. – Chamou uma voz rouca ao meu lado
— Oi, Batman. – Digo gemendo ao vê-lo soltando minhas mãos
— Você não devia ter saltado do carro e em alta velocidade. Podia ter se matado!
— Vaso ruim não quebra fácil.
Tentei me sentar, porém a dor foi grande e voltei a deitar. Senti sua mão no meu rosto, seu gesto foi carinhoso, mas sua mão se afastou ao escutar as sirenes se aproximando.
— Vá, eles vão me levar para o hospital.
Pude ver a duvida em seus olhos, mas aceitou, levantou-se e saiu. Olhou para trás uma ultima vez antes de sumir nas sombras. Escutei passos e virei o rosto para ver os policiais e Gordon se aproximando.
— Senhorita Leigh. A ambulância já esta vindo para cá. Por favor, fique quieta.
— Ok, Sargento Gordon.
~~
Assim que souberam da noticia, meus pais, Charlotte e Charles vieram rapidamente para o hospital. Minha mãe estava tão nervosa que o medico teve de dar calmante, e isso só aumentou mais minha preocupação sobre sua saúde, não queria que piorasse.
Eu não estava tão mal, somente duas costelas quebradas, pulso esquerdo quebrado e alguns lugares roxos. Isso foi o suficiente para minha mãe querer passar a noite comigo, mas todo mundo foi contra e depois de uma hora meu pai levou minha mãe de volta, com a promessa de me ver amanhã. Meu irmão foi logo em seguida depois de uma pequena discussão, já que ele queria passar a noite no hospital. Ele tinha um trabalho importante no dia seguinte e não queria atrapalhar.
Charlotte foi a única que não consegui convencer, mesmo garantindo que as enfermeiras e o medico cuidariam de mim em qualquer emergência. Ela estava sentada na poltrona ao meu lado, lendo um livro, acho que é algum antigo, a capa estava gasta.
Olhei para a janela, tinha começado a chover e pesado, ótimo para dormir, porém eu estava sem sono. O remédio que me deram não foram fortes o suficiente para em dar sono, acho que acabou dando o efeito ao contrario. Ou é isso ou meus pensamentos não me deixam dormir.
— Está pensando nele?
— Não.
— Eu liguei avisando sobre ocorrido. Alfred garantiu avisa-lo.
Como se ele não soubesse. Para ele não ter vindo, foi por estar lutando contra o crime, ou ele pensa que não precisa me ver por ter me salvado. Não duvido esse pensamento. Eu deveria não me importar, mas eu me importo. Droga, se fosse o contrario e mesmo brigados, teria ido ver se estava bem.
Um barulho de batida na porta chama a atenção. A porta se abre revelando Bruce e Alfred. Ambos entraram e aproximaram.
— Srta. Leigh, fico feliz em vê-la segura. – Disse o fiel mordomo da familia Wayne
— Alfred, obrigada por ter vindo.
Olhei para Bruce que estava com uma expressão seria e tinha um brilho diferente nos olhos que não pude identificar.
— Olá, Scar.
—Olá Bruce.
Charlotte se levantou e colocou o livro na cômoda ao lado da cama. Convidou Alfred para um café e que aceitou logo. Os dois saíram nos deixando sozinhos. Me ajeitei na cama, agradeci por ter deixado a parte de cima reta, assim estaria sentada. Bruce sentou no lugar da governanta.
— Os caras foram presos? – Indaguei
— Sim, foram. Scar, você não devia ter se jogado, eu ia te tirar dali em segurança.
— Eu entrei em pânico. Além disso, te ajudei a focar no seu trabalho.
— Meu trabalho não é só prender os bandidos e salvar os inocentes, mas proteger as pessoas importantes na minha vida. Você podia ter morrido, Scar.
Ele me falou tão seriamente e com dor, que me fez sentir vergonha da minha atitude.
— Prometo não fazer mais isso. Aprendi a lição. – Mostrei o gesso pra ele. – Isso vai me lembrar a nunca mais fazer uma loucura, a não ser que seja necessário.
— O que eu faço com você? – Perguntou rindo
Sabe que no fundo eu vou tomar atitude que acho melhor para todos. Soltei uma risada o acompanhando, melhor rir da situação.
— Você tinha razão. – Confessou o playboy
— Razão?
— Sobre o que disse. E eu sinto muito mesmo pela briga.
— Confesso que sinto muito também, mas pelo tom usado, não pelas palavras. Não queria machuca-lo, porém é a verdade. Acho que ambos se amam, mas não no jeito que acham.
— Esta lendo muito livros de romance. – Ironizou ao se curvar para ficar mais perto da cama
— Bruce, vamos ser realista, quando duas pessoas se amam passam por tudo e principalmente aceitam tudo que vem com esse relacionamento.
— Verdade. Eu resolvi seguir em frente, não vou ficar esperando Rachel.
— Sei que deve estar magoado, mas é melhor assim. – Digo pegando sua mão que estava apoiada na cama. – Vai achar alguém que vai te aceitar e entender.
Mesmo que essas palavras tenham me machucado, é a verdade. Melhor ele encontrar alguém, eu não quero continuar essa farsa onde só eu me ferro.
— Eu já achei uma pessoa.
— Já?
Nossa, isso que é resolver rápido a situação. Então se já tinha outra mulher chamando sua atenção, por que raio não foi atrás dela?
Sorria Scarlett, mantenha o sorriso, não importa o quanto doa, mantenha a cara feliz. Assim que ele se acertar, você passa a bola para ela e segue sua vida. Pode até se mudar de novo. Um novo recomeço.
— Sim, eu conheço ela a um tempo.
— Que bom, ela é de confiança?
— Sim, eu confio muito nela.
Ok, é serio então.
— Então investe. Adorarei conhece-la. Como ela é?
— Ela é um pouco alta, mas não mais que eu, é magra, seus cabelos vão até o ombro. O tom é loiro, mas já tinha dito a ela quando perguntou sobre a cor do cabelo que prefiro castanho, seu tom natural. Tem olhos da cor da avelã e que brilham de acordo com seu humor.
Balancei a cabeça não acreditando no que estou escutando.
— Ela parece muito bonita.
— E ela não é só bonita por fora, mas por dentro. Tem uma personalidade forte, é uma boa pessoa, se preocupa com todos, não importa se é rico ou pobre, tem um amor grande pela família e pelos amigos, e também pela sua cidade.
Eu só sorri em resposta. Ele realmente esta querendo transformar em realmente um namoro? Se for brincadeira, mato ele e digo que foi legitima defesa.
Ele colocou a mão no bolso e tirou uma caixinha de veludo preta, ao abrir revelou ser o anel de diamante rosa. Eu fiquei surpresa com aquilo, era ele que eu competi a joia.
— Eu demorei em vim, porque fui recuperar isso para te dar como um pedido de desculpa.
— Como sabia que eu queria esse anel?
— Eu estava na festa e escutei quando falou pra sua mãe sobre o anel. – Pegou minha mão direita que estava boa e colocou no dedo anelar. – Esse anel realmente pertence a você. – Levou minha mão aos seus lábios e beijou – Aceita minhas desculpas?
Soltei a mão e encarei a joia, era muito bonita.
— Saiba que meu perdão não esta a venda. O perdoou, mas não tem nada haver por ter me dado o anel. Na próxima, não adianta vim com joias.
— Na próxima? Tudo bem, eu descubro o que você deseja. Agora sobre nós, eu realmente quero tentar, quero fazer esse namoro ser real.
— Você tem certeza? Você não sente nada por mim além do que um amigo sente por outro.
— Eu pensei muito nesse tempo e descobri meus reais sentimentos por você. Não vou mentir e dizer que te amo, mas acho que esse sentimento de amizade esta mudando para algo. Eu não quis ver isso e confesso que varias vezes me reprendi sobre isso, achava errado por causa da Rachel.
— Para alguém que sentia algo, você era meio frio em alguns momentos.
— Por achar errado. Agora quero fazer direito. Por favor, Scarlett de uma chance. Me diga que sente algo também e que quer isso.
Desviei o olhar, aqueles olhos esperançosos como se qualquer resposta que eu desse, o deixaria feliz ou infeliz sua vida. Ele não me disse que me amava, mas também disse que sente algo mais, esse algo a mais pode se tornar algo. Não vou confessar meus sentimentos até ele confessar pra mim, até lá deixarei no ar.
— Eu sinto também, Bruce. Sinto algo diferente, eu quero tentar, porém não quero o fantasma da Rachel nas nossas vidas.
— Prometo que não terá. Nenhuma mulher estará entre nós. Eu serei fiel à você em corpo, mente e coração.
Ele se inclinou me beijou. Tão diferente das outras vezes, esse tinha sentimento e calor, o toque no seu dedo na minha nuca fez meu corpo tremer. O beijo só reforçava que eu seria a única e que ninguém mudaria isso.
~~
A porta do elevador se abriu, saímos para entrar no meu apartamento. Depois passar a noite no hospital e quase implorar ao medico, fui liberada para ir para casa, Bruce tentou em convencer para ir ao seu, mas esta fora de questão. Charlotte teria de ir para me ajudar, já que ainda sinto dor e meu braço impossibilitado, e então ela descobriria. Eu também acho que ela desconfia de algo ou desconfiava. Charlotte às vezes era difícil de decifrar.
Me aproximei para subir as escadas, porem Bruce me pegou no colo. Passei o braço bom para segura-lo com medo de cair e o olhei que somente sorria.
— Bruce o que você esta fazendo? – Questionei quase num grito
— Vou te levar para o quarto. – Respondeu subindo os degraus com cuidado
— Eu tenho pernas.
— Que bom que tem.
Minha governanta soltou uma risada atrás de nós. Só olhei feio na sua direção. É para me ajudar, não a ele.
— Eu podia subir
— Eu sei. Mas podia cair e se machucar.
— Isso não ia acontecer. Sério, podia ter subido sozinha.
Já tínhamos chegado no topo, ele parou e me olhou. Desde que nos tornamos oficialmente namorados, ele não esconde seus sentimentos de mim, seus olhos estão mais expressivos que nunca e isso até assusta num ponto, mas eu gosto de saber seus reais sentimentos.
— Preciso de uma desculpa para ter você aos meus braços.
Quem diria que Bruce é um homem de belas palavras. Ele me carregou até o quarto, Charlotte dobrou o edredom e ele me colocou na cama, ajeitou até os travesseiros nas minhas costas enquanto minha governanta tirou minhas sapatinhas.
— Gostaria de se trocar, senhorita?
— Não agora, Charlotte. Obrigada.
— Deseja algo, Sr. Wayne?
— Não, obrigado. Tenho de ir para uma reunião na empresa. – Ele se curvou e beijou-me carinhosamente. – Sinto muito por não ficar.
— Tudo bem, Bruce.
— Não apronte nada.
— Eu não apronto. Sou um anjo.
Ele sorriu ironicamente antes de sair do quarto, acompanhado pela Charlotte. Parece que agora que as coisas estão dando certo, finalmente.
Depois de alguns minutos, Charlotte voltou ao quarto e sorriu ao me ver. Foi até meu closet, voltou segurando uma camisola azul e longa.
— Por que sorri? – Questionei quando ela se aproximou
— Porque você esta sorrindo. Não a via assim a muito tempo e isso me alegra.
— Estou feliz, mesmo ter acontecido tudo isso, estou realmente feliz. – Digo levantando o braço para tirar o vestido.
Ainda bem que tomei um banho antes de vim, só se trocar e aproveitar a cama.
— E o motivo se chama Sr. Wayne? – Indagou colocando meu vestido na cama e pegando a camisola
— Acho que não só isso. A vida em geral, minha empresa esta bem, mamãe esta melhor, osso ganhar uma sobrinha e estou namorando um homem bom. – Além de esta ajudando a cidade, completei por pensamento.
Levantei o braço e coloquei a camisola. O tecido gelado deslizou por minha pele e quase gemi de prazer, nada que possa fazer meu corpo doer.
— Confesso que não aprovava muito esse relacionamento.
— Por que não? – Encostei minhas costas no travesseiro e ajeitei o resto da camisola no corpo
— Porque não parecia certo, é como se fosse mentira, interpretações... Mas ontem mudou, quando ele passou pela porta do quarto, parecia outro homem e olhava para você diferente. E vocês juntos pareceram realmente um casal.
— Nós sempre fomos um casal.
Tive de afirmar para não desconfiar.
— Querida, não sei o que tiveram antes, mas não era um relacionamento.
~~
Meus pais vieram na parte da tarde juntamente com meu irmãzinho – não foi na escola só para me ver – que estava preocupado. Recebi um grande abraço, que meio que apertou minhas costelas machucadas, mas valeu a pena. Depois de algumas horas eles se foram e John ficou para minha felicidade, convenci meus pais deixarem ele dormir aqui em casa.
Nesse momento estávamos pintando meu gesso, como disse meu irmão “estava branco demais”. Tinha vários desenhos dele e meu, só que os dele eram melhores. Agora estava desenhando um morcego por causa do Batman, imagine quando Bruce ver isso.
Ele ligou algumas horas, informando que passaria aqui antes de começar a ronda. Acho que ele esta tentando provar que isso é pra valer.
O barulho da batia da porta interrompeu o desenho do John, a porta abriu revelando Charlotte, Rachel e Harvey. Meu amigo segurava um pequeno buque de flores, as Ixias. Uma das minhas favoritas.
— Como é bom vê-los. – Ele se aproximou e me entregou o buque. – São lindas! Muito obrigada.
— Olá, John. – Levantou a mão e bateu na mão do meu irmão em cumprimento, depois colocou a sua mão no meu ombro — Você nos deixou muito preocupados. Ainda bem que o Batman apareceu.
Olhei para Rachel que não estava com humor muito bom, mas sorriu em cumprimento.
— Só pra constar me salvei sozinha.
— Você não tem jeito. Olha o resultado que teve da sua atitude. – Brigou Rachel
— Agora já foi. Estou aqui bem.
Os dois se olharam e Harvey acenou para a namorada.
—Eu não posso ficar muito tempo, processos me aguardam. Vou tomar o chá que a Charlotte ofereceu antes de ir. Por favor descanse e não apronte mais.
— Pode deixar, meu advogado favorito e não conte isso ao Charles.
Ele colocou a mão no bolso do paletó e tirou a moeda. A famosa moeda que decidi as coisas quando esta em duvida, isso em caso de brincadeira.
— Cara, eu não conto. Coroa, eu conto. – Jogou a moeda e pegou no ar. Colocou nas costas da mão e a outra por cima pra não mostrar, ao tirar sorri feliz com o resultado. – Ok, não contarei.
— John, porque não acompanha o Harvey e vê se os cupcakes estão prontos. – Sugeri para ficarmos sozinhas. – Aproveite e peça para Charlotte colocar num vaso com água.
Ele acenou e os dois saíram do quarto. Ela sentou na beirada da cama e me encarou, eu não sei se fico preocupada ou me preparo pelo o que vai vim.
— Fico feliz que não tenha acontecido algo grave com você. Quando sua mãe ligou informando o que aconteceu, quase corri para o hospital, mas não era a hora certa em ir.
— Devo dizer que não ficaria surpresa em vocês aparecerem lá.
— Somos amigas, mesmo temos tido uma pequena discussão, me importo com você.
— Eu com você também. – Coloquei minha mão sobre a sua e apertei.
Ela olhou para minha mão e viu o anel.
— Esse é o anel do leilão? É muito bonito. – Pegou minha mão e levou mais perto do rosto para admirar.
— É sim.
— Estou surpresa em ter arrematado. Deve ter custado uma fortuna.
— Custou, mas não fui eu que arrematei. Eu tentei, porém alguem foi mais rápido.
Rachel soltou a mão e apoiei no colo.
— Foi o Bruce? – Indagou irritada
— Sim. Ele foi um pedido de desculpa por uma discussão que tivermos. Disse que não precisava ter me dado a jóia para ter meu perdão.
— Você me disse que o namoro não era sério! O namorado só da jóia em forma de desculpa se o namoro é sério!
— E não era até ontem. Bruce quer seguir em frente com a vida. Você não é a única que tem esse direito.
Ela se levantou da cama com raiva. Ok, vamos entrar nesse assunto de novo. Tudo bem, se ela quer isso, então vamos lá.
— Como ele pode? Como você pode?
— Oi? Como assim “como ele pode, você pode”? Nós somos solteiros e livres. – Respondi cruzando os braços, ou tentando por causa do gesso.
— Eu e Bruce temos algo!
— Se tivesse, você estaria com ele.
— Eu não posso estar com ele enquanto for o Batman. Olha só o que houve com você!
— Primeiro abaixa o tom, você esta na minha casa e ninguém fala mais alto que eu. – Exceto minha mãe e Charlotte, completei por pensamento – Isso ia acontecer de qualquer maneira. Eu fui pega não por ter uma ligação ao Batman, simplesmente por ter tentado pedir ajuda e eles acabaram vendo.
— Scar, eu não quero que você se machuque.
— E eu não vou. Você esta com o Harvey, deixa o Bruce livre pra estar com quem ele quer.
— Eu amo o Bruce. Ele me disse que me ama e quer ficar comigo quando isso acabar.
— Não Rachel, você não o ama. Não do jeito que acha...
Ela deu um passo pra trás e fechou suas mãos com raiva. Acho que devia ter gravado tudo que disse para o Bruce para falar a ela, assim não gastava saliva.
— Você não entende meus sentimentos.
— Acho que virei uma especialista em entender os sentimentos das pessoas. Rachel, você tem um homem maravilhoso ao seu lado e que merece ser feliz. Você o está fazendo, então continue. E deixe o Bruce viver sua vida sem ficar esperando você.
— Acha que ele não vai estar pensando em mim quando estiver com você? Quando tiver a beijando ou a tocando, acha que ele não vai estar imaginando eu no seu lugar?
— Não, não vai e sabe como sei? Por causa disso. – Mostrei o anel. – Prometeu ser fiel a mim e somente a mim em corpo, mente e coração. Então Rachel tira essa fantasia da sua mente! Nunca pensei que você falaria essas coisas a mim, somos amigas desde que me conheço por gente e você fala essas coisas. Amigo que é amigo deseja a felicidade do outro.
— Como posso estar feliz por vocês, se vocês me magoaram?
— Você esta magoada por sua própria culpa, não venha jogar a culpa em nós. Você teve sua chance e jogou fora por não querer o lado obscuro dele, diferente de mim que o quero completo. Cresce Rachel, aquela fantasia não vai se tornar realidade, sinto em dizer, mas é a verdade. Aquele Bruce o qual deseja estar junto não existe.
Me olhou feio antes de sair do meu quarto me deixando sozinha. Encostei minha cabeça no travesseiro e fechei os olhos. Se antes a amizade já estava abalada, agora é inexistente. Não queria perder a amizade dela, mas não vou deixar ela estragar a vida do Bruce. Ele merece ser feliz como eu e sei que esse namoro vai dar certo.
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