Second Chance
2 Capítulo Final
Notas iniciais
Ele estava aparentemente um pouco diferente do Grissom que ela viu pela última vez. Seus cabelos agora estavam muito mais grisalhos do que antes, ele aparentava uma expressão tristes e pelo que pode perceber, havia emagrecido consideravelmente.
_Oi ... Sara! — o cumprimento dele saiu tão baixo que se ela não estivesse próxima a ele não teria ouvido.
Grissom sentiu seu coração voltar a vida novamente por tê-la diante de si. Como sentira sua falta. Não teve um dia depois da errônea separação deles em que ele não pensou nela.
Quando tomara semanas atrás, a decisão de vir tentar ainda que tardiamente, reparar a burrada que tinha feito em ter colocado um ponto final em seu casamento com ela, Grissom não imaginava que ficaria tão nervoso como estava agora, por dentro de si ele tremia feito um garoto.
Fazia um ano que não a via ... Um ano que sua vida havia perdido o sentido sem ela por perto, mas isso foi escolha dele, a escolha mais errada que ele fizera.
Achava que estava fazendo o certo em tomar aquela decisão só que meses depois do triste fim, ele viu que aquilo havia sido a pior coisa que tinha feito na vida, sabia disso!
Por todos esses longos e tortuosos meses, ele relutou em procura-la por achar que talvez ela já tivesse encontrado alguém como ele havia lhe dito que fizesse, mas algo dentro de si lhe fez crer que isso ainda não havia acontecido. E ele resolveu ouvir seu coração, coisa que poucas vezes havia feito na vida quando a questão envolvia ele e ela.
_O que faz aqui ... Depois de um ano? ... Pensei que nunca mais fosse vê-lo depois do divórcio.
Ele engoliu a seco ao sentir no tom da voz dela, certa raiva e rispidez.
_Vim porque quero e preciso conversar com você.
_Conversar sobre o quê? Não temos nada pra conversa, Grissom! – essas suas palavras saíram assim que ele terminou de falar.
_Por favor, Sara! – com o olhar ele suplicava por aquela conversa. Aquele era um pedido desesperado de quem viveu um inferno durante esses meses todos e de quem novamente foi covarde e demorou mais uma vez, uma eternidade pra agir.
Sara suspirou. Aquele jeito de pedir... Aquele jeito de lhe olhar e ela teve a confirmação de que mesmo após um ano de separação, seu ex-marido ainda exercia sobre ela o mesmo poder de quando eles ainda estavam juntos.
Droga de homem!
Maldito seja por ainda mexer com seus sentimentos!
Ela queria bater à porta na cara dele ... Queria que ele sumisse de sua frente, que levasse junto todas as recordações que estava fazendo vir à tona em sua mente, só de tê-lo novamente diante de si, mas ao invés de fazer isso, ao invés de dizer não ao seu pedido e manda-lo ir embora dali, ela deu passagem pra que ele entrasse em sua casa, a casa que até um ano atrás era deles.
Ele entrou ali e não deixou de notar que as coisas continuavam iguais exceto alguns moveis que estavam em lugares diferentes do que da última vez que estivera ali pra pegar alguns pertences seus, após a separação deles.
Na mente dele vieram como raios as recordações de quando aquela ainda era sua casa. Os momentos especiais e alegres que compartilhou com Sara. As vezes em que ele vinha de suas expedições e passava três ou quatros dias ali com a esposa, podiam ser poucos dias sua permanência em casa, mas eram os dias mais intensos que passava ao lado de Sara.
_O que quer conversar comigo, Grissom? Porque sinceramente eu não sei o que ainda temos pra conversar depois de estarmos um ano separados.
Ele virou-se pra ela ao ouvir sua pergunta. Tinha por míseros segundos se perdido nas lembranças que vieram entorpecer sua mente e lhe mostrar o quão tolo ele foi por ter aberto mão da relação deles.
_Como você está Sara? – antes de entrar no assunto que o trouxera ali, ele queria saber sobre ela já há um ano nenhum deles sabiam um do outro.
_Ótima! – foi sua única e seca resposta. Sentia de volta por ele, toda a magoa que ficara em si depois do inesperado pedido de divórcio dele.
_E pelo que posso ver também ainda está magoada comigo pelo que aconteceu com
_Grissom ... – ela o interrompeu. _...Se veio aqui pra falar do que houve, então é melhor ir embora da minha casa.
Ela estava clamando que ele fosse.
Dentro de si a magoa falava por ela e Sara a estava usando como uma blindagem pra manter o ex o mais longe possível dela.
A perita não entendia até agora o porquê dele estar ali depois de tanto tempo de separação e também, o que ele queria ressurgindo do nada.
_Você ainda está muito magoada comigo. – ele concluiu ignorando o que ela havia dito.
_O que é que você quer comigo Grissom? Porque falar sobre nossa separação acredito que não seja. Então diga logo, por favor.
Vendo o quão incomodada ela parecia com sua presença, ele resolveu ir direto ao ponto.
_Quero uma segunda chance pra gente.
_Quê??
Ela o encarou incrédula com o que acabara de ouvir.
_Você e eu, juntos de novo ... Como era até um ano atrás, só que com uma diferença ... Vamos estar juntos na mesma cidade, não haverá mais relação à distância! ... Eu parei com as expedições e consegui um emprego na Universidade de Las Vegas!
O papel que até agora ela teimava em segurar foi ao chão caindo bem sobre os pés de Grissom que se abaixou pra junta-lo, ao ficar de pé novamente e ver o que era aquilo, ele a encarou.
_O papel do nosso divórcio?
Ele deduziu que talvez esse fosse o motivo de seus olhos vermelhos.
_É ... Um divórcio que você pediu, lembra? – ela disse em alto e bom som. Sentia vir à tona toda a raiva guardada dentro dela durante esse um ano todo. _E agora ... Depois de um ano, você me aparece aqui... E ... Vem me pedir uma segunda chance, sendo que foi você quem achou de colocar um fim na nossa relação. O que significa isso Grissom? Alguma brincadeira?
_Não, Sara!
_E todo aquele discurso que me disse quando me pediu o divórcio?
_Esqueça-o! Aquilo foi um erro!
Ela arrancou o papel da mão dele.
_Eu não te entendo Grissom, juro que não e nem quero mais entender! ... Vai embora, por favor! Não vou te dar nenhuma segunda chance, já te dei ao logo desses anos, chances demais!
Ela saiu de perto dele indo em direção a porta.
Ainda que sentisse de volta dentro de si que ainda o amava, não achava mais cabível e possível entre eles, uma nova chance, não depois desse um ano que se passou.
_Eu achei que estava agindo certo ao fazer aquilo, Sara...- ele disse apressadamente e ela parou no meio do caminho, antes mesmo de alcançar a porta. _... Mas não foi bem assim ... Eu tenho vivido um inferno desde que nos separamos.
_Por sua culpa isso! – ela gritou virando-se pra ele. _Por sua única e exclusiva culpa! ... E se você viveu um inferno, eu também vivi, Grissom! ... Não sabe quantas noites eu chorei pelo nosso fim. Eu me odiava por cada lagrima que derramava por isso, que derramava por você, por cada vez que pensava em você, por cada lembrança que eu não conseguia arrancar daqui e daqui. – ela apontou primeiro pra sua cabeça e depois para o seu coração. _Você quase acabou comigo... De novo! – ela já derramava algumas lagrimas.
_Me desculpe!
_É tudo o que você tem pra me dizer?
_Não ... Também tenho que te dizer que ... – ele tomou folego, caminhou lentamente até ela e quando estava bem diante dela, abriu seu coração. _... Que eu não consigo te esquecer... Que em minha estupidez achei que fosse o certo te deixar livre pra procurar alguém com quem pudesse ter algo melhor do que tínhamos... Eu fui um idiota porque mais uma vez te fiz sofrer, mas eu me arrependi e me arrependo amargamente por isso, por ter te pedido o divórcio, por ter terminado nosso casamento... Me perdoe, Sara... E se não for pedir muito... Me dê só mais uma chance... Apenas uma a mais ... Eu te amo!
Um silencio aterrorizante se instaurou entre eles por incontáveis segundos. De repente ele ouviu a resposta dela vir em um murmúrio, e essa reposta fez seu peito doer profundamente.
_Eu não posso, Grissom! ... Sinto muito... – um soluço baixo e ela caiu em um pranto convulsivo logo em seguida.
Antes daquela resposta sair por sua boca, houve uma grande batalha dentro dela. Seu coração, quis dizer sim, mas sua cabeça, envolta naquele momento pela magoa, acabou falando mais alto e ela disse não a ele.
Ela já havia sofrido por culpa dele e não queria sofrer novamente.
_... Eu não posso te dar outra chance!
Ele estava a ponto de derramar as lagrimas que teimava em não deixar cair, diante daquela sua resposta. Olha o que ele tinha feito com eles. Era sua culpa aquilo!
Um pensamento lhe ocorreu e ele não resistiu em questiona-la a respeito daquilo.
_Você não pode porquê... Já tem alguém?
Antes fosse aquilo. Bem que ela queria ter arranjado alguém pra esquecer de vez dele, mas seu coração ainda não havia encontrado alguém por quem bater novamente, pra falar a verdade, seu coração ainda não conseguia era aceitar bater por outro!
Com apenas um aceno negativo de cabeça, ela lhe respondeu pra novamente alivio dele. Então se não era isso, só podia ser ...
_Então você deixou de me amar e por isso não quer me dar essa chance?
_Essa conversa já foi longe demais... – ela secou as lagrimas de seu rosto. _Já lhe dei uma resposta Grissom. Não estou disposta a te dar outra chance. Agora, por favor vá embora! – ela deu dois passos pra trás, se afastando dele que estava perigosamente centímetros dela.
Em uma atitude inesperada e desesperada ele desfez a distância que Sara havia imposto entre eles e logo em seguida beijou a ex-mulher com certa brutalidade, esmagava sua boca na dela em total desespero, quase a machucando.
Ela ainda tentou lutar por míseros segundos pra afasta-lo dela e assim acabar com aquele beijo, mas foi inútil e logo já havia cedido aquele acontecimento.
Pode sentir suas mãos grandes e firmes levando-a mais de encontro ao seu corpo como sempre ele costumava fazer quando se beijavam.
Ela estava quase chegando as portas do céu, estava quase se rendendo por completo a ele, pensava seriamente em lhe dizer ‘’ sim ‘’, mas aí, de repente as palavras que ele lhe dissera um ano atrás ao pedir o divórcio, voltaram a sua mente e logo ela se lembrou das noites em que chorara por ele e pelo que houve, do quão foi difícil superar a separação e aquilo a fez recusar, a fez tirar forças de não se sabe onde e terminar aquele beijo.
_Eu não posso... Não quero... Vai embora! – ela se afastou dele.
_Mas... – ele quis argumentar só que antes que fizesse isso ela o interrompeu.
_Vai, por favor! ... Não tem segunda chance!
Ele tentava entender o porquê daquele brusca mudança dela. Podia jurar que ela havia se rendido a ele quando a beijou e ela correspondeu segundos depois. O que foi que houve?
Ele quis lhe questionar isso, mas desistiu. Achou melhor fazer o que ela queria.
Independentemente do que Sara acabara de decidir em relação a eles, Grissom permaneceria na cidade porque já havia acertado tudo em seu mais novo emprego na Universidade e foi isso que ele disse a ela antes de cruzar a porta da casa.
_Eu vou permanecer em Vegas independente de estarmos juntos ou não, já que consegui um emprego aqui. E ... Se você um dia precisar de alguma coisa ou muito remotamente de mim, é só me procurar na Universidade ... Até ... Sara!
Depois disso ele foi... Foi embora dali, completamente confuso e arrasado. Não lhe restava mais nada a fazer ali, ela tinha tomado a decisão dela e só cabia a ele aceita-la, ainda que não a entendesse.
Assim que a porta fechou ela caiu sentada no sofá e começou a chorar. Tinha tomado sua decisão, porém sentia uma dor tão profunda no coração por causa disso.
Será que tinha feito o certo?
Só o tempo ia lhe dizer!
...
Um mês depois....
_Bom dia!
_Bom dia, moça! Posso ajuda-la em alguma coisa? – o porteiro gentilmente indagou a bonita ‘’ moça’’ desconhecida, quando ela parou diante dele.
_Eu espero que sim... – ela tirou seus óculos escuros e ele pode ver seus lindos olhos castanhos. _... Estou querendo saber se um professor chamado Gilbert Grissom, se encontra na Universidade. Por acaso o senhor saberia me informar isso?
_Sim, sim, ele se encontra. Acabei de ouvir umas alunas que passaram apressadamente por aqui, dizendo que estavam atrasadas pra palestrada dele que acontecia no auditório... A moça veio falar com ele?
_Sim! ... Será que teria algum problema se eu fosse até onde ele está dando a palestra pra espera-lo termina-la e assim poder falar com ele?
O homem pareceu pensar um pouco antes de dizer que podia. Depois ele explicou a mulher pra onde ficava o auditório e logo em seguida ela saiu agradecendo por sua gentileza e por tê-la deixado ir até a palestra.
...
_As borboletas estão presentes praticamente no mundo todo. – Grissom explicava aos alunos. _Por serem animais de sangue frio sua predileção de habitat se dar por lugares quentes, especificamente nos trópicos, onde há uma grande fartura de alimentos para estes animais, e uma grande diversidade de espécies. Existem, pelo mundo todo, diversas espécies de borboletas raras e peculiares, no slide a seguir verão algumas espécies que eu separei pra mostrar a vocês. – ele virou-se para seu notebook e avançou para o slide mencionado. _Bem, essa é a primeira espécie ... Alguém poderia me falar algo que saiba sobre ela? – com sua atenção ainda voltada para o notebook, ele questionou.
_Eu posso ... Professor Grissom!
Ele arregalou os olhos no mesmo instante em que ouviu essa resposta dita por uma voz bastante familiar.
Rapidamente voltou seus olhos para os alunos e em uma rápida busca Grissom encontrou a dona da voz.
_Sara?!
Ela estava parada, no corredor lateral do auditório.
_Essa borboleta da foto é a Borboleta Transparente ... – Sara começou a falar e ao mesmos tempo que fazia isso, ia caminhando até perto do pequeno palco onde Grissom estava. _... Ela é bastante comum na América Central, especialmente no México e no Panamá...
Os alunos naquele instante dividiam a atenção entre a mulher que parecia falar com bastante propriedade daquele assunto e o professor que não tirava os olhos dela.
_... Tem esse nome devido à falta de coloração em suas asas. E essa sua característica, serve como um mecanismo de defesa para os predadores ... Fui bem na minha resposta professor? – ela lhe sorriu e ele teve a impressão de ter voltado muitos anos no tempo e parado bem no exato ano em que ela era sua aluna, a melhor aluna que teve!
_Muito!!
Seus olhos azuis a fitavam meio surpreso e abobalhado por ela estar ali. Pensava que depois da recusa dela a seu pedido de segunda chance, não fosse voltar a vê-la, mas cá estava ela diante dele novamente.
_O que faz aqui, Sara?
_Vim falar com você. Ia esperar que terminasse sua palestra pra me fazer presente aqui, mas, não resisti em falar sobre a borboleta. Como deve se lembrar essa é minha borboleta preferida, então...
_Eu me lembro sim!
Um aluna curiosa não resistiu e perguntou a Grissom se Sara era amiga dele.
_Não, ela é minha esposa, quer dizer ... Ex. – ele corrigiu com certa decepção já que queria muito que ela tivesse voltado a ser sua esposa, mas ela não quis isso. Triste!
O engraçadinho da turma assoviou lá do fundo e depois gritou um ‘’ muito linda sua ex professor. Me apresenta a ela?’’, e todos inclusive Grissom riram disso. Jimmy Turner era impossível sempre com gracinhas, mas era uma boa pessoal e principalmente, um bom aluno.
_Nem pensar Jimmy. Ela não é para o seu bico!
Novamente todos riram ali.
_Eu já atrapalhei demais sua palestra. Vou te esperar lá fora pra a gente conversar.
Ele assentiu ainda desconcertado pela sua presença e logo em seguida ela saiu dali.
_Tchau, linda! – Jimmy gritou pra Sara quando ela ia sair da sala.
_Jimmy!! – Grissom o repreendeu.
_Foi mal ‘’ fessor’’!
Ele apenas riu do ‘’ fessor’’ que o aluno havia lhe chamado e logo em seguida retomou sua palestra. Sua cabeça estava a mil e sua curiosidade pra saber o que Sara queria com ele, idem. Se pudesse teria encerrado a palestra no exato momento em que a viu ali na sala, mas não podia fazer isso.
Quase uma hora depois, ele e Sara se encontravam sozinhos e acomodados em duas cadeiras da primeira fileira do auditório.
_Então ... O que a traz aqui? Pensei que não quisesse mais
_Sim ... – ela disse simplesmente interrompendo-o.
_Sim?? ... Sim, o que? – ele não entendeu aquilo.
Ela sorriu como uma garota tímida. Depois esclareceu o porquê daquele ‘’ sim’’.
_Eu pensei melhor e resolvi mudar o ‘’ não’’ que te dei no mês passado quando foi a minha casa me pedir uma nova chance, por um ‘’ sim’’.
Mais uma vez ele arregalou os olhos em surpresa como tinha feito hora atrás quando ouviu a voz dela naquele auditório.
Vendo a reação dele, ela sorriu, agora mais largamente.
Durante todo esse um mês que se passou, não teve um dia em que ela não pensasse no beijo apaixonado que trocaram, no amor que ainda sentia pelo ex-marido e principalmente, na proposta que ele lhe fez e que ela recusara na ocasião.
Tinha pensado, repensado e ponderado muito antes de estar ali, lhe dizendo o contrário do que disse no mês passado.
Se lhe negou uma segunda chance anteriormente foi por ainda está magoada e doía. Só que agora, livre de qualquer magoa ou dor, ela estava disposta a lhe dar uma nova e última chance e esperava estar fazendo a coisa certa, agora.
_Você está falando sério? – ele mal conseguia acreditar naquilo.
_Muito! ... Você ainda quer essa segunda chance?
Se ele ainda queria?? Era obvio que sim!
E deixou isso explicito não com palavras e sim, com um beijo tão apaixonado e demorado quanto o trocado há um mês.
_Isso respondeu a sua pergunta? – ele murmurou após o beijo.
_Completamente!
‘’ Quando há amor e ele é de verdade ... Então sempre há uma segunda chance!’’
FIM
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