Second Chance
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era sua folga naquele dia e ela resolveu dá uma boa ‘’ geral’’ em sua casa que andava bastante desorganizada e também se livrar de algumas coisas que não queria mais. Decidiu-se por começar pela cozinha, depois foi pra sala, o banheiro social e agora se encontrava em seu quarto, mais precisamente, em frente ao seu enorme closet que era sua prioridade no cômodo. Seu closet estava mais bagunçado do que todos os cômodos de sua casa junto e ela pretendia deixa-lo completamente arrumadinho.
Pegou um banquinho que mantinha ali ao lado do closet e subiu pra começar a arrumar primeiro a parte de cima. Tirou tudo que tinha ali em cima, depois limpou o lugar e em seguida foi recolocando as coisas ali. Algumas coisas que ela não queria mais e que ainda estavam aproveitáveis, Sara guardou dentro de uma caixa de papelão que tinha trazido do laboratório e depois veria o que faria com aquelas coisas que não queria mais.
Quase uma hora depois, ela já tinha arrumado quase todo o closet, só faltava a parte de baixo que era onde estava arrumando agora.
Naquela parte tinham algumas pequenas caixas que dentro continham coisas como: multas de muitos e muitos anos atrás, quando ela costuma beber e dirigir logo depois; seu primeiro crachá no Laboratório de Vegas, quando ela tinha vinte e oito anos, agora estava com quarenta e dois; também havia uns livretos de sonetos e poesias que ela jurava ter perdido, mas que curiosamente estavam guardados ali; alguns álbuns de fotografia; papeis sem importância e muitas outras coisas mais. Uma a uma aquelas caixinhas foram sendo remexidas por Sara que ia verificando e separando as coisas que continuariam guardadas ali, das que iam para o lixo.
Quando por fim ela pensou que tinha tirado a última caixa dali a qual guardava documentos seus, a morena viu que atrás dessa ainda tinha outra que a fez estremecer assim que pôs seus olhos nela, ali ... Escondida no fundo daquele closet.
O que diabos aquela caixa ainda fazia ali? Podia jurar que já havia se desfeito dela há tempos. Mas aí lembrou-se imediatamente que não tivera coragem pra tal feito.
Seu corpo enrijeceu e Sara encarou por longos e incontáveis segundos, a tal caixa onde há um ano tinha ‘’ enterrado’’ dentro dela todas as lembranças pertencentes ao seu relacionamento com Grissom.
Sinceramente? Não queria ter encontrado essa caixa. Ela lhe fez trazer instantaneamente de volta a mente, lembranças que a muito custo conseguiu trancafiar no mais profundo lugar de sua mente e principalmente, de seu coração.
Já fazia certo tempo que Grissom havia deixado de povoar sua mente, mas bastou botar os olhos na caixa a qual ela sabia bem seu conteúdo, pra sentir de volta por seu ex-marido, tudo o que achou ter deixado de sentir.
Seu ex-palestrante, ex-supervisor e ex-marido, tinha sido a melhor coisa em sua vida, assim como também a pior.
Ele lhe fez imensamente feliz quando decidiu baixar a guarda e dar uma chance a eles dois, porém, também lhe fez infeliz antes disso quando teimava em rejeita-la e afasta-la dele, e também anos depois, quando já casados lhe pediu o divórcio inesperadamente, pondo fim ao casamento deles.
Foi difícil levantar a cabeça, seguir sua vida em frente e superar o baque que havia lhe causado o fim de seu casamento com Grissom, mas com a ajuda de seus dois melhores amigos, Nick e Greg, remanescentes da antiga equipe que por anos foi liderada por seu ex-marido, ela foi conseguindo pouco a pouco erguer a cabeça e dar continuidade em sua vida.
Lembrou-se de imediato das palavras que Greg lhe dissera certa vez, um mês depois de descobrir sobre o fim do casamento dela com ex-supervisor, quando a viu cabisbaixa ainda sofrendo pelo fim do casamento.
‘’ Você tem que reagir, Sara. Acabou, acabou! Agora você tem que continuar sua vida sem ele. Existe vida após o casamento, sabia? ‘’
Ela sabia que sim, mas era tão difícil ter uma vida depois disso. Porem ela foi dia após dia tomando as palavras de seu amigo como um ‘’ mantra’’ para seus dias e assim consegui ir superando o que lhe despedaçou a alma e devastou seu coração.
Mas agora toda essa ‘’ superação’’ foi para o ralo, por conta dessa bem-dita caixa pra não dizer, maldita!
Os segundos aos quais Sara encarava o objeto, viraram minutos e de repente, tomada pelo impulso, ela pegou aquilo, dirigiu-se a cama, sentou-se nela e resolveu que iria abrir aquela tal caixa porem antes que fizesse isso parou.
O que ela estava prestes a fazer? Não tinha nada que mexer naquilo. Isso só ia reabrir uma ferida que dera muito trabalho para cicatrizar! Só que ... O que podia fazer se seu coração doentio e sua mente insana clamavam por reviver aquelas lembranças de novo, nem que fosse por míseros segundos. Isso ia lhe machucar, porem ela queria aquilo e foi em frente, abriu a caixa.
A primeira coisa em que seus bateram, foi numa foto meio amarelada por conta do tempo. Aquela tinha sido a primeira foto que ela tinha tirado com Grissom, quando ele fora seu palestrante durante um mês, em um curso de férias, na Universidade de San Francisco, onde ela cursava Física. A ocasião ela se lembrava como se fosse ontem, tinha sido na festa de despedida que ela juntamente com os outros alunos fizeram questão de oferecer a ele. Na foto, eles dois estavam de braços dados. Grissom exibia um sorriso discreto e tímido, típico dele, enquanto Sara tinha um largo, brilhante e feliz sorriso, por estar ali ao lado de seu palestrante.
Ela pegou a foto, fitou-a fixamente por um breve momento e logo flashes pipocaram em sua mente lhe fazendo reviver mentalmente os dias em que passara ao lado do palestrante mais bonito que ela tivera e ao qual ela se apaixonara perdidamente assim que seus olhos castanhos se encontraram com os azuis encantadores dele.
Foram momentos bonitos que ela passou ao seu lado naquela época, é bem verdade que não aconteceu nada demais entre eles, apenas uns olhares e sorrisos que não eram tão típicos de uma relação professor e aluna, e também houveram algumas conversas depois das aulas e saídas no intervalo entre as palestras, pra Sara lhe mostrar a cidade, porem tudo isso foi o bastante pra ela se apaixonar por ele que se mostrava tão atencioso com ela.
Após certos minutinhos em que ficara com os olhos fixos naquela foto, Sara deixou-a de lado e colocou a foto sobre a cama, voltando sua atenção ao resto do conteúdo da caixa.
Havia um pequeno álbum com mais fotos deles, algumas do tempo em que namoravam e outras que tiraram quando já estavam casados e essas, antes, ficavam em porta-retratos espalhados pela casa, mas agora, se encontravam ali, dentro daquela caixa; tinha também um colar com um pingente de borboleta que Grissom lhe dera quando fizeram um mês de namoro; a carta que ele não lhe enviou a qual trazia um soneto de Shakespeare e que ele lhe escrevera muitos anos atrás quando ainda namoravam e ele saíra em seu período sabático; pequenos bilhetes com declarações de amor que ela passara a ganhar quase todas as manhas logo após se casarem em Paris; fotos de um Hank que ela não sabia mais se estava vivo ou morto porque o cachorro ficara com seu ex já que era dele mesmo; e por fim, sua aliança e uma cópia dos papeis do divórcio assinados por ela e por Grissom.
Ao rever aqueles malditos papeis, inevitavelmente Sara se lembrou do fatídico dia em que seu marido agora ex, lhe pedira a separação.
_Divórcio?? Por que isso Grissom?? – perplexa ela caiu sentada na cama deles logo após ele ter dito aquilo.
Ele sentou-se em frente a ela e com a voz meio embargada respondeu sua pergunta.
_Nosso casamento não está mais dando certo, Sara.
_Isso não é verdade!
_Você sabe que é!
Era bem verdade que de uns tempos pra cá as coisas entre eles andavam diferentes, mas ela não achava que estivessem tanto a ponto de ele pedir tão inesperadamente, o divórcio.
_Seja sincero Grissom ... Você deixou de me amar não é? Por isso está me pedindo divórcio? – ela rezou pra não ouvir uma confirmação que despedaçaria mais ainda seu coração.
_É por te amar que estou fazendo isso.
_Você não pode estar falando sério!
_Sara... – ele foi pra segurar em uma das mãos dela, mas com dor no coração viu Sara puxar suas mãos pra evitar que ele a tocasse. Suspirou antes de retomar sua fala. _Você merece muito mais do que eu estou lhe dando ... Você merece uma relação melhor do que essa que temos que é uma relação à distância, um casamento a distância... Você merece ter alguém que esteja sempre ao seu lado e na mesma cidade que você, e esse... Não sou eu, querida... Você é jovem, linda e não tem que ficar presa em uma relação como essa. É triste admitir isso, você não faz ideia do quão difícil está sendo pra mim fazer isso, mas... Eu quero deixa-la livre pra encontrar a pessoa certa pra você, Sara! ... Tenho certeza que logo você vai achar alguém com quem possa ter uma relação normal, onde os dois morem na mesma cidade... E ... Bem ...Eu ... Quero que saiba que, acima de tudo, quero que seja feliz, Sara!
_E acha que vou ser longe de você, Grissom?
_Acredito que sim! – ele murmurou de cabeça baixa.
Ela queria crer que aquilo tudo não passava de um pesadelo... Um filme de puro horror a qual estava sendo submetida, mas sabia que não era.
De repente as lagrimas vieram e ela começou a chorar não querendo acreditar que aquele fosse o fim deles. E ele também chorou junto com ela. Nunca pensou que um dia fosse fazer isso com ela, com eles. Sentia-se um monstro por estar fazendo-a derramar aquelas lagrimas, havia jurado anos atrás que nunca mais ela derramaria uma lágrima de tristeza, por ele, apenas de alegria e agora, ele estava quebrando aquele juramento. Porem aquilo era inevitável diante do que acabara de acontecer, estava sendo doloroso agora essa decisão, mas ele achava que era o melhor pra ambos. Aquele casamento a distância já tinha durado muito mais do que qualquer outro nessas circunstâncias. Doía nele terminar com ela? Doía, porque amava-a com toda sua alma e sempre a amaria, mas como ele mesmo lhe dissera, ela não merecia ficar presa a ele, presa a uma relação à distância como aquele eles vinham mantendo a quatro anos.
O som da campainha que já tocava há alguns segundos, fez com que Sara saísse da triste lembrança daquele dia, um dia que ela queria muito poder apagar de sua mente.
Meia assustada com a campainha, ela se levantou da cama, enxugou as lagrimas que haviam escorrido por seu rosto enquanto recordava-se daquela última conversa que tivera com Grissom e em seguida rumou pra sala pra atender a porta se questionando quem poderia ser. Sara nem se deu conta, mas levava consigo, em uma de suas mãos, o papel do divórcio.
Assim que a perita abriu a porta e viu quem era que estava ali, ficou estática ... Em choque!
Desde o fatídico dia em que assinara os papeis do divórcio, o que fazem exatos doze meses, ela não soubera mais nada do ex, nenhuma notícia ou qualquer coisa, nada! ... Agora ela não só sabia como estava vendo-o!
_Grissom?! – ela conseguiu dizer depois de longos segundos em que seu ex e ela ficaram se encarando.
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