Second Chance
3 Capítulo 3:Calmante e Viciante
Notas iniciais
Boa leitura!
Acordou no escuro.A única fonte que iluminava aquele recinto era a janelinha,e se já não entrava mais luz dela,era porque já era de noite.E isso com certeza não era bom.Xaldin iria matá-lo por chegar tão tarde em casa,mesmo que fosse ainda apenas 6:00 da tarde.Para piorar,até sua mãe iria apanhar,com a justificativa de sempre:”Ele é o SEU filho!Porque você não dá um jeito nesse maldito moleque?!”.Então Roxas iria para o seu quarto,sem jantar,e demoraria mais 3 horas para pegar no sono,pois a dor não deixaria ele dormir tão facilmente.
Levantou-se e tentou forçar a porta a abrir.Sem sucesso.No entanto,continuou a tentar até que seu ombro começou a latejar e a doer.Já não via mais nada,estava tudo extremamente escuro.Ou seja:muito tarde.
Roxas começou a pensar noutro jeito de escapar dali.Dez minutos,trinta minutos,ciquenta minutos,uma hora...Até que,por acaso,levantou a cabeça e viu que alguns fiapos de luz lunar atravessavam a janelinha lá em cima.Porque não tinha pensado naquilo antes?Era tão óbvio!
Mesmo estando difícil de enxergar,Roxas subiu no aparelho sanitário,alcançando a janelinha e apoiando-se nela.Num único impulso,jogou-se para o outro lado,cortando sua perna ao passar por ela,devido a uns pedaços de vidro quebrado que tinha ficado presos a ela.Levou a bolsa consigo quando caiu com um baque alto no chão.
Apesar de estar cansado,doído por ter dormido num chão duro como aquele,ferido e cortado,começou a correr o mais rápido que conseguia.Talvez,só talvez,não estivesse tão tarde quanto parecia.Talvez Marluxia ou Demyx tivessem chegado mais cedo por algum milagre(quando eles estavam lá,Xaldin nem ousava levantar uma mão contra Roxas).Talvez não estivesse tudo tão ruim,afinal.
Quando chegou em frente a casa,seu pulmões estavam em brasa,respirava ofegante e suava em bicas,o que fazia suas feridas arderem ao entrar em contato com o suor salgado.
Respirou fundo e se recompôs,assumindo sua expressão de sempre quando estava em casa.Caminhou e abriu a porta lentamente.O primeiro cômodo,a cozinha,estava escuro e vazio.Atravessou a porta e chegou até a sala.Acendeu a luz e parou.
Xaldin estava sentado na poltrona,e o fitava com crueldade.Estava bêbado.Sua mãe roncava no quarto de cima e nenhum de seus irmão haviam chegado ainda.Só haviam ele e Xaldin ali.
-Onde você estava,pirralho?-perguntou o homem de cabelos escuros,sem se mover,com a evidente crueldade na voz grossa.
-Fiquei preso no banheiro do colégio.-Roxas limitou-se a responder,desviando o olhar dos malévolos olhos daquele homem que mais parecia um monstro.
-Como?Preso?Está zoando comigo,moleque?
-Não.
-Não o que?
-Não,senhor.Eu...
-Arrume outra desculpa,imundo.
-Me trancaram no banheiro do colégio.-Suas mãos fecharam-se em punhos com força.
-Moleque,você...
-É Roxas.-Suas unhas ameaçavam rasgar sua carne de tanta força que as apertava.Estava com raiva,com muita raiva,daquele homem que nem falar seu nome conseguia.Chegou o limite finalmente.
-Como é?
-Meu nome é Roxas.
-Repete isso,moleque.-Disse Xaldin,levantando-se da cadeira.
-Meu nome é Roxas,monte de banha.-Roxas levantou a cabeça.A muito tempo queria ter dito aquilo.Ah,realmente,Xaldin era bem acima do peso.
Por um momento,a expressão cruel de Xaldin mudou,passando de uma leve surpresa rapidamente para uma ira avassaladora.Como aquele moleque ousava desafiá-lo daquela forma?Quem ele pensa que é?Não passa de um moleque.
Na mesma hora,Xaldin deu um murro tão forte no peito de Roxas,que este caiu bem longe dali.Todo o ar de seus pulmões saiu de repente.Agonizou quando foi chutado até bater no sofá.Xaldin agachou-se ao seu lado,segurou a gola de sua blusa e sussurrou em seu ouvido:
-Moleque,não me subestime.Posso matar você com uma facilidade tremenda.E acredite em mim,ninguém vai sentir sua falta.
Xaldin começou a gargalhar,se afastando.Voltou a falar:
-Garoto,não ache que sou idiota,por que eu não sou.A vida me ensinou como lidar e como eliminar gente da sua laia...
Então começou a tagarelar coisas sem muito sentido.Aquilo deu tempo a Roxas,para olhar em volta.Precisava escapar dali,ou acabaria morrendo.Depois de fugir dali,se conseguisse,desapareceria da cidade.Viajaria na traseira de caminhões,longe de tudo aquilo,longe daquele monstro.Como o outro mesmo disse,ninguém iria sua falta.
Plano feito.Agora só faltava agir.Levantando a cabeça,as únicas coisas que Roxas podia ver eram um sofá e,próximo dele,uma mesinha tendo um abaju em cima.Ok,abajures não eram exatamente a arma perfeita,mas era melhor que punhos machucados,certo?
Roxas fez esforço para se levantar,caindo de volta no chão por falta de fôlego.Tudo doía excessivamente.Nunca tinha sentido tanta dor até aquele momento.Seus braços estavam cortados,tentando se defender dos chutes de Xaldin,sem muito sucesso.Seu peito e sua barriga não agüentavam nem o subir e descer dos pulmões sem que produzissem mais dor.Suas pernas estavam cortadas,devido aos pedaços de vidro que o tinham cortado quando passou pela janelinha do banheiro.
Tudo isso doía ao mesmo tempo.Mas ignorou,voltando a tentar levantar-se.Conseguiu apenas se sentar.Voltou a respirar pesadamente,mas estendeu o braço e alcançou o abaju e o derrubou no chão.
Aquilo Xaldin ouviu perfeitamente bem.Virou-se para ele(até aquele momento,ele tinha dado as costas a Roxas,o ignorando,parecendo ter esquecido por completo sua presença ali),com um ar especulativo.
-O que pensa em fazer,moleque?-ele perguntou a Roxas,desviando o olhar entre o abaju e o loiro.Começou a sorrir maliciosamente e acrescentou:
-Acha que pode contra mim com um abaju?Quem você pensa que é?
Roxas sentiu vontade de rir,mas não o fez.Obrigou-se a sentar no sofá,levando o abaju consigo.Na mesma hora,jogou-se contra o padrasto.Nunca estivera procurando o abaju em si,mas sim a lâmpada dentro dele.Lâmpada que é igual a vidro,vidro corta.Entendeu o raciocínio?
Tinha a lâmpada na mão quando a quebrou bem no rosto do padrasto,que,surpreso levou as mãos ao rosto e começou a gritar.Roxas aproveitou aqueles minutos para sair correndo dali,pegar sua bolsa e atravessar a porta de saídaque dava para a rua,apesar de tropeçar varias vezes e de sentir bastante dor quando o fazia.
Correu e correu,sem querer saber por onde ia ou aonde ia dar.Fiapos de sangue começaram a escorrer pelo seu rosto,vindos da ferida de sua sobrancelha.Aquilo piorava sua vista.Roxas insistia em limpar com as costas de sua mão,o que piorava tudo.E como se não bastasse,começou a chover fortemente,como na noite anterior.
Quando acreditava ter corrido por várias horas e de já estar vários quarteirões longe de casa,ele parou.A sua frente estava um beco escuro e desolado,com algumas caixas de papelão a forrar o chão que estava ensopado.Apartamentos pequenos fechavam os lados e a parte de trás daquele mesmo lugar.
Estava exausto,esgotado e sangrava sem parar.Entrou no beco,querendo só deitar e ali permanecer.Então,de repente desmaiou sobre as caixas,sob os pingos de chuva que umedeciam sua mechas loiras.
Sua bolsa rolou metros adiante.A última coisa que ele pensou antes de ficar inconsciente foi:”Droga de chuva...Está frio aqui...Malditos cortes,logo quando eu consigo fugir...Mas quem é...Não...Vá embora...Me larga...Não,não preciso da sua ajuda...Deixe-me aqui...Me deixe...Morrer...”
Então adormeceu,embalado pela dor,pelo cansaço e pela curiosidade,nos braços de um total estranho.Quem seria aquele homem?Por que o ajudava?Por que se importava?Conhecia ele?Não parecia ser alguém conhecido,mas era...era...estranhamente calmante.Sim,calmante,quente e principalmente,emanava uma sensação agradável.Como o fogo.Será que...viciava como o fogo?
Notas finais
Vou ver se consigo postar o cap. 4.
Abraços!
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