Notas iniciais
Oi pessoal! :D *desvia de uma pedra jogada pelo leitor revoltado* Eu sei, eu sei, demorei séeeeeculos. Desculpem pelo super atraso, eu realmente tava sem ânimo pra escrever, dai comecei a assistir animes, e quando começo me custa muito parar. Escrevi esse capitulo apenas porque prometi que continuaria escrevendo, mas poxa, recebi poucas reviews, me digam o que estão achando! Podem jogar tomates, ovos, pedras, objetos pontiagudos, mas mandem reviews viu?

No último capitulo...

"– Como pode... Ser tão igual a mim? – perguntou a si mesmo enquanto tocava o próprio rosto."

(...)

"– Ultima chance?

– Sim. Não conte isso pra ele, pode ser traumatizante. Mas a alma dele não tem mais forças pra reencarnar, se a libertação não acontecer nessa vida, ele se tornará um fantasma e ficará vagando entre o mundo dos vivos e dos mortos por toda a eternidade.

– Entendo – disse colocando o polegar nos lábios – E quanto a mim?

– Você? – disse ironicamente enquanto se virava em direção à parede – HEHE. Tem muita sorte, sua alma é forte detetivezinho."

(...)

"– Não sabia que gostava de causar escândalos em publico Lawliet – A morena disse no que pareceu ser um inglês perfeito e impecável.

– Finalmente... Angeline."

(...)

"Abriu a porta sem se dar ao trabalho de olhar no visor da câmera externa. Encarou a pessoa parada do lado de fora surpreso, mas sem alterar a expressão. Ele estava encostado no batente de madeira

– Raito?"

Capítulo 4 – Medo

– Raito? No que posso ajudá-lo? – perguntou mecanicamente.

– Bato na sua porta a essa hora da noite e você me pergunta isso? – rebateu irritado.

– Desculpe. Não esperava que você fosse me procurar.

Ryuuzaki observou as roupas amarrotadas de Raito, o rosto cansado e viu o ruivo bagunçar os cabelos impacientemente com os dedos longos.

– Será que eu posso entrar? – o mais novo perguntou, mas sequer esperou uma resposta – Não pretendo ficar conversando aqui fora.

– Certo. Devo oferecer um café?

– Não, quero apenas resolver tudo isso de uma vez.

Sentaram-se no sofá lado a lado, Ryuuzaki com sua posição de sempre.

– Então. Ao que devo sua visita? – o mais velho perguntou, rompendo o silencio.

Raito pensou um pouco. Não havia "decidido" exatamente ir até lá, na verdade havia se deixado levar.

– Não estava chegando a lugar algum sozinho. Descobri algumas poucas coisas, mas tudo é muito vago.

– Por isso decidiu ceder? – ceder? Raito jamais cederia.

– Não entenda mal. Não estou aqui para fazer as pazes com você. Apenas estou admitindo que se tivermos que fazer algo juntos, então que façamos logo. Assim posso me livrar de você.

Um clima pesado e sufocante se instalou entre os dois. Raito mentia muito bem, mas não conseguia mentir pra si próprio, sabia que naquele momento já não sentia mais raiva de Ryuuzaki, sabia que havia ido até ali por um impulso, porque queria vê-lo, queria conversar, mesmo que fosse para trocarem ofensas. Ryuuzaki sabia que Raito mentia, mas aquelas palavras doeram como um tapa na cara. Elas feriram mais do que seus sentimentos, feriram seu orgulho.

– Que assim seja então – respondeu friamente – O que você pretendia exatamente vindo aqui?

– Eu quero saber de tudo. Em detalhes. Eu quero saber tudo o que você sabe.

Ryuuzaki não estava disposto a entregar tudo que havia levado anos para descobrir numa bandeja de prata a Raito.

– E como vou saber se, depois de saber tudo, você não irá apenas agir por conta própria?

– Não seja idiota. Eu não engoliria meu orgulho e viria até aqui para te passar a perna!

Ryuuzaki levou o polegar aos lábios, deslizando-o suavemente pela região. Estava certo de que Raito sabia muito bem como mentir, enganar e dissimular, era algo natural dele, um talento, mas no que exatamente Raito mentia? Encarou o teto por alguns segundos antes de abrir a boca, preparado para contar – quase – tudo ao ruivo.

– Certo – apoiou as mãos nos joelhos – Tudo começou por volta de 2003. A polícia do Japão veio até mim, quase implorando para que eu entrasse no caso "Kira", mas eu já havia me interessado. Aparentemente um maníaco estava matando criminosos de alguma forma misteriosa...

– Forma misteriosa? – encarou o moreno.

– Sim. Todos eles morriam de ataques cardíacos de origem desconhecida – respondeu normalmente.

A conversa se estendeu pela madrugada, Ryuuzaki contou quase tudo a Raito, poupando apenas alguns fatos e detalhes caso precisasse de alguma vantagem futuramente. O ruivo ouvia tudo atentamente, não expressava medo, pavor e nada do gênero, mas parecia surpreso com os fatos ligados a shinigamis. Foi especialmente difícil convencê-lo de que a arma de Kira era um caderno.

Ryuuzaki não contou a Raito que havia sido L – o lendário detetive – na outra vida, nem que havia sido morto por ele, disse apenas que fazia parte da investigação. Raito não pareceu se importar muito com isso. Quando Ryuuzaki terminou de falar, ambos encararam o vazio por algum tempo, cada um preso em seus próprios pensamentos.

– Ryuuzaki.

– Sim?

– Você não me disse uma coisa.

– O quê?

– Afinal, qual é o tal objetivo que temos que cumprir? Não acho que toda essa informação vá servir para alguma coisa se eu não souber o que temos que fazer.

O moreno ficou em silêncio. Não poderia dizer à Raito ainda, não confiava o suficiente no ruivo para isso. Mas o que faria? De fato não poderiam prosseguir se Raito estivesse às cegas.

– Ryuuzaki?

Encarou o teto vagamente, precisava pensar.

– Ryuuzaki?

Talvez devesse apenas contornar a situação por enquanto e deixar acontecer.

– Sim?

– Me responda – exigiu.

– Desculpe Raito-kun. Não posso te dar essa informação agora – Raito arregalou os olhos de surpresa.

– Não seja idiota. Como espera que trabalhemos juntos se não sei o que devo fazer?

– Não se preocupe, vou te dizer o que fazer por enquanto. Quando eu tiver certeza de que posso confiar em você, te direi – Ryuuzaki não parecia preocupado com a visível e crescente irritação de Raito diante da omissão.

– Ora, seu...! – levantou-se bruscamente pegando Ryuuzaki pela gola de camisa.

O maior limitou-se a encarar Raito sombriamente com as mãos nos bolsos. Seus rostos estavam próximos e ambos sentiam as respirações se mesclando, o ar estava pesado. O mais novo continuou apertando a camisa do outro com força, seu sangue parecia ferver nas veias. Como Ryuuzaki ousava dizer que "não confiava nele"? Não havia sido ele que mentiu e omitiu o tempo todo? Se um deles ali não deveria confiar em alguém, esse alguém era ele mesmo, Yagami Raito.

– Pode me bater se quiser, Raito-kun. Mas não espere que eu fique parado – Ryuuzaki não se soltou, nem ao menos se mexeu, mas algo em seu olhar fez com que Raito percebesse que falava sério.

Abaixou a cabeça levemente – ainda segurando a camisa branca do outro – fazendo com que os rostos ficassem mais próximos ainda, Ryuuzaki ficou imóvel embora sentisse seu coração acelerar. Raito estava perto demais, sua orelha quase tocando o queixo do mais velho, o ar parecia sumir de vez e com um suspiro o ruivo se afastou, soltando a camisa de Ryuuzaki gentilmente.

Eram quase 3 da manhã, o moreno observou o mais novo de costas, parado próximo a janela com as mãos nos bolsos. Sentia-se estranho, desde que brigara com Raito havia ficado chateado, a solidão parecia sufocante e pensou que quando o mais novo voltasse tudo estaria em paz. Mas Raito estava ali agora, e eles estavam brigando, e eles pareciam completos estranhos, como se não se conhecessem. Eles estavam completamente vazios.

A única coisa que Raito queria naquele momento era Ryuuzaki, embora ele não soubesse ainda, embora o impulso de virar-se e abraçar o moreno fosse tão insuportável que ele chegava a fazer força para não ceder. E a única coisa que Ryuuzaki queria era entender o que sentia, já que tudo parecia confuso demais. Por que não tinha coragem de pedir perdão? Sabia que Raito tinha razão em ficar chateado, talvez se fizesse isso pudessem ser amigos novamente. O problema era que sabia o quanto era infantil, e o quanto era orgulhoso demais pra pedir desculpas, jamais se permitiria perder.

– Está tarde – Raito quebrou o silêncio, mas teve que pigarrear já que sua voz saiu grave demais.

– É.

– Uhm, talvez eu deva ir para casa.

– Vai à festa de amanhã? – o moreno perguntou.

– Festa?

Ryuuzaki rodou os olhos.

– Aquela que o pessoal da faculdade está organizando há tempos.

– Ah... – não tinha muita certeza – Não sei, talvez eu vá.

– Certo... – agora o moreno encarava o chão – Talvez a gente se veja amanhã então.

Raito apenas acenou com a cabeça e se foi, deixando para trás um Ryuuzaki pensativo. Nem em seus sonhos imaginou que um dia poderia se sentir mal por causa de Raito, mas aquilo em seu peito era sem dúvida alguma, dor, não era exatamente como se quisesse gritar, era mais como se aquilo o estivesse incomodando, fazendo com que algo estranho ficasse embolado em sua garganta. Queria se livrar daquilo.

– "Melhor ir dormir um pouco antes que eu enlouqueça"

Naquela manhã Raito recebeu muitas ligações, quase todas as suas colegas de escola queriam saber se ele já tinha acompanhante para a festa que seria à noite. Bufou irritado. Qual era o problema dessas garotas? Ter saído com Midori no dia anterior havia sido cansativo e estressante, não pretendia repetir a dose tão cedo. Pensando bem, o encontro com Midori havia sido totalmente ofuscado pela visita que havia feito a Ryuuzaki, o incidente do restaurante parecia distante e insignificante agora.

– Ei Raito. Não vai mesmo me dizer como foi com o seu amiguinho? – Ryuuku parecia especialmente irritante naquela manhã.

– Não é da sua conta. Além do que imagino que você já saiba tudo o que ele me disse.

– HEHEHE, não entendo o porquê de dizer isso, mas se é o que você acha.

Raito aproveitou o dia para limpar a casa, estudar e descansar um pouco. A principio não pretendia dar as caras naquele evento inútil que seria a tal festa, mas Ryuuzaki disse que talvez fosse. Bufou. Ryuuzaki, Ryuuzaki, Ryuuzaki, por que diabos tudo parecia girar em torno daquele esquisito? Jogou-se na cama exausto.

– "O que ta acontecendo comigo afinal? Devo estar muito sobrecarregado, é isso"

(...)

– Vai sair? – Watari perguntou ao ver Ryuuzaki descer as escadas vestido de uma forma muito diferente.

– Não diga nada. Não me sinto eu mesmo vestido assim.

Watari deu uma risada ao ver o desconforto de Ryuuzaki em usar meias, sapatos e gravata. Aquilo definitivamente não tinha nada a ver com ele.

O moreno saiu de casa e andou calmamente pelas ruas, embora o tempo estivesse instável ultimamente aquela noite estava linda e o céu azul parecia querer engolir qualquer um que parasse para olhá-lo.

Os estudantes usaram o ginásio e boa parte da área externa do campus para realizar a festa, tudo estava iluminado e enfeitado com luzinhas, havia flores e outros enfeites espalhados por toda a extensão ocupada pela festa. Ryuuzaki entrou no ginásio e foi direto pro balcão improvisado como bar, não podia se sentar confortavelmente naqueles banquinhos minúsculos sem tomar um belo tombo, então se contentou em sentar normalmente e apoiar os braços no balcão. Se tudo saísse corretamente hoje, podia dar um passo pra mais perto de seu objetivo.

(...)

– Não acredito que estou fazendo isso – Raito disse enquanto se olhava no espelho.

Vestia um terno cinza chumbo e uma camisa social bordô, estava usando seu melhor perfume e tinha escovado os dentes pelo menos umas três vezes até se sentir limpo. Mas por que havia se arrumado tão bem para ir a uma festinha da faculdade? Não queria pensar nos motivos.

– Com certeza as garotinhas vão pirar Raito. HEHEHE.

– Não vou atrás de "garotinhas" Ryuuku – disse secamente.

– Então por que se arrumou tanto? – o shinigami perguntou enquanto abocanhava mais uma maçã.

Raito não respondeu, apenas colocou a gravata preta no pescoço e a ajustou. Ryuuku não o seguiria naquele dia.

Ao chegar ao ginásio tentou ignorar os olhares e comentários das garotas e então caminhou direto pro bar. Não esperava encontrar um certo alguém sentado, aparentemente desmotivado, no balcão.

– Pensei que não fosse vir – disse enquanto encostava as costas no balcão de madeira – Ryuuzaki.

– Digo o mesmo Raito-kun.

O ruivo não conseguiu evitar olhar para cada canto de Ryuuzaki, não esperava que o moreno fosse vir de fato, esperava menos ainda que fosse vir vestido daquela forma. Ele usava um terno preto de tecido aparentemente caro, a camisa de seda branca estava com alguns botões abertos e a gravata estava apenas pendurada no pescoço. Engoliu em seco.

– Algum problema Raito-kun? – Ryuuzaki percebeu o olhar do menor.

– Não. Só acho estranho ver você usando essas roupas.

Ryuuzaki debruçou no balcão enquanto fazia uma cara deprimida.

– Estou usando até meias. Isso vai totalmente contra os meus instintos.

– Não devia reclamar tanto – disse sem pensar.

Algo no tom de voz de Raito captou totalmente a atenção de Ryuuzaki, fazendo-o olhar intensamente para o mais novo.

– Por quê? Isso não é nada confortável.

– Uhm... Bem, não leve a mau o que vou dizer – Raito manteve o olhar firmemente longe do outro.

Ryuuzaki ergueu uma sobrancelha e esperou.

– Bom... Você fica diferente vestido assim – tentou ignorar o constrangimento.

– É? – o moreno perguntou curiosamente – Diferente como?

– Não faça perguntas estranhas Ryuuzaki.

– Apenas queria saber se fico bem assim – respondeu enquanto encarava o teto alto do ginásio.

Raito rodou os olhos encarando a rosto pensativo de Ryuuzaki. Parecia tão natural que estivessem ali, juntos. Parecia tão certo que conversassem sobre bobagens, que apenas ficassem ali apreciando a companhia um do outro. Mas havia algo estranho, uma sensação ruim que estava cravada bem fundo em suas almas.

Aquilo era medo.

– Sim – respondeu baixo – Você fica bem assim.

Ryuuzaki apenas continuou encarando o teto enquanto reprimia um sorriso.

Observou um grupo de garotas encarando Raito e ele de longe. Reconheceu uma delas, Akane, ela era uma novata, parecia muito curiosa. Sorriu discretamente. Talvez estivesse com muita sorte naquele dia.

– Tenho algo pra fazer, com licença – disse enquanto saía do balcão e andava em direção ao grupo de garotas.

– Humpf – sentiu uma irritação ao ver Ryuuzaki se aproximar das garotas – mulherengo.

A noite passou lentamente para Raito, agüentou firmemente sem xingar ninguém todas as vezes que alguma garota se aproximou dele, recebeu convites pra dançar, números de telefone e até algumas cantadas. Nada disso funcionou, seus olhos estavam pregados em Ryuuzaki, que estava num canto não muito distante com uma garota suspeita. Ela vestia um vestido curto e justo demais, usava maquiagem forte e tinha o cabelo obviamente descolorido. Não parecia ser o tipo de garota que atraía Ryuuzaki, geralmente ele gostava de garotas mais discretas.

Teve vontade de se levantar e ir embora, não estava se divertindo nem um pouco com aquela música alta, pessoas chatas e irritantes, cheiro de bebida e as luzes coloridas pareciam querer dar um fim em seus olhos. Só não havia ido embora ainda porque não conseguia despregar os olhos de uma certa pessoa. Rangeu os dentes ao ver a garota passar a mão sedutoramente nos cabelos de Ryuuzaki. Até quando aquilo iria durar? Mas por que importava? Afinal, Ryuuzaki não era sequer seu amigo agora, não fazia diferença com quem ele ficava ou não. Bufou. Não estava com ciúmes, repetiu milhões de vezes em sua cabeça.

Estava prestes a ir embora de vez quando viu Ryuuzaki se levantar e oferecer o braço cordialmente à loira. Os dois saíram da festa de braços dados.

– "Que se dane ele.Não ligo nem um pouco" – repetiu mentalmente e virou-se novamente para o balcão, pedindo uma dose de saquê em seguida.

– Não pensei que era tão apressadinho Ryuu-kun – a loura disse com a voz manhosa enquanto era prensada contra a parede.

Não estava nada satisfeito com aquela situação e não sabia até quando sustentaria o teatro. Subiu o vestido de Akane enquanto ela habilmente removia sua camisa, jogando-a num canto junto com o casaco que já havia sido abandonado na sala ao entrarem no quarto de hotel.

Beijaram-se por um longo tempo enquanto suas mãos percorriam os corpos um do outro. Deixou-se ser empurrado até a cama king size, caindo de costas no colchão macio com a loura sobre si.

– Sabe Ryuu-kun – disse sedutoramente, agora estava sentada em seu colo com uma perna de cada lado de seu corpo – Eu gosto muito de brincar.

– Jura? – arqueou uma sobrancelha.

– Uhum.

Akane se inclinou sobre seu corpo em direção ao criado mudo. E então tudo aconteceu muito rápido. Num segundo estava prestes a prender a loura e no outro estava algemado à cabeceira. Não esperava ser pego antes de conseguir pegá-la.

– "Merda"

– Ryuuzaki, Ryuuzaki – Akane se levantou da cama e acendeu as luzes – Desde quando é tão imprudente?

O moreno cautelosa e discretamente checou as algemas, precisava descobrir uma forma de se soltar ou estaria acabado.

– O que você quer? – precisava ao menos ganhar algum tempo.

– Ora, você não imagina? – engatinhou sobre a cama – Sabíamos que você andava nos investigando.

– E vai fazer o que exatamente? Me matar?

– Humm – pegou um canivete na bolsa – Talvez.

Ryuuzaki se manteve inexpressivo enquanto a loura andou de um lado a outro no quarto, vestindo apenas a lingerie preta. Ela rodava o objeto habilmente entre os dedos enquanto fazia uma cara de falsa dúvida.

– Sabe, meu chefe, apesar de tudo, realmente não gosta de violência. Na verdade ele pouco se importou quando soube que estavam invadindo nossos sistemas. Então eu tive que vir atrás de você sozinha, por conta própria. Não disse a ele o porquê da minha preocupação com um hackerzinho.

Subiu novamente em cima de Ryuuzaki, sentando-se em sua barriga.

– Confesso que foi difícil rastreá-lo, mas eu tenho alguns contatos especiais. Acredite, se eu não soubesse que você é você, eu não perderia meu tempo. Afinal, vai dar algum trabalho fingir que você morreu num acidente – correu a faca suavemente desde o peito até o abdômen de Ryuuzaki, deixando um filete de sangue escorrer.

– "Preciso sair daqui, não posso morrer. Não antes de..."

*Som de baque*

Ryuuzaki observou o corpo da loura cair mole sobre si e viu Raito parado ao pé da cama segurando o que parecia ser um abajur. Raito havia golpeado Akane na cabeça, fazendo a perder a consciência.

– Não acho que preciso dizer o quanto você é descuidado e irresponsável.

– Não precisa. Apenas tires essas malditas algemas.

Raito andou até a beira da cama e retirou as algemas. O mais velho não demorou a colocar a garota numa cadeira e algemar suas mãos.

– Não que eu não esteja feliz em vê-lo Raito-kun, na verdade nunca fiquei tão feliz – Ryuuzaki disse enquanto andava por todo o grandioso quarto, pegando cordas e fita isolante – Mas como entrou aqui? E por que você está aqui?

– Bom... Consegui as chaves com a camareira – o moreno o encarou – Não me olhe assim! Eu não estava espiando.

– Não? Então por que pegou as chaves com a camareira e como entrou na hora certa? Não acredito se disser que foi coincidência.

– Tá. Talvez eu estivesse espiando, mas só um pouco. Fiquei ouvindo atrás da porta, mas esse quarto parece um apartamento e não dava pra ouvir direito, percebi uma movimentação estranha e decidi invadir sem fazer barulho para verificar, estava tudo escuro, só a luz do quarto estava acesa, vi você algemado e peguei o abajur.

– Você me seguiu?

– Não! Quer dizer... Talvez, mas foi porque achei essa daí muito suspeita – disse com desprezo apontando a loura com o queixo.

Ryuuzaki amarrou a garota na cadeira e cobriu sua boca com fita isolante.

– Acho que essa daqui só vai acordar amanhã – disse enquanto injetava um liquido branco no braço de Akane.

– Mas espera aí. Quem me deve explicações aqui é você.

– O que quer dizer?

– Por quê de todas as garotas naquele salão você pegou justo a psicopata assassina? E por que ela queria te matar? Não parecia mero acaso.

– Eu sabia que ela era uma assassina. E foi exatamente por isso que eu fui atrás dela.

– O que? – certo. Talvez ele quisesse contratá-la?

– Realmente não queria te contar algumas coisas por enquanto. Mas agora não tem outra alternativa. Sente-se.

– Vamos conversar aqui? Essa vadia pode acordar – Raito estava reprimindo o instinto de dar alguns socos na cara daquela mulher.

– Esqueça-a, aquilo vai fazer ela dormir até amanhã. Além do mais. Esse quarto é meu, ninguém vai incomodar aqui.

O mais novo sentou-se na beirada da cama e Ryuuzaki sentou-se em sua forma peculiar com as costas apoiadas na cabeceira. Raito tentou não notar que o mais velho estava sem camisa e sangrando um pouco, e que apesar do corpo magro e aparentemente frágil, Ryuuzaki era bonito.

– Essa mulher é integrante da "Secret Provision for Kira", mais conhecida como SPK.

– SPK?

– É uma organização americana formada com o intuito de capturar Kira.

– Algo assim existe mesmo? Mas Kira está morto, por que ela ainda existe?

Ryuuzaki suspirou.

– É aí que tudo começa; 28/01/2010. Você, Yagami Raito foi pego nesse dia. Near, líder da SPK juntamente com seu rival Mello conseguiram encurralar você. Foi nesse dia que você morreu. E foi nesse dia também que Near "supostamente" queimou os dois Death Notes existentes no mundo humano.

– Supostamente?

– Sim. Na verdade Near manteve um caderno em sua posse, secretamente. Ele queria estudá-lo, tinha esperança que com o desenvolver da tecnologia as coisas sobrenaturais pudessem ser explicadas pela ciência, ou no mínimo, que a ciência avançasse um pouco com o conhecimento sobrenatural. A SPK foi mantida com o pretexto da possibilidade de outros "kiras" aparecerem, e então só um pequeno grupo da SPK ficou sabendo da existência do caderno.

– Mas se nem os membros da SPK sabem da existência dele, como você descobriu?

– Bom, não é difícil pra Watari entrar no sistema deles. Eles não estão preparados para invasores. Já que eles não sabem que eu sou eu.

– O que quer dizer com "não sabem que eu sou eu" – Raito estava ficando impaciente com a retenção de informações.

Ryuuzaki não respondeu.

– Eu salvei sua vida. Acho que você não devia confiar mais em mim agora, não? – disse cinicamente.

– Chantagem? – Raito apenas sorriu irônico – Bom, já deve ter ouvido falar de L, o detetive?

– O "melhor" detetive do mundo? Ele fez uma transmissão na TV uma vez, sem mostrar o rosto. Ele parece ser brilhante.

– Aquele L, na verdade não é o mesmo L de sempre, ele é o 3° para ser mais exato. Ele é Near.

– Near? O líder da SPK é também L? E você diz 3°, quem foram os outros dois?

– Você o antecedeu, e manteve o titulo de L por um bom tempo até que descobrissem que você era o segundo, e não o original.

– Eu?

– Sim. Você assumiu o pseudônimo de "L" em 2004, quando o L original morreu... – Ryuuzaki encarou o teto nostalgicamente – Quando eu morri.

Raito ficou boquiaberto. Desde que vira uma transmissão direta de L na TV havia se impressionado com a inteligência do detetive, pesquisou tudo o que pôde sobre ele, sabia que ele já estava em ativa há muito tempo e que havia resolvido inúmeros casos, inclusive o caso Kira, apesar de não terem sido divulgadas muitas coisas, só haviam os rumores. Agora descobrira que L não só era agora o 3°, mas como também que o L original era Ryuuzaki e que ele, Raito, o havia sucedido após sua morte. Morte.Sentiu a raiva voltar com força, por que Ryuuzaki tinha que esconder tantas coisas importantes dele?

– Por que não me contou que era L? – cuspiu as palavras – Por que escondeu isso de mim? Pensou o quê, que eu me "vingaria" de você?

– Você se vingar de mim? Queria que eu dissesse o que Raito? Que eu era L e que VOCÊ, KIRA havia me matado? Queria eu dissesse que havia perdido, que você me venceu? – preferiu calmamente, palavra por palavra.

O mais novo calou-se.

Que eu era L e que VOCÊ, KIRA havia me matado?

A frase ecoou em seu cérebro milhões de vezes. De repente ele não estava mais no quarto do hotel de Ryuuzaki. Agora ele estava numa sala com computadores, as luzes piscavam vermelhas e estava parcialmente escuro, o clima era de tensão e todos os policiais presentes olhavam assustados para eles dois ali no chão. Sim, estava agachado no chão, segurando o corpo frágil de um homem, o corpo de Ryuuzaki, não, o corpo do detetive L. Ryuuzaki o encarou, os olhos opacos pareceram brilhar por um instante, mas depois se abriram em surpresa para logo em seguida se fecharem lentamente, para sempre.

A cena que estava vendo lhe causou uma dor esmagadora no peito. Mas acima da dor sentiu outra sensação, alivio, alegria, conquista. Tinha gosto de vitoria. Era a sensação que Kira sentiu ao matar L. Mas não era a sensação que Raito sentiu ao ver Ryuuzaki morrer.

– Raito? Está me ouvindo? – Ryuuzaki balançou o braço de Raito pela quinta vez.

– Ryuuzaki... – cobriu a boca com a mão, estava assustado – E-eu matei... você?

– Sim.

– Desculpe – disse olhando pra baixo.

– Não me importo. Não sou mais L, e de qualquer forma, Kira foi capturado, ou quase.

Raito abraçou Ryuuzaki sem pensar, o moreno ficou paralisado por um instante diante da atitude inesperada, mas então correspondeu o abraço. Lembrou-se de como as lembranças eram assustadoras quando surgiam do nada, Raito devia estar um pouco assustado e confuso. Mas Ryuuzaki não sabia exatamente o que se passava na cabeça do menor.

– Você NÃO é Kira, Raito-kun – Ryuuzaki correu os dedos pelo cabelo ruivo – Você pode ter sido, mas o Raito-kun de agora é diferente. Não é o mesmo. Assim como eu não sou mais L.

Talvez fosse verdade. Podiam ser os mesmos em essência, mas as circunstancias os haviam feito diferentes de antes.

– Eu sinto muito, de verdade – disse por fim encarando os olhos escuros do outro profundamente.

Não sabiam ao certo quanto tempo ficaram ali, apenas olhando nos olhos um do outro. Ryuuzaki pareceu plenamente confiante ao correr os dedos pelo rosto de Raito, agitando algumas mechas castanho avermelhadas que lhe caiam pelo rosto. Como resposta o mais novo fechou os olhos, não queria pensar em como aquilo era novo e estranho, queria apenas sentir a mão macia de Ryuuzaki lhe afagando, lhe consolando. Após se olharem significativamente por alguns segundos pareceu perfeitamente natural que o mais velho se aproximasse suavemente e colasse os lábios aos seus, dando inicio a um beijo longo e lento.

Eles esperaram por isso, mesmo que inconscientemente.

(...)

O dia amanheceu ensolarado. Os raios de sol entravam pela grande janela de vidro do quarto, os lençóis brancos estavam bagunçados sobre a cama king size.

– "Eu não sei o que esta acontecendo" – Raito estava pensando em tudo que acontecera na noite anterior.

Não que tivessem feito "algo a mais", mas tinha beijado Ryuuzaki, e cuidado do ferimento leve dele, e o ajudado a tomar banho, e haviam dormido juntos. Tudo isso era muito, muito confuso, não deveria fazer esse tipo de coisa com um garoto, ainda mais se esse garoto fosse Ryuuzaki. Eles haviam sido inimigos a vida toda – bem, pensando bem haviam sido inimigos sempre, já que também eram inimigos na vida anterior – competiam sempre que possível, se batiam, se ofendiam, como podiam simplesmente ficar juntos ali, como se nada importasse?

Na noite passada, após se beijarem, não trocaram uma palavra até que Raito terminasse o curativo, trocavam olhares o tempo todo e Ryuuzaki parecia estar sempre com um sorriso discreto nos lábios. Aquilo causava uma sensação boa em Raito, mas de certa forma sentia-se estranho e um pouco desconfortável já que não sabia exatamente como se sentia. Ajudou Ryuuzaki a tomar banho e se vestir. Estava prestes a ir embora quando o moreno o puxou pelo braço, iniciando outro beijo, acabou sendo convencido a dormir no hotel. Está tarde, é perigoso, Ryuuzaki disse. Tudo bem, fingiu acreditar naquilo, mas quando estava a caminho da sala – para dormir no sofá – Ryuuzaki o chamara com todo aquele ar enigmático, acabara envolvido em mais beijos e caricias e quando percebeu já estavam abraçados na cama.

– "Ele não pode simplesmente conseguir tudo o que quer" – pensou irritado.

Mas se estava irritado, por que não vestia suas roupas e ia embora? Suspirou ao olhar a calça de moletom que Ryuuzaki o emprestara, não era a primeira vez que usava alguma roupa do mais velho. Ouviu o mais velho se mexer.

– Ohayo Raito-kun. Acordou cedo? – Ryuuzaki estava esparramado na cama, olhando com a cara de sempre na direção do mais novo.

– Hum, é. Dormiu bem? – perguntou friamente.

– Sim. Não dormia tão bem assim há séculos – disse enquanto sentava-se com as pernas cruzadas.

O moreno estava particularmente de bom humor, mas não deixou de notar o distanciamento de Raito. Estaria Yagami Raito, arrependido? Sabia da probabilidade de isso acontecer, apesar de não terem feito nada de mais. Suspirou se jogando de braços abertos. As coisas realmente não eram nada fáceis.

– Raito-kun.

– Hum?

– Minhas roupas ficam bem em você.

– Cale a boca.

Suspirou. Alguém não estava de bom humor naquela manhã. Ficou olhando a figura esbelta de Raito parada junto à janela encarando o nada.

– Raito-kun.

– O que é Ryuuzaki? – respondeu com a irritação contida.

– Acho que devíamos tirar Akane do armário na área de serviço – respondeu encarando o teto.

– Droga. Esqueci totalmente daquela mulher.

Ryuuzaki sorriu e correu atrás de Raito que havia partido rapidamente na direção de onde haviam trancado a loura. Não podia deixar o ruivo espancá-la, pelo menos não antes de fazer algumas perguntas. Analisando bem, apesar de tudo, Raito sentia ciúmes, aquilo era um bom sinal, não era? Talvez ambos estivessem lutando contra o medo.

Para ser sincero estava aprendendo tantas coisas novas nessa vida. Havia aprendido a ser mais Ryuuzaki, menos L. Havia aprendido que pessoas podem ser legais às vezes, e que algumas coisas mudam.

Outras não.

(...)

Fim do quarto Capitulo.


Notas finais
Primeiramente, obrigada a todos que mandaram reviews! Vocês me fazem muito, muito feliz viu? Sempre pulo de alegria quando chega uma review nova :D
Nya! Achei esse capitulo todo cute cute e melosinho, por um lado acho que tava na hora de rolar alguma coisinha e SIM, eu fiquei devendo um Lemon ali x.x (me matem)
Vou esclarecer uma coisa aqui, antes que comecem a questionar ^^
Acho que todos notaram as diferenças de personalidade dos personagens originais e desses da fic, não é? Bom, eu realmente sou ruim em entrar nos personagens, mas na verdade era pra ser mais ou menos assim mesmo. Na minha fic, Raito não é Kira, e meu Ryuuzaki ( s2 nya) não é L, ou seja, eles tem traços das personalidades anteriores e tudo mais, mas são diferentes por causa das circunstancias, e sinceramente, adoro o Raito todo kawaii e Lawliet "esperiente", me perdoem, fazer o que.
Espero que tenham gostado, embora o capitulo esteja fraco :/
Mandem reviews minna! :D
Kissus e Ja Ne!
Ah, estou aceitando ajuda, sugestões, idéias, então quem quiser falar comigo é só entrar no meu tumblr! :D