Sebastian Smythe
10 É a minha promessa
Notas iniciais

Sábado, 9 de Dezembro de 2011. (Dia seguinte) Distritrais – Sábado.
– E agora, os juízes das eliminatórias deste ano aqui no McKinley High, a funcionária do mês no Departamento de Veículos Motorizados, Brandy Englebert! – o apresentador da competição dizia. Todos aplaudiram com bastante fervor.
Ele continuo:
– Do décimo primeiro tribunal de recursos, a honorável juíza Dorathy Saunders! – meu pai já mencionou ela algumas vezes, era uma velha que está mais pra lá do que pra cá, ela se levanta para ser aplaudida.
O apresentador prossegue:
– E o palhaço do ano do oeste de Ohio, por três anos consecutivos... Cócegas! – um homem com meia idade vestido com vestes comuns, uma buzina pendurada no pescoço com um nariz de palhaço. Infelizmente, para ele, ele era a pessoa do corpo de jurados menos engraçada.
Todos os aplaudem, mas alguns o fazem de pé. Ridículo. Continuo sentado com os Warblers sentados ao meu lado. Então finalmente o apresentador anuncia:
– E agora, vamos receber nosso primeiro grupo vindos de Defiance, Ohio, os Unitards!
What's new Buenos Aires?
I'm new, I wanna say I'm just a little stuck on you
You'll be on me too
I get out here, Buenos Aires
Stand back, you ought know whatch gonna get in me
Just a little touch of star quality
A garota vocalista é realmente incrível, mas a deficiência do grupo é a coreografia bagunçada que faz alguns momentos perder a garota de vista.
Fill me up with your heat, with your noise
With your dirt, overdo me
Let me dance to your beat, make it loud
Let it hurt, run it through me.
All I want is a whole lot of excess
Tell the singer this is where I'm playing
And if ever I go too far
It's because of the things you are
Beautiful town, I love you
You're a tramp, you're a treat
You will shine to the death, you are shoddy
But you're flesh, you are meat
You shall have every breath in my body
Put me down for a lifetime of success
Give me credit, I'll find ways of paying
Stand back, Buenos Aires
Because you ought know whatch gonna get in me
Just a little touch of
Just a little touch of
Just a little touch of star quality
Aplaudimos o grupo após sua apresentação e logo em seguida já é anunciado os próximos concorrentes.
– Senhoras e senhores, da escola McKinley High, competindo pela primeira vez: As Troubletones! – o público aplaude.
At first I was afraid, I was petrified,
Kept' thinkin' I could never live
Without you by my side,
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong,
And I grew strong, and I learned how to get along,
A música é tão chata quanto clichê, por isso tiro meu celular do bolso da calça para me distrair com alguma coisa melhor.
Go on, now go, walk out the door,
Just turn around now, cause you're not welcome anymore,
Weren't you the one who tried to hurt me with goodbye,
Do you think I'd crumble,
Do you think I'd lay down and die,
I will survive,
I’m not gonna give up,
I’m not gonna stop
What?
I’m gonna work harder
What?
I’m a survivor
What?
I’m gonna make it
What?
I will survive
What?
Keep on survivin’
What?
“O que eu peço pro jantar hoje?”
“Pizza?”
“Hmm...não. Tô cansado de pizza.”
“Lasanha?”
“Onde eu vou conseguir lasanha?”
“No BreadSticks?”
“Nossa aquele lugar é uma porcaria.”
I will survive,
I’m not gonna give up,
I’m not gonna stop
What?
I’m gonna work harder
What?
I’m a survivor
What?
I’m gonna make it
What?
I will survive
What?
Keep on survivin’
What?
Oh, no, not I, I will survive
As long as I know how to love
I know I'll stay alive,
I've got all my life to live;
I've got all my love to give,
And I'll survive, I will survive,
Hey, Hey!
“CHATO!!!”
I will survive,
I’m not gonna give up
I’m not gonna stop
I’m gonna work harder
I’m a survivor
I’m gonna make it
I will survive
Keep on survivin’
I will survive
A tortura finalmente acaba para então o New Directions ser anunciado.
– Também do colégio McKinley High, vamos aplaudir o New Directions! – assim como todo o auditório eu os aplaudo.
a buh-buh buh buh-buh
a buh-buh buh buh-buh
You went to school to learn, girl
Things you never, never knew before
Like I before E except after C
And why 2 plus 2 makes four
Now, now, now, I'm gonna teach you
Teach you, teach you
All about love, dear
All about love
Sit yourself down, take a seat
All you gotta do is repeat after me
Ambos estão vestindo gravatas borboletas, deixe-me adivinhar quem é o figurinista...
A-B-C
Easy as
one, two, three
Or simple as
Do, Re, Mi
A-B-C,
One, Two, Three,
Baby, you and me girl
A-B-C
Easy as
One, Two, Three
Or simple as
Do, Re, Mi
A-B-C,
One, Two, Three,
Baby, you and me, girl
Blaine está incrível na apresentação. E sexy. Bem sexy! O que eu ainda não entendo é como ele pode ter trocado os Warblers, a liderança dos Warblers, para ficar fazendo Background para um bando de pessoas sem talento.
Um homem Coreano senta-se na cadeira vaga ao meu lado.
A little bit
Come on, let me love you just a little bit
Teach, teach
Sing it out
Come on, come one, come on
Let me show you what it's all about!
Assim como a maioria no auditório, me levanto para aplaudi-los. O número deles era realmente empolgante.
Oh, A-B-C
It’s easy as
One, Two, Three
Or simple as
Do, Re, Mi
A-B-C,
One, Two, Three,
Baby, you and me girl
Me mantenho todo sorridente caso Blaine me veja ali, afinal de contas, não há outra razão para eu estar aqui. Mas é Kurt que vê a minha insinuação e tenta se auto-afirmar no palco. Patético.
Sit down, girl!
I think I love you!
No!
Get up, girl!
Show me what you can do!
Shake it, shake it, baby, come on now!
Shake it, shake it, baby, oo ooh!
A-B-C, it's easy
It’s like counting up to three
Sing a simple melody
That’s how easy love can be
I'm a gonna teach you how to sing it loud, sing it out
Easy as one, two, three
A apresentação do New Directions segui por Janet Jackson – Control e finalizando com o rei do pop: Michal Jackson – Man in the Mirror.
Stand up! Stand up! stand up!
(Yeah! — make that change)
Stand up and lift yourself, now!
Man in the mirror
Make that change
Stand up, stand up in love
You know it! You know it
You know it! You know it
(Change) make that change
O auditório explode em aplausos e uivos de comemoração. Blaine me vê finalmente no meio da multidão, mas não acena. Eu entendo que é por causa do Kurt.
. . . .
Após vinte minutos a apuração para chegar a um resultado é finalizada. Todos voltam para o palco para o palhaço dar o resultado.
– Como um palhaço premiado eu gostaria de dizer que é bom trabalhar pelo menos uma vez com crianças que cospem talento. – Foi uma piada, pelo menos eu acho. O público inteiro se manteve em silêncio.
– Em terceiro lugar, – o palhaço continua após seu fiasco. – os Unitards!
Todos aplaudimos. Sério, quem fica feliz com a droga de um terceiro lugar? Bom, aparentemente, esse pessoal aí.
– E em segundo lugar temos... – O palhaço faz um pouco de suspense. – As Troubletones! Em primeiro lugar, o New Directions!
Mais uma vez o auditório entrou em uma explosão de palmas. Agora eu sei que o New Directions é de fato uma ameaça para os Warblers porque eles tem o Blaine e o Blaine, por sua vez, sabe como os Warblers funcionam. Isso é um elo fraco que precisa ser reparado.
. . . .
Naquela noite jantei sushi.
. . . .
DIA SEGUINTE – Domingo.
Na manhã seguinte antes que eu pudesse ao menos despertar completamente, me arrastei para o laptop ligado ao meu lado na cama. Abri imediatamente uma conta falsa de e-mail e comecei a escrever na caixa de mensagem:
“Caros amigos Warblers, é com grande pesar que informo que entre vocês há um grande traidor. A cerca de algumas semanas tornou-se de nosso conhecimento a setlist que vocês, The Warblers, apresentarão nas regionais deste ano.
O motivo para o envio deste e-mail é unicamente para selar que o Vocal Adrenaline quer ganhar de forma justa e honrada; e não através de trapaças e deslealdades como esta.
Não apontaremos aqui quem é o traidor em questão, porém, se o conselho dos Warblers buscar por retaliação do culpado, aconselhamos que uma investigação seja aberta para descobrir o individuo em questão. Que seja dito que a sua setlist tornou-se de nosso conhecimento através de mensagens de texto via celular.”
– Perfeito!
Envio o e-mail para o endereço de e-mail compartilhado do conselho dos Warblers.
Começo a me levantar da cama preguiçosamente, é aí que percebo que dormi vestindo absolutamente nada, uma das melhores sensações do mundo. Caminho pelo quarto me despreguiçando e bocejando. Ouço a porta do quarto ser aberta. Olho para a direção dela despreocupado.
– ¡Dios mío!– Maria, a mulher mexicana que trabalha na limpeza da casa se assusta com a minha nudez e sai correndo.
Começo a rir.
– Maria, minha filha. – Falo alto para que ela possa ouvir, mas provavelmente ela já estava chegando no México. Procuro uma cueca para vestir. — ¡No tengas miedo! Me gustan los hombres.
As minhas risadas viram incontroláveis.
Pego meu celular e digito:
Eu: “Oi Killer”
Blaine responde após alguns minutos.
Blaine: “Oi :)”
Eu: “Td bem?”
Blaine: “Sim. Vc?”
Eu: “Td bem.”
“Parabéns pela vitória nas distritais. Você estava fantástico. Como sempre.”
Blaine: “>.<”
Eu: “Fofo isso.”
Blaine: “Que?”
Eu: “Fofo você ficar envergonhado quando te elogio.”
Blaine: “haha. Tá me deixando sem graça Sebastian.”
Eu: “Desculpa”
“Você está ocupado?”
Blaine: “Na verdade sim. Eu estou saindo agora para ir na casa do Kurt. Pq?”
Eu: “Nada importante. A gente se fala depois então. :)”
Blaine: “Tudo bem :)”
. . . .
Domingo à noite
– Blaine Anderson – digo empolgado.
– Oi Sebastian. – ele sorri.
– É uma honra tê-lo aqui esta noite no nosso Web Talk Show via Skype. – digo
– O que é isso? – ele ri.
– Só entra no espírito da brincadeira. – digo a ele.
– Bom, Sebastian... A honra é toda minha. – Blaine diz.
– Então me diga, Blaine. Os seus fãs querem saber, qual é o segredo do seu sucesso? – digo segurando um microfone imaginário passando de mim para Blaine.
– Bom, Sebastian. Muita gente acredita que é feitiçaria. Bem, não é. – Blaine arruma o próprio cabelo como se falar daquilo o afetasse. – Acredito que seja resultado de muito esforço e trabalho duro.
– Você está me dizendo que não há nenhum toque de magia negra nesse sucesso todo? – o questiono com a minha voz de falso apresentador.
– Eu não sei do que você está falando, Bob! – Blaine brinca.
– É Sebastian, mas tudo bem. Vamos para um bate-bola rápido. – digo lendo a minha ficha imaginária. – Cor favorita?
– Azul – Blaine responde.
– Altura? – pergunto.
– 1,72 – Blaine rebate.
– Peso ? – pergunto.
– Prefiro não revelar. – ele responde.
– É um bom peso para se estar! – digo imitando um típico apresentador que levanta a sobrancelha para flertar com o público.
– Amém! – Blaine diz assentindo com a cabeça.
– Gravata? – pergunto.
– Gosto! – Blaine responde.
– E esse foi o nosso convidado de hoje. O artista mundialmente famoso Blaine Anderson, senhoras e senhores!
Nós dois paramos para rir.
– Isso foi idiota. – digo.
– Foi legal. – ele diz.
Fico olhando para ele alguns segundos. Passamos a noite conversando.
. . . .
DIA SEGUINTE – Segunda.
Naquela manhã não sigo a minha rotina matinal de sempre, trocando o uniforme impecavelmente bem passado em meu armário por um jeans claro surrado e uma camiseta cinza clara com gola v amarrotada. Desço as escadas com urgência e sigo para o escritório de meu pai.
Puxo a porta de correr da sala. Está trancada.
– Mas que merda! – forço a porta. Olho em volta em busca de um suposto esconderijo para a chave daquela sala. Meu pai não levaria a chave consigo, ele perderia na primeira oportunidade.
Estou na ante-sala do escritório. A reviro por completo, debaixo das almofadas e do sofá, entre os livros das prateleiras. Nada.
– Cacete! Eu preciso entrar nessa sala.
Olho para um vaso sobre um pedestal de marfim próximo a porta. Olho dentro dele.
– BINGO! – a chave está lá dentro. – Bingo? Você é o que? Um velho de 69 anos? Haha 69. Foco!
Abro a porta. Passo para dentro da sala.
No canto da sala debaixo de uma estante cheia de livros sobre direito e leis, tudo muito chato, está o que vim procurar: A antiga vitrola do meu avô e a ampla coleção de discos (LP) de Frank Sinatra do meu pai.
Eu podia até não gostar do cara, mas pelo menos uma vez ele estava sendo útil pra mim.
Dei corda na velha vitrola de meu avô e coloquei o primeiro LP do Sinatra. O som não tem tanta qualidade quanto um home theater pode ter, mas meu amigo, aquele vozeirão naquela vitrola fizeram os pelos dos meus braços se eriçarem. A música era Moon River, roubo um boco de notas da mesa de meu pai e uma caneta. Sento no pé de uma poltrona da sala enquanto ouço cada uma das músicas da coleção.
. . . .
No final da manhã, por volta das 11 horas da manhã, eu estou exausto. Porém o trabalho está feito. Tranco a porta ao sair da sala, subo as escadas para tomar banho.
Coloco o uniforme e vou para o coral.
. . . .
– Boa tarde senhores, eu peço licença para os membros do conselho, e a todos vocês – aponto para os membros do coral. – que me permitam começar o ensaio de hoje com um ritmo um pouco mais clássico que realmente expressa meus sentimentos.
Olho para o conselho.
– Se assim concordarem. – olho para o restante dos Warblers.
– Sebastian, você não pode dar inicio as reuniões, essa é a função do nosso líder. – Angus, o terceiro membro do conselho, diz.
Todos olham a volta em busca de Nick que não está presente. Wesley, o líder do conselho, também não se encontra no recinto.
– Nosso líder não está aqui como podem ver. – olho pela sala para enfatizar – Acho que cantar uma música antes do nosso líder é inofensivo. Mas a questão é: Isso é realmente importante para mim, rapazes.
Ambos ali presentes assentiram com a cabeça.
Ligo meu ipod com a caixa de som da sala, dou play na música instrumental de “Let Me Try Again”, então solto minha voz.
I know I said that I was leaving
But I just couldn't say good-bye
It was only self-deceiving
To walk away from someone who
Means everything in life to you...
Blaine estava certo o tempo todo. Na primeira estrofe da letra pude ver os olhos de Angus brilharem.
Se eu quisesse, esses caras do conselho seriam minhas putinhas enquanto canto Sinatra no pé do ouvido deles.
You learn from every lonely day
I've learned and I've come back to stay...
Let me try again
Let me try again
Think of all we had before
Let me try once more
We can have it all,
You and I again
Just forgive me,
Or I'll die
Please let me try again...
Do outro lado da sala, vejo um Wesley muito puto da vida irromper pela sala, ele faz uma cara de surpresa ao me ver cantando um solo, mas é uma grata surpresa para ele por ser Sinatra. Consigo sentir os músculos do corpo dele se descontraindo por causa da música.
I was such a fool to doubt you
To try to go it all alone,
There's no sense to life without you,
Now all I do is just exist
And think about the chance I've missed
To beg is not an easy task
But pride is such a foolish mask...
Agora é Nick quem entra na sala, mas ele não parece nada feliz ao me ver cantando. Provavelmente o inevitável tinha de fato acontecido. Mas por que ele ainda estava aqui, entre nós? Ele deveria ser banido.
Let me try again
Let me try again
O que diabos ele está fazendo aqui? O que mais eu vou ter que fazer pra tirar essa cara daqui? Nada pessoa, Nick. Mas eu vou ter que te matar?
Think of all we had before
Let me try once more
We can have it all,
You and I again
Just forgive me,
Or I'll die
Please let me try again.
Muitos aplausos ecoam pela sala, porém, consigo ver exclamações no rosto de muitos membros dos Warblers, porque definitivamente aquelas músicas lentas não eram o tipo de música que cantávamos. A próxima música iniciou: All the Way.
When somebody loves you
Its no good unless he loves you..
All the way
Happy to be near you
When you need someone to cheer you
All the way
A minha apresentação era simples, porém charmosa. Não há coreografia, não há grandiosos gestos ou movimentos. Apenas eu. Eu e minha voz. Falando sobre amor em forma de música.
Taller than the tallest tree is
Thats how its got to feel
Deeper than the deep blue sea is
Thats how deep it goes if its real
Wesley estava se comovendo, assim como o restante do conselho. Angus era a figura mais lamentavelmente patética da bancada, pois estava em um pronto silencioso.
When somebody needs you
Its no good unless he needs you
All the way
Through the good or lean years
And for all those in between years
Come what may
Who knows where the road will lead us
Only a fool would say
But if you let me love you
Its for sure I'm gonna love you
All the way
All the way....
So if you let me love you
Its for sure I'm gonna love you
All the way
All.. The ... Way......
Todos ali me aplaudiram, exceto por Nick, que estava absorto em seu próprio mundinho de dor e sofrimento. E isso me fez sorrir triunfante.
– Isso foi... isso foi lin...lind... – Angus não conseguia se aguentar.
Wesley repousou sua mão sobre o braço de Angus para que ele se calasse.
– Tudo bem, amigo, se recomponha. – disse Wesley.
Ele volta sua atenção para mim.
– Isso realmente foi notável Sebastian. Talvez tudo o que ser um Warbler signifique. Sem grandes espetáculos. Somos interpretes da música. Não precisamos acrescentar nada se a música se bastar. – ele disse estufando o peito. – Parabéns senhor!
Eu assenti com a cabeça em forma de agradecimento e me sentei no sofá da sala.
– Bem, senhores... – Wesley continuou a falar. – Estamos dando início a mais um dia de treino do nosso coral e antes de começar, como sempre, aqueles que tiverem qualquer comunicado, por favor, a hora é agora.
Nick deu um passo a frente.
– Nick? – Angus disse. – O que tem a nos dizer?
Wesley apenas fez um sinal para que outro membro do conselho abrisse a ata do clube do coral.
– Eu estou oficialmente renunciando a minha liderança dentro do coral para que outra mente possa guiar nossa equipe à liderança. – Nick dizia com a voz rouca olhando fixamente para a parede.
A sala se explodiu em perguntas como “Porque?” “O que aconteceu?” “Como assim?”. Eu me mantive sentado apenas observando o burburinho até que Wesley pedisse por ordem.
– Silêncio! Deixem-no falar. – Wesley advertiu.
– Um líder de verdade sabe ver quando não é mais útil para seu bando. Estou abrindo espaço para outra mente poder liderar-nos e assim posso ajudar os Warblers de outras formas. Isso é tudo. – Nick finalizou.
Cada palavra que saia da boca de Nick era mentirosa. Era evidente a dor que ele sentia ao dizer aquelas palavras. Mas em certo ponto ele tinha razão, uma nova mente deve liderar os Warblers agora.
– Bom, isso é um tanto quanto inesperado. – Wesley não agia como se aquilo fosse inesperado para ele, nem sequer parecia surpreso. – O conselho deverá deliberar a cerca do assunto para encontrar um novo líder. Tudo foi anotado na ata?
O garoto que escrevia na ata balançou a cabeça afirmativamente.
– Perfeito. Devido a alguns problemas a nossa setlist para as regionais será trocada.
Todos, exceto eu, se entreolharam escandalizados.
– Mas estamos ensaiando a muito tempo essas músicas. – Trent diz exasperado.
– Mudanças acontecem, Senhor. – Wesley diz secamente.
A reunião foi pausada para a deliberação de um novo líder. Todos tão muito ansiosos e nervosos para a decisão. Eu estou confiante.
Olho para Nick que está com o olhar perdido. Provavelmente Wesley encontrou as mensagens em seu celular, mas Nick ainda é um membro de valor para a equipe, talvez por isso não foi expulso.
Olho para o relógio, já se passaram meia hora, aquilo estava demorando demais.
As portas da sala são abertas e todos entramos em silêncio.
Wesley começou.
– Nós realmente temos candidatos muito forte e sinceramente esse foi o motivo de tanta demora, senhores. – ele olhava cada um de nós. – Acreditamos que para qualquer um de entreguemos a liderança vá cuidar da equipe de forma honrada e brilhante.
Ele fez uma pausa.
– Vou dizer logo antes que algum de vocês tenham um infarto. – todos olhamos ao mesmo tempo para Trent que suava feito um porco. – Por favor, aplaudam o novo líder dos Warblers, senhor Sebastian Smythe.
Eu não podia e nem queria conter meu sorriso que ia de orelha a orelha. Todos da sala me aplaudiram e gritaram o meu nome, ganhei tapinha nas costas e muitos “Muito bem, cara”. Os membros do conselho vieram apertar a minha mão assim como outros membros. Eu não conhecia o nome da metade deles.
. . . .
– Oi. – digo todo sorridente.
– Oi. – ele responde com aqueles grandes olhos avelãs brilhosos.
O observo quieto, mas ainda com um sorriso bobo na cara.
– O que foi? – ele quebra o silencio.
– Não é nada. – digo ainda sorrindo.
“Para de encarar ele.”
– Ah... olha eu tenho a melhor das notícias pra te contar. – digo empolgado.
– O que é? – ele fica empolgado em querer saber.
– Adivinha quem é o mais novo líder dos Warblers.- digo cheio de mim.
– Ah, tá brincando? – ele pergunta todo empolgado. – Você consegui?
Balanço a cabeça afirmativamente.
– EU!!! – dou uma grande risada. – Eu mal posso acreditar nisso.
Blaine estava verdadeiramente feliz pela minha notícia.
– Isso é incrível! – ele diz sorridente
– Não. Incrível foi o que você fez por mim! – digo.
– Eu? Eu só te passei uma dica, você, com o seu talento, fez todo o resto. – ele diz sincero.
– Sem essa. – faço chame com ele. – Eu preciso te agradecer adequadamente.
– Não precisa. – Blaine teve medo do que “agradecer adequadamente” queria dizer.
Ele estava certo em temer.
– Preciso e irei. – digo decidido.
Fazemos uma pausa e apenas nos olhamos. Depois de alguns minutos quebro o silêncio.
– Eu realmente gosto de conversar com você as noite pelo skype.
Blaine sorri sem jeito. Ele sabe que se o namorado descobrisse serial algo que não faríamos mais. Continuo:
– Posso pedir uma coisa? Se achar estranho você pode dizer não e....
– Sebastian, eu não vou tirar a minha roupa. – Blaine diz rapidamente. – Sexo virtual conta como traição.
“Okay. Isso foi estranho.”
Não que eu nunca tivesse sugerido isso a ele. Porque já sugeri.
– Eu não... não estava pensando nisso. – digo com os olhos alarmados. – Eu ia perguntar se você gostaria de ouvir a música que escolhi do Sinatra.
Blaine ficou muito vermelho. Eu estava mentindo a música do Sinatra em questão é mais pertinente.
– Ah...tu...tudo bem, eu acho. – disse ele todo envergonhado.
– Bom, eu vou colocar o background sonoro e vou cantar. – ligo o home theater conectado ao meu laptop e seleciono a música Strangers in The Night do Frank Sinatra.
O som suave invade meu quarto assim como os fones de ouvido que Blaine está usando.
Deito na minha cama com o laptop ao meu lado de frente para mim. Fecho meus olhos e começo a cantar baixinho, porque aquilo, de alguma maneira, me deixava um pouco envergonhado.
Strangers in the night exchanging glances
Wond'ring in the night
What were the chances we'd be sharing love
Before the night was through.
Something in your eyes was so inviting,
Something in your smile was so exciting,
Something in my heart,
Told me I must have you.
Strangers in the night, two lonely people
We were strangers in the night
Up to the moment
When we said our first hello.
Little did we know
Love was just a glance away,
A warm embracing dance away and -
Ever since that night we've been together.
Lovers at first sight, in love forever.
It turned out so right,
For strangers in the night.
Olho para Blaine que está me olhando encantado. Talvez seja a coisa que mais gosto em Blaine é a forma como ele me olha, como se cada pedaço de mim o surpreendesse.
– O que foi? – pergunto.
– Nada. – ele diz saindo do seu transe hipnótico.
Sorrio afetuoso para ele.
Isso não pode ser nada de demais, né? O que temos. Blaine é... sei lá.
– Você gostou? – pergunto.
– Sim! Foi incrível. Não se é de admirar você ter conseguido a liderança dos Warblers. Você canta como um anjo.
“Sorte sua Blaine Anderson não estarmos nesse exato momento no mesmo quarto juntos. Porque não te sobraria uma pessoa de roupa inteira no teu corpo.”
– Nem é pra tanto. – digo sorrindo.
– Ah é sim. – ele insiste.
Fazemos um pausa.
– Ah... – Blaine fala. – Acho que vou ter que desligar, Sebastian. O Kurt quer fazer uma chamada de vídeo agora.
Minha feição muda drasticamente.
– Ah claro. Com certeza. – digo tentando disfarçar meu desagrado com aquilo. – A gente se fala amanhã.
– Isso. – Blaine parecia preocupado. — Até amanhã.
Blaine desliga a video-chamada.
Decido tomar uma atitude mais ativa com relação a Blaine, começando em agradecer-lo pois eu ainda não tinha tido a oportunidade de fazer isso pessoalmente por ele ter me ajudado. E descobrir qual é a dele.
. . . .
NA NOITE SEGUINTE – Terça.
Aperto insistentemente a campainha. Blaine atende a porta.
– Oi! – digo todo charmoso.
– Oi? Oi. O que você está fazendo aqui? – ele me pergunta muito confuso.
– Eu vim te agradecer. – digo sorridente.
– Como...como você...? – era como se uma bola de boliche tivesse atingindo a cabeça de Blaine e o deixara desnorteado.
– Como eu sei onde você mora? – enfio as mãos dentro do bolso da calça. – Bem, eu perguntei para o primeiro Warbler que cruzou o meu caminho.
Isso pareceu plausível para ele. Mas na verdade era que eu havia tirado uma cópia da ficha de dados dele na Academia Dalton.
– Você recebeu? – pergunto animado.
– Ah, recebi. Foi muito gentil da sua parte, mas não precisava.
– Você não gostou? – analiso ele. – Pode dizer se não gostou, por que eu vou entender. Eu não sou o tipo de cara de gosta de flores e entendo se você também não curtir isso. É só que... Eu achei que você fosse o tipo de cara que gostasse de ganhar flores e...e então por isso eu mandei flores. Pra agradecer. Se sabe...
“Para que você está ridículo.”
“Por que eu estou tão nervoso? É só um cara.”
Blaine ri do meu jeito, mas ele ainda continua tenso.
Sorrio sem graça.
– Desculpa, eu... – Nem sei terminar essa sentença.
– Está tudo bem. Eu gosto de ganhar flores. – ele percebe o meu constrangimento. – Foi muito gentil, Sebastian. Obrigado.
– De nada.
Encaro meu próprio tênis até recobrar minha coragem. Blaine ainda parecia muito tenso por me ter aí em frente a porta da casa dele.
– O que foi? Um cara não pode te visitar?
– Po...pode. – Blaine para além de mim. – Não, é isso...
Ele olhava de um lado da rua para o outro, talvez com medo de alguém nos ver ali. Aquilo era um pouco grosseiro.
– É então oque? – digo com um leve tom de irritação na voz. – O Kurt não quer que mantenhamos contato?
Eu havia tocado em uma ferida ainda exposta para Blaine. Então continuei.
– Há! Eu sabia! – digo fingindo estar chocado. – Desculpa, mas que tipo de relação é essa em que você não pode manter contato com outro cara que também seja gay? Isso é possessividade, cara.
– Olha, Sebastian... – ele esfregou a testa. – Não...não vamos envolver o Kurt nisso.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
– Ah... – digo, fazendo Blaine olhar para mim novamente. – Eu vou ser direto ao ponto.
Blaine estava com medo disso. O olho fixamente.
–Você meche comigo Blaine. – seguro a sua mão. Blaine estremece ao meu toque. – Bastante.
Blaine estava estático.
– E eu sei que eu mecho com você também. Isso está na cara...
“Quanto tato Sebastian.”
– E cara, eu não consigo mais... – digo sem finalizar a frase, fazendo a única coisa que posso fazer sem me envergonhar. Inclino meu rosto para beijá-lo, mas Blaine desvia de meu beijo soltando a sua mão da minha e a colocando em meu peito para me parar.
Eu estava errado.
Abro meus olhos e o encaro a poucos centímetros de mim.
– O que... o que você está fazendo? – Blaine me olha chocado.
Olho para ele sem entender.
– Eu...
– Você ia me beijar. Você perdeu a sua cabeça? – Blaine poderia me dar um soco no meio da cara a qualquer momento.
– Qual é Blaine? – digo me alinhando. – Eu achei que você também estivesse afim.
– Quantas vezes eu vou ter que repetir que eu estou com o Kurt e eu nunca vou querer estragar as coisas com ele. – Blaine se afasta ainda mais de mim. – Eu não consegui me fazer ser entendido?
– Sabe, é fofo esse papo de namoradinho e tal. Mas se você estivesse 100% afim dessa relação não daria tanta atenção pra mim, certo? – rebato.
– Eu estava sendo o seu amigo, Sebastian! – Blaine estava quase berrando. – Há uma grande diferença entre ser amigo de alguém ou dar condição pra ela.
Atitude dele estava começando a me irritar.
“Que hipócrita!”
– Qual é Blaine? Eu sei que você quer isso tanto o quanto eu quero. – tento me aproximar.
– NÃO! – ele diz rispidamente para mim ao me ver me aproximar. – Não se aproxime!
Blaine respira fundo tentando restabelecer a sua calma.
– Eu amo o Kurt, tá certo? – ele diz. – E não posso fazer nada se você confundiu as coisas. Eu não quero nada nesse sentido com você.
Aquilo doeu um pouco.
– Você passa semanas conversando com um cara por video-chamada toda noite até de madrugada, sem o seu namorado saber... é eu devo ter confundido os sinais mesmo. – digo em tom de ironia.
Blaine não estava só irritado comigo, mas consigo mesmo.
– Não achei que você seria covarde a esse ponto, Blaine. – digo. – Negar o que realmente sente e o que quer.
Só alí Blaine entendera o que tivemos fazendo esse tempo todo.
– Olha Blaine, você quer esconder que sente alguma coisa por mim. Tudo bem. Não vou mais forçar. – tento falar calmamente com ele. – Você ama o Kurt? Okay. Eu entendo isso. Afinal, ele é seu primeiro amor. Mas eu pretendo ser o seu o último. Demore o tempo que for.
Eu não sei o porque estou indo tão longe por essa cara. Só sei que quero ele.
Blaine me olha com um olhar indecifrável.
– É uma promessa. – o olho fixamente.
– É melhor você ir embora. – Blaine não mantém mais o contato visual comigo. Entra dentro de sua casa batendo a porta atrás de si.
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