Sebastian Michaelis - Fantabulosa!

1 Family from far away - Prologue.


Notas iniciais
Prólogo das histórias da Mansão Phantomhive.

Sinto o coração pesado.

Dias de paz, onde estais?

Ai, descanso abençoado,

nunca, nunca, nunca mais!

Inda não quitei a vida,

e já ’stou na sepultura.

Quem nasceu tão sem ventura,

melhor não fora nascida.

Trago esvaído o juízo,

o coração como louco.

Sempre durastes bem pouco,

horas do meu paraíso.

Fausto de J.W. Goethe

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Ciel Phantomhive aguardava pacientemente, na sala de visitas de sua própria mansão, a chegada de Milady de Winter. O motivo da visita? Negócios, negócios, negócios. A rotina do jovem conde só se resumia a eles.

A bordo de sua carruagem, Milady ponderava se era certo retornar depois de tantos anos longe da mansão Phantomhive. Ouvira falar em muita coisa sobre a mansão ultimamente e estava receosa. Por fim, decidiu-se. Iria reencontrar seu passado.

Na cozinha da mansão Phantomhive, o mordomo Sebastian equilibrava as pequenas xícaras de chá nas pontas dos dedos. Aquilo era fácil para ele. Mas precisaria ser mais rápido caso quisesse servir o chá a tempo. Milady não tardaria a chegar.

Alguns minutos depois, o trotar dos cavalos anunciou a visitante que chegava. O competente mordomo da casa, abriu a porta da carruagem para a jovem senhora descer. Delgada, com sedosos cabelos escuros, Milady de Winter era uma das mais jovens damas da realeza britânica.

_Milady, por aqui, queira me acompanhar. _ Sebastian estendeu a mão para ela.

_ Mefisto. Fique na carruagem. _ A dama falou para o seu próprio mordomo.

Enquanto acompanhava a moça até a sala de visitas, Sebastian fez um pequeno comentário sobre o nome incomum do serviçal de Milady.

_ Ah, Mefisto está na família há anos.

_ Imagino. _ Ele deu um pequeno sorriso.

Ao entrar na sala de visitas, o mordomo anunciou a seu mestre.

_ Jovem mestre, aqui está Milady de Winter. _ E se retirou.

_ Milady. _ Ciel beijou a mão dela.

_ Conde. Ou devo dizer primo? _ Ela se curvou.

_ O que a traz aqui, Milady?

_ Ah, deixe essas formalidades de lado, Conde._ Ela deu um sorriso debochado.

_ Então do que devo chama-la?

_ Ora essa, pelo meu nome. Ou será que esqueceu?

_ Não.

A morena levantou-se da cadeira onde estava sentada e postou-se perto da janela, de costas para Ciel.

_ Massima Francesca Goethe Phantomhive. Milady de Winter.

Ela e Ciel se espantaram ao ouvir a voz de Sebastian. Nenhum dois dois havia notado a presença dele até aquele momento.

_ Está absolutamente certo, mordomo.

_ Sou Sebastian Michaelis, Milady. Costumo dizer que sou um mordomo e tanto.

_ De fato. Poucos me conhecem como Massima Phantomhive. É sempre Milady pra lá, Milady pra cá... Tão cansativo.

Durante alguns minutos, ambos se encararam. Os olhos escuros dela e os vermelhos dele travando um intenso duelo mental, até que Sebastian rompeu o contato para servir o chá.

_ Você tem um mordomo muito incomum, Ciel.

_ Devo dizer o mesmo da senhora, Milady. _ Sebastian completou.

_ Então percebeu?

_ Precisamente.

_ Fantabuloso!

_O que? _ Ciel participou da conversa pela primeira vez desde que Sebastian mencionara o nome completo da dama recostada no vão de sua janela.

_ Queria me perdoar, priminho. Faz muito tempo que não o vejo e já chego dizendo meus eufemismos. Digo fantabuloso para algo que é fantástico e fabuloso.

_ E por qual razão Sebastian seria fantabuloso? _ Ele indagou curioso.

_ Por ter conseguido identificar um semelhante seu, e de maneira tão rápida.

_ Bastou um olhar, Milady.

Ciel não compreendeu. Massima sabia que Sebastian era um demônio? Ou ela era realmente idiota, por achar que o seu mordomo não reconheceria o dela?

_ Não se preocupe, queridinho. Não pretendo revelar a ninguém, o pequeno pormenor do seu serviçal aqui. _ Ela piscou.

_ Que pormenor? _ Ele fez-se de desentendido.

_ Ora vamos, eu sei perfeitamente que o seu mordomo é um demônio.

_ E como sabe?

_ Meu querido Conde... Foi a minha família, por parte de mãe, evidentemente que criou os Contratos de Fausto. E meu mordomo Mefisto é a prova disso. Está conosco desde o tempo do primeiro contrato, firmado pelo meu ancestral materno Franz Joseph.

_ Interessante. Mas esse não foi o seu motivo para vir aqui, ou foi, prima?_ Ele denotou a última palavra cuidadosamente.

_ Ah, claro que não...

Depois do pequeno diálogo das semelhanças, Ciel e Massima puseram-se a falar de negócios. Do lado de fora da mansão, Mefisto aguardava sua senhora, e na cozinha, Sebastian refletia.

Os assuntos entre os Phantomhive ainda seriam muitos, e reuniões como aquela, tão incomuns, se repetiriam constantemente. Era hora de se preparar para muitas mudanças...

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