Seasons of Love

4 The one where she sleeps


Notas iniciais
Oi minha gente linda! Essa semana passou voando, mas parece que faz séculos desde que postei o terceiro capítulo né? Wow estou me divertindo com isso hahah. Quero pedir um trilhão de desculpas pra vocês, porque não estou conseguindo responder os comentários aqui no Nyah! Agradeço vcs por aqui lindas. Melany Chains, Sra Rabello, Ana Oliver e Bella21 eu dedico esses cap a vocês que eu não pude responder.

Annie caminhava a passos pesados pelos corredores do colégio, feroz e impaciente. Tinha em mãos um pequeno pedaço de papel assinado pela diretora: advertência por abusar de cosméticos durante o período de aulas, algo que já havia se tornado usual para ela. Se houvesse, em toda a instituição, um indivíduo que nunca tomou uma advertência por motivos banais, seria um milagre. Até mesmo os professores se atrapalhavam entre notas e broncas dos superiores.

Suspirou fundo, seus passos ecoavam pela escola já vazia e ela se amaldiçoava ao ouvir seu estômago roncando, lembrando-a que demoraria pelo menos duas horas para chegar em sua casa. Além disso, a comida estaria mais fria que o normal e não almoçaria com sua mãe, graças a 40 minutos perdidos para explicar a diretora que ela necessita de maquiagem para sobreviver. Por sorte, Annie era uma pessoa calma, diferente de sua melhor amiga. No lugar dela, Sakura teria explodido e obrigaria a coordenação ameaçar ligar para a polícia. Depois seria carregada pelos seguranças para fora, com uma pequena nota de papel grampeada em seu uniforme. Típico.

Ao imaginar tal cena, a morena gargalhou sozinha. Já com a mochila nas costas, ela se direcionou à saída, aliviada e ansiosa, rezando para que ninguém a parasse novamente. Pegou seus óculos na bolsinha lateral de sua mochila e colocou-o em seu rosto, desejando evitar contato visual com qualquer um dentro ou fora da escola. Annie possuía um olhar mortal que era capaz de espantar até mesmo os mais valentões, porém, era dona de um sorriso que iluminava até suas faces mais obscuras. Ela generosamente apelidou-o de sua maior arma.

Apressou o ritmo à medida que os roncos de ficavam mais altos. Ao chegar no portão principal avistou o inspetor de alunos, revistando os estudantes do período vespertino e logo lembrou-se de seus estojos caros da Maybelline que seriam severamente tomados dela ao passar pela saída. Virou-se rapidamente antes que o inspetor a visse e foi em direção ao banheiro, já perdera a conta de quantas vezes teve que pular a janela da separação para deficientes para fugir daquele maldito homem.

Chegando próximo aos sanitários, Annie observou uma não-tão-estranha figura rosa agachada ao lado da porta, com um semblante preocupado. Ela pode sentir uma áurea pesada no local e seu peito de repente apertou, sabia de alguma forma que algo estava errado. Sakura não prestava atenção a nada, seus fios cor-de-rosa estavam bagunçados e desalinhados, nos traços do que pela manhã fora uma trança. Seu olhar era rígido, encarava a parede branca à sua frente como se procurasse a solução de seus problemas ali. Não percebeu a aproximação de Annie, tão pouco se tocou quando a amiga repousou a mão em seu ombro esquerdo, chamando-a.

– Haruno? Você está bem? – A morena chacoalhava sua melhor amiga, começando a ficar preocupada – Consegue me ouvir?

–...

– Sakura! – Gritou. Colocou-se na frente da rosada e a encarou, seus olhos pareciam vazios, sem brilho – Me perdoe por isso – Levou a palma de sua mão rapidamente ao rosto da amiga, causando um tapa estralado, que tirou-a do transe.

– Merda! O que foi isso? – Sakura resmungou acariciando a bochecha ardente.

– Credo, parecia que você estava morta – Annie sentou-se ao lado dela – Aconteceu alguma coisa? Não é comum você ficar aqui depois da aula.

– O que, comigo? – Sakura ria ao lembrar do que havia acontecido, deixando a morena mais confusa – Bom, como eu posso lhe explicar? – Tentava falar entre risos – Uchiha Sasuke me pediu em casamento.

– O que você disse? – Annie encarou-a chocada, incrédula por ver a amiga gargalhando ao seu lado como se tivesse algum problema mental, esperneando e caindo de bunda no chão.

– É isso o que você ouviu – Sua expressão mudou de repente, agora ela parecia perturbada e suas pupilas viajavam para todos os cantos como se temesse algo.

– Puta que pariu Sakura – A morena passou os braços pela amiga, apertando-a contra si – Vamos, eu vou te levar para casa. Você me disse que estava bem hoje de manhã sua babaca.

Preocupada com a situação da rosada, Annie levantou-se em um pulo e agarrou a amiga que não demonstrou reação alguma. Direcionou-se ao portão principal novamente com os dedos cruzados e, desta vez não havia ninguém ali, apenas uma pequena abertura para estudantes atrasados. Passando pela saída, Annie teria soltado um grito de euforia se não estivesse tão preocupada com a amiga em seus braços. As pessoas na rua pareciam não se importar, o que não a incomodava tanto, naquele momento qualquer deslize faria com que Sakura surtasse.

Adentrou o condomínio sem problemas, cumprimentando o porteiro com um sorriso amarelo entreaberto. Aquele lugar se tornara comum para ela há muitos anos. Esgueirou-se pelo elevador do prédio da Haruno impaciente, a rosada em seus braços continuava indiferente, o que a deixava mais aflita. Saiu com rispidez ao corredor e se colocou à frente da porta do apartamento com dificuldade entre se equilibrar com Sakura apoiada em seus ombros e colocar a chave na fechadura. Sentiu um alívio imenso ao adentrar o cômodo que estava com um cheiro peculiar pairando no ar.

Correu pelo corredor com a mente branca, sem notar que a sra. Haruno vinha atrás dela, extremamente preocupada com a filha, murmurando coisas como “eu falei para essa menina comer” ou “eu sabia que essa demora significava algo”. Chegando ao quarto de Sakura, Annie a jogou na cama com sequidão e virou-se friamente para a mãe preocupada. Elas se encararam por alguns segundos, ambas com o semblante assustado.

– O que houve com Sakura? – Haruno Mebuki pronunciou-se primeiramente avançando até a filha

– Tia, se acalme – Annie começou – Ela chegou com a aparência horrível hoje, perguntei se ela estava se cuidando e disse que sim, que você estava a ajudando, mas parece que mentiu. Ela precisa descansar.

– Então é como daquela vez quando ela prestou o Vestibulinho do Bandeiras – Mebuki levou as mãos às suas têmporas – Vou buscar os remédios.

– Não! – A rosada despertou novamente do transe ao ouvir sobre os medicamentos.

A morena levou um susto com a reação de Sakura e pulou por cima dela, prendendo seus pulsos contra a cama e segurando as pernas que se debatiam. Mebuki correu até a cozinha e alcançou os antidepressivos da filha que estavam em cima da geladeira, devidamente organizados e enfileirados dentro de uma caixinha de papelão amarela. Pegou três comprimidos e encheu um copo d’água rapidamente, podendo ouvir as altas reclamações vindas do quarto da rosada.

Sakura tentava se desprender da armadilha de Annie enquanto gritava desesperadamente. Por sorte, a amiga era mais forte que ela e impedia que a garota fosse a qualquer lugar naquela situação. Sua mãe chegou correndo ao quarto, cambaleando pelo carpete com os pés descalços. Segurou a filha pelo braço, enquanto Annie levava seus dedos até o rosto de Sakura, forçando-a a abrir a boca arduamente para que engolisse os remédios. A rosada relutou por alguns segundos mas acabou cedendo, engolindo os comprimidos que foram enfiados em sua goela contra sua vontade.

De repente ouve uma calmaria no que antes parecia quase uma zona de guerra. Logo os vizinhos estariam batendo na porta do apartamento, perguntando se havia ocorrido algo ali. Todos os músculos de Sakura colapsaram enquanto ela caia na cama, com os orbes esmeraldinos arregalados encarando o teto. Desviou seu olhar para a mãe e a amiga que a observavam calmamente quando começou a sentir sua vista embaçar e suas últimas forças acabarem, caindo em um sono pesado, que há muito tempo não tinha. Mebuki e Annie se entreolharam, soltando um suspiro de alívio.

– Como essa garota dá trabalho – A amiga comentou, limpando o suor que estava em sua testa.

– Exatamente como quatro anos atrás – Mebuki soltou um riso fraco – O que eu faço com essa minha filha?

– Enfia comida na boca dela – Brincou rapidamente – Sinceramente não sei como Sakura lida com esse stress sem ajuda de um psicólogo.

– Ela consegue enganar a todos nós, fica com esse sorriso bobo o dia inteiro estampado no rosto quando está em casa.

– Nós sabemos muito bem que quanto ela coloca algo na cabeça, não tira. Mas eu acho que estou preocupada com esse lapso 6 dias antes do vestibular... – Annie comentou cabisbaixa

– É o sonho dela – Insistiu – Creio que esteja falhando como mãe por não notar certos aspectos.

– Imagina, tia. Você mesma disse, ela engana a todos nós – Riu junto de Mebuki – Agora pode voltar ao que estava fazendo, fique tranquila que permanecerei aqui até ela acordar, o que vai demorar um pouquinho.

– Vou trazer almoço para você, deve estar com fome. Muito obrigada por ficar, terei que sair daqui a pouco e Kizashi chegará apenas mais tarde.

Annie sorriu levemente para Mebuki que retribuiu. A sra. Haruno foi até a cozinha e voltou com um prato de arroz, feijão e carne moída com batata, fazendo o estômago da morena dar pulos de felicidade dentro de si ao sentir o aroma, havia se esquecido de que estava morrendo de fome. Festejou por um momento pela comida, normalmente na casa dos Haruno ela costumava comer pratos da culinária japonesa, já que o pai de Sakura, o sr. Kizashi fazia questão. Neste dia, o patriarca não iria almoçar em casa, portando Mebuki aproveitou para fazer uma comida agradável para ela e sua filha, mas acabou sendo melhor apreciada por Annie.

O resto da tarde ocorreu normalmente, Sakura dormia serena e sua amiga assistia seriados no celular, sentada ao lado da cama. De uma em uma hora Annie checava a respiração e os batimentos da rosada, esperando que ela estivesse o mais relaxada possível. Sabia que demoraria um bom tempo a acordar, talvez apenas no dia seguinte, mas além de zelar pelo bem estar de Sakura, algo que não saia da cabeça de Annie era que sua amiga mencionou um pedido de casamento vindo de Uchiha Sasuke e ela precisava saber o que havia ocorrido o quanto antes.

Perto das dezenove horas, o celular da Haruno vibrou em sua bolsa, chamando a atenção da morena que agora se encontrava deitada no chão. Ela esticou-se e alcançou o eletrônico quase derrubando-o. Na tela, uma mensagem de um número desconhecido:

“Ainda sinto o sabor dos seus lábios, Haruno”

Annie congelou. Sakura tinha affairs por ai e não havia contado a ela? Parecia estranho. Entretanto, algo dentro de si sabia muito bem quem havia enviado aquela mensagem. Ela mencionou Uchiha Sasuke mas não mencionou um beijo entre os dois, logo de primeira a amiga não havia acreditado nem na conversa de casamento. Isso causaria um choque a todos, inclusive a Annie, cujo queixo estava caído, pensando no que poderia ter acontecido, se remoendo de curiosidade. A mais importante indagação era se deveria deletar a mensagem para não causar mais transtornos a Sakura nesse momento frágil e depois a contaria, ou se simplesmente deixava lá. Optou por apagar, mas como sabia que a amiga nunca acreditaria nela, tirou uma screenshot e mandou para si mesma, excluindo do celular da rosada logo após.

Alguns minutos depois, Annie notou uma movimentação mais ativa na cama e se limitou a olhar, pois já sabia, Sakura havia acordado. A rosada esfregou os olhos suavemente, seguido por um bocejo. Observou o local atentamente e percebeu que se encontrava no seu quarto, não se lembrava de como exatamente havia parado lá mas notou que já era noite, sua janela estava escancarada e ela dormira a tarde inteira. Levantou-se e encontrou sua melhor amiga sentada no chão com as costas apoiadas na cama, mexendo em seu celular desatenta, parecendo não perceber que a rosada havia despertado.

– O que aconteceu? – Sakura chamou a atenção da amiga.

– Bom dia Bela Adormecida! – Annie virou-se com um sorriso imenso estampado em seu rosto – Ou deveria dizer boa noite?

– Tanto faz – Passou a mão por seus cabelos róseos – Pode me responder?

– Mal humor, assim que você trata a sua amiga que passou a tarde inteira cuidando de você – Riu levemente.

– Desculpa Annie... Mas estou com uma puta dor de cabeça e nem me lembro de como cheguei em casa – Fez um sorriso amarelo – A última coisa que me lembro é de que... – Fez uma pausa, como se tivesse se arrependido de dizer as últimas palavras.

– Uchiha te pediu em casamento? – Sakura espantou-se e a melhor amiga só pode rir de sua cara – Você me contou. Teve outro surto de exaustão, como no final do Nono Ano.

– E-Eu... Estou cansada – Afirmou cabisbaixa

– Notei isso – Debochou da amiga – Está tudo bem, mais cedo ou mais tarde você teria isso de novo. Seu stress é absurdo, já tentou procurar um psicólogo?

– Eu fico assim porque coloco muita pressão sobre mim mesma – Sakura estava serena – O vestibular é nesse final de semana, depois disso eu te prometo, vou cuidar mais de mim.

– Saky – Annie levantou-se e se sentou ao lado da amiga na cama – Se você continuar assim pro resto da vida, vai acabar morrendo, ou matando alguém de preocupação.

– Não exagera.

– Então está bem – A morena sorriu novamente – Quero saber essa história do Uchiha.

– O Uchiha é um cara estranho – Abaixou a cabeça – Não senti raiva ao citar o nome dele, o que aconteceu?

– Ainda está sob o efeito do calmante que sua mãe te deu.

– Mamãe... – Sakura levou a mão até seu rosto – Bom, como sempre, esperei a baderna acabar para ir embora. Quando abri a porta ele estava lá, praticamente me intimando para fazer um acordo com ele.

– Acordo? – Annie indagou curiosa

– Sim – Suspirou – Nunca escuto as palavras do Uchiha bem, mas pelo que me lembre, ele quer voltar para o Japão. Só que para isso ele precisa casar com uma japonesa. E como aquele sem educação é assexuado, provavelmente a única que ele conhece, sou eu. Me pediu em casamento.

– E o que você ganha com isso?

– Não sei direito. Ele disse que eu não teria que pagar por nada, nem precisaria trabalhar – Sakura fez uma careta – E que morarei no Japão.

– Parece um pouco abusivo do Uchiha – Soltou um riso leve – Mas você negou? Duvido que tenha pensado duas vezes.

– Neguei – Afirmou – Então ele veio para cima de mim e eu o beijei.

– Foi você que o beijou? – Annie encarou-a surpresa – Sakura!

– Ele estava a milímetros de mim e brincou com meus impulsos sexuais – Ela falava serenamente.

– Não que isso seja muito sexual... Sakura, está tudo bem com você?

– Não, eu quero socar ele – Ela dizia indiferente – Socar ele até ficar inteirinho roxo, depois dar de comida para aquele tigre que comeu o braço do menino, sabe?

– Esses seus remédios são fortes – Annie gargalhou – Amanhã você estará se tornando um monstro novamente, não se preocupe.

– Estou me sentindo incomodada tão calma desse jeito.

– Vou aproveitar que você está calminha assim e vou te contar então! – A amiga sentou sobre os joelhos e encarou Sakura – O Uchiha te mandou uma mensagem dizendo que ainda sente o sabor dos seus lábios.

– Ele o quê?!?! – A rosada gritou, levantando-se. Sua adrenalina subiu, o efeito do remédio estava começando a falhar. Annie se desesperou.

Notas finais
Então é isso aiiiiiiiiiii galerinha, obrigada por continuarem comigo mais um capítulo! Isso é o que acontece quando a gente se esgota demais e esquece de cuidar da saúde hahahah Já passei por isso admito, mas não dessa maneira. Enfim, não quero dar lição de moral em vcs hahahah Não se esqueçam de me dizer o que acharam, inclusive desse clima mais "pesado". Beijo no kokoro de vcs.