Notas iniciais
Finalmente o quarto e último capítulo chegou! Queríamos ter atualizado a fic no Natal, mas não conseguimos, então deixamos para o último dia do ano! Esperamos que gostem!

Inverno

Para quem vive no campo, os primeiros dias de sol de inverno anunciam as primeiras geadas e o frio prestes a chegar. Os eternos campos de milho dourado são substituídos pelas abóboras e pelas longas folhas dos nabos, prontinhos a serem colhidos para as sopas grossas e quentes. Natal não é Natal se não houver nabos frescos na sopa.

Com a mudança da hora, Ukai agora ia para o campo já a amanhecer e o fumo que lhe saía da boca era agora apenas vapor de ar (ele andava a fumar muito menos nos dias que corriam. O incentivo era bom). Bocejava ainda incapaz de espantar o sono e nem mesmo o ar gelado o ajudava para derrotar a vontade de voltar para a cama no lugar de estar ali, a colher nabos às seis da manhã.

Em sua defesa, era uma pessoa paciente. Podia não parecer ou até dar a entender o contrário por culpa da sua natureza barulhenta e resmungona. Mas ele aguentava diariamente com um grupo de adolescentes que nem sempre eram fáceis de se governar e também aguentava diariamente com as clientes idosas no mercado caseiro dos seus pais que faziam demasiadas exigências e reclamações.

Em comparação com isso, arrancar nabos parecia fácil. Arregaçou as mangas, preparando-se mentalmente para o esforço físico que a atividade exigia (é que nabos são muito presos na terra e é como se não quisessem sair de lá) e no momento em que ia pegar nas luvas para calçar, o seu telemóvel vibrou.

Ittetsu (06:07 am): Bom dia! Recebi ontem à noite o email e só vi agora: o Sr. Nekomata concordou em arranjarmos um jogo contra eles logo em Janeiro. Podes avisar os Corvos? :)

Ittetsu (06:08 am): (Desculpa se te acordei! D:)

Ittetsu (06:08 am): Ah não espera, tu já deves estar acordado faz tempo.

Ittetsu (06:08 am): (Desculpa se estou a atrapalhar o teu trabalho).

Ukai sorriu, as bochechas ficando avermelhadas apenas pela lembrança de que seu amado professor, com quem ele estava saindo há dois meses, continuava fofo e gentil como sempre.

Keishin-kun (06:09 am): Não se preocupe, Ittetsu, você nunca me atrapalha

Ittetsu (06:09 am): >////< Você é gentil demais, Keishin-kun!

Ittetsu (06:09 am): Podemos tomar um café antes do trabalho, o que acha? :)

Keishin-kun (06:10 am): Eu adoraria.

A ideia de poder tomar o pequeno-almoço com o professor antes do seu dia “real” começar animava bastante Ukai. Sem dúvida que tornava a sua jornada bem mais suportável e ele ficava bem melhor humorado.

Toda a gente notava isso. Desde a sua família aos seus clientes e ele tentava esquivar-se às perguntas. Ittetsu ainda não estava preparado para assumir o relacionamento em público, nem mesmo aos seus alunos, com receio que isso pudesse trazer problemas no trabalho. Ukai respeitava sem se opor. Mas que era difícil simplesmente não poder beijar o professor quando quisesse… era.

Ittetsu (06:11 am): Lugar de sempre, hora de sempre :)

E se antes Ukai precisa de um pouco mais de estímulo para arrancar nabos pela próxima hora, agora ele tinha a maior disposição do mundo. Colocou as luvas e começou a cantarolar alegremente, ansioso para a hora do seu segundo café da manhã.

Takeda já aguardava Ukai no café deles quando o treinador chegou. O café era novo na cidade, os donos eram um casal adorável de jovens que cuidavam de animais abandonados como se fossem seus próprios filhos. Shimada quem descobrira o local, e como o café era delicioso e o preço acessível, logo Takeda e Ukai começaram a se reunir ali para algumas reuniões sobre o time de vôlei.

Bem, agora aquele havia virado o local de encontros do novo casal, mas precisavam manter as aparências, então apenas se encontravam ali casualmente, mas agora sem falar sobre seus corvos favoritos.

“Keishin-kun! Bom dia!”, Takeda cumprimentou com um doce e enorme sorriso, “Eu pedi o seu favorito!”

Ele sentou-se sem muita delicadeza, já sentindo os músculos arder pelo esforço. Estava a ficar velho demais para tirar nabos. Mas sorriu ao professor, o seu coração logo dando outro salto como se fosse um adolescente, “Obrigado Ittetsu. Sempre a salvar-me.”

O mais velho riu, notando que Ukai havia tomado banho apenas para lhe ver. Não que o treinador fosse negligente quanto à sua higiene, mas ele sempre preferia cochilar uns minutos que fosse após a colheita, e não foram poucas as vezes que Takeda sentiu o cheiro de terra no mais jovem.

Aqueles pequenos detalhes desarmavam o professor, que se apaixonava cada dia mais pelo loiro.

“Não exagere, você sempre pede a mesma coisa…”

“E você fez questão de perceber isso antes mesmo de virarmos amigos”, sorriu, lhe piscando o olho.

"Estou habituado a observar pássaros e os seus hábitos.", riu e Ukai cruzou os braços, "Sou um pássaro agora?"

"Sim, um corvo barulhento."

Ukai coçou a bochecha e tentou pensar no pássaro mais fofo que conhecia, "Então nesse caso és um pisco."

"Mas eu não sou ruivo."

"Ah verdade. És um pisco moreno."

Takeda riu, ajeitando os óculos sobre o nariz antes de sorrir ao mais jovem.

“Você é tão querido, Keishin-kun…”

Ukai sorriu, corando de leve, mas a conversa precisou parar um pouco quando Naomi, a dona do café, veio lhes servir os pedidos.

“Bom dia, Ukai-san!”, ela disse, já tendo cumprimentado Takeda mais cedo.

"Olá, bom dia."

Ela sorriu-lhe, "Está tudo bem com o teu avô? Não o tenho visto por cá, como é um cliente frequente …"

"Ah sim, o velhote fica rabugento no Inverno e têm sido dias frios então ele já não sai tanto no final do jantar.", explicou.

Naomi riu, assentindo enquanto abraçava a bandeja de madeira.

“Ah, entendi! Mande meus cumprimentos a ele, por favor! O Shinji sente saudades de jogar cartas com ele”, disse, apontando para o marido no balcão, “Fiquem à vontade, sim? Qualquer coisa, é só chamar!”

Takeda sorriu-lhe, “Muito obrigado.”

Assim que ela virou costas para voltar ao balcão, o professor encarou o loiro, “O teu avô não está melhor?”

Ele abanou com a mão, “Ele está, mas sabes como o velhote é: teimoso!”

“Claro que sei. As maçãs não caem muito longe das árvores.”

Ukai fez biquinho e deu-lhe levemente com o joelho por baixo da mesa, “Eu não sou teimoso.”

O mais velho riu mais uma vez, divertido.

“Claro, claro…”, implicou e bebeu seu café, a ponta do pé direito roçando de leve na perna de Ukai por sob a mesa. Era um toque discreto e tímido, mas era o suficiente para fazer ambos corarem de leve, acanhados, e logo Ukai mudou de assunto ao pigarrear.

“Ittetsu, eu… Bem, o Natal logo chega…”, coçou a nuca

“Oh, não se preocupe, Keishin-kun! Passe a noite com sua família, eu ainda tenho muitas provas para corrigir!”, ele sorriu.

Ukai encarou-o perplexo, “Nem pensar!”

O professor pestanejou, “Não tem problema. Faço sempre isso-”

Não controlando o impulso, Ukai agarrou na mão dele e falou quase tudo de uma vez, “Vem passar o Natal connosco. Somos só eu e os meus avós, é algo pequeno mas…”

As bochechas do professor tingiram-se de vermelho vivo. Primeiro porque Ukai, com sua energia jovial, havia lhe tomado as mãos em público. Segundo porque ele o havia convidado para passar o Natal com a sua família.

Natal.

Uma época tão romântica, e Ukai queria passar consigo.

“K-Keishin-kun…”

“Por favor, Ittetsu! Venha passar o Natal conosco!”, pediu mais uma vez, as bochechas também coradas.

O mais velho, então, sorriu, apertando as mãos do loiro, assentindo.

“E-eu vou!”

A expressão do loiro iluminou-se de imediato e não conteve um sorriso tímido, "Mesmo?"

"Mesmo."

O sorriso alargou, "Fico muito feliz Ittetsu!"

Takeda voltou a sorrir, emocionado que seu namorado quisesse sua companhia no Natal, e soltou as mãos do mais jovem com muito custo. Precisavam fingir ser apenas bons amigos, mesmo que desejassem poder gritar ao mundo o quanto se amavam.

“Eu também, Keishin-kun”.

Sugawara bocejou enquanto guardava seus livros no armário.

“Que preguiça! Ainda bem que as férias de inverno começam amanhã!”, disse a Daichi, que estava ao seu lado.

O capitão espreguiçou-se, “A quem o dizes. Estava farto de estudar. E está tanto frio que só me apetece… não fazer nada.”

“Bem, esta é altura do ano de comer e dormir.”

“E passear. Há frio e sol, os dias são bonitos e quero ir passear contigo.”

Sugawara sorriu, colocando a mochila nas costas, “É nosso primeiro Natal juntos… queria ir ao festival com você esse ano!”

“Então vamos. Quero comer--”

Algo embateu contra si, quase o fazendo tropeçar para a frente e logo os seus ombros foram envolvidos por dois pares de braços, “Ouviste isto, Ryuu?”

“Ouvi sim, Noya-san.”, Tanaka respondeu-lhe no mesmo tom solene e sério, com falso dramatismo, “É um ultraje.”

“Verdade. O nosso amado capitão e senpai a não nos convidar para ir ao festival.”

“Sim! Tudo porque quer ir com o Suga-san!”

Nishinoya fez um biquinho de peixe como se atirasse beijinhos para o ar de forma exagerada, “Quer o Suga-san só para ele!”

“Mas que senpai egoísta. Um bom capitão convidaria toda a equipa.”

“E pagaria um doce a cada!”

“Sim! Só que não! Ele só quer o Suga-san. E dar beijinhos no Suga-san.”

“Só beijinhos ao Suga-san!”

Continuaram com o barulho de beijos, um de cada lado do moreno.

Dito Sugawara só cruzou os braços e sorria em divertimento por ver o namorado passar por várias emoções em poucos segundos. Surpresa, a medo, a irritação, vergonha, raiva, mais vergonha, mais raiva.

“NISHINOYA. TANAKA. Comportem-se!”

A dupla caótica desmanchou-se a rir, lágrimas no cantos dos olhos enquanto apontavam para Daichi e implicavam com ele:

“Daichi-san só quer o Suga-san, lala-ri-lalá!”

O capitão estremeceu, irritado, mas Sugawara piscou o olho aos mais jovens e sorriu, mais implicante ainda.

“Não se preocupem, rapazes, nós damos beijinhos em vocês também”

Como que por magia, Tanaka e Noya coraram, recuando dois passos.

“Não queremos beijos de vocês, mas sim da Shimizu-san!”

“E do Asahi-san!”. Os três piscaram e olharam para o líbero, que corou ainda mais e balançou a cabeça, “D-Digo--”

O sorriso de Suga aumentou e o grisalho aproximou-se do baixinho. Noya encolheu-se e deu um passo atrás para fugir, mas Tanaka segurou-o pelas axilas para o impedir — o traidor.

Engoliu em seco e olhou para Daichi, pedindo por socorro, mas o capitão apenas deu um sorriso vingativo de quem não o tencionava ajudar.

“Noya-kun~”, Suga chamou num falso tom doce e inocente, “Eu devo ter ouvido mal, não?”, coçou o queixo, olhando para o ar num falso gesto pensativo, “Será que… Isso é um crush no nosso amado gigante de coração de vidro?”

O mais jovem se encolheu, parecendo ainda menor, e seus amigos estranharam tamanha vulnerabilidade nele. Se por um momento Sugawara pensou em implicar com seu colega, ele logo mudou de ideias ao perceber medo no olhar dele.

“Noya, você gosta do Asahi?”

Tanaka afrouxou a força em seus braços, mas seu melhor amigo continuou ‘abraçado’ em si, a cabeça baixa.

“Eu… Eu acho que sim…”

“Tu achas?”. Tanaka pestanejou e o baixinho fez uma expressão de amuo, “Eu acho.”

Sugawara pousou as mãos na cintura e sorriu, “Nesse caso, vamos ter de o convidar também para vir ao festival.”

Noya piscou, olhando para o vice-capitão.

“Vocês… não me acham estranho por gostar do Asahi-san?”

Tanaka soltou uma risada, escandalosa como sempre, e bagunçou os cabelos do mais baixo.

“Por que acharíamos? Você continua sendo nosso amigo e líbero! Você pode gostar de quem quiser, Noya!”

Ele continuava um pouco acanhado e era até estranho para os seus colegas verem o sempre tão animado e confiante Nishinoya tímido por algo assim. Sugawara tinha já o seu novo projeto de casamenteira a forma-se na cabeça e Daichi apenas olhou para ele e sorriu, abanando com a cabeça por simplesmente já prever isso.

“De verdade?”

“Claro que sim.”, Daichi disse, “A única condição é que isso não atrapalhe os treinos. Já basta o Kageyama e o Hinata.”

Noya acalmou e deu uma risada, “Eu não acho que o Asahi-san fosse gostar de ser rodado pelo ar no meio do campo. Isto se ele sequer retribuísse, o que também não acontece.”

Tanaka colocou as mãos na cintura, com uma pose confiante.

“Noya, vou ajudar você a se declarar pro Asahi-san!”, disse todo sorridente, e o menor olhou para si, também se animando.

“É sério isso, Ryuu?!”

“Claro! Você é meu melhor amigo, eu quero te ajudar em tudo o que você precisar!”

“Você é o melhor!”, Noya disse, pulando no amigo para o abraçar.

Daichi abanou com a cabeça e aproximou-se de Sugawara, passando o braço pelas costas dele num meio abraço.

“Parece que temos mais caos na nossa direção.”

O grisalho sorriu, “Vai ser divertido.”

“Suga, prometa não ficar obcecado com isso como você ficou com o Takeda-sensei e o treinador”

Ele fez biquinho, olhando para o namorado.

“Não fiquei obcecado! E se o Noya já admitiu gostar do Asahi, é meio caminho andado!”, sorriu.

"Suga-"

O grisalho beijou-lhe a bochecha, "Demorou quase dois anos para tu perceberes que eu gostava de ti, então confia na minha paciência, sim?"

Daichi soltou um suspiro, mas acabou por assentir, as mãos nos bolsos da jaqueta.

“Certo, certo. Só não vamos assustar o Asahi ou ele vai ficar uma semana com medo da gente”.

Sugawara riu, “Claro que não. Não queremos apertar com aquele coração frágil.”

O moreno sorriu, seguindo ao lado do namorado em direção à quadra de vôlei.

“Coração de vidro”, concordou.

Asahi entrava no ginásio quando Tanaka pulou para cima de si:

“Asahi-san! Precisamos falar com você!”

O gentil gigante da Karasuno deu um gritinho com o susto e logo riu atrapalhado, coçando a nuca, “Oh, Tanaka. Está tudo bem?”

“Não, não está nada bem!”, ele começou, histérico, “Eu preciso da sua ajuda com um amigo meu… sabe, eu tenho um amigo que te acha muito legal, Asahi-san!”

O mais velho pestanejou e deu uma risada, “A mim? Eu não sei se posso ajudar muito, não sei muitos conselhos de Ace.”

Tanaka continuou a empurrá-lo até o depósito da quadra, onde todos os equipamentos de vôlei ficavam guardados.

“Não é esse tipo de ajuda que precisamos!”, ele disse e apontou para Noya, que estava dentro do depósito, as mãos fechadas em punho e as bochechas coradas, “O Noya quer falar com você, até mais!”, disse e saiu dali a correr, fechando a porta num estrondo.

“Oi, Asahi-san!”, o líbero praticamente berrou, nervoso.

Asahi deu um pequeno salto com o volume da voz dele porque não contava. Ver o pequeno nervoso deixava o Ace nervoso igual por pura empatia instintiva.

“N-Noya?”, olhou em volta e ao perceber que não havia nada de estranho, aproximou dele, “Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?”

O baixinho, ainda com as mãos apertadas em punho, berrou a declaração:

“Asahi-san, eu gosto de você, por favor saia comigo!”

Apertou os olhos também, receando ver a reação do mais velho. Pobre Asahi ficou em choque por uns segundos enquanto processava toda aquela informação.

Gostar.

Sair consigo.

Noya.

As suas engrenagens chegaram à conclusão lógica e o atrapalhado Ace ficou tão rubro quanto o próprio Nishinoya.

“E-Eu?” , olhou à volta, seria uma piada?

Nishinoya abriu um olho para o encarar, “Sim!”, berrou de novo, fazendo o outro dar um leve pulo de susto.

“Sair?”

“Sim!”

“Comigo?”

“Sim.”

“Oh.”

O pequeno libero mordeu o lábio com nervosismo e sentia já o coração a apertar por uma rejeição eminente. Asahi coçou a nuca num jeito nervoso, “Eu...Eu acho que seria divertido… Podíamos… ir ao festival? Talvez? Ou a qualquer outro lugar!”, disse meio aflito, já abanando as mãos, “O-Onde tu quiseres!”

O mais jovem sorriu, claramente mais relaxado.

“Eu adoraria ir ao festival com você, Asahi-san”, disse, a voz mais calma e serena, “Eu adoraria ir a qualquer lugar com você, na verdade.”

Asahi engoliu em seco e assentiu, “Então- Então vamos!”

Nishinoya voltou a sorrir, aproximando-se do mais velho para lhe segurar a mão, “Depois do treino! Amanhã entramos de férias e quero que nosso último treino seja legal!”

O ace achou a mão dele tão pequenina que não resistiu em apertar levemente, “Sim… F-Fica combinado.”, disse, as bochechas vermelhas.

O líbero, então, se colocou na ponta dos pés (tendo também de puxar Asahi para baixo), e lhe deu um beijo na bochecha antes de seguir para a quadra e berrar:

“Ele aceitou!”

Claro que Asahi morreu de vergonha, mas não conseguia negar que estava feliz pelo baixinho finalmente ter entendido que o ace gostava de si.

Takeda se olhou no espelho pela vigésima vez, tentando ajeitar os cabelos. Droga, conheceria os avó de Ukai em menos de meia hora e não conseguia se acalmar! Até tivera dor de barriga tamanho nervosismo, e precisou tomar um banho mais longo para ver se aquilo ajudava em alguma coisa. Mas não. O professor trocou de roupa diversas vezes, nunca satisfeito com suas escolhas, e suspirou.

Seu celular tocou, e ele atendeu apressado.

“Alô?”

“Ittetsu! Estou chegando na sua casa!”, Ukai disse, alegre.

O professor, na sua aflição, quase deixou o telemóvel cair ao chão e atrapalhou-se todo ao tentar responder, “Eu não tenho nada vestido!”

“Ahn? Você pode usar as roupas de sempre, eu gosto delas”, sorriu, e Takeda podia sentir que ele estava sendo sincero.

“M-mas é a primeira vez que vou conhecer seus avós e--”

“Nah, os velhos não ligam pra isso. Minha avó está bem contente que eu, nas palavras dela, finalmente desencalhei”, riu e logo o professor ouviu a campainha soar, “Abre, sou eu!”

Deu um guincho e atirou o aparelho para cima da cama, indo quase a correr até à porta.

"Kenshin!", sorriu, "Vem, entra."

Ukai pediu licença e retirou os tênis, deixando-os na entrada. Sorriu e acomodou o professor num abraço caloroso, Takeda se colocando na ponta dos pés para lhe beijar.

“Você está ótimo assim, Ittetsu!”

Ele sorriu levemente e corou, “Não estás a ser imparcial.”

“Estou sim.”, mordiscou-lhe a bochecha e depois a sua jugular, “Sou sempre imparcial contigo.”

O professor corou mais uma vez, ainda não acostumado com tanto carinho, e sentiu-se a derreter, “Seu bobo…”, ele riu, e o treinador corrigiu: “Seu bobo”

Takeda voltou a sorrir, e após mais uns dez minutos decidindo o que vestir, o casal se encaminhou para a casa de Ukai.

O loiro vivia com os seus avós, que o tinham criado desde pequeno. Era uma casa típica de campo, pequena e antiga, mas Takeda achava adorável. Apesar de nervoso, não estava tanto quanto o mais jovem.

“Keishin, eu já conheço o teu avô. Respira.”

Ele resmungou, “O meu problema não és tu, é ele. Ele conta sempre coisas embaraçosas.”

Takeda riu baixo, acomodando-se no seu cachecol macio e quentinho.

“Oh, está com medo de que ele me conte sobre sua infância?”

“Não.”, disse noutro resmungo, “Tenho medo que conte sobre a minha adolescência.”

Claro que aquilo bastou para acender a curiosidade do mais baixo, “Deixe-me adivinhar: você era um Tanaka da vida”, riu.

O loiro encarou-o com uma leve expressão de amuo, “Acho que era pior, infelizmente.”

“O Tanaka é um anjo.”

“Eu não era um anjo.” , apontou para um ponto do seu nariz que tinha um furo pouco visível, “Era revoltado.”.

Takeda piscou, não resistindo em alisar a região do nariz que seu namorado apontara, “Oh, eu nunca tinha reparado nisso… mas você ainda tem piercings”, sorriu, acariciando a orelha dele, “E eu acho bonito”.

O mais jovem abanou com a cabeça, “A tua opinião não conta. Não é imparcial.”

“Claro que é imparcial, eu sou o professor conselheiro, preciso ser assim”, sorriu.

“Não és meu professor, não resulta.”, parou em frente à porta de casa e beijou-lhe a testa antes de inspirar e expirar e abrir a porta para entrar.

A casa era bem pequena e antiga e as mobílias certamente que estavam nas mãos dos avós de Ukai faziam décadas. Mas a lareira estava acesa e o calor era bem acolhedor. O treinador ajudou Takeda a tirar o seu casaco por cavalheirismo, pendurando-o junto do seu atrás da porta e agarrou-lhe na mão, nervoso, ao atravessar o corredor, “Vó?”

“Aqui, Kei-chan!”, a voz da senhora soou da cozinha, e logo ela apareceu, sorridente, com uma bandeja pesada em mãos, “Vó, deixa eu ajudar!”, Ukai disse, apressando-se para auxiliar a mais velha a servir um delicioso chá quentinho para Takeda, “Obrigado, querido. Oh, se não é o famoso Ittetsu-kun?”.

Takeda sorriu, as bochechas logo tornando-se rosadas.

“Ukai-san, boa noite”

“Por favor, me chame de Naoko! Somos família, afinal!”, ela disse já a lhe tomar as mãos nas suas, “Oh, você está gelado, querido! Venha se aquecer perto da lareira!”

Takeda sorriu, ainda um pouco nervoso, mas já foi arrastado para a pequena sala da família. A senhora sorriu-lhe, "O Kei-chan disse-me que eras muito bonitinho e tinha toda a razão!"

O pobre professor não conseguiu controlar o rubor do rosto, e ele apenas olhou para Ukai, que estava tão corado quanto a si.

“Vó, sem comentários embaraçosos, você me prometeu”

Naoko balançou a mão, sempre sorridente.

“E você nos prometeu se casar o quanto antes, esqueceu?”

“Vó!”, o treinador resmungou, e Naoko voltou a rir.

“Ittetsu-kun, aceita um chá? O Ikkei logo se junta a nós, ele está ao telefone com o Nekomata-san”, sorriu.

“Então não é logo, vai demorar duas horas.”, o mais jovem reclamou, “Eles são piores que adolescentes ao telefone.”

Takeda sorriu levemente, ainda bem acanhado com tudo, mas segurou-se no braço do Ukai, “Eu adoraria um chá, Naoko-san. Ainda estou gelado.”

Naoko sorriu, servindo o chá de laranja para Takeda.

“Coma alguns biscoitos, querido. São os favoritos do Kei-chan”

“Vó…”

Takeda riu, e Naoko ignorou o neto resmungão para fazer mil perguntas ao professor, curiosa sobre o namorado de Ukai.

Quando Ikkei, alguns minutos depois, entrou na sala resmungando algo sobre Nekomata beber demais, acenou para Takeda, que se ergueu para fazer uma vênia respeitosa ao mais velho.

“Ukai-san, boa noite”

“Hey, sensei”, o ex-treinador da Karasuno disse com um sorriso, “Boa noite, que bom que se juntou a nós!”

O professor sorriu levemente, realmente grato por ser aceite naquela família, mas ainda acanhado com tudo.

"Eu que agradeço. Ainda mal entrei e já me fizeram sentir em casa…"

"A minha avó tem esse dom e- Hey!", Keishin resmungou quando o avô lhe deu uma palmada na nuca e resmungou de volta, "O teu avô também é hospitaleiro com as visitas!"

"Mas o meu avô é um velho chato!"

"Respeito. Pelo menos não sou uma criança chata. '

Naoko deu um longo suspiro, "Meninos, em frente às visitas não. "

Ikkei deu de ombros.

"O sensei não é visita. É família".

O coração de Takeda deu um pulo sem ele contar, um calor agradável espalhou-se pelo seu corpo como um arrepio e a emoção forte deixou-o sem reação possível. Depois de tantos anos a ser ignorado pela sua própria família era estranho ser assim acolhido, tão rápido, sem precisar de fazer nada.

Queria chorar. Ficou sem palavras.

Naoko bufou e usou o pano de cozinha para “bater” na coxa do marido, “Não me respondas de volta! Foi uma expressão. O que eu quero é que se comportem!”

Encarou o professor, “Desculpa-os, eles são farinha do mesmo saco e--”, pestanejou ao ver a expressão dele e aproximou-se, de imediato já segurando as bochechas dele entre as suas mãos, “Está tudo bem, querido? Eles não estão a discutir a sério, não fiques aflito.”

O treinador, no segundo seguinte, estava ao lado de Takeda, o abraçando pelos ombros, “Ittetsu, tudo bem?”. Ikkei, mesmo com sua cara séria de sempre, também parecia preocupado, e o pobre professor corou antes de abanar energeticamente as mãos em frente ao corpo.

“Não, não, está tudo bem!”, ele disse, sem conseguir controlar uma lágrima, “Eu só…”, sorriu, sentindo seu namorado apertar o abraço, “Estou muito feliz e grato de estar aqui com vocês”

Naoko sorriu, lhe apertando gentilmente as bochechas, “Nós é que agradecemos por você entrar na nossa família, Ittetsu-kun! Agora, vamos jantar!”.

Ele assentiu, limpando os olhos discretamente e o loiro deu-lhe um beijo na bochecha. Não houve hesitação, nem vergonha. Não o escondeu, mesmo que fosse um singelo beijo inocente. Era o

suficiente para o coração do professor, tão massacrado no passado, ficasse cheio.

Foi levado pela mão para a sala de jantar. Ikkei sorriu ao sentar-se, “Finalmente alguém que me possa acompanhar na bebida. Aí esse miúdo não aguenta álcool, é uma vergonha.”

Ukai resmungou um “vô” em tom de ameaça, mas Ikkei apenas riu e bateu nas costas de Takeda, que sorriu e aceitou o copo de sakê. Naoko juntava-se ao neto nos resmungos sobre as bebedeiras do esposo, mas a verdade era que o treinador aposentado era muito forte para bebida, e como o médico não havia proibido álcool, estava tudo bem.

“Certo, mas não exagerem!”, Naoko pediu, servindo o jantar.

Takeda foi servido como um rei. Naoko queria-o alimentado e estava sempre a encher-lhe o prato. A comida era deliciosa e o professor estava encantado.

"Está tudo bem, querido?", a senhora questionou com um sorriso e Ikkei já lhe enchia o copo de novo.

“Está tudo perfeito, Naoko-san”, o professor sorriu, as bochechas coradas pelo calor e pelo álcool, “Obrigado”

Ela sorriu-lhe e Keishin roubou-lhe uma batata que o fez sorrir.

Tudo estava tão natural e aconchegante: a música no rádio, a comida cheirosa e deliciosa, a conversa leve (apesar de pequenas implicâncias de Ikkei sobre o neto), o carinho que havia naquela família… Uma família que se abria para Takeda sem nem pensar duas vezes.

O professor, definitivamente, havia recebido o melhor presente de Natal possível.

Quando ficou tarde, Ukai disse que levaria Takeda em casa (e todos sabiam que o mais jovem acabaria por passar a noite com o professor), e após muitos desejos de boa noite de Naoko (que enrolou o cachecol que tricotara para Takeda no pescoço do professor antes deles saírem), o jovem casal seguiu a pé para o apartamento onde o mais velho morava.

Estava uma noite fria, mas o céu estava limpo, e Takeda, levemente embriagado, não conseguia parar de sorrir a admirar as estrelas.

“Ittetsu?”

A voz de Ukai pareceu levemente preocupada, e o professor olhou para o loiro, piscando de leve.

“Sim, Keishin-kun?”

Ukai coçou a nuca, retirando do bolso da jaqueta uma caixa de presente. Entregou-a a Takeda, que ficou a observar o grande laço vermelho enquanto tentava entender o motivo do nervosismo do mais jovem. Abriu a caixa e viu ali uma coleira amarela.

“Eu… Eu sei que não podemos tornar nosso relacionamento público por causa do nosso trabalho e eu nunca vou me colocar entre você e a sua vocação… Mas eu amo você, Ittetsu, e quero criar uma família com você. Então estava pensando que podemos começar ela adotando um cachorro… ou gato, se você preferir”.

O mais velho olhou da caixinha para o treinador, tão nervoso e acanhado que em nada se parecia com o Keishin barulhento que estava tão habituado. E pela milésima vez naquela noite, o seu coração parecia dar um pulo para sair fora do peito, tão intenso que lhe provocava um calor agradável pelo corpo inteiro e ele não sabia lidar. Era tudo o que tinha desejado por muito tempo, talvez melhor ainda, e parecia que finalmente as coisas se organizavam na sua vida e genuinamente o deixavam feliz.

Começou a rir… e a chorar ao mesmo tempo e o pobre Ukai ficou ainda mais nervoso e confuso, balbuciando atrapalhado até ser apertado num abraço forte e familiar.

“Nada me faria mais feliz que construir família contigo… Um cão, um gato, uma dezena de corvos, uma criança, ou tudo ao mesmo tempo.”

Ukai sorriu, apertando o mais velho contra si, lhe beijando a testa, "Isso é a melhor coisa que poderia acontecer comigo, Ittetsu…"

O professor riu, segurando a coleira com força, como se ela pudesse sumir e toda aquela felicidade se revelasse um sonho.

Mas não.

Era tudo real: o amor de Keishin por si, a família do treinador o aceitava sem nem pensar duas vezes, a pessoa que mais amava na vida desejava construir uma família consigo…

Takeda não podia estar mais feliz.

"Keishin-kun, me beije", pediu, colocando-se na ponta dos pés.

Ukai obedeceu, claro, segurando Takeda e o beijando com todo o amor e carinho que podia.

Não importava o frio, nem que alguém pudesse passar pela rua deserta às duas e nove da manhã: eles apenas desejavam amar e ser amados, e aquele beijo marcava uma nova etapa na vida deles.

Daichi riu, "Suga, o que você está vestindo?"

O vice-capitão fez biquinho, cruzando os braços, "Foi a minha avó quem tricotou para mim, eu não posso simplesmente dizer que esse suéter é ridículo".

Daichi escondeu o sorriso com a mão, "Sei."

“Daichi!”, resmungou amuado e foi abraçado pelo capitão, “Pronto, pronto. Estás um amor. E a suéter é fofa.”

O mais velho fez um biquinho, mas retribuiu o abraço, “Eu sei quando você está mentindo, Daichi”

“Não é uma mentira!”

“Mas também não é verdade”, disse, ouvindo Daichi rir baixo contra seu pescoço.

“Bem, que tal irmos logo ao templo para depois tomarmos aquele chocolate-quente que você adora?”

“Que chato você saber como me comprar”

“É por isso que você me ama”

“E por causa das suas coxas”

“Koushi--”

“Certo, certo, vamos”, riu, segurando a mão do capitão antes de terem que se afastar para sair de casa.

Aquele dia estava ainda mais frio que no Natal: havia nevado na noite anterior e embora muita da neve tivesse sido varrida, ainda era perigoso caminhar por alguns lugares, e os jovens andavam com calma para evitar acidentes.

Havia sido combinado com o time de vôlei que fossem agradecer pelo ano que se passara e pedir auxílio para o ano que chegava, e embora Tsukishima tivesse dito com todas as letras que ele preferia passar o dia com dor de barriga do que com seus colegas, lá estava ele ao lado de Yamaguchi, que conversava animadamente com Hinata. Era óbvio que o loiro não estava muito contente com o passeio, mas todos sabiam que ele simplesmente não conseguia negar nada ao namorado.

Outro que fazia tudo que o amado desejava era Kageyama: o rei da quadra seguia o ruivinho energético por todo canto, e ele até mesmo comprou uma oferenda para que Hinata pudesse fazer um pedido no templo.

Suga estava feliz: estava com seus amigos, com seu namorado, com sua equipe… Sabia que ele não seria mais aluno do Karasuno por muito mais tempo, e ele já sabia qual profissão ele desejava para si, então aqueles últimos momentos com todos aqueles bagunceiros ficavam ainda mais especial. Curtiria cada minuto que ainda lhes restasse, e capturaria diversas memórias com a máquina fotográfica da sua mãe.

“Certo, se juntem mais e digam ‘xiiiiis’!”, pediu, aguardando que os seus amigos se organizassem para a foto. Shimizu ficou entre Tanaka e Yachi, sorrindo gentilmente, e Suga saiu correndo enquanto o temporizador da câmera contava de cinco a zero. Ele só teve tempo de se colocar ajoelhado na frente de todo mundo e a câmera automaticamente tirou a foto.

“Eu quero cópia de todas!”, Tanaka berrou animado, olhando a foto por cima do ombro de Suga.

“Eu vou mandar para todo mundo, calma!”, o vice-capitão disse entre risos, deixando que Kinoshita pegasse a câmera para tirar outras fotos.

No final daquela manhã, com o cartão da máquina cheio de fotos engraçadas e desfocadas (mas não menos especiais), Suga e Daichi seguiram para o pequeno café de Naomi e Shinji. Lá eles pediram o chocolate-quente que o mais velho tanto adorava, e enquanto esperavam pelos pedidos, ficaram a observar as fotos tiradas enquanto faziam comentários e se divertiam.

“O Asahi está tão acanhado nessa foto~”, Suga comentou, mostrando-a a Daichi, que riu.

“Bem, o Noya segurou a mão dele na frente de todo mundo…”

“Todo mundo sabe que eles estão namorando…”

“Sim, mas ele é tímido”, sorriu, piscando o olho para Suga.

Sugawara também era tímido e, embora o time soubesse quem namorava quem e nada havia mudado entre eles, aquela cidade pequena ainda não estava preparada para romances entre pessoas do mesmo gênero.

Um inocente segurar de mãos poderia causar uma grande dor de cabeça.

“Foi tão divertido…”, o mais velho disse entre sorrisos, ainda a observar as fotos.

Foi então que ele notou: no fundo de uma das fotos, ele pode perceber Takeda e Ukai a conversar animadamente. Eles estavam um pouco camuflados pela multidão e pelas barraquinhas de vendas que haviam sido montadas, mas Suga conseguiu perceber o sorriso que os mais velhos trocavam.

Era um sorriso genuíno, cúmplice… o mesmo sorriso que ele e Daichi trocavam há meses.

Sorriu.

“Hey, Daichi?”, chamou, e o moreno olhou para si com curiosidade, “Finalmente os vovôs corvos se acertaram”, disse, mostrando a foto para Daichi.

Olhando a foto, o capitão chegou à mesma conclusão que o namorado, e não evitou sorrir também.

“Viu? E nem precisaram da sua ajuda~”, implicou.

“Quieto, Daichi”, resmungou, recebendo um riso animado de Daichi.

Voltou a sorrir, desligando a câmera quando Naomi chegou com seus pedidos, e ergueu a xícara com o chocolate-quente.

“Vamos fazer um brinde, Daichi!”

Daichi pegou seu café, imitando o mais velho.

“Um brinde a que?”, questionou, e Suga sorriu.

“Ao amor.”.

Daichi sorriu, batendo gentilmente sua xícara na de Suga.

“Ao amor.”

Em sua casa, Takeda espirrou, chamando a atenção de Ukai.

“Tudo bem, Ittetsu?”, questionou, terminando de pentear o cachorro novo deles, “Você é alérgico ao pelo do Adamastor?”

O professor sorriu.

“Não, acho que é só o frio… vem, vamos ver um filme e ficar debaixo das cobertas!”, convidou, abraçando o enorme cachorro quando esse veio se deitar entre o casal.

Ukai sorriu, beijando o namorado e ligando a televisão para assistirem qualquer coisa até o novo ano começar.

Notas finais
Agradecemos a todo mundo que acompanhou essa fic ♥ É sempre um prazer escrever com a Labi, e foi muito divertido trazer um dos casais que mais amo, UkaTake, ao meu mundinho de fanfics, eles merecem mais histórias! Um grande abraço a todo mundo, que 2021 seja um ótimo ano!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!