Seasons Call

1 Minha amada estação me chama


Seasons Call

Shinya olhava a chuva que caía sobre a cidade.

Lembrava-se do ocorrido daquela manhã.

Havia chegado cedo ao estúdio quando viu Die e Kaoru se beijando. Não conseguiu falar nada. Saiu correndo da sala de ensaios, dando graças aos céus pelos guitarristas não terem o visto. Ficou parado no corredor até conseguir acalmar-se, o que levou um certo tempo.

Só quando Toshiya e Kyo chegaram é que o baterista entrou na sala e ainda assim manteve-se distante o dia inteiro.

Kaoru e Die faziam as costumeiras brincadeiras, o ruivo o atazanava como sempre, mas o baterista evitava o olhar nos olhos o que despertou a curiosidade de Die.

Quando o ensaio havia acabado saiu correndo, não ligando para os chamados de Toshiya.

Segurava-se para não chorar agora. Era tão difícil... Ele e Daisuke não tinham nada, o ruivo apenas o via como um amigo, um irmão mais novo. Mas Shinya não queria que fosse assim.

Ele amava Die mais que tudo, mas por ser covarde não se declarava.

-Mas para que? -Disse a si mesmo enquanto acariciava a cachorrinha Miyu que estava deitada em seu colo, dormindo placidamente.- Se ele está com o Kaoru, eles são felizes... Pelo menos o Die se mostra satisfeito. Não vale à pena querer estragar tudo... Não será o mesmo quando ele souber.- com um suspiro cansado foi atender a porta, aproveitando para acender as luzes do corredor e da sala.

Quando abriu a porta, a surpresa foi tanta que quase caiu pra trás.

Die! Die estava ali, na sua porta o encarando com aqueles olhos expressivos.

-O que quer, Die? Já está tarde.

-Nossa!- o ruivo soltou um sorriso de deboche — O que eu fiz para ser tratado assim, Shin-chan?- Shinya não gostava quando Die o chamava assim. Era carregado de ironia... O ruivo sempre conseguia o machucar mais e mais.

Estou indo contra o vento turbulento

Procurando pela estação perdida

Mesmo pequeno o meu caminho aponta para seus olhos

Impulsionado por um lampejo de memória

-Você não fez nada, Ando Daisuke. E se me der licença...- já ia fechando a porta quando Die o interrompeu. O pé forçando a porta, evitando que o baterista batesse a mesma na sua cara. Aquilo estava ficando irritante!

-Shinya! Não ensinaram pra você que é falta de educação bater a porta na cara dos outros?- Certo, certo, ele não podia deixar o bom-humor de lado, não é? Mesmo que estivesse um tanto intrigado pelo fato de Shinya evitar o encarar nos olhos durante todo aquele dia.

-Sim, Die, me ensinaram sim. Mas quando é na cara de um pentelho como você que só sabe ferir as pessoas, eu acho que essa regrinha não é válida, né?- Aquele ruivo! Por mais que Shinya o amasse, quisesse ficar com ele o maior tempo possível, era impossível não se irritar com ele! O que ele estava pensando? Chegar na sua casa de noite e atrapalhar o seu tão sonhado descanso?

-Eu quero conversar com você, seu cabeça-dura! Será que pode me ouvir?- Agora Die estava irritado. Ia falar com o mais novo. De qualquer maneira.

Shinya ficou surpreso com a reação do guitarrista e deu espaço para ele entrar. O ruivo jogou-se no sofá e ficou olhando para Miyu que havia acordado e agora aparecia na sala, seguindo direto para o colo do baterista, que havia se sentado no outro sofá de frente para o guitarrista.

Die olhava o carinho que Shinya direcionava à cadelinha e ficou irritado. Pelo simples fato de um animal receber mais atenção que ele. E principalmente por ser Shinya aquele que não o dava atenção.

-Shinya...- chamou em uma voz controlada. Não podia explodir ali.Tinha sido difícil fazer com que o mais novo tivesse deixado ele entrar. Jogar o bichinho de estimação de Shin pela janela só faria com que as coisas piorassem. Para si, é claro.

O baterista voltou sua atenção para Die. Hn. Miyu merecia mais atenção que o ruivo que estava sentado em seu sofá. Pelo menos ela não o fazia sofrer todos os dias. E mesmo que não entendesse, escutava tudo que lhe dizia. Sabia de todos os seus segredos.- "Acho que eu estou assistindo muita televisão."

-Por que está tão diferente hoje? O que eu fiz para você?- O baterista se surpreendeu com aquela pergunta vinda do guitarrista ruivo. Então o desgraçado se importou com aquilo? É claro... Afinal, o bobão não tinha ficado irritado pelas brincadeiras, e aquilo devia ter ferido o ego de Ando Daisuke.

Quantos cortes vou ter que repetir?

Quantos destinos terei que aceitar?

Será que isto nunca terá fim!?

Shinya estava certo, mas seguindo a linha de raciocínio errada. Die estava incomodado, sim, mas não pelo fato de Shinya não ter se irritado com as brincadeiras. Estava irritado pelo fato do baterista estar fugindo dele.

As brincadeirinhas nada mais eram do que uma maneira de Die chamar a atenção do distante e belo baterista do Dir en grey. Die sabia que estava apaixonado pelo colega já fazia muito tempo. Talvez desde que o viu pela primeira vez. Os traços delicados, o fazendo parecer uma moça, mas quando falava todas impressões sobre isso eram desfeitas. No início era mais estranho. Ele sabia que Shinya era um homem, mas sempre vestido como mulher, atiçava sua imaginação. Talvez fosse por isso que Die tivesse sido tachado como pervertido, mas depois percebeu que queria ficar ao lado de Shinya, sempre. Começou a tentar chamar sua atenção, tentar tirá-lo daquela forma reclusa de vida... Quem sabe tivesse conseguido. O baterista já não era mais tão quieto.

-Ah! Não sabe! Já não chega ter feito eu me apaixonar por você, me machucar esse tempo todo...-Shinya pára de falar assustado. Não, não e não! Não poderia ter se entregado daquela forma! Tinha falado tudo o que sentia pelo ruivo... E agora viraria mais motivo de chacota para ele! Xingava-se mentalmente de todos os nomes que lembrava, lutando contra a vontade de bater a cabeça na parede.

-Você... Você... Me ama, Shinya?- A surpresa era enorme. Por mais que sonhasse com tudo aquilo, nunca imaginou que Shinya fosse o corresponder. Mas também... Tinha o machucado? Tinha agido tão errado assim?

Você sempre passa por todo meu corpo

Então não quero temer, nem mesmo o amanhã

Porque você está sempre em mim

-Eu... Esqueça, Die. Eu não disse nada.- Shinya tinha se levantado e começado a caminhar para a janela, olhando mais uma vez para fora, vendo a chuva. Tinha sido burro demais. Tinha que dar um jeito de fazer Die ir embora e só daí começar a chorar.

Assustou-se quando sentiu as mãos de Die em seus braços o virando e levando-o ao encontro o peito do mais velho. Die o abraçava fortemente com certo desespero.

-Die?- Estava em choque. O que era aquilo? Por que Die estava agindo daquela forma? Agora era a vez de Shinya estranhar.- Se isso for mais uma de suas brincadeiras eu...- foi calado por um beijo. Um beijo apaixonado, calmo e singelo...

-Não é brincadeira. Você não sabe o quanto estou feliz em saber que você me ama. Shinya... Você me fez o homem mais feliz do mundo ao dizer isso...

-Mas você não pode gostar de mim!- Desvencilhou-se do abraço de Die, indo para a outra ponta da sala rapidamente.- Você está com o Kaoru! Pensa que eu não sei? Eu vi vocês dois juntos hoje de manhã!! E isso me machucou muito Daisuke! — Shinya não estava mais contendo as lágrimas. Era demais para alguém suportar. Die só podia estar brincando.

-Você... Você não entende, Shin? Eu não amo o Kaoru. Sim, estávamos juntos. Mas era como uma forma de tentar se sentir melhor.- Die andava devagar até onde Shinya estava. A confusão se fazia presente na bonita face. Como assim tentar se sentir melhor?

-Ele ama o Yoshiki, Shin. E o Yoshiki... Talvez goste dele, mas os dois não se dão conta disso. E eu tentava encontrar consolo. Eu não tinha você em meus braços.- Sorriu singelo, como se aquilo fosse um sonho inalcançável.- Mas talvez isso mude.- Agora Daisuke estava muito próximo de Shinya. Seus rostos separados por centímetros. Die sentia a respiração pesada do baterista. Shinya estava nervoso por ter seu amor tão próximo dele... Mas... Tinha se machucado tanto... Medo. Era isso que Shinya sentia. Medo por ter se declarado. E se fosse só uma brincadeira? E se depois de tudo, Die saísse por aquela porta rindo da cara dele?

O melhor de você passa pela minha garganta seca

Umedecendo até meu coração

Quantos cortes vou ter que repetir?

Quantos destinos terei que aceitar?

Será que isto nunca terá fim!?

Die viu a confusão estampada nos olhos do mais novo. O que estaria pensando? Abraçou Shinya mais uma vez, o beijando novamente. Clama... Ternura... Amor. Tentava passar todos esses sentimentos ao baterista, que agora começava a relaxar em seus braços.

Todos os medos de Shinya foram desfeitos. Aquele olhar... Aqueles beijos... Die não estava mentindo! Ele o amava mesmo! Depois de algum tempo se separaram e ficaram se encarando, até que Shinya deitasse a cabeça no ombro de Die e começasse a falar:

-Desculpa... Te julguei errado. Eu tive tanto medo que você estivesse apenas brincando comigo... Que nada disso fosse verdade...

-Não tenho o que desculpar. Na verdade... Eu tentava chamar sua atenção e acabei te magoando...- O ruivo ergueu o rosto de Shinya para encará-lo. Viu que os olhos do companheiro brilhavam de alegria. Shinya começou a acariciar os cabelos ruivos, sentindo-se muito feliz de poder Senti-los. Fazia tanto tempo que sonhava com tudo isso, estar sendo abraçado pelo seu amado guitarrista, ouvindo-o dizer que era amado, dizer que o amava... Nada poderia estragar aquele momento, podia?

De longe o aspecto daquele pássaro

Que vai embora pulando sobre os céus

Sempre me lembra um grande amor

Porque sempre te sinto em mim

Sim, podia. Miyu latindo. Acabava com qualquer clima.

-Ei, sua pestinha! Não precisa ficar com ciúmes dele não! Eu não vou roubar o Shin-chan pra mim!- Die abaixou-se para pegar Miyu e ficar encarando-a cara a cara enquanto falava, muito sério, enquanto Shinya ria.

Era tão bom ouvir a risada pura do baterista... Die largou o animalzinho no chão e enlaçou Shinya pela cintura, roubando um beijo, longo, profundo, apaixonado que logo foi ficando mais e mais quente até se separaram por falta de ar.

-Eu te amo, Shin-chan. Não duvide disso.

-Também te amo, Die. Pra sempre.

Você me ensinou como amar. E sinto.

Eu posso fazer de tudo

Queria expandir o mundo que você desenhou em sonho na frente dos seus olhos

Minha amada estação me chama.

Fim

Notas finais
Reviews fazem uma autora baka feliz o
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.