Seasons
2 Summer
Notas iniciais
E foi assim, naquela tarde reprimida, com um sorriso de canto e as pombas gorjeando no telhado que aconteceu.
Aquele primeiro beijo, os olhares inquietos e os lábios em forma de coração dançavam demasiadamente rápido.
Era como um poema sem rima que aos poucos se transformava em poesia.
A vida podia não ser tão incrível. Mail podia não ter família, Mello podia ter uma estranha facilidade para se meter em encrencas, entretanto não havia nada que pudesse mudar aquele acontecimento.
Não importava quantas vezes aqueles dois garotos haviam chorado. Ou quantas vezes se sentiram reprimidos e sozinhos ali era o ponto máximo da redenção. O ultimo pedido antes de morrer de amores.
E quem diria? Mail, por mais que quisesse não se recusou quando o convite foi feito. Quando as mãos demasiadamente macias de Mihaell o puxaram em direção ao riacho Gold.
Desviaram dos galhos arrebatadores, da patrulha do velho Roger e das pedras no caminho, fugiram segurando o riso e através daquela tarde simplória foram felizes.
Até a noite é claro, aquelas palavras sem emoção, o segurar do choro, as orbes azuis cristais perdida em devaneios e culpa. Não queria abandonar, sabia o quanto era doloroso, mas o que podia fazer?
– Adeus Matt... – Jogou as palavras secas, se afastou do garoto choroso que jazia a seus pés como se fosse lixo. Era preciso ser assim. A máfia não era lugar para ele, e Mello não poderia ser tão egoísta a ponto de negar esses fatos e levar Mail consigo.
Fechou a porta atrás de si. Cerrou os olhos contendo as lágrimas. Lá de dentro do quarto o choro agourento do ruivo fazia daquela melodia, a canção de adeus.
Não chore pequeno Matt.
Despedidas nunca são pra sempre.
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