Season of the Witch
7 Sonhos
Notas iniciais
Mina
Acredito que nunca corri tanto em minha vida, mas felizmente cheguei rápido o suficiente em casa. Os gritos de Anastácia continuavam e isso gelava o meu sangue. Corri pela escada, quase tropeçando pelos degraus, e abri a porta de seu quarto violentamente. Minha prima estava de olhos fechados e se debatia, gritando a plenos pulmões.
Me aproximei dela e segurei seus pulsos fortemente, tentando impedir que ela me atingisse.
— Ana, Ana querida, volte. — falei, a sacudindo. Não adiantou, ela gritou ainda mais alto e parecia querer se afastar de mim, como se eu estivesse a machucando.
— Não! — ela soluçou — Soltem ela! Soltem ela! — gritava, ainda com os olhos fechados, enquanto se contorcia.
Eu estava começando a me desesperar. Anastácia nunca ficara neste estado enquanto tinha visões. Ela jogou o corpo para frente, como se quisesse se levantar e correr, então eu a agarrei e a deitei novamente na cama, tocando sua testa.
— Anastácia. — falei em seu ouvido — Abra os olhos, querida. Volte. Isso não é real.
— M-Miranda — ela murmurou, se acalmando.
— Abra os olhos, Ana. — apertei sua mão.
E ela abriu os olhos, encarando tudo ao redor de seu quarto, até pousar seu olha agitado em mim e me abraçar com tanta força que eu achei que meus ossos iriam se partir.
— O que você viu? — perguntei suavemente, a afastando de maneira que pudesse ver seus olhos — Cassandra está bem?
— Consegui seguir Cassandra nitidamente, mas quando ela entrou em La Push simplesmente desapareceu! — gesticulou com as mãos — Foi como se minhas visões não pudessem ter acesso a La Push. — suspirou.
— O que mais? — segurei os seus ombros, e ela me encarou de maneira defensiva — O que fez você surtar? Você parecia em dor!
— Eu vi um... um exército de vampiros de olhos vermelhos, Mina. — falou, mas não me pareceu que esse fosse o motivo de seu tormento.
— Viu onde estavam? — perguntei, ao invés de insistir.
— Era um espaço meio aberto, não sei muito bem. — murmurou — E haviam lobos também.
Lembrei do lobo cor de areia que havia visto na floresta, mas tentei afastar o pensamento.
Os cabelos vermelhos de colavam em sua testa suada, e ela parecia pálida.
— Tome um banho, Ana. — me levantei — Vou fazer algo para você comer... nunca vi você tão fraca. Você não pode ficar fraca, senão que vai me proteger? — tentei fazer uma piada, mas quando ela fez uma expressão culpada e se encolheu, resolvi sair de seu quarto.
***
Cassandra voltou a tempo de preparar o jantar, e mais uma vez se recusou a nos contar o que fora fazer. Não era de nossa conta, ela havia dito, embora não de uma maneira muito paciente. Anastácia mal me olhara durante a noite, e se trancou no quarto mais cedo do que eu, e isso era inédito. Tentei não me ressentir pelo fato de ter sido ignorada pela minha própria prima e fui tomar um banho morno.
Parei em frente ao meu espelho embaçado e me encarei. Eu era bonita. Todos sempre me disseram isso. Meu rosto era suave e pálido, como que intocado pelo sol, apesar da leve coloração rósea. Meus cabelos eram dourados, embora estando úmidos do banho agora tivessem a coloração mais escura, e caíam até abaixo de meus ombros. Mas o que sempre me destacou, a parte de mim que sempre gostei mais, eram meus olhos: de um tom peculiar de azul turquesa que eu havia herdado de meu pai.
Suspirei e saí do banheiro, indo para o quarto. Pensar em meu pai me deixava triste — e preocupada, já que não tinha notícias dele e nem ousava perguntar a Cassandra. Abri uma das gavetas de minha escrivaninha e tirei um pequeno livro de lá. Era um livro antigo, que eu conhecia desde que me entendia por gente, mas não era o livro que eu queria olhar e sim a fotografia guardada dentro dele.
Dei uma longa olhada, o suficiente para que lágrimas viessem aos meus olhos. Então a guardei novamente e apaguei a luz.
***
— Onde está minha mãe? — a garota perguntou, olhando o homem alto a sua frente.
Ele se ajoelhou, inexpressível, mas seus olhos eram bondosos.
— Ela precisou partir por um tempo, Seren. — o homem ergueu a mão, correndo os dedos pelos cabelos loiros da garota.
— Ela não me ama mais? — ela perguntou — Eu fiz alguma coisa, papai?
— Não! Não, minha querida, é claro que não. — ele segurou seus ombros, o vento bagunçando seus cabelos negros — A sua mãe ama você.
— Então por que ela não quer mais ficar aqui? — a menina chorou e o homem a apertou em um abraço. Mas não disse nada.
A garotinha ergueu os olhos cheios de lágrimas e viu um lobo a observando. Piscou lentamente os olhos e ele já não estava mais lá.
Uma adolescente ruiva estava de pé no lugar em que seu pai tinha estado, e a encarava chorando, seus olhos âmbar tristes.
— Eu vi você queimando...
E então Miranda gritou.
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