Season
5 Extra - Azul
Eu gostava do modo como ela chamava meu nome. Não de uma maneira qualquer. Daquela forma frágil, implorante, que deixava claro que um leve soprar a quebraria. Eu gostava de quando ela estava quebrada, Yukiko, eu gostava, pois era apenas quando estava partida que dizia meu nome de forma tão bela. Eu sou sem dúvida uma pessoa horrível, mas sou ainda pior por gostar de vê-la dessa forma. Ela era tão bela com o olhar baixo e a voz vacilante, eu poderia congelar-la no tempo e não me cansaria de observa-la dessa forma.
Eu definitivamente não entendia por que Yukiko estava tão triste. Talvez por eu não ter aberto suas cartas. Talvez por não ter ido a seu casamento. Mas estava tudo bem se ela estivesse triste. Ela deveria me odiar agora. Na verdade, também estava tudo bem se me odiasse.
Sempre fui uma pessoa estranha, rodeada por estranhos perfeitos. Tão belos e fervorosos. Eu era apenas um ser calmo no meio do ímpeto da política, a nossa política, onde tudo estava à venda, posses, documentos, informação, cidadania, corpos, pensamentos, almas. Eu gostaria de ser partida ao meio. Estraçalhada. A maioria das pessoas não possui desejos tão estranhos. Acho que sempre fui auto-destrutiva. Eu necessitava do veneno que apressasse minha auto-destruição e finalmente me colocasse à dormir. Ela foi meu veneno, sempre seria.
Yukiko me deu rosas azuis, algo belo, porém inexistente. Algo que murchou rapidamente.

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