Seaport
1 Único
Notas iniciais
Dez meses, esse era o tempo que uma tripulação pirata tinha desembarcado na pequena vila Fuusha localizada no East Blue. Lembro-me do que aconteceu no primeiro dia, como poderia esquecer?
–FlashBack On-
Era um dia ensolarado na pequena vila, os habitantes compravam os alimentos para o almoço. Eu ainda não estava com o bar aberto, caminhava lentamente observando o pequeno Luffy correndo até o porto. O menino apesar de travesso era muito carinhoso, Luffy parou um pouco antes e quando cheguei perto dele logo perguntei.
–O que houve?
–Um navio! É um navio pirata! – Luffy chamou a atenção de todas as pessoas da vila, até eu me assustei porque esses lados do mar são pacíficos. O navio se aproximava cada vez mais, o prefeito já se encontrava ao meu lado. A âncora foi avistada sendo atirada contra o mar e logo o barulho foi audível, todos os piratas se reuniram no centro do navio e pareciam estar conversando. Ouviam-se alguns gritos de reprovação até que alguém foi jogado do navio, caiu de bruços na parte rasa da água. Dei alguns passos para frente e desci do morro com cuidado, esperei alguma reação do homem caído. Ele levantou-se devagar, ajustou seu chapéu de palha na cabeça cobrindo os cabelos ruivos molhados.
–NÃO PRECISAVA LEVAR AO PÉ DA LETRA. – Gritou num tom de brincadeira.
–Você que pediu capitão. – Gritou de volta um homem moreno.
O ruivo começou a andar na nossa direção, o prefeito misteriosamente apareceu do meu lado de novo e Luffy estava sentado na beira do morro.
–O que querem? Se vieram roubar esqueçam, essa vila não tem o que entregar.
–É um belo local, mas nós viemos em paz. Meu nome é Shanks.
–Sou o prefeito, se não pretendem nada o que querem?
–Tirar férias. – Piratas? Férias? Conta outra.
–Se você fosse um pirata de verdade, você não tiraria férias. – Luffy desceu o morrinho e encarou Shanks. Tentei segurar o braço dele, em vão.
–Oi baixinho, quer que eu te conte sobre algumas batalhas? – Agachou-se na altura de Luffy e perguntou com um sorriso.
–Quero! – Luffy saiu correndo na frente de Shanks que também começou a correr, não pude deixar de sorrir.
–FlashBack Off-
Eu estava limpando alguns copos enquanto Luffy esperava ansioso a tripulação voltar de uma ilha vizinha, lembrei-me de quando Luffy chegou bebê aqui. Garp-san era um marinheiro de ótima reputação e não podia cuidar dele, já o pai eu não faço a mínima ideia onde poderia ter se enfiado. Entregou a mim e ao prefeito aquele menino que dormia serenamente enrolado em um pano amarelo. Ele passava todo tempo comigo, eu tinha quantos anos? Quinze no máximo.
–Vai querer mais suco Luffy? – Perguntei enquanto guardava o copo limpo.
–Não, quero comida. Cadê o fedorento do Shanks?
–Não se preocupe logo ele está de volta. – Confesso que estava sentindo falta do bar cheio, das risadas dele. Espera Makino, controle-se.
–Voltamos! Ou melhor, eu voltei... – Anunciou o ruivo.
–SHANKS FEDORENTO! Demorou muito, estou desde manhã sentado te esperando.
–Foi mal Luffy, Makino-san pode me ver um pouco de sakê?
–Tudo bem. – Peguei a garrafa com o líquido alcoólico e enchi a caneca. Peguei o segundo lanche de Luffy e servi os dois, sentei no banco de madeira antigo que ficava atrás do balcão. Eu olhava aqueles dois e só conseguia enxergar uma relação pai e filho, Luffy estava sempre com o capitão ruivo e se não estava perguntava onde se localizava o adulto. Shanks contou mais uma de suas aventuras para Luffy, eu queria ficar sentada ouvindo também, mas eu tenho um bar para administrar. Quando perguntei o porquê da tripulação não ter voltado, Shanks respondeu que iriam fazer um acampamento. Não pude conter o riso, piratas acampando definitivamente não é algo que se vê todo dia.
–E porque não ficou com eles?
–Não estou me sentindo bem.
Perguntei se queria algum remédio, apenas negou. A noite caiu e Luffy adormeceu debruçado no balcão. Eu lavava alguns pratos e o ruivo observava Luffy dormindo.
–Ei Makino-san.
–Sim?
–Você gosta de ver as estrelas né? – Corei, sempre que eu ia pra casa ficava um bom tempo olhando as estrelas.
–Gosto...
–Vou lhe fazer um convite, depois que você levar Luffy em casa vá até o morro do porto. – Parece uma boa ideia.
–Tudo bem. – Ele levantou-se e saiu, voltei aos meus afazeres. Quando terminei peguei Luffy no colo com cuidado para não cair. Desliguei as luzes e fui caminhando até a minha casa, liguei a luz da sala e deitei Luffy no sofá-cama. Cobri com um lençol fino, subi até o meu quarto e troquei de roupa. Desliguei as luzes e deixei apenas o abajur da sala ligado, vai que o Luffy acorda e se assusta. Tranquei a porta e peguei o trajeto até o porto, andava com a cabeça baixa e a imagem do ruivo não saia da minha cabeça, principalmente os olhos castanhos. Cheguei ao morrinho e encontrei-o sentado olhando as estrelas, cheguei de mansinho e toquei no seu ombro.
–Achei que não viria. — Brincou.
–Não recuso convites. – Sentei ao lado dele, ficamos olhando o céu. Estava ficando nublado mas ainda sim tinha várias estrelas. – Se sente melhor?
–Um pouco, não sei bem o que é.
–Diz para mim.
–Acho que é saudade.. – Arregalei os olhos.
–Normal. Você deve gostar dessa pessoa.
–Faz algum tempo que eu a conheço, mas não sei se posso dizer o que sinto. – Me fitou com aqueles olhos lindos, senti um pingo de chuva mas nem liguei.
–E quem seria? – Apoiei meu rosto sobre a mão direita a fim de descobrir. Ele virou para mim de novo, a chuva começou a cair e nos molhamos todos. Ele abaixou o meu braço e segurou meu queixo, aproximou-se e nossos lábios se encontraram. Logo depois ele parou.
–Você, bobinha. – Riu, não pude deixar de sorrir.
–Sabe, eu gosto de alguém.
–Me ferrei. – Fez uma pose estranha de assustado e ri mais ainda.
–Bobão, eu gosto de você. – Beijei a bochecha dele e logo me levantei. – Não quer pegar um resfriado, quer? – Levantou-se e entrelaçamos as mãos, fomos andando até a minha casa. Deixei-o molhado na sala, fui ao meu quarto e troquei de roupa. Trouxe uma toalha para ele, agradeceu. Fiz um chocolate quente improvisado, ele sentou-se no banco da mesa. Sentei no outro.
–Você poderia me convidar mais vezes. – Sorri.
–Acho uma ótima ideia. – Concordou.
Fale com o autor