Se você diz
3 Seu amor é como uma estrela
Notas iniciais
Após ter escutado e me emocionado com a mensagem de Finn, eu e Noah fomos comer. O silêncio destruidor de esperanças perpetuou durante o almoço, eu estava destruída internamente e externamente e Noah era uns dos poucos que entendia isso, ele estava tão destruído quanto eu.
Eu sei que não é comum vermos o Puckerman derrubado emocionalmente, ele até estava aguentando bem, toda a dor dele estava escondida por trás da sua arrogância, mas a minha presença quebrava a sua máscara, eu o lembrava de Finn e isso era uma faca de dois gumes. A lembrança era gratificante, mantinha a memória viva do nosso Quarterback, mas acabava com qualquer esperança de tê-lo vivo novamente.
Ao mesmo modo que eu era a kriptonita de Noah, ele era a minha, vê-lo era dolorido, o seu perfume era o mesmo o do Finn e a sua camisa quadriculada era a do Finn. Eu não aguentaria ficar muito tempo perto do Noah, pelo menos não agora.
Depois que ele pagou a conta, eu me despedi e segui em direção ao único lugar que eu me sentia segura, ao único lugar que eu poderia ser eu mesma.
***
Ao chegar ao colégio McKinley, fui em direção ao teatro e comecei a cantarolar, lágrimas desciam pelo meu rosto enquanto um videoclipe dos melhores momentos que tive com Finn passava pela minha mente, a dor era mais que insuportável, a saudade era inacreditável.
Acabei caindo de joelhos no meio do palco, sentia meu coração arder, bater forte, minha respiração doía e ia fraquejando, percebi alguém se aproximando, mas não conseguia ver o seu rosto, deite-me no chão em posição fetal e chorei como se não houvesse amanhã.
A pessoa ao perceber a minha situação correu em minha direção, os holofotes, que por alguma razão estavam ligados, iam contra mim, constatei pelo formato do corpo que era um garoto, era... Finn, a pessoa era Finn, ele chegou, me abraçou e me consolou:
— Hey, Golden Star! Por que choras? Shhhh, vai ficar tudo bem – Golden Star? Finn não me chama assim, a única pessoa que me chama assim é o... – Shhhhh... Vai tudo ficar bem. Shhh... Não precisa chorar, calma, vem cá, vamos embora da...
— Não! – O interrompi em meio às lágrimas – Aqui é especial, você sabe disso, Kurt! Eu o sinto aqui, o sinto em meus ossos, o sinto em cada tom musical, o sinto em meu ventre, o sinto no beijo que não virá, o sinto em cada parte do meu corpo – Respirei fundo e enxuguei as minhas lágrimas – o sinto nas paredes deste teatro, o sinto na batida do seu coração, o sinto no olhar do Noah, o sinto em pensamento, o sinto na minha dor, o sinto aqui! – coloquei minhas mãos em cima do meu colo peitoral, onde estava o colar que Finn me dera quando éramos jovens.
— Ei, ei! – Kurt pegou meu rosto, o ergueu e secou as novas lágrimas – Vamos lá para fora sim, se não me falha a memória, tem uma estrela que poderá nos ver melhor.
Ele levantou, segurou minha mão e me puxou em direção a saída, eu sorria, ele estava certo, eu havia me esquecido deste pequeno detalhe, a estrela mais linda do universo, a estrela que brilha por mim, que está olhando por mim.
Quando, enfim, saímos do teatro, deparei-me com a caminhote do pai do Kurt, ela estava com edredom na sua parte traseira e uns travesseiros, além de uma cesta de piquenique, sorri com a preocupação e apertei a mão do Kurt para ele sentir a minha gratidão.
— Eu liguei para meu pai assim que Puck me disse que você não voltaria para casa, pedi para a Carole dar um jeitinho para mim, peguei um avião e vim cuidar da minha Star. – Ele sorriu e me abraçou de lado.
— Como sabia que eu viria para cá?
— Eu não sabia, achei que você iria para casa dos seus pais.
Deitei na caminhote e fiquei observando o céu estrelado, tentava adivinhar qual estrela era a minha, qual dos brilhos tinha como nome, Finn Hudson.
Após vários minutos silenciosos, percebi que Kurt me olhava de um jeito curioso, como se quisesse fazer uma pergunta e estivesse com medo da resposta.
— O que foi? – Perguntei impaciente
— Não é nada – ele fitou o céu e voltou a me olhar — É que eu tenho receio do que você possa fazer daqui em diante, todos nós temos, na verdade.
— Eu não irei fazer nenhuma burrada se é essa a pergunta que você quer fazer, eu perdi ele ontem, eu estou bem, a vida continua, não é? Além do mais, eu só posso fortalecer o interior do castelo se os muros forem bem construídos.
— O Puck não é o único que te conhece, Rach, eu demorei para sacar na hora, mas eu te conheço, não se esconda atrás da máscara, por favor.
— Eu não estou me escondendo, eu estou me precavendo, você me viu desabando duas vezes, você viu como é, eu não posso pensar na minha dor, aquilo no teatro foi uma fraqueza, não vai se repetir.
Eu estava sendo honesta não podia deixar minhas emoções falarem por mim, eu sempre fui um pouco dramática, admito, mas naquele momento eu tinha prioridades, não era mais aquela pequena aspirante a atriz da Broadway, eu havia amadurecido.
— Não seja tão dura consigo, às vezes é bom desabafar, você sabe que sempre terá eu e o pessoal do Glee ao seu lado, somos sua família.
— Kurt, eu não estou sendo dura, Elizabeth precisa de mim, essa gravidez não é fácil, eu preciso cuidar dela, eu não quero parecer ingrata ou nada do tipo, mas vocês não poderão ser pra gente o que Finn é – Ele fechou os olhos em sinal de descontentamento e eu prossegui – Você é o melhor amigo que alguém pode ter, sou grata por todos, mas eu serei forte, eu sou uma sobrevivente, tenho uma estrela me olhando e guiando, lembra?
Olhamos para cima e sorrimos, os nossos sorrisos eram meio que sem vida, tinham uma pintada de esperança e um pouco de reconforto, eles eram o que precisávamos para aguentar os próximos dias.
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