Se você diz
5 Meu mundo caiu
Notas iniciais
— O que você pensa que está fazendo? – Puck gritou, retirando o copo intocado da minha mão.
— Nada! Eu só... – sou interrompida antes de poder me defender.
— Puta que pariu, Rachel! Você está grávida! E aquela história de que precisa ser forte por Liz, esqueceu? – berrou – Porra, além de cuidar dos assuntos de Finn, serei obrigado a cuidar de você também? E cadê Kurt? Ele deveria tá aqui, não?
— Você não precisa cuidar de mim, já sou bem grandinha – elevei minha voz – Kurt, não é minha babá, eu não preciso de uma, sai daqui – tentei me levantar da cadeira e fui impedida.
— Qual seu problema? Não basta ter perdido Finn, tem que perder Liz também? – ele jogou essas palavras como se jogasse bombas.
— Eu NÃO bebi, tentei, mas não tive coragem – joguei de volta, sussurrando apenas a última sentença — Ela chutou quando ergui o copo.
Ele virou as costas e foi em direção à garrafa de uísque em cima do bar, a mesma garrafa que antes se encontrara cheia e lacrada. Antes desta manhã.
Eu havia acordado bastante abatida, não estava com a mínima vontade de levantar da cama, mas o iPod não parava de tocar um música qualquer. Então, levantei-me e desliguei-o. Aproveite que levantei e fui comer alguma coisa.
No caminho à cozinha passa-se pelo bar, o bar que Finn insistiu para fazer, ele é pequeno, tem um balcão com dois bancos altos, atrás do balcão há um espaço e depois um espelho, as taças ficam penduradas, à esquerda do espelho há um armário de uma porta de vidro com mais copos, à direita o mesmo armário, mas ao invés de mais copos, possui algumas bebidas e embaixo um armário de duas portas de madeira com mais bebidas.
Quando passei pelo bar somente uma coisa me chamou a atenção, o whisky no armário, não era qualquer whisky, era Ballantines, um Scotch de 21 anos, Finn o havia comprado no dia do nosso noivado, mas nunca o havia bebido, e aquilo me remetera lembranças dolorosas.
Desisti de comer e fui em direção à bebida, peguei o copo, o enchi e sentei-me no banco, eu não sabia o que estava fazendo, e quando levantei o copo à minha boca, senti uma pequena dor no meu ventre, era a primeira vez que sentia essa dor nessa gravidez... Não, não era apenas uma dor, era uma sensação prazerosa com uma pintada de dor, eu sabia o que era isso, já o havia sentido antes.
Chutou, Elizabeth havia me chutado pela primeira vez, ela estava me mostrado que estava ali, que estava por mim. Eu não podia beber, eu não podia prejudica-la. Pelo menos, não mais.
— Hey! Estou falando com você – Puck me chamou, tirando-me das lembranças daquela manhã.
— Desculpa, tava pensando, o que foi?
— Já faz duas semanas, o advogado disse que não pode esperar mais, você precisa ir ver o testamento dele – ele anunciou e bebeu mais um gole do whisky.
— Veio por isso? Se for, dê meia volta – não queria ver nada sobre a minha paixão, não agora.
— Não vim só por isso, vim por você também. Santana me ligou preocupada, ela não me disse o porquê, mas disse que era para eu resolver.
— Qual parte de “eu já sou bem grandinha e não preciso de babá” que você não entendeu? – Queixei-me indignada, observei-o tomar mais um gole e tornar a encher o copo.
— Bem, estou vendo como você precisa – ironizou – Me conte mais sobre esta sua vida pacata.
— Eu estou bem – não, eu não estava.
— Você diz “eu estou bem” e eu entendo “socorro, Noah, meu herói caiu, me ajuda” – troçou sem muita alegria.
— Por que você? Prefiro Kurt aqui.
— Olha só, quem tem garras para mostrar. Vai ter que se contentar comigo, Kurt não tem forças suficiente para aturar as suas patadas e o seu mau humor, no momento. E eu? Bem, eu estou sofrendo do mesmo jeito que você.
— Prefiro então ficar sozinha, afinal de contas meu mundo caiu e me fez ficar assim, e se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar.
— Ainda bem que ninguém aprende nada sozinho, e não foi só o seu mundo que caiu, o meu também, acho justo nos ajudarmos mutuamente.
— Por Elizabeth e por Finn – declarei com uma coragem que não sabia ao certo de onde tinha vindo.
— Por Liz e por Finn.
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