Se o Mundo Ruir
9 Capítulo 9 - Bem-Vindo ao Ninho
Notas iniciais
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Betado pela Morrigan. Inspirado pela Morrigan. Voltado à vida e respirado novamente por causa dessa menina. (Isso a torna uma fic zumbi? Hahaha! Nããão... ela não está morta-viva, mas vivinha-viva!) Muito obrigada, minha querida.
Hyoga entrou no quartinho que haviam convertido em uma cela temporária, carregando o rapaz desacordado nos braços. Shiryu e Seiya vieram logo atrás. Depositou-o com cuidado na cama, ajeitando-o para que não ficasse de mal jeito. Os três ficaram uns momentos analizando a pequena figura prostrada. Por fim entreolharam-se, e sem precisarem de palavras, saíram do quarto e fecharam a porta.
Encaminharam-se para o cômodo da casa que ficava mais longe do quarto do prisioneiro, e que, portanto, usariam como uma sala de reuniões. Havia um sofá e duas poltronas, bem simples mas confortáveis, uma mesa de centro prática e uma escrivaninha com telefone.
“Ele precisa de cuidados imediatamente,” Hyoga começou, assim que fechou a porta. “Levá-lo a um hospital está fora de questão, mas talvez devêssemos considerar chamar o Mu.”
“Nem pensar!” Seiya exclamou. “Não podemos envolver mais ninguém nisso, russo. Isso é um seqüestro, não um chá das cinco na casa da tia!”
“Se o deixarmos do jeito que está,” o loiro continuou com impaciência e um pouco de raiva, “poderá pegar uma infecção e morrer, ou pode haver alguma costela quebrada que vai furar um de seus pulmões, ou... sabe-se lá o que mais!”
“Quando um de nós se quebra todo,” o grego continuou, “não tem essa de chamar o Muzinho para curar o dodói, ou correr para o hospital. A gente aguenta firme que nem homem, e se trata como pode. E ainda estamos vivos, não estamos? Por que esse idiota deveria receber tratamento especial?”
Hyoga agarrou-o pela camisa com força e o puxou para perto, quase tocando os narizes, os olhos azul-gelo faiscando de raiva. “Por que o idiota em questão não é ele, é você, sua mula alada, que não deveria tê-lo espancado em primeiro lugar!” gritou na sua cara. Hyoga não era de erguer a voz ou de agredir os amigos, mas essa situação toda o deixava alterado.
“Ei!” Shiryu interveio, separando os dois. “Vocês dois, acalmem-se!”
“Melhor a mula que cumpre o seu dever, do que o pato que fica de braços cruzados sem fazer nada, e depois ousa reclamar que o trabalho não foi do seu agrado!” Seiya berrou.
“Eu estou tentando manter nosso prisioneiro vivo, seu imbecil!” o loiro disse entredentes. “Nós aguentamos uma dose alta de punição física porque somos cavaleiros de bronze... mas não temos idéia do quanto esse rapaz aguenta. Não assuma nada só porque é irmão do Fênix!”
“Eu disse para se acalmarem, por favor,” Shiryu elevou a voz. “Estamos no mesmo time aqui, nossa missão mal começou e vocês já estão brigando?”
“Foi ele quem começou!” reclamou o castanho de forma infantil, cruzando os braços de forma defensiva.
“Hyoga tem razão,” o moreno declarou, “ é possível que o rapaz não seja tão forte e resistente quanto um de nós. As aparências enganam, mas a julgar pela sua forma delicada, não creio que seja um guerreiro, ou que tenha passado por algum condicionamento físico avançado. Na dúvida, o melhor é tratá-lo como um civil, e nos certificarmos de que seus ferimentos sejam bem tratados.”
“Viu? A voz da razão está do meu lado!” disse Hyoga, com um traço de sarcasmo, porém sentia-se um pouco mais calmo.
“Mas o Seiya também tem razão: não podemos trazer ninguém para vê-lo. Isso seria fazer alguém cúmplice de um ato ilegal, do ponto de vista civil-“
“-mas o Mu não é um civil...” Seiya murmurou.
“-e poderia comprometer a nossa missão.”
“Você sugere o que, então?” perguntou Hyoga.
“Eu me encarrego de tratar os ferimentos dele,” ofereceu o chinês. “Meu treino com o Mu sobre a arte da cura ainda está incompleto, mas tenho conhecimento o suficiente para cuidar do rapaz. Não se preocupem.”
Hyoga suspirou, pensativo, mas acabou balançando a cabeça afirmativamente. “Está bem. Obrigada, amigo. Agora vá de uma vez, ele precisa de você. Cuide bem dele, sim?”
“Tem mais uma coisa,” Seiya adicionou rápido, mas hesitou em continuar. Os dois ficaram esperando. “Antes de limpar o sangue e tal... deveríamos tirar umas fotos dele, para o Fênix.”
“O quê???” Hyoga estava entre indignado e incrédulo.
“Pensa bem,” ele continuou. “queremos que o irmão tema por sua segurança, por sua vida. Queremos que acredite que sejamos capazes de maltratar o garoto-“
“-o que obviamente somos...” emendou o loiro, revirando os olhos.
“Intencionalmente, quero dizer,” Seiya disse. “Queremos que ele pense que estamos sendo cruéis com seu irmão, e que faremos pior se ele não cooperar. Temos que mostrar a Fênix que não estamos de brincadeira! E já que o moleque já está machucado de todo o jeito... por que não aproveitar?”
O loiro tinha um Pó de Diamante na ponta da língua para lançar contra o castanho, mas controlou-se bravamente. “Isso – isso é nojento! Revoltante! É esse o papel que vamos interpretar, o de bandidos sem escrúpulos dispostos a tudo para conseguirmos o que queremos — até machucar uma criança indefesa???”
“Criança indefesa o cacete!” Seiya berrou. “Estamos falando do irmão e cúmplice do Cavaleiro de Fênix, que mata civis indefesos sem remorso! Tem uma memória tão fraca assim, ou já se esqueceu da Mina Takeshi, que morreu há poucos dias com aquela bomba no laboratório? Ela sim era uma criança indefesa. O Amamiya menor provavelmente ajudou o maior a fazer aquilo. Criança... era só o que me faltava!”
“Ah Seiya, não sabemos se esse garoto alguma vez matou alguém, não temos prova nenhuma de que alguma vez tenha feito qualquer coisa de mal! Essas são só suposições!” O russo estava a ponto de perder a pouquíssima paciência que lhe restava.
“Você pode se deixar enganar pela carinha sonsa dele e pela pouca idade, e ficar todo sentimental, mas alguém aqui tem que ser realista!”
“Cavaleiros, mais uma vez, parem de se bicar!” Shiryu manifestou-se. “Não há dúvida de que essa idéia é de muito mau-gosto.”
“Obrigada!” o loiro bufou.
“Porém,” o chinês continuou, “por desagradável que isso seja, o Seiya tem um ponto válido. Seria um erro desperdiçar essa oportunidade, Hyoga. Uma foto do garoto coberto de sangue e hematomas seria muito mais efetiva com o irmão do que uma foto dele limpinho e bem cuidado. Queremos que isto acabe o quanto antes, para o bem de todos — inclusive o do garoto — então quanto antes Fênix passar a nos levar a sério, melhor.”
“Mas Shiryu... que jogo doente é esse que vocês dois estão sugerindo? Agora vamos agir como criminosos, não como homens de bem?” o russo argumentou, mas sem muitas esperanças, já vendo que perderia mais essa batalha.
O moreno suspirou. “Temos nos portado como ‘homens de bem’ com o Fênix nos últimos dois anos, Hyoga. Isso não nos levou a nada. Falhamos. Se é só de força e violência que o Fênix entende, então temos que falar a língua dele.”
“E eu não sei se você percebeu, russo,” Seiya continuou,” mas isso aqui é um sequestro. Em geral, homens honrados não sequestram ninguém, então a sua fama de bom moço já foi para o brejo. E sequestradores não pedem ‘por favor’; eles arrancam todas as unhas do refém e as mandam para a família como souvenir, se não há cooperação. E depois cortam cada dedo...”
“Seiya!!!” o loiro gritou, chocado. “Aqui ninguém vai tocar mais um dedo naquele garoto, já chega o que você fez! Como pode falar assim???”
“Claro que não queremos machucá-lo, Hyoga,” Shiryu disse. “Faremos o possível para tornar a estadia dele aqui o menos... destrutiva possível. Não importa quem ele é, será bem tratado. Mas se for necessário machucá-lo, então é exatamente o que seremos obrigados a fazer. Ordens de Athena, lembra?”
Hyoga ficou ainda mais fora de si. “Eu já disse que não! Vocês que não ousem tocar em um fio daquele cabelo verde para ferir o menino, ou juro que vão se ver comigo!!!“
“Calma Hyoga, ninguém aqui quer fazer al a ele. Se de todo possível, não chegaremos a isso,” o moreno tentou aplacá-lo. “É por isso mesmo que não podemos perder uma oportunidade como essa, de provar nossa seriedade sem precisar apelar para a crueldade. São apenas umas fotografias, que importância isso tem? O garoto nem vai ficar sabendo.”
Hyoga olhou de um cavaleiro para outro, bufando, avaliando suas escolhas. Por fim encarou o moreno e respirou fundo. “Está bem, o faça. Não gosto disso nem um pouco, mas se nos ajudar a mandar Shun de volta para o irmão mais depressa... vá lá.”
Shiryu acenou com a cabeça. “Hora de bancar o fotógrafo e depois o enfermeiro... E vocês dois, vão comer algo e tomar um café... irão se sentir melhor. Estão um lixo.”
Continua...
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