Se o Amor é uma Ilusão, Deixe-me Ser Iludida
31 Capítulo 30
Notas iniciais
_ Eu não quero mais sair daqui – Expressa Tomas com feições sonolentas, porém felizes.
Ele está me abraçando pela cintura e juntos fitamos a chuva cair, com seu rosto apoiado sobre meu ombro. Seu perfume de fragrância suave impregna minha pele, e posso sentir sua barba que começa a crescer roçar na minha bochecha. Eu também sou capaz de permanecer neste instante até o amanhecer, envolvida pelo embalo dos braços meigos de Tom que provocam um profundo relaxamento de me arrepiar por inteiro.
_ Talvez nós possamos ficar. Marco não se importaria com isso. – Sugiro, entrelaçando nossas mãos.
_ Seria indelicado de minha parte, Noura. Não o avisei que passaria a noite e...
_ Shiii – O interrompo colocando o dedo indicador nos seus lábios entreabertos, o calando definitivamente com um beijo. – Você precisa se preocupar menos com as convenções sociais, senhor Tomas.
_ Mas então eu não seria um gentleman, e logo você não se apaixonaria por mim.
Delicio-me com uma risada espontânea.
_ Quem disse que estou apaixonada por você?
_ Seus olhos. – Ele responde incisivo, e desvio o olhar para a janela acanhadamente.
_ Talvez você esteja certo. Talvez. – Brinco, descansando a cabeça sobre seu peito.
Escutamos passos se movimentando no segundo andar, evidenciando que Marco estaria voltando para onde estávamos. Nos entreolhamos com pesar, contrariados por ter que acabar com aquele momento íntimo entre nós.
_ Que tal nós darmos “um perdido” nele? – Proponho, mordendo o lábio inferior marotamente.
_ Como assim? Está querendo dizer para fugirmos dele? – Tomas questiona, franzindo o cenho.
_ Sim! – Exclamo entusiasmada.
_ E para onde iríamos? – Ele continua em tom desconfiado, não aprovando muito a ideia.
_ Sei lá, para qualquer lugar onde não haja Marco no meio – Respondo, e ele me devolve um riso nervoso. – Vamos, Lorenzito não irá se importar. Acredite, ele entende dessas coisas muito mais do que a gente.
_ Se ele realmente entendesse não precisaríamos fugir dele...
Um pigarreio soou do outro lado do aposento, onde se situava as escadas.
_ Vamos! – Determino, segurando a mão dele e assim disparamos numa corrida entre os recintos da casa.
Atravessamos a sala de jantar e a sala de hóspedes, e avisto as portas de correr que dão para a varanda dos fundos. Não hesito duas vezes e abro a porta de vidro num empurrão, sentindo o ar gélido da chuva penetrar nos decotes do meu vestido. Tomas pula também para fora e fecha as portas de correr, soltando um esbaforido pelo frio que nos cerca.
_ E agora, Cérebro? O que faremos? – Ele indaga, encarando a cortina de água que despenca das calhas que limita a varanda. Pondero que a chuva não está tão forte, quase podendo ser classificada como uma garoa. Mais à frente, depois da piscina, vislumbro o que se assemelha a um quarto de dispensa.
_ Vamos nos molhar um pouco, Pink.
Com um salto corajoso, mergulho para debaixo da chuva e sinto meus saltos se afundarem na grama encharcada. As gotas suaves tocam e escorrem pela minha pele desnuda, rapidamente banhando meu rosto. Com passos cautelosos, rodeio a grande piscina de fundo azul celeste cuja superfície se salpica em várias micro-ondas pelo temporal. Olho para trás e vejo Tomas me seguindo, os lábios convertidos num enorme sorriso.
_ You’re insane! – Ele brinca, tentando proteger inutilmente a cabeça com o braço.
_ Falou quem está me acompanhando!
Chegamos ao beiral que precede o quarto de paredes brancas e uma singela porta, e solto uma exclamação de vitória ao girar a maçaneta e constatar que a tranca está aberta. A porta range ao abrir e revela um cômodo completamente em breu e um leve cheiro de ar guardado. Procuro um interruptor e logo o encontro, acendendo uma lâmpada amarela no centro do quarto. Descobrimos que não se trata de uma dispensa, e sim de uma pequena casa. Num canto há um sofá pequeno e uma televisão de 32 polegadas, com uma mesa de dois lugares acompanhada de fogão e geladeira. Há uma entrada na esquerda que leva a outro aposento, e no mesmo instante me habilito a explorar o novo local.
_ Espera, Noura. E se houver alguém dormindo aqui? – Tomas pergunta, o cabelo loiro ensopado e escorrido pela testa.
_ Iremos descobrir. OLÁ, TEM ALGUÉM AQUI DENTRO? – Interrogo em voz alta, não recebendo nenhuma resposta.
_ Sabe de outra coisa que acabei de descobrir? – Tomas interpõe, assim que o silêncio define que o lugar está desocupado.
_ O quê?
_ O vinho a deixa muito desinibida.
Reviro os olhos divertida, e juntos vamos até a entrada. O outro recinto é um quarto de solteiro, com uma cama de pernas magras e um armário de madeira bastante simplório. Uma janela gradeada se estende sobre a cama, exibindo a chuva através das barras de metal.
_ Parece a casa de um caseiro, não? – Comento, olhando em volta. Agora que estamos finalmente sozinhos e sem o perigo de Marco nos encontrar, não sei ao certo o que iremos fazer ali. A não ser uma coisa, e a ideia automaticamente enrubesce minha face.
_ Sim. Torço bastante para que ele esteja de férias – Tomas exprime, sacudindo a camisa social que está molhada e grudada ao seu corpo, exibindo as linhas de seu torso por debaixo do tecido.
_ Não é?
_ É.
Ficamos quietos por alguns segundos, desviando os olhares e observando os poucos móveis que mobíliam o lugar.
_ Acho que a chuva está aumentando. – Teço o comentário, ajeitando o cabelo para atrás da orelha.
_ Parece sim. – Ele concorda, enfiando as mãos nos bolsos.
_ Hmm...
_ Oi?
_ Nada. Eu só... ah, nada.
_ Right.
Mais silêncio. Mais constrangimento.
_ Você quer assistir TV? – Pergunto cordialmente, apontando para a televisão na outra sala.
Ele dá de ombros, soltando um riso fugaz.
_ Se você quiser... tudo bem.
_ Se a decisão depende de mim, é porque você não quer. – Avalio, fazendo com que ele deixe escapar outra risada.
_ Não é isso. Só que... é realmente o que você deseja fazer?
Desta vez sou em quem dá de ombros, totalmente envergonhada. Balbucio algumas coisas sem sentido, até arquitetar uma resposta interrogativa.
_ Por quê? Tem outra coisa que você queira fazer aqui? – Dissimulo uma inocente ignorância.
Tomas solta um olhar para a cama de solteiro, e em seguida se volta para mim.
_ Há muitas coisas que eu quero fazer aqui, Noura. Mas tudo depende do que você quer.
Ah, não me julgue.
Não me julgue caso eu lhe conte que em seguida me debrucei em seus braços, mergulhei em sua boca e senti a união de nossas peles úmidas.
Não me julgue caso eu lhe conte que meu coração se preencheu de adrenalina e entusiasmo ao mesmo tempo, ao desabotoar de um por um os botões de sua camisa.
Não me julgue caso eu lhe conte como estremeci ao sentir o toque de Tomas abrindo o zíper do meu vestido, e de como me deleitei ao ouvi-lo dizer que eu era simplesmente perfeita ao pé do meu ouvido.
Não me julgue caso eu lhe conte que a sensação de estar apertada contra o corpo dele na pequena cama de solteiro foi uma das melhores em toda minha vida. A sensação de que minha primeira vez superou qualquer expectativa que eu já pudesse ter sonhado: naquele quarto pequeno e singelo, com o som convidativo da chuva açoitando o lado de fora, amando Tomas e acima de tudo... me sentindo finalmente amada.
Fale com o autor