Se há amor, há tudo.
6 Capítulo 6
Notas iniciais
E: (vendo aquela mulher virar-se se surpreendeu) “Não pode ser, Meu Deus, é ela, Ma.. Maria” (seu rosto refletia o tamanho da surpresa, do seu espanto, incredulidade. Não conseguia pensar ou falar, ela estava ali, a única mulher que havia amado em toda a sua vida, por quem passou todos esses anos sofrendo, a mãe dos seus filhos, era ela, Maria, a sua Maria.
Maria apenas o olhava, seu olhar transmitia tristeza, angustia e dor, mas ao mesmo tempo doçura, mistério, brilho, Ah como Estevão amava aqueles olhos, estava fascinado, “Maria, como está linda, o tempo não mudou nada, continua como eu me lembrava, não, na verdade está mais bonita do que nunca”, Maria por sua vez pensava “Por que Estevão? Por que me abandonou? Por que me fez tão infeliz? Eu te amei tanto, tanto, por que fez isso?” Seus olhos ficam marejados pelas lágrimas. Eles passam algum tempo somente se olhando, não falavam, não conseguiam falar, as emoções do momento eram mais fortes, sentiam algo estranho ao ver um ao outro, o que será em?? ambos sentiram como de suas pernas falhassem, ficaram gélidos, até que Maria é mais forte.
M: (tentando ser fria) O que foi Estevão? O gato comeu sua língua? Vejo que se surpreendeu muito ao me ver, não recobrou a sua cor, está pálido. (Ele somente a olhava e ouvia, aquela voz, como ela amava aquela voz, ele amava tudo nela, sempre achou que ela fosse perfeita).
M: (ele não diz nada, então ela fala mais uma vez) Sou eu, não sou um fantasma, Sou eu Maria, em carne e osso (se aproxima um pouco dele) e mais viva do que nunca (falou a ultima frase como uma indireta).
Padre Belizário que até então só observava resolve falar.
PB: Eu vou deixa-los sozinhos, vocês precisam conversar.
M: Não padre, eu vou com o senhor (indo na direção dele)
PB: Não Maria, fique, eu lhe peço (saindo e deixando-os sozinhos)
Ele sai, deixando-os sozinhos paralisados, Maria estava de costas para Estevão e ele somente a olhava.
M: “Meu Deus e agora? Por que me incomoda tanto está a sós com ele? O que está acontecendo? O que está acontecendo?”
E: Como você..? (sua voz falhava)
M: (suspira e vira-se para ele novamente, mas sem olhá-lo nos olhos) É uma longa história, resumidamente eu conheci um ótimo advogado que acreditou na minha inocência e lutou incansavelmente para reabrir o meu caso, assim feito achamos uma testemunha que depôs ao meu favor alegando que eu havia entrado naquele quarto depois do disparo, e também a morte do Evandro não poderia ter sido mais oportuna.
E: A morte do Evandro?
M: Sim, Evandro me mandou uma carta com seu depoimento onde afirma ter mentido em juízo para me culpar de um crime que eu não havia cometido com a intenção de se vingar de mim (interrompida).
E: Se vingar de você? Mas por que?
M: Isso você teria que perguntar ao Evandro, mas já que ele está morto eu mesmo vou lhe falar, mas tudo ao seu devido tempo (Não teve coragem de falar no momento, ela estava lutando para se manter firme diante de Estevão e não conseguiria fazê-lo se lhe revelasse as asquerosas intenções que Evandro tinha com ela, fica enojada ao lembrar, se põe quieta e Estevão percebe).
E: Maria, nesses anos em que você esteve presa muitas coisas mudaram... (faz uma pausa, tinha medo de revelar a verdade a ela) É... Você tem que saber que os nossos filhos pens... (interrompido)
M: O que eu preciso saber Estevão San Roman? (se põe uma tensão sobre eles, Estevão lembra que Maria só o chamava assim quando estava muita brava com ele, por um momento sentiu vontade de sorrir pois ela mantinha as mesmas manias, mas a situação não lhe permitia isso) Preciso saber que estou morta para meus filhos porque você me matou? Que não existo nem se quer em suas lembranças? (O olhava com raiva e decepção, lágrimas caem de seus olhos)
E: (Apesar de tudo e do tempo, lhe doeu Maria lhe olhar assim, aquele olhar lhe dizia tudo que ela não conseguia mais dizer) Maria, me perdoe, mas você tem que entender que era o melhor a se fazer, você estava condenada a prisão perpétua e nós nunca mais a veríamos novamente, tudo que fiz foi poupar nossos filhos da dor e vergonha de crescer tendo como mãe uma assassina (alterado).
M: (gesticulando com as mãos, bastante alterada grita) É claro pra você é fácil falar, você não perdeu 10 anos da sua vida, sua felicidade, seus sonhos, seus filhos, sua vontade de viver, por que eu sim, (já se desmanchava em lágrimas) eu perdi tudo, quando fui condenada a um crime que não cometi, ouviu bem? QUE EU NÃO COMETI, EU NÃO SOU UMA ASSASSINA.
E: Não me culpe, não fui culpado, a lei te condenou não eu...
M: (Interrompendo-o) você foi o que me fez mais mal Estevão San Roman, me abandonou, quando te jurei pelo amor que eu sentia por você e pelos nossos filhos que era inocente, ME ABANDONOU e ainda pior me matou e não me refiro à mentira que contaste aos nossos filhos refiro a quando você os tirou de mim, quando tirou tudo de mim, quando não me permitiu que eu os beijasse que os abraçasse VOCÊ NÃO ME CONDENOU, VOCÊ FEZ PIOR, VOCÊ ME MATOU ESTEVÃO SAN ROMAN, VOCÊ ME MATOU.
Estevão: (chorando) Me perdoe Maria, naquela época não sabia o que fazer, tinha dois filhos pequenos, fiquei sem chão quando você foi condenada eu... eu te amava tanto e...
Maria: Não tente justificar o mal que me fez Estevão, nada, ouviu bem? Nada do que me diga pode justificar, e não me venha com essa historinha de que me amava, se me amasse de verdade, nunca teria me abandonado, teria acreditado em mim, ou no mínimo teria me dado o beneficio da dúvida, você não me amava Estevão, você nunca me amou... (essas palavras doíam mais em Maria do que em Estevão, ela realmente acreditava que ele não a havia amado).
Estevão fica em silêncio, as palavras de Maria lhe pesaram na consciência, ele não havia dado chance para ela, não deu importância quando ela se humilhou e implorou que acreditasse nela, mesmo a amando mais que tudo, não acreditou nela, “Eu sou um covarde miserável” pensava e lágrimas escorriam pelo seu rosto, tudo estava claro, as vendas nos seus olhos havia caído, Maria era inocente ele agora conseguia ver isso: “Me perdoa Maria, não mereço o teu perdão, mas mesmo assim te peço, fui tão covarde, tão cruel, tem razão eu te matei, a lei te condenou pelo crime, mas eu fiz pior te condenei a ser infeliz para o resto de sua vida, te tirei tudo, te afastei dos nossos filhos, te abandonei, eu devia ter acreditado em você, ter ficado ao teu lado, como não pude enxergar que você não seria capaz? Como Meu Deus? Ah como eu queria poder voltar no tempo.” Ambos ficam se olhando, Estevão pode perceber quanto mágoa existia no olhar de Maria, ela o olha com raiva, fúria e ele a olhava como se estivesse lhe pedindo perdão, até que...
PB: (batendo na porta e logo entrando) Com licença filhos, (a Maria) me desculpe, mas eu só vim te avisar que Luciano está aí, eu pedi que esperasse mais ele está muito preocupado com você.
M: (Olhando-o e limpando as lágrimas) Não se preocupe padre, já estava de saída (ele se retira)
Maria ia logo atrás, mas Estevão segura em seu braço a impedindo.
M: (tentando fazê-lo soltar) Me solta! Está me machucando.
E: (com ciúmes) Quem é esse tal de Luciano?
M: (brava) Não tenho porque lhe dar explicações, a única coisa que precisa saber é que vou recuperar os meus filhos, custe o que custar e que para isso enfrentarei tudo e todos que for necessário, até mesmo você. (soltando-se e indo em bora)
~~Lado de Fora~~
Ao vê-la Luciano percebe a fragilidade de Maria, e como apoio a abraça, e ela retribui precisava se sentir segura, de repente Luciano se põe tenso ao ver um homem, do qual pensou “É ele, foi esse desgraçado que te fez sofrer meu amor e que ainda está fazendo, Estevão San Roman, eu te odeio” Maria percebe, então olha para Luciano e segue os seus olhos e vê mais uma vez Estevão, percebe que ambos se enfrentavam com o olhar.
M: Luciano leve-me para o hotel por favor (ele responde com a cabeça e eles se vão)
Estevão observava aquela cena enfurecido por ver Maria nos braços de outro, quando não os vê mais vai em bora. Maria e Luciano vão para o hotel sem trocarem uma palavra, e Estevão para o carro em frente a mansão põe a cabeça sobre e viaja em seus pensamentos: “Ah Maria! Por que voltou depois de tantos anos? O que vou fazer agora? Como vou poder viver sabendo que está tão perto de mim? O que vou fazer para falar de você aos nossos filhos? Eles vão me odiar por ter feito isso com você, tanto quanto eu me odeio. Fiquei tão confuso ao te ver novamente, não sei o que senti, por que mexe dessa forma comigo? Por que ainda faz isso comigo Maria? Por que me incomodou tanto te ver nos braços daquele miserável? Eu tentei tanto te esquecer e quando em fim estava me convencendo de tê-lo feito você aparece. O que está acontecendo meu Deus?”
CONTINUA...
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