Se eu voltar
3 O começo do fim
Sempre que eu ouvia a Jade tocar me vinha boas lembranças. Lembranças essas que me fazia bem ao coração, Liu não saia da minha mente.
(...)
Shao Khan sempre me ensinou que os que pertencem ao Plano Terreno são maus e queriam tomar nosso reino, acabei crescendo com essa ideia. Mas quando os vi pela primeira vez, senti que eles eram bons. Ao ver o desempenho de Liu Kang durante o torneio fiquei intrigada e quis acabar com ele, esperei a oportunidade para isso. Fui informada sobre o local onde ele estava treinando e me direcione para lá, cheguei lá eu vi conforme tinham me dito. Desafiei Liu Kang para um combate e ele aceitou, a luta não durou muito e eu acabei perdendo. De joelhos no chão, voltei meu olhar para ele e disse:
— Me mate!
— O que está dizendo?
— Me mate! Eu desapontei o meu pai, o imperador...
— Shao Khan é o seu pai?
Respondi sim com a cabeça. Ele ficou agachado na altura em que eu estava e disse:
— Esse combate nunca aconteceu.
Ele se levantou e voltou a dizer:
— Espero que nos encontremos em circunstâncias diferentes.
E então ele se foi. Fiquei o observando e senti algo diferente, uma coisa que eu nunca havia sentido. A partir daquele dia não parava mais de pensar Liu Kang, não queria falar pra ninguém, nem mesmo pra Jade, mas você acha que eu consigo guardar algum segredo dela, Jade logo descobriu. Ela me aporrinhou tanto que tive que contar. Pudera, eu estava mais distraída do que o normal e entre outras coisas que uma pessoa apaixonada sempre tinha.
— Ai Kitana, me conta! Quem é o sortudo?
— Que sortudo? Está ficando louca?
— Você mudou muito de uns pra cá. Anda tão distraída.
Fiz uma pausa, respirei fundo e disse:
— Não sei se ele sente o mesmo por mim...
— Quem, Kit?
— Ele é do Plano Terreno. Chama-se Liu Kang.
Jade se espantou. E disse:
— Como assim? Do Plano Terreno? E se Shao Khan souber?
— Ele não precisa saber. – eu disse olhando-a bem nos olhos
— Você acha que eu ia falar alguma coisa? Nunquinha! — ela pegou um paninho da estante de uma salinha em que estávamos e começou a limpar um dos seus bojutsus — Será que ele não consegue algumas partituras de algumas músicas para treinarmos?
— Você está pensando nisso, Jade?
— Ah Kitana! Eu tenho que aproveitar a oportunidade. Quem sabe não podemos ir embora daqui e ir viver no Plano Terreno. Daí você casa com Liu Kang enquanto eu...
— Jade, você sonha alto demais.
— Alguém tem que sonhar aqui né?
— Sim, mas eu não quero que você crie expectativas e nem eu posso criar. Vai saber se o Liu não é comprometido.
— Acho você muito pessimista Kit!
— Eu sou realista.
(...)
Jade terminou de tocar, colocou a viola em cima de um estojo, sentou-se na cadeira e ficou me olhando. Depois de alguns segundos disse:
— Eu espero que tenha gostado amiga querida.
Segurou minhas mãos com firmeza, enxugou suas lágrimas que voltavam a cair e voltou a dizer:
— Como eu disse, muitas coisas aconteceram. E é preciso que você saiba pelos lábios dele.
Meu Deus, dele quem? Será o Liu? Ele tem alguma coisa a me dizer? Comecei a ficar aflita. Jade se despediu de mim e saiu da UTI, aproveitei e sai também e fui em direção à sala de visitas. Cheguei lá o Liu ainda não estava, pensava mil coisas, resolvi sentar na escada que tinha antes da entrada da sala de visitas, assim eu o esperaria.
De repente eu vi subindo as escadas dois homens, um eu já conhecia era Bo Rai ‘Cho e aquele que o acompanhava eu nunca tinha visto o rosto dele, mas seus olhos me pareciam familiar, trajava uma camisa polo azul e calça jeans preta. Eles passaram por mim, eu os acompanhei e vi que eles cumprimentaram Sonya, Johnny Cage e Kenshi que não saíram dali desde a minha internação.
— Logo que soube do que aconteceu com Kitana, avisei a Liang para vir comigo – disse Bo Rai Cho a eles.
— Ficamos felizes em vê-los Sub zero e Bo Rai Cho – disse Johnny Cage.
Esse é o Sub zero? Claro, esse só poderia ser o irmão mais novo de Bi-han, que adotou o nome do irmão falecido, que agora ninguém sabe se morreu mesmo ou não. Nunca o tinha visto sem o uniforme Lin Kuei e muito menos sem máscara, era um mistério. Resolvi prestar atenção na conversa deles.
— E como ela está? – perguntou Sub zero com um ar preocupado
— Ela está em quadro estável, reagindo bem aos medicamentos. Hoje ela teve a primeira visita: Jade. — disse Sonya
— Jade – disse Bo Rai Cho – ela luta muito bem, foi bem treinada.
— Mas agora ela virou musicista – disse Kenshi.
— É sério? — perguntou Sub zero incrédulo.
— Sim e está se dando muito bem. – disse Johnny – muitos resolveram seguir o seu caminho, até o Liu.
Quando Johnny falou isso, eu estremeci. Um medo tomou conta de mim e a demora da chegada de Liu Kang estava me consumindo. Vi uma janela e fui direto lá para ver se tinha algum sinal dele e tinha, ele estava andando a passos largos e com a expressão facial bem séria. Sentia uma alegria que não cabia dentro de mim. Aproveitei que a porta da UTI estava aberta e entrei, ficando a beira do meu leito. Eu estava ansiosa demais, mas eu podia ouvir que tinha um alvoroço lá fora, pude ver apenas Liu empurrando a porta da UTI violentamente e Sonya estava atrás dele falando:
— Você não pode falar isso agora, deixe para dar a notícia quando ela acordar do coma.
Liu Kang virou para Sonya e disse:
— E se ela não acordar?
Fiquei impressionada com aquilo que ele falou. Ele não acreditava no meu retorno? Era isso? Sonya segurou o braço dele e disse:
— Não fale diretamente, prepare-a antes.
— Eu sei bem como farei isso.
Dizendo isso Liu Kang prosseguiu o caminho e abriu a porta de vidro, entrou e ficou me observando, com um olhar sério e ao mesmo tempo pesaroso. Ele levantou a mão esquerda e pude ver que brilhava uma aliança dourada no seu dedo anular. Fiquei sem reação, eu só acreditaria ouvindo dos lábios dele.
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