Notas iniciais
Hey! Se alguém ler essa fanfic, faria o favor de comentar só para eu saber se alguém realmente leu? (Sinceramente eu não acredito no contador de visitas do Nyah, além de que uma visita não significa que foi lido apenas visto... Enfim) Não estou implorando comentários, só gostaria que você que ainda insiste em ler isso, comente pelo menos um (: para eu saber que foi lido ehueheu, obrigada s2. - Musiquinha da Clarice Falcão. - Desculpe se houver erros.

2035

Se esse bar fechar,

Ele não vem

Se esse bar fechar mesmo

Se ele vier não vai ter mais ninguém

Então se vocês me servirem mais uma

Por mim, tudo bem

MacLaren’s – 10:43 p.m.

Ele estava atrasado, e isso era tudo o que Penny sabia.

Ela olhara naquele relógio de minuto em minuto desde que chegara no bar, olhara também no celular mas nenhuma ligação dele para avisar que se atrasaria. Infelizmente ele vinha fazendo muito isso ultimamente, sumia sem dizer aonde ia, e quando aparecia não lhe dizia o que tinha feito ou porque o atraso. A Mosby odiava aquilo.

Penny Mosby, a morena dos olhos claros e sorriso irritante, tinha a péssima mania de sempre achar que estava certa, e naquele momento ela estava certa de que se Marvin não aparecesse, o relacionamento deles estaria acabado.

Penny e Marvin cresceram juntos, ele era somente quatro anos mais velho que a menina e sempre a protegera para o surto ciumento de Luke, o Mosby caçula que era mais apegado a irmã mais velha do que a própria mãe quando a mesma estava viva, porém nada demais parecia existir entre eles até terem que ficar anos sem se ver porque o Eriksen foi para a faculdade, Penny acabou indo para a mesma faculdade anos depois, e o sentimento aflorou de algum canto de seus corações quando se reencontraram tão adultos.

Desde então foi uma grande briga em família para que os dois pudessem ficar juntos, afinal eles cresceram como primos! Os dois esconderam o relacionamento dos pais por cerca de seis meses, até que um dia Lily achou que seria legal juntar todo mundo numa casa de campo e os dois foram pegos no meio do campo de morangos aos beijos, o pior é que foi Luke e Ellie Stinson que os encontraram.

Ellie como uma boa Stinson quis saber todos os detalhes sórdidos, enquanto Luke entrou em estado de choque o que fez todos se desesperarem e o levarem as pressas para a casa de campo, onde assim que Luke voltou ao normal, gritou aos quatro ventos que Penny e Marvin estavam se beijando, o que lhe restou uma explicação aos mais velhos que quase tiveram infartos ao saberem da notícia.

Ted entrou no mesmo estado de choquede Luke, Lily quis arrancar a cabeça do filho mais velho com os dentes, Marshall ficou confuso pela semana que se seguira, e Barney e Robin comemoraram o feito, recebendo olhares zangados dos amigos. Barney estava aliviado por saber que sua filhinha não estava mais na mira de Marvin, o loiro charmoso que não fora como seu pai.

Marvin com certeza teve muitos relacionamentos antes de sossegar, bem diferente dos pais que estavam casados há quase três décadas.

Penny tentou enfim ligar para o noivo. Chamou até cair na caixa de mensagens.

O trabalho do Eriksen sem dúvidas não ajudava em nada ao bom funcionamento daquele relacionamento.

Marvin também era formado em Direito, como o pai. Na faculdade o loiro fora discípulo de um grande nome da advocacia, e agora era um dos mais visados como um talvez futuro juiz da Suprema Corte, mas é claro que aquele era apenas um sonho longínquo já que o rapaz estava apenas com vinte e quatro anos e tinha muito o que aprender como advogado de defesa, ramo no qual atuava, antes de ao menos considerar a possibilidade de ser juiz. Todavia seu trabalho vinha cada dia mais afastando Penny dele, Marvin estava sempre viajando nos últimos tempos, tentando firmar um contrato milionário para seu mais novo cliente- aquilo não era exatamente o que ele queria fazer, mas era o que estava pagando os preparativos para o casamento que ocorreria dali uma semana -e o resto do tempo que lhe sobrava ele ficava enfurnado no escritório.

É claro que eles se amavam, mas que amor resiste a dias sem se falar? São poucos os amores que vencem a dura batalha contra a rotina. Fora o trabalho ela sabia que o rapaz vinha lhe escondendo algo, e mesmo com a pressão dela para que ele contasse logo o que era, Marvin sabia perfeitamente guardar um segredo, bem diferente de sua mãe e de seu cunhado.

– Penny? – Kyle, o garçom de sua idade que sempre dava em cima dela, a chamava do balcão enquanto enxugava um copo no pano que segurava. A Mosby desviou o olhar do copo de cerveja pela metade, para olhá-lo – Vai ficar aqui sozinha?

– Estou esperando o Marvin, ele está atrasado – ela resmungou emburrada, Kyle sorriu amigável e colocou o copo que secara na pia, antes de pegar uma garrafa de vodka e um shot, indo até ela.

– O que acha de uma dose então? – perguntou o rapaz já enchendo o copinho de poucos centímetros e ela fez careta.

– Acho melhor não Kyle, não quero ficar bêbada.

– Percebi isso quando notei que você está com essa cerveja pela metade há meia hora – ele disse e ela sorriu sem graça -, vamos lá, só uma dose para te encorajar a conversar comigo enquanto o Marvin não chega.

Ao contrário do que você deve estar pensando, Kyle não odiava Marvin nem nada do gênero, na verdade os dois eram grandes amigos, e todas as vezes que o moreno funcionário do MacLaren’s dava em cima de Penny, era apenas para irritar Marvin que sempre estava com ela.

Kyle estendeu o copinho a Penny, que o pegou vencida e virou o líquido na boca de uma vez, não contendo a careta em seguida.


Se esse bar fechar, eu fico só

Se esse bar fechar, todos aqui

Vão me olhar com essa cara de dó

Então se vocês me servirem mais uma

Por mim, é melhor


Ohio – 11:57 p.m.

Marvin olhava o relógio desesperado.

Estava bem longe de NY, tudo porque precisava fechar um contrato para seu cliente naquela noite, mas ele não pôde contar isso a Penny, não depois da pior briga que tiveram em todos esses anos de namoro por que ele estava trabalhando demais, e quase não arranjava mais tempo para ela. Não depois dele ter prometido que tiraria folga naquela ultima semana antes do casamento. Não depois de ter marcado com ela no MacLaren’s há quase duas horas e ainda não estar lá, porque seu vôo estava atrasado.

Marvin realmente achava que conseguiria chegar a tempo, ele tinha chegado em Ohio as cinco horas, quando Penny ligou irritada para ele por ter faltado na consulta com a cerimonialista – que ele tinha esquecido completamente -, então tentando amenizar os hormônios enlouquecidos da noiva, ele prometeu que a encontraria no bar que sempre freqüentavam as dez, porque o Eriksen realmente achou que só estava em Ohio para assinar o contrato em nome do seu cliente, e que logo estaria em casa, mas a reunião durou mais que o previsto, ele perdeu o vôo que já tinha agendado e teve que correr para o aeroporto para conseguir outro, mas agora esse vôo estava atrasado por culpa de uma grande tempestade que estava se formando.

E tudo o que ele conseguia fazer era pedir aos céus para que aquela tempestade caísse logo dispersando-se para que ele pudesse embarcar, para tentar encontrar Penny talvez em casa, lhe pedir um milhão de desculpas, talvez prometer que deixaria ela convidar Martha, sua colega chata e inconveniente que o odiava e sempre tentava arruinar tudo em que os dois estavam envolvidos. Martha com certeza dançaria tango em cima do bolo de casamento se fosse convidada, mas se aquilo fosse diminuir a raiva de Penny, ele compraria um mundo de bolos para Martha dançar em cima.

Marvin estava sem sinal de celular até para ligar para ela e explicar tudo, ou para dizer que se atrasaria provavelmente mais umas três horas. Ele tinha certeza de que seria um homem morto quando chegasse em casa.

Resignado foi até um fast food vinte e quatro horas e fez o pedido, sentando-se ao pegar o que pedira e se sentindo horrível ao notar que todos naquele lugar estavam acompanhados. Todos menos ele, e ele sabia que a culpa era toda sua.


Eu sei que eu marquei as dez

E eu sei que já são três

Mas vai que ele se atrasou

E quando ele chega, eu já fui

E a culpa é de vocês

MacLaren’s – 03:04 a.m.

Penny já tinha contado para todo o bar da história do atraso de Marvin, na verdade ela já contando toda a história de como se conheceram.

Já era sua sétima dose, e ela deixou a cerveja depois do terceiro copo, tomando agora apenas vodka, mas isso não estava abalando-a tanto quanto devia – ela fora “batizada” ao fazer dezesseis anos por tia Robin que ignorou o fato de que legalmente ela só poderia beber aos vinte e um, e assim a Mosby foi levada para o Canadá um fim de semana inteiro onde ficou bebendo com sua tia nos pubs que a mulher conhecia. É claro que Ted não sabia de nada, mas isso serviu para aumentar a tolerância de Penny a bebida – então com toda aquela quantidade de álcool em seu organismo, o máximo que ela estava era feliz, muito feliz, mas tudo bem.

Uma certa quantidade de homens se aglomerara ao seu redor, mesmo que estivessem ouvindo ela falar de seu noivo, ainda eram atraídos pela beleza da garota. Também haviam garotas, travestis, velhos e adolescentes ouvindo atentos o relato. Todas as pessoas – que não passavam de quinze- daquele bar prestavam atenção a menina que já estava começando a falar mal de Marvin.

– Kyle! – Penny assoviou e Kyle que estava atrás do balcão suspirou resignado. Estava vendo Penny se embebedar e não podia fazer nada – Me trás mais uma!

– Não acha que já está bêbada demais Penny? Não acha melhor ir para casa ver se Marvin não está lá?

Penny fez um muxoxo e sua pequena platéia vaiou o garçom que os ignorou.

– Ele devia estar aqui e não em casa, trás mais uma garçom! – disse uma velhinha que estava acompanhada de uma amiga e que também já estava pra lá de Bagdá.

Os clientes apoiaram a senhorinha e Kyle se viu obrigado a levar a dose para a morena, que depois de virar o shot e receber aplausos, se sentou no tampo da mesa para ficar em mais evidencia e começou a história de como seu irmão mais novo tinha descoberto sobre ela e Marvin.


Se esse bar fechar, mais um revês

Se esse bar fechar pra me tirar

Cês vão ter que arrastar pelos pés,

Então se vocês me servirem mais uma,

Eu pago mais dez.

Ohio – 03:06 a.m.

Marvin estava finalmente em NY. Depois de horas esperando seu vôo enfim tinha saído, e ele só entendia o tamanho da tempestade citada quando chegou em seu estado e viu a forte chuva que caía, ele achou que finalmente poderia ir para casa conversar com Penny para se acertarem, mas: surpresa! A locadora onde deixara seu carro estacionado havia fechado há alguns minutos para o café e troca de funcionário e agora ele estava novamente preso no aeroporto por mais meia hora.

E a chuva estava tão forte, que ele sequer conseguia ligar para a noiva e avisar que estava bem, e ir sondando-a para que não estivesse tão irritada quando ele chegasse no apartamento onde moravam há alguns meses, quando ele realmente a pediu em casamento.

Marvin não sabia o que faria se Penny ficasse brava o suficiente para lhe virar a cara, ou Deus o livre, adiar o casamento. Seu noivado vinha sofrendo pelas estribeiras e tinha medo que a qualquer minuto tudo sumisse, que a paciência de Penny se esgotasse com ele, Marvin tinha dado todo seu coração a noiva, e tinha medo do que ela poderia fazer com ele, mas tinha ainda mais medo do que ele mesmo poderia fazer com o coração de Penny.


MacLaren’s – 03:38 a.m.

Penny chamava o pobre Kyle pela centésima vez naquela noite, agora lhe implorava mais um shot, aliás não só ela, como todos o que estavam ali. Ok, só havia mais cinco pessoas ali, três meninas que ela agora considerava suas melhores amigas – já tinha até pegado o telefone delas para marcarem de sair mais vezes, as meninas queriam conhecer Marvin – mesmo tendo conhecido as meninas há alguns minutos apenas, e também dois meninos que queriam obviamente sair com uma das quatro garotas presentes, incluindo Penny que tinha falado tão mal do noivo que faria qualquer um pensar que ela o odiava.

E ela estava mesmo o odiando naquele momento.

O garçom e o dono do bar tentaram enxotar o grupinho, mas uma das garotas disse:

– Tá chovendo.

E Penny foi até a porta que já estava trancada porque os funcionários estavam fechando tudo , mas não tinham conseguido expulsar aquele grupinho da mesa que ocupavam.

Ao constatar que estava mesmo chovendo, pela mente muito enevoada por conta da bebida, Penny começou a rir descontroladamente. Era melhor rir pela água que caía do céu, molhando tudo e tornando as coisas mais bonitas, do que chorar por ter sido abandonada por seu noivo faltando somente sete dias para seu casamento.

Ou ex-noivo? A cada minuto que passava ela tinha certeza de que ela e Marvin não dariam mais certo, se ele nem ao menos se esforçava para a encontrar num bar, quem garantia que ele se esforçaria para manter um casamento? Dividir o apartamento já estava sendo difícil demais, e ela não agüentava mais ser a única a querer conversar por ali. Para Marvin era sempre “Ok amor, pode fazer o que você quiser, não vamos brigar por isso...”, mas ela queria brigar, afinal um relacionamento também era feito de brigas não era?!


Se esse bar fechar eu posso ir,

Se esse bar fechar faz tanto tempo

Que eu não consigo dormir

Mas se vocês não servirem mais uma

Eu quebro isso aqui

03:52 a.m.

Marvin quase enlouqueceu ao não encontrar Penny em casa, ligou e acordou metade das pessoas com quem ela podia estar, seu celular estava funcionando novamente e a chuva diminuía, mas o celular dela que parecia não estar funcionando agora. Até que ele achou que sua ultima opção seria o MacLaren’s, mas será que a menina estava mesmo no bar ainda? Mesmo com as cinco – quase seis- horas de atraso dele?

Marvin preferiu tentar a sorte e ter a mente aliviada por pelo menos ter ido lá atrás dela, e ele já estava perto dali mesmo, mais dez minutos e estaria no lugar.


MacLaren’s – 04:00 a.m.

O grupo de novos melhores amigos de Penny tinha indo embora há alguns minutos, eles iam para uma boate que um dos rapazes sugeriu, mas Penny recusou, porque ela ainda era noiva e estava com sono demais para agüentar música eletrônica e luzes coloridas na cabeça. Ela tentou tomar a “saideira”, pediu, implorou, ameaçou e até se ajoelhou por uma ultima dose, mas lhe foi negado.

Penny com algum esforço e repentinamente calma, pagou a conta que lhe custou quase metade do salário e pegou o guarda-chuva amarelo que sempre carregava nos meses do fim do ano, já que nunca sabia quando ia chover. Pegou o celular no bolso da calça, mas a bateria devia ter acabado em algum momento que ela não sabia qual.

Seu apartamento não era muito longe dali e ela resolveu ir a pé, subiu a escadinha da saída do bar com alguma dificuldade, mas assim que pôs os pés na calçada sua mente não parecia mais tão embaralhada, é claro que seus movimentos não eram dos melhores e sua coordenação estava realmente horrível, mas ela tinha uma idéia bastante sóbria, se que seu noivado estava acabado.

Abaixando a cabeça, atravessou a rua sem notar a land rover que poucos segundos depois estacionava em frente ao bar e um Marvin pulava do carro sem tê-la visto ainda atravessando a rua, o loiro correu até a porta do bar que já estava trancada, sem saber que ao não aparecer naquele bar cometera o maior erro da sua vida.

Fora o estopim, seu relacionamento acabara e ele nem se dera conta. E só se daria ao chegar em casa muito depois e não encontrar mais as roupas de Penny no closet, onde só restara uma peça de roupa sobre a cama, a peça que ela provara e observara-se no espelho uma ultima vez antes de sair, às lágrimas por saber que não poderia mais usá-lo, seu tão amado vestido de casamento.

Notas finais
Dí Endi. - Moral da história: se seu noivo te deixar esperando por seis horas, você termina tudo com ele ehueheue
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!