Se descobrindo lentamente

1 The best song ever


Notas iniciais
É o primeiro capítulo, minha gente, então me perdoem qualquer deslise! Agradeço desde já, att Jupra.

I, I wish you could swim

Like the dolphins, like dolphins can swim

Though nothing, nothing will keep us together

We can beat them, for ever and ever

Oh we can be Heroes, just for one day”

- Heroes – David Bowie

Charlie's POV

Pois é, aqui estou eu novamente, escrevendo um segundo livro da minha vida, um segundo diário, com a segunda parte do que eu estou técnicamente vivendo. Não sou mais um menino de dezessete anos assustado e inexperiente. Na verdade, só continuo sem coragem pra fazer muita coisa, e talvez sem muita idéia do que fazer. Queria que toda essa confusão saísse da minha cabeça. Era mais fácil quando eu era adolescente, que apenas estudava, que todos se preocupavam comigo. Não que não se preocupem, mas agora já sou um jovem adulto, tenho vinte e três anos, e uma vida que eu não esperava ter a essa altura da vida. Só não sei se tomei o rumo certo.

Respirei fundo, estava cansado do trabalho. Não era só o trabalho, já era minha segunda faculdade, e na verdade eu nem sabia o que estava fazendo. Era isso mesmo o que eu queria? Duas faculdades, um apartamento só meu e ausência de satisfação?

Tinha uma namorada, seu nome era Jennifer. Era uma modelo linda e inteligente. Talvez mais inteligente que eu.

Naquele momento estava em meu notebook digitando mais um livro, cansado do que enfrentara durante o dia, introspectivo e estressado, como em todos os dias. Jennifer prometeu chegar para me fazer companhia. Não que eu fizesse questão disso, estava muito cansado para atender as necessidades dela.

Por ora suspirei, me senti um idiota por pensar assim, mas na verdade não a via da forma que ela merecia. Era uma moça forte, cheia de personalidade e ás vezes mais exigente do que eu.

Me assustei de meus devaneios ao ouvir a porta da sala se abrir, me virei do sofá onde sentara com o notebook, a encarando com um sorriso gasto.

Ela o devolveu em resposta, se aproximando e selando meus lábios.

- Parece cansado, meu amor – Jennifer acariciou meu rosto, com um olhar piedoso e beijou minha buchecha.

- E estou de fato, não dormi fazendo os projetos para o Sr. Larry e ainda tive prova na faculdade – Suspirei, cansado, e fechei o notebook.

Jennifer olhou para o notebook pensativa e devolveu:

- Um dia ainda quero ler seu novo livro. Quero ser a primeira. Está me ouvindo? Não quero me sentir em segundo plano.

Ela me encarou um pouco séria, com um ar exigente.

Hesitei dentro de mim, mas sorri.

- Claro, vai ser a primeira – sorri sem humor, pensando em jamais deixá-la ler.

Tinha momentos em que eu tinha um certo medo de Jennifer, era como se ela fosse invadir meu notebook quando eu estivesse dormindo e lesse tudo ali. Por esse motivo, meu usuário tinha senha, não poderia deixar algo tão pessoal chegar em seus olhos. Por mais que fossemos namorados, mas não nos conheciamos tanto assim.

Aquela noite demorei a dormir, Jennifer conversou sobre seus projetos e possibilidades de viagens no final do mês, dessa vez para Chicago. Não pude deixar de comemorar internamente quando ela disse passar um mês viajando, pois iria partir de Chicago para Ibisa.

Na manhã seguinte, parti para o edifício onde trabalhava, no centro de Nova York. Eu trabalhava analisando os erros nos projetos apresentados como propostas para a empresa, dizia se merecia aprovação ou não, também analisava outras coisas como o empenho de alguns funcionários na empresa, se estavam organizando tudo corretamente. Eu trabalhava em uma empresa onde eram produzidos idéias de comerciais para empresários de produtos famosos. Nós simplesmente tinhamos as idéias e as vendiamos. Era gratificante ver nossas idéias nas TVs, internet, nas ruas nos outdoors. Dava muito trabalho mas em questão eu até gostava do que fazia.

Naquele dia estava tudo bem agitado no edifício, pessoas de um lado para o outro, tentando correr contra o tempo. Aquele dia fechariamos a nossa proposta com uma empresa de sabonetes femininos.

O empresário chegaria de tarde, para a nossa reunião, e eu estava exausto e com fome. Resolvi descer e ir a um restaurante ali perto, comer algo que pudesse me sustentar até a noite.

A chuva invadira o centro, fechado de guarda-chuvas abertos, aquilo me estressava um pouco, pois não facilitava o nosso movimento pelas ruas.

De última hora, resolvi ir a uma cafeteria, pois o sono era grande e reza a lenda que um café nos mantém em pé e com mais dispozição que um prato de comidas.

Ao entrar na cafeteria, uma onda de alívio veio sobre mim. Estava molhado e sem guarda-chuvas. Lá dentro era quente e tranquilo. A porta de vidro automática era uma muralha entre o caos das ruas e o nirvana da cafeteria.

Segui tranquilo até uma mesa vazia. Não tinha muitas mesas ocupadas naquele momento, a maioria das pessoas provavelmente estavam em restaurantes.

Um rapaz se aproximou me perguntando se eu já tinha em mente o que queria, fui direto em pedir café e uma torta de cheesecake.

Alguns minutos depois eu já estava sendo servido em minha mesa, encarando a torta molhada e estéticamente apetitosa. Meu garfo partiu um pedaço levando a boca. Mastiguei abrindo um leve sorriso. Estava realmente gostosa. Fazia muito tempo que eu não ficava só, admirando as simplicidades da vida. Sempre comia salada deixada em minha mesa pela secretária, que corria até um restaurante próximo.

A cafeteria não oferecia só o conforto e a praticidade de nos servir nossos pedidos, tocavam músicas ao fundo, diversas. Eram todas boas. Mas foi naquele momento que voltei o garfo com o pedaço da torta para o prato. Me senti irrigecer por completo, estava tocando Heroes do David Bowie. Aquela música tinha um importante significado na minha vida. Sam...

Mesmo depois de seis anos, ainda me lembrava daquele sorriso meigo e sincero, como se quisesse me mostrar o que eu perdia, dentro de mim mesmo. Aquela doce voz me chamando “Charlie”. Fechava os olhos ao lembrar, e sei que Sam e Patrick tomaram seus rumos, fixos do que eram e do que queriam. Fechava os olhos vendo Sam sorrindo pra mim, mas quando os abria novamente, os vejia se desmanchar diante do que eu via.

Suspirei desanimando, olhei a minha volta, pessoas sorrindo, distraídas com suas próprias vidas, enquanto eu me prendia a o que vivi ao dezessete anos. Não conseguia pensar no presente, apenas vivê-lo.

A última vez que nos vimos, ouvimos essa música juntos em um carro, nós três. Foi algo mágico e libertador, só não imaginei acabar tão rápido. Devido a faculdade e compromissos, Sam e Patrick foram embora prometendo voltar, depois disso nunca mais voltaram. Quando me lembro, sinto um nó na garganta. Sempre penso se fiz algo de errado, se Sam cansou de mim...nada importava.

Depois de tomar meu café com a torta, voltei rápido para o edifício para receber o empresário que negociaria comigo.

A reunião foi rápida e precisa, onde ele ficou satisfeito com o resultado. Me senti leve por fechar mais um negócio. Recebi uma revista, que mais parecia um catálogo. Nele contia todas as informações sobre a marca do sabonete, quem faria o comercial, quem o dirigia...

Me sentei na cadeira me ajeitando de forma confortável, comecei a folhear as páginas precisamente. Não que eu fosse obrigado a olhar página por página, mas me interessou de repente. Logo desci os olhos. Na última página mostrava o elenco para o comercial de sabonete, eram várias mulheres lindas. Me assustei. A moça de cabelos cor de mel, sorriso doce, seu nome era Sam, a revista dizia bem claramente. Senti meu corpo congelar e meu estômago arder.

Não acreditei, Sam iria fazer o comercial. Era muita coinscidência.

Minha mão, esbarrando em tudo que estava sobre a mesa, alcançou o telefone, desesperadamente. Disquei o número do empresário que acabara de fechar o negócio comigo.

Ele atendeu muito rápidamente:

- Matthew Praston!

- Sr. Praston, é o Charlie – falei, com a voz trêmula, não consegui disfarçar o nervosismo tamanho – eu estava pensando, poderia acompanhar as gravações do comercial? Parece loucura, mas estou ancioso para ver como vai ficar.

- Mas o senhor vai ver, nos comerciais – ele respondeu simplesmente, de forma prática e tranquila.

Engoli seco, respirei fundo e insisti:

- Por favor, Sr. Praston, é só assistir. Não é nada pessoal, apenas curiosidade.

O homem gargalhou sem humor.

- Anote o endereço e o dia – ele disse, tranquilamente.

Peguei uma folha, desastradamente, mal conseguia escrever, minha mão tremia desesperadamente. Anotei a data e o endereço e o agradeci desligando o telefone.

Em seguida, bufei como se tivesse concluído uma missão impossível. Segurei a folha com as duas mãos, olhando fixamente, pensando em como seria encarar Sam novamente. Estava incrivelmente linda, fazendo comerciais. Como eu não soube disso?

Naquela noite, voltei para casa pensativo. A chuva passara e uma geada forte a substituíra. Era um frio bom. Eu gostava de sentir frio.

Cheguei em meu apartamento, cansado, confuso, feliz, nervoso...ao abrir a porta, me assustei ao ver Jennifer em minha sala, sentada no sofá, me olhando entrar. Jennifer tinha a chave do meu apartamento, então podia entrar quando realmente quisesse.

Respirei fundo e fechei a porta. Jennifer correu em minha direção, animada.

- Charlie, senti saudades – ela começou a modiscar meu pescoço conforme eu ía andando até o centro da sala, tentando me sentar no sofá – por isso resolvi dormir contigo novamente.

- Que bom – devolvi, com um sorriso desanimado.

Ela colou nossos lábios me beijando com ância enquanto eu correspondia de forma não tão intensa. Fui empurrado no sofá, e ela sorriu enguendo uma sombrancelha, de forma provocativa. Apenas observei, sem intusiasmo.

Jennifer abriu seu sobretudo, que estava abotoado e amarrado na cintura. Ao abrir, me surpreendi, ela estava com uma lingerie vermelha, e se deitou em meu colo, voltando a me beijar. Apenas prossegui acompanhando o beijo.

A senti morder meu lábio inferior, seguindo com as mãos tirando minha jaqueta de forma anciosa, eu a ajudei, sem pressa. Logo ela tirou minha camisa, e prosseguimos com o beijo.

Talvez fosse muita frieza da minha parte, mas não sentia vontade de tê-la naquele momento. Em certas ocasiões eu acabava sedendo por de fato sentir essa necessidade mas não diria que aquele era um desses momentos, mesmo assim não manifestei meu desinteresse, não queria discutir naquele momento, estava de fato cansado e confuso.

Estava pensando tanto em tudo que me aconteceu naquela tarde, que me assustei ao sentir a mão de Jennifer apertar meu membro por cima da calça. Logo voltei ao mundo real, onde minha namorada tentava fazer sexo comigo no sofá da sala. Respirei fundo e resolvi o fazer, se era o que ela queria.

A deitei no sofá, não intusiasmado e me deitei encima, desabotoando minha calça, enquanto ela levava minha mão em seus seios, apertando e arqueando a cabeça para trás, suspirando.

Puxei sua calcinha, sendo direto e abaixei minha calça, seguida da boxer, logo a penetrei rapidamente sem sentimento e ela gemeu na primeira estocada. Continuei, com a mente longe dali. Se eu fosse rápido ou devagar não saberia.

Por alguns segundos consecutivos pensando em Sam, olhei para Jennifer, e pareci ver o rosto de Sam na minha frente, sorrindo infinitamente, enquanto eu acelerava, descontroladamente. Acariciei seu rosto, sorridente. Ao piscar os olhos logo depois, vi o rosto de Jennifer novamente, gemendo com uma expressão de dor e prazer no rosto.

Desviei a mão de seu rosto, um pouco assustado, reduzindo a velocidade, decepcionado. Jennifer pareceu não perceber e eu respirei aliviado por isso.

Cerca de uma hora depois eu estava deitado em minha cama, pensativo, enquanto Jennifer parecia dormir muito tranquilamente ao meu lado. Suspirei desanimado, pensando em como será quando eu for ver Sam. O comercial será gravado daqui a sete dias. Uma coisa não saía da minha cabeça: Será que ela queria me ver? Qual seria sua reação quando eu aparecesse do nada lá?

Se ela realmente quisesse me ver, não teria sumido por seis anos. Eu me sentia um idiota sem perdão por ainda pensar nela e transar com a namorada vendo o rosto dela. Apesar de passar pela minha cabeça que ela estava bem sem me ver e não sentia minha falta, eu estava ancioso pra vê-la. Naquele momento fechei os olhos, adormecendo lentamente.

[...]

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo :3 Kisses!