Notas iniciais
Esse capítulo é mais focado no Patrick, por isso me desculpem se está meio chato. Prometo que vai melhorar no próximo capítulo. Novidades virão por aí :3

“I would go out tonight

But I haven't got a stitch to wear

This man said "it's gruesome

That someone so handsome should care

Oh, this charming man”

– This Charming Man– The Smiths

Naquela manhã acordei mais animado, era sexta-feira. Logo depois, viria o final de semana e eu estaria livre para ver Sam e até mesmo Patrick. Acordei com diversos planos em mente, como se minha mente tivesse planejado tudo enquanto eu durmia.

Preparei um leite no fogão enquanto pegava o guardanapos dobrado no bolso da minha calça, que era encaminhada para a lavanderia.

Desdobrei. Tinham três números ali escritos. Três números de celular. Ri de lado.

Não sei porque mas de fato esse tipo de coisa me lembrava o Patrick.

Era cedo, mas sabia que naquele dia não teria tempo sequer para almoçar, então resolvi logo ligar para o celular de Patrick, estava entusiasmado.

Disquei o número e levei o celular ao ouvido, ancioso. Chamou inúmeras vezes, e quando achei que ninguém mais fosse atender, uma voz falhada se pronunciou do outro lado da linha.

– Alô, Pratrick falando...

Meu coração acelerou e abri um sorriso.

– P-patrick! – exclamei, um pouco eufórico.

Ouvi sua respiração do outro lado, sem respostas, por alguns segundos. Não entendi, e já ía falar quando ele o fez.

– Charlie? – perguntou, com a voz surpresa.

Me surpreendi. Como reconheceu minha voz?

– Sim, sou eu – respondi – mas...

Enquanto falava, eu o ouvi suspirar, como se estivesse assustado ou surpreso.

– Claro que reconheci sua voz – ele respondeu, ficando com a voz animada – porque ela é inconfundível. A propósito, senti saudades!

Não sabia o que responder naquele momento, mas fiquei feliz por lembrar ao menos da minha voz, sorri calado.

– Não acredito que estou falando com você, cara – ele continuou, dessa vez com a euforia que eu estava antes – senti tanto a sua falta. A Sam? Falou com ela?

Eu ri. Tinha me esquecido do quanto Patrick conseguira ser divertido mesmo sem querer.

– Sim, foi ela quem me deu seus números, na verdade – respondi, entre um riso.

Ouvi seu suspiro. Não pude deduzir se era de alívio ou de alegria.

– Que bom – ele respondeu – mas...como está? Casado, solteiro? Loiro, moreno, bombado, gordo, magro, cheinho...?

Voltei a rir.

– Estou o mesmo de sempre – respondi, animado – Amanhã é sábado. Podíamos nos ver. Fiquei sabendo que tem uma banda agora.

Patrick riu eufórico.

– Claro! Amanhã tenho uma entrevista para uma revista de manhã mas estou livre o resto do dia – respondeu, com a voz viva – Sim, eu tenho uma banda. Acredita que pensam que sou hétero?

Eu e Patrick rimos juntos.

– Acho que além de bom cantor, sou um bom ator – ele continuou, se animado – Vai gostar das minhas histórias loucas com fãs.

– Tenho certeza que sim – concordei – então, amanhã às 14h, pode ser? Na Starbucks do centro de Nova York.

– Hum...tomando café na Starbucks – disse, minuncioso e com a voz arrastada – aposto que deve trabalhar em empresas de classe usando terno o dia inteiro. Café da Starbucks parece algo diário para pessoas desse porte.

Antes que eu abrisse a boca para responder, ele me cortou.

– Não, não responda! Quero me surpreender amanhã – ele disse – sabe que tenho tesão por caras de terno.

Ri timidamente.

De repente, cessei o riso, ouvindo Patrick suspirar novamente, dessa vez soou um pouco sério.

– Fico feliz que tenha me ligado, Charlie – Patrick continuou, dessa vez senti sua voz ficar séria e levemente desanimada – você não sabe o quanto estamos precisando de você.

Daquela vez me senti confuso. Pareciam duas formas de pensar completamente opostas. Enquanto Sam acreditava que iria me atrapalhar, Patrick parecia agradecido por eu ligar, e ainda dizia precisar de mim.

Não consegui responder, até porque eu não sabia o que dizer naquele momento. Mas um lado meu comemorava por ele acreditar que eu poderia ajudar de alguma forma.

– Desculpe – ele continuou – é que as coisas não andam muito bem, não sei se Sam te contou.

– Sim, ela me contou – respondi – só achei que você estivesse melhor que ela, já que tem uma banda conhecida.

– Não é bem assim, Charlie – ele rebateu, desanimado – mas amanhã conversamos.

– Certo – respondi – agora preciso ir para a faculdade, amanhã nos falamos mais.

– Também preciso fazer umas coisas – ele disse, respirando fundo – você me acordou na hora certa.

Ri naquele momento.

Então nos despedimos.

[…]

Fui para a faculdade pensativo, Patrick e Sam não perderam aquela essência que fazia deles pessoas únicas, mas muitas coisas mudaram, e vieram atitudes estranhas da parte deles, que me fez me questionar e até tentar me por no lugar de ambos.

Suspirei, enquanto dirigia. De certa forma, ainda estava confuso. Não sabia como seria dali pra frente, eu não tinha mais a mesma vida de seis anos atrás.

Aquele dia foi um pouco confuso. Tive uma reunião mais tarde, importante e decisiva sobre uma empresa que não estava satisfeita com o negócio que fechamos. Estávamos tendo alguns problemas com outras empresas que não estavam satisfeitas com inúmeras coisas, muitas vezes fúteis.

Depois de uma reunião longa e cansativa, voltei para o meu posto, onde tinha desenas de ligações para fazer e desenas de coisas para falar com Josh.

Josh era o rapaz das idéias. Era ele quem fazia os pequenos roteiros para os comerciais das empresas que fechávamos. Era criativo, engraçado e usava o sarcasmo que tinha em algum desses roteiros comerciais. Eu gostava disso.

Muitas empresas estavam ligando para fechar negócio e cobrar um roteiro bom de verdade, mas eram tantos que ás vezes era difícil dar conta. No fim das contas, fiquei depois do meu horário.

Adivinha quem me fez companhia? O Josh, é claro.

Ele coçou os olhos, sonolento, enquanto falava de frente para mim, na mesa.

– Só preciso dessa noite. Prometo escrever todo o roteiro e irei trazer amanhã cedo – ele disse, decidido – não precisa se preocupar, vamos resolver tudo, vamos dar conta.

Eu ri.

– Não sei se vamos dar conta, cara, são muitos contratos e muitos pedidos – respondi, bocejando, enquanto via os contratos – vamos ter que virar a noite, ou provavelmente passar o final de semana trabalhando. Detesto dizer isso, sei que está cansado.

Josh me olhou sério por alguns segundos, e em seguida começou a rir.

– Qual é, cara! Pra quem já virou a noite em uma boate, trabalhar é no mínimo uma forma de me disciplinar – Josh riu, descontraído – não tenho problemas em trabalhar com você aqui até o amanhecer, contanto que consigamos fazer isso, vai ser gratificante.

Josh não era só um companheiro de trabalho, era também um amigo dos fins de semana. Ele era modelo quando não estava trabalhando conosco, tinha uma boa aparência e era divertido, ora me lembrava o Patrick pela descontração. Foi através dele que conheci Jennifer.

– Certo, então vamos – falei decidido, folheando os contratos.

Josh olhou para seu notebook, decidido a finalizar aquele trabalho comigo.

A noite demorou a passar, meus olhos estavam ardendo como se tivessem areia mas eu não estava pensando em desistir. Continuei com Josh, por horas.

Depois de trabalharmos por horas, a janela do meu escritório exibiu uma claridade que invadiu toda sala, e assustados olhamos para fora da janela. Estava amanhecendo. Já eram seis da manhã.

Eu e Josh nos olhamos assustados.

– Cara – disse Josh surpreso, com uma leve risada – já está de manhã. Nós viramos aqui.

Eu ri, um pouco cansado, minhas costas doíam e minhas mãos estavam dormentes.

– É – concordem, coçando os olhos – Ainda bem que acabamos de finalizar.

Josh riu freneticamente:

– Nem me fale, Charlie! Quando chegar em casa, vou me jogar naquela cama e dormir mais que um gato castrado.

– Eu vou sair com uns amigos daqui a pouco – falei e Josh ergueu uma sombrancelha.

– Obrigado pelo convite – ele retrucou, fechando o sorriso.

– Não, Josh, é que vou rever Sam e Patrick, por isso não te chamei – respondi imediatamente.

Josh me olhou surpreso.

– Sério? Eles voltaram? – ele disse, se levantando da cadeira, surpreso – E onde estavam esse tempo todo?

Respirei fundo:

– É uma longa história, cara...mas te conto quando estiver descansado.

Josh me olhou um pouco sério, sustentei o olhar sem entender.

– Vai voltar com a Sam? – perguntou de repente, o olhei hesitando. Não tinha pensado naquilo – A Jennifer não merece isso, você sabe, Charlie. Ela te ama.

Respirei fundo. De repente me frustrei com aquilo.

– Não cometa esse erro por uma garota que te abandonou por seis anos – ele continuou, dessa vez com um olhar muito sério que eu nunca imaginei ver em algúem como Josh – essa garota é imprevisível e pode acabar te deixando novamente. A Jennifer vai estar sempre ao seu lado. Se conhecem a quatro anos. Pensa bem antes de se deixar levar por um romance de adolescência.

Josh era meu amigo a quatro anos, mas era amigo de Jennifer desde a infância. Ele a protegia como um irmão mais velho. Temia que algo a acontecesse. No fundo ele sabia que eu ainda gostava da Sam apesar de tudo. Mas aquelas palavras que ele jogou me fizeram pensar bastante. Sam era imprevisível, Jennifer sabia o que queria e eu estava encima do muro.

Depois de conversar um pouco com Josh e enviarmos nosso projeto, cheguei em casa e tomei um banho. Estava exausto, mas não tinha me esquecido de Sam e Patrick. Sairiamos mais tarde e por isso tirei um cochilo para me recuperar.

Depois de umas horas de sono, me levantei menos disposto. Parece que dormir foi uma péssima idéia, aquilo só relaxou mais meu corpo.

De repente o telefone na cabeceira tocou, me sentei na cama e atendi.

– Alô!

– Charlie, querido?

Era a voz da minha mãe. Estava com saudades daquela voz acolhedora. Sorri.

– Mãe!

– Querido, que saudades! – ela respondeu, com a voz esganiçada – Meu menino. Como está?

– Estou bem, mãe – respondi, tranquilamente – e vocês?

– Estamos bem, Charlie – ela respondeu, com a voz animada – só faltava você aqui. Mas tenho ótimas notícias. Sua irmã vai ter um bebê.

Candace estava casada a três anos com um cara chamado Andy. Era legal, pelo menos nas vezes em que eu o vi. Eu não tinha muito contato frequente com meus pais nos últimos três anos. Eu precisei me mudar a trabalho, e para fazer minha faculdade. Estava vivendo de forma independente nos últimos três anos, e estava com saudades da minha família, da minha vida.

– Que bom, mãe. Fico feliz por ela – respondi, sorridente.

– Charlie, ela e Andy se mudaram para Los Angeles – ela continuou – a família de Andy é de Los Angeles e ele precisava se mudar. Candace vai fazer uma festa somente com a família. Ela gostaria muito que você fosse dessa vez. Está com saudades. Estamos todos com saudades.

– Eu também estou, mãe – respondi, suspirando – e é claro que vou.

– Espero que sim, vamos estar todos lá – ela respondeu – e leve sua namorada, nós todos gostamos muito dela.

– Vou levar – disse, pensativo.

Depois de uma conversa com minha mãe, desliguei e fiquei pensando em tudo que Josh me disse, e minha mãe também disse. Jennifer já era da família para todos.

Depois de algumas horas, eu já estava na Starbucks. Era muito cedo, mas resolvi sair logo do meu apartamento, e lá estava eu pensando ainda no mesmo assunto. Já era minha segunda xícara de expresso sem açúcar. Precisava me manter acordado.

De repente senti uma mão no meu ombro, me virei para trás assustado. Me deparei com um olhar negro e vivo, acompanhado de um sorriso eufórico. Era ele, o Patrick.

Me levantei animado e nos abraçamos. Logo, nos sentamos de frente um para o outro.

Patrick não havia mudado tanto, apenas o estilo de roupas, dessa vez mais rebelde. Estava de jaqueta de couro, calça rasgada e um maço de cigarro no bolso da jaqueta.

Ele me encarou rindo, como se visse algo engraçado. Ergui uma sombrancelha, questionável.

– O que foi? – perguntei, tentando achar engraçado.

– Você...não mudou nada, Charlie – ele respondeu, entre uma gargalhada breve – Como consegue continuar com a mesma cara de garoto de seis anos atrás?

– Você também não mudou tanto, Patrick – respondi, olhando.

E de fato, ele não tinha mudado tanto, logo notei isso.

Patrick suspirou, desanimado.

– Que bom que pensa assim, Charlie – ele disse, com um sorriso desanimado.

– Como você está? – perguntei, esperando uma resposta óbvia.

Patrick riu freneticamente, sem conseguir esconder a tristeza no olhar:

– Sou vocalista de uma banda de rock parcialmente famosa, posso ter o carro que quiser, o homem que quiser – ele respondeu, fechando os olhos e respirando fundo – Não, eu não estou nada bem.

Olhei para Patrick, ele estava mais magro e abatido, era isso também que mudava ele um pouco do Patrick de seis anos atrás.

– Estou de volta, Patrick, e vamos nos divertir muito e te fazer esquecer essas merdas – falei, dando um sorriso forçado – seja lá o que for, vou estar ao seu lado.

Nós dois rimos.

– Desculpe por tudo – ele disse, segurando forte minha mão, me assustei – Achávamos que nos afastando seria melhor pra você e pra nós. Mas nos arrependemos muito, sentimos sua falta. Falta de cada momento, de tudo.

Apenas olhei, não sabia o que dizer naquele momento. Pra falar a verdade, Patrick não parecia realmente bem, e isso estava me preocupando.

– A Sam vai nos encontrar daqui a pouco – ele mudou de assunto – achei digno te encontrar primeiro pra conversarmos um pouco.

Assenti sorrindo.

– Mas...como está sua vida? Está tão arrumado, parece trabalhar numa firma importante – perguntou Patrick, rindo. Ri junto.

– É, eu trabalho em uma firma que produz comerciais para firmas de produtos conhecidos – falei, dando um gole no meu café – traduzindo, trabalho com publicidade.

– Huuum...agora está importante – brincou Patrick, dando um tapinha no meu braço.

Eu ri, sem responder.

Depois de algumas horas conversando, fomos ao Century 21 onde nos encontramos com Sam e ficamos olhando as roupas e acessórios enquanto conversávamos. Patrick pareceu se empolgar com as roupas, maioria femininas.

– Precisamos marcar de sair, você, Patrick e eu – disse Sam, animada, enquanto olhava algumas peças em uma das araras – mas não pra olhar roupas, queria ir pra uma boate. O que acha?

– Claro! – respondi animado – Seria ótimo.

– Charlie, já foi em uma boate gay? – a cabeça Patrick apareceu no meio das roupas da arara.

Respondi que não, balançando a cabeça.

– Ótimo, então amanhã vamos em uma – ele respondeu, saindo do meio da arara, animado – Vai ver o que é diversão de verdade.

Aquela tarde foi agradável, mas não fizemos nenhuma loucura, apenas conversamos bastante. Marcamos de nos ver amanhã, e ir para uma boate gay. Achei uma loucura, mas até que me soou interessante.

[…]

Notas finais
É isso. Espero que gostem, o próximo capítulo terá algumas surpresas :3