Se descobrindo lentamente
8 I love you, Sam
Notas iniciais
“I give her all my love
That's all i do
And if you saw my love
You'd love her too
I love her”
– And i love her – The Beatles
Charlie's POV
Acordei assustado. A cama no quarto de Sam era tão confortável que levantei-me desesperado por medo de perder a hora no trabalho. Tinha aceitado faltar a aula na faculdade por não ter condições para estudar, porém o trabalho eu não teria como faltar.
Seu quarto era lindo e cuidadosamente arrumado, o que o fazia ser ainda mais confortável.
Desloquei-me até a sala, confuso, onde ela não estava, o que me fez ir para a cozinha e ela também não estava lá. Procurei em cada cômodo até dar-me contar de que estava sozinho...ou não.
Olhei para o relógio da cozinha, tranquilizando-me do horário, ainda tinha algumas horas de descanso se eu quisesse. Suspirei e logo lembrei-me do banheiro. Não havia ido lá ainda.
Segui até o banheiro, andando pelos cômodos ainda sonolento. O banheiro se encontrava no corredor que ficava entre a sala e o quarto.
A porta estava levemente encostada. A empurrei por achar que ela pudesse estar escovando os dentes, no máximo e surpreendi-me com a fumaça saindo do interior. O chuveiro estava aberto em água quente e o banheiro coberto pela fumaça e o vapor. Mal pude ver algo no interior do box, pois ele estava embaçado.
No mesmo instante, a porta do box se abriu e Sam saiu de dentro dele, completamente nua.
Ela me encarou e fiquei incomodado.
– Olha, Sam, desculpe. – falei imediatamente, desviando o olhar para os lados – Eu não sabia que estava no banho, é sério.
Ela pegou a toalha, rindo e se enrolou nela.
Reclamei internamente, mesmo me sentindo um total pervertido por isso.
– Charlie, relaxa.– ela respondeu-me tranquilamente, olhando-me com aquele bendito sorriso que me paralisava toda vez que era feito pra mim.
Vê-la de toalha diante de mim, sorrindo daquela maneira me deixou sem controle dos meus movimentos e sem ciência do que estava a fazer a seguir. Fui em sua direção e levei uma das mãos em sua cintura, a puxando contra meu corpo com violência, o que fez consequentemente a toalha de Sam se desprender do busto e cair no chão.
Seus seios úmidos esbarraram contra meu peito vestido pela camisa e ela suspirou olhando-me nos olhos, como se aguardasse o que eu faria a seguir.
Uni nossos lábios com pressa, enquanto a apertava contra meu corpo ainda mais, sentindo seus pontos do corpo molharem minha camisa e assim me causar uma excitação estantâneamente.
A levei contra a parede úmida do banheiro. Ali estava um vapor muito grande e já suávamos.
Mordi seu lábio inferior enquanto puxava sua coxa para mim, violentamente. Uma de suas mãos passeou levemente dentro da minha camisa, arrepiando-me rapidamente. Suspiramos juntos entre o beijo mau sucedido por conta da nossa pressa.
Ouvi Sam suspirar baixinho ao sentir minha língua contornar toda sua boca antes de finalmente intensificar o beijo. Em seguida ela subiu minha camisa lentamente enquanto subia as duas mãos contra minha barriga, alisando.
A ajudei a tirar minha camisa, levando meu rosto em direção a seu pescoço em seguida. Sua pele estava umida e delicada, fazendo-me beijar com certo desespero enquanto sentia o cheiro suave de sua pele me invadir e por fim fazer-me sentir cada vez mais excitado. Sam suspirou em resposta, apertando-me contra seu corpo nu. Lembrar que ela estava nua, aquilo era extremamente torturante, fazendo com que minha ereção se tornasse dolorosa dentro das calças.
Voltei meus lábios para os seus, beijando de forma irregular enquanto respirávamos ofegantes.
A essa altura estávamos extremamente suados. A temperatura elevada do banheiro nos causara essa sensação acompanhada do calor natural dos nossos corpos.
Sam suspirava desesperada entre nosso beijo, apertando-me contra ela a todo momento, fazendo com que meu membro esbarrasse em sua intimidade de forma dolorosamente excitante.
Mordi seu lábio inferior enquanto ela alcançava o cós da minha calça após alisar minha barriga, senti um arrepio por todo o corpo. Invadi sua boca de forma desesperada enquanto ela tentava suspirar sem sucesso.
Uma de minhas mãos foi até seus seios, massageando-o devagar, fazendo-a suspirar alto entre o beijo e assim acariciei de forma circular seu mamilo, ela cessou o beijo desesperadamente e gemeu baixo, fazendo-me suspirar junto.
As mãos de Sam desabotoaram minha calça com pressa e uma de suas coxas, que estava á altura de minha cintura, roçou empurrando-a para que caísse com sucesso. Logo minhas pernas terminaram de se livrar da calça e por fim me senti livre, levando Sam até o móvel do banheiro, a sentando em cima, de frente para mim. Suas coxas ficaram em volta de minha cintura, e voltei a beijá-la enquanto a mesma deslisava as mãos em minhas costas.
Estava sem paciência, pois não sabia o que me causava mais excitação naquele momento, seu corpo nu e suado colado ao meu, sentir seu cheiro suave quando beijava seu pescoço ou o fato de sentir minha ereção esbarrar em cada parte de seu corpo de forma torturante.
Cessamos o beijo e assim meus lábios puderam deslisar até seu pescoço novamente, sentindo invadir-me com aquela pele macia e delicada, beijando e chupando sem machucá-la.
A ouvi suspirar alto próximo aos meus ouvidos conforme eu chupava sua pele macia.
A mão de Sam entrou em minha boxer e segurou meu membro com pressa, fazendo-me suspirar próximo ao seu pescoço. Sua mão começou a ir e vir deixando-me ainda mais excitado, se é que isso era possível.
Minha boca invadiu seu pescoço como forma de conter a excitação. Ela suspirava alto enquanto sua mão trabalhava cada vez mais rápido em meu membro, indo e vindo. Minha mão segurou seus cabelos com força, apertando com os dedos, e ela gemeu baixo, pendendo a cabeça para trás.
Voltei para seus lábios e nos beijamos com pressa, ambos desesperados. Pude sentir a respiração ofegante e desesperada de Sam a cada momento, ao mesmo tempo em que a minha respiração parecia se igualar a dela.
Aquelas mãos macias e delicadas percorreram com cada vez mais pressa em meu membro de cima para baixo, fazendo-me respirar ofegante entre o beijo.
Ela me encarou e deixou que seu corpo pendesse um pouco para trás, gemendo alto quando eu a penetrei de uma só vez. Comecei a ir e vir, apoiando as mãos no móvel.
Ela me encarava com uma expressão de dor e prazer, apertando-me contra seu corpo.
Meus lábios desceram até seus seios com pressa, beijando até chegar no mamilo, passando a língua de forma circular por eles. Sam gemeu mais alto.
Eu estava tão excitado que não conseguia controlar meu impulso por ir e vir cada segundo mais e mais rápido, entrando e saindo quase por inteiro de dentro dela, e em resposta ouvi-la gemer cada vez mais alto também.
Sam levou uma mão em minha nuca, puxando meu rosto para o seu, beijando com rapidez e sendo interrompida inúmeras vezes pelos próprios gemidos inteligíveis enquanto me encarava e eu tentava tomar uma lufada de ar sem muito sucesso.
Eu acelerava minhas estocadas de forma descontrolada. Não estava me reconhecendo, nem reconhecendo meu próprio corpo naquele momento, nunca chegara naquele nível de excitação tão desesperado e violento. Achava que a nossa última noite no sofá de sua sala já havia sido insana demais para ser superada, porém eu estava enganado.
– Charlie... – disse em meio aos gemidos inteligíveis e cada vez mais altos.
Era como se escutar aquilo apenas me excitasse ainda mais, indo e vindo em Sam de forma violenta e desesperada, implorando por conseguir suprir toda aquela excitação que sentia.
Suas unhas penetraram minha nuca em resposta, enquanto ela gemia de forma dolorosa e excitada.
Minha respiração falhava enquanto eu estocava cada vez mais rápido, sentindo assim meu corpo se cansar um pouco, e mesmo assim não conseguir ter controle e sanidade para me policiar.
De repente, Sam começou a gritar excitadamente, conforme eu sentia meu membro latejar intensamente e assim não foram precisas muitas outras estocadas para que chegássemos ao ápice, juntos e intensamente.
Respirei fundo, tentando recuperar as forças. Nem todo o oxigênio parecia ser o suficiente para meu pulmão desesperado. Sam jogou a cabeça em meu ombro e eu me recuperava de algo insano e novo, ainda em pé, diante dela. Minhas pernas estavam cansada em tão poucos minutos.
– Chalie...– ouvi a voz de Sam sussurrar próxima ao meu ombro – isso foi maravilhoso.
Eu estava exausto, mas precisava admitir nunca ter sentido algo igual e agir daquela forma. Minha mente voltou a funcionar, tomando ciência do que acontecera.
– Desculpe, caso eu tenho sido um pouco violento. – respondi, com a voz um pouco cansada, apoiando-me no móvel do banheiro enquanto Sam estava encostada em meu ombro.
– Está desculpado. – ela respondeu, rindo carinhosamente – Me assustei mas confesso que gostei, foi incrivelmente bom. Você é muito bom.
Ela apertou o abraço.
– Que bom que pensa assim, Sam. – respondi, rindo em seguinda – Acho que preciso me sentar.
Rimos juntos.
Sentar? Não, eu precisava me deitar. Minhas pernas estavam fracas, acabara de ter um orgasmo violento e inexplicável.
[…]
Alguns minutos depois, eu havia tomado banho com Sam e nos deitamos na cama. Ela adormeceu por quase uma hora, enquanto pensei em tudo que acontecera nos últimos dias. Eram tantas coisas que minha mente se enrolou em tentar separar tudo por etapas.
Olhei para o lado, Sam dormia em meu ombro enquanto eu estava deitado e pensativo. Aquilo era tão bom, ter Sam ao meu lado, seja onde fosse, como fosse. A cada momento me pegava lembrando dela dizendo que nunca mais se afastaria de mim, isso me deixou extremamente feliz.
Era impossível dizer que eu não era outra pessoa com Sam. Á seis anos eu não me sentia tão vivo, tão eu.
Enquanto ao lado de Jennifer eu me sentia desanimado em fazer o que fosse para agradá-la, com Sam eu me sentia alegre em agradá-la como se tivéssimos a mesma sensação ao nos algrarmos, como uma ligação profunda, algo sem explicação.
Sempre me surpreendi comigo mesmo quando estava perto de Sam. Eu fazia coisas que jamais esperava fazer, e outras pessoas também não esperavam. Naquela noite tive a prova maior disso. Meu corpo se comportou de forma insana e minha mente parou de funcionar por alguns minutos, fazendo-me notar até onde eu poderia chegar.
De repente, senti Sam se mexer, me virei para olhá-la e ela abriu os olhos um pouco sonolentos.
– Sam. – falei e ela sorriu, beijando meu ombro.
– Queria que ficasse aqui para sempre – ela sussurrou, olhando-me nos olhos – que não fosse trabalhar e nem fosse a lugar algum.
Ouvir Sam sussurrar daquela forma era torturante demais, sair de perto dela sabendo que desejava estar perto tanto quanto eu. Sorri de volta.
– Eu também – respondi e suspirei – mas preciso trabalhar. Eles precisam de mim.
– Eu sei – ela selou nossos lábios carinhosamente e desviou, olhando-me nos olhos.
– Sam, eu … eu te amo. – deixei escapar, tendo ciência do que falei logo depois – Eu...não sou eu mesmo sem você.
Ela se manteve olhando-me nos olhos e sorriu suavemente.
– Eu também, Charlie – ela devolveu – te amo. Nos descobrimos juntos.
Ela segurou em minha mão, encaixando seus dedos entre os meus e apertando forte.
– Eu nunca mais vou ficar longe de você – ela continuou – porque não consigo, não posso.
Ouvir aquilo foi como canção aos meus ouvidos, foi mais alucinante que ouvir For the Love of God do Steve Vai, que comer bolinhos batizados, que beber até perder a ciência...nada superava o fato de ter Sam de volta, e dessa vez me sentir correspondido de forma intensa.
[…]
Depois de uma manhã incrivelmente inesquecível na casa de Sam, fui para o trabalho, estava de bom humor, me sentindo revigorado, como se uma parte de mim tivesse dispertado.
Estava em minha sala numa conversa com Josh sobre negócios.
– Estamos lucrando bem esse ano, o natal já é daqui a um mês e os pedidos têm aumentado. – Josh folheava alguns contratos enquanto falava – Isso é muito bom. Já pode comemorar algo além do natal e seu aniversario esse fim de ano, Charlie.
– Verdade! – respondi animado, enquanto digitava no computador, até sentir que Josh cessara o que fazia para me observar – Tudo bem, Josh?
– Eu é quem pergunto. – ele cruzou os braços olhando-me – Parece animado, nem lembra que Jennifer está ausente. Aconteceu algo?
Pensei bem antes de responder. Josh era um ótimo cara, mas também sabia me provocar quando queria, principalmente quando se tratava de Jennifer, ele era muito observador.
– Ela viajou ontem, Josh, eu passo a semana toda sem vê-la, a fixa ainda não caiu. – respondi tentando manter-me tranquilo. Eu estava ótimo até ali, não queria me aborrecer – E não, cara, não aconteceu nada. Tá?
Josh hesitou por alguns segundos até finalmente suspirar.
– Me desculpa, cara. Tem razão. – respondeu, voltando a pegar nos contratos.
Talvez terminar com Jennifer não seria problema só em magoá-la mas também em ter que ouvir muitas do Josh, pois ele tomaria toda as dores dela sem hesitar. Se bem que se eu fosse parar para pensar, a lista de pessoas que reprovariam meu fim de namoro com Jennifer seria maior que o número de fãs do Elvis Presley, começando pela minha família, que já a consideram parte dela.
De certa forma isso estava me frustrando um pouco.
[…]
Patrick's POV
Durante aquela semana me dediquei a banda. No ano que vem começaria uma turnê, mesmo que no meado do ano, mas já estávamos planejando tudo.
Tive três entrevistas, alguns projetos para confirmar e algumas coisas extras para serem acertadas, aquilo foi legal porque só assim pude me distraír e parar de pensar em duas coisas extremamente loucas que perseguiam minha mente ultimamente: o lance do Anthony e o beijo da Jane.
Não falei com Charlie e Sam por dias, mas sabia que não estavam disponiveis de qualquer forma, Charlie estava atolado em seu trabalho e Sam prestes a fazer um comercial e umas fotos para um catálogo de uma loja de roupas bem famosa.
A semana seguiu rápido, trabalhei direto e voltei para o meu apartamento somente na sexta-feira á noite um pouco bêbado.
Me joguei no sofá e fiz careta levantando-me imediatamente. Alguma merda machucara minha coluna de maneira que quase quiquei no sofá. Ao olhar, lembrei-me que tinha esquecido uma garrafa de tequila ali encima. A peguei e abracei com carinho.
– Me desculpe, minha bonequinha, eu não queria te machucar. – beijei a garrafa e sentei-me no sofá a abrindo e dando um gole. Mas que diabos! Eu estava virando um belo de um alcoólatra.
Mas é que...aquela linda garrafinha não precisava ser guardada afinal, seria maldade da minha parte. Então, apenas sustentei gole após gole daquela linda garrafa como se não houvesse o amanhã, e consequentemente comecei a lembrar que tinha memória apartir do momento em que ela começou a funcionar, e aí fodeu tudo.
Alguns minutos se passaram, sacudi minha cabeça fazendo-me ver Anthony e Jane em minha mente e em um instante minha cabeça encheu-se de dados e fatos embaraçosos. Pensei e pensei em tudo que me acontecera de ruim, já que de bom não acontecia porra nenhuma. A garrafa de tequila já estava consideravelmente vazia, pude senti-la leve em meu colo, sentí-la em meu colo porque eu estava com preguiça demais para abaixar a cabeça apenas para me certificar disso, por mais que fosse tentador achar algum gole perdido naquela garrafa, mas meus olhos já estavam fechados e não conseguia abrí-los novamente. Não que eu me importasse com isso.
Mas como minha vida adorava me pregar lindas peças, meus olhos fechados não estavam sendo uma boa idéia afinal, a imagem de Jane na última noite veio em minha mente de forma imediata, como se fosse a única coisa que sobrasse em minha consciência bêbada e preguiçosa.
Oh, era isso! Minha mente estava enlouquecendo pelo efeito do excesso de álcool, só poderia.
Lembrei-me rapidamente da sensação que senti ao beijá-la, era algo estranho, muito estranho mesmo, ao ponto de...ser bom? Sim, era bom, assim como todas as pessoas que beijei...Ok, ok...droga! Minha mente relutava tentando suprimir o pânico que tinha surgido em meu cérebro, talvez contar carneirinhos fosse a melhor coisa a fazer, ou lembrar da música do Barney que me soara mais inocente naquele momento.
Minha mente — certamente cansada em relutar com distrações fúteis — finalmente desistiu e suspirei, com ar de fracasso. Prontamente moldei Jane em minha mente novamente e lembrei-me de tudo, o beijo e todo o efeito que ele causara sobre o meu corpo e a minha mente. Os lábios de Jane com o gosto impecável de Martini, e a maneira como nossas línguas se cruzaram. Em consequencia, senti um formigamento se espalhar por todo o meu corpo com um final glorioso entre minhas pernas.
Mas que merda! Aquilo definitivamente era loucura. Eu, a bixa mais passiva e fiel se sentindo assim por uma garota? Ou melhor, pela terapeuta com cara de adolescente? Ah céus, eu era um pedófilo, só poderia!
Lembrar-me desse absurso me fez apenas irrijecer ainda mais.
Senti minha mão seguir de forma involuntária até o cós da minha calça, desabotoando-a ligeiramente, no desespero de alcançar o interior. Encontrei meu membro, estranhamente irrijecido e doloroso, sendo pressionado pela calça jeans e o libertei suspirando em alivio, jogando a garrafa de martini para o lado.
Por um momento, minha mente adormeceu sendo invadida pelo desejo de atender minha ereção.
Minha mão solitária apertou forte meu membro cada vez mais doloso, e assim desisti de pensar nas consequências daquilo, ao menos por alguns segundos, deslisando contra ele rapidamente. Senti-me um adolescente idiota naquele momento, sendo entregue a um desejo ainda mais idiota.
Senti minha mão acelerar em meu membro cada vez mais rápido e em resposta minha boca se abrir suspirando como forma de alívio. Oh, e era mesmo um alívio. Era como se uma panela de pressão estivesse sendo salva antes que explodisse. E claro, eu era essa panela.
Meu coração acelerou junto com minha mão em meu membro, fazendo-me ficar ofegante e relativamente úmido de suor. Minha respiração entrecortada não aliviava a sensação agoniosa de logo acabar com aquilo.
Me senti envergonhado comigo mesmo por estar fazendo aquilo. Eu não precisava estar dessa maneira se quisesse, muita gente daria qualquer coisa pra estar na minha cama naquele momento, porém eu acreditava que isso não seria propício levando em consideração que eu estava daquela forma por uma pessoa em especial.
Minha mão, certamente cansada com a velocidade que tomou em meu membro, acelerou desesperadamente enquanto eu suspirava rápido entre os movimentos, até que o orgasmo fez todo meu corpo ficar rígido e minha mão foi tomada pelo meu esperma. Finalmente cessei, abrindo os olhos prontamente esbugalhados com o que fiz, aqueles mesmos olhos que antes não conseguiam se abrir. Agora que minha necessidade tinha cessado, senti que meu velho embaraço havia retornado como forma de vingança. Não que eu fosse tímido, mas naquela ocasião me senti um verdadeiro babaca pervertido e acima de tudo confuso. Afinal, quem se masturbaria pensando na terapeuta?
Apenas que fosse um adolescente sonhador e virgem, ninguém o faria, só mesmo eu, é claro.
Suspirei me endireitando no sofá enquanto pedia ao todo poderoso um pouco de misericórdia e para que me tirasse aquela sensação estranha. Mas é claro, certamente Deus estava muito ocupado rindo da minha cara para ser misericordioso.
Suspirei desanimado até ouvir meu celular vibrar alto. Mas que diabos...quem ligaria para meu celular ás duas da madrugada? Nem Sam tinha esse costume, apenas eu o fazia com outras pessoas.
Olhei para o celular, que vibrava ao meu lado no sofá, arrastando-se levemente enquanto o fazia. Olhei para uma das mãos, obviamente meladas e fiz careta, esticando a outra mão intacta para atender a ligação no celular.
– Patrick? – ouvi a voz um pouco aflita de Jane do outro lado da linha, meu coração matelou dentro do peito, como um alarme – Graças a Deus, Patrick! Céus, você sumiu. Está tudo bem?
– Estou. – Menti, com a voz fraca. Não estava a ponto de explicar sobre pássaros e abelhas para ela agora. – Só andei...ocupado com a banda. Ah propósito...boa madrugada pra você também.
– Ah, sim...– ela suspirou aliviada – Não faça mais isso, Patrick. Por sete dias não tive notícias suas, sete dias. Quer me matar do coração?
Sim, eu não atendi as ligações de Jane por uma semana. Fui medroso ao ponto de temer me aproximar dela novamente. Beijá-la naquele dia me despertou uma estranha necessidade de o fazer de novo, e eu não queria ter que usar a desculpa do Johnny Depp mais uma vez.
– Por que não retornou minhas ligações, Patrick? – ela continuou, suspirando – Eu sei que estava ocupado, mas sempre me retorna, me contata e dá sinal de vida. Gostaria que continuasse a dar sinais de como está a semana, e se não puder me ligar, mande um torpedo.
– Desculpa. Tá? – comecei, sem idéia de argumentos – Eu prometo não fazer isso de novo.
A ouvi suspirar novamente.
– Tudo bem...mas como estão as coisas? – ela perguntou, com a voz desanimada – Tudo bem?
– Sim, mas pela sua voz não parece me dizer o mesmo. – forcei uma voz mais confortável, finjindo sentir-me normal em falar com ela novamente – Aconteceu alguma coisa?
– Ér...não, não...estou bem. – e é claro que qualquer coisa ridícula me convencia mais que aquela resposta, até mesmo a atuação de Ryan Reymonds em Lanterna Verde.
Revirei os olhos impaciente.
– Ah, qual é, Jane. A quem quer enganar? – protestei – Se está bem, o George Michael é hétero.
Ela riu, suspirando por fim.
– Desculpa, Patrick – ela devolveu – você tem razão, eu não estou bem.
Aquilo definitivamente me incomodou.
– Eu só liguei para saber como estava mesmo. – ela continuou – Depois te ligo de novo. Ok?
– Claro, claro. – respondi, finjindo não ser afetado por aquela reação, até surpreendi-me com a voz superficial, lembrando a de um vendedor de produtos domésticos – Até depois então.
Por fim, desliguei o celular e o joguei no sofá. Mas é claro que aquilo que acabara de acontecer me deixou incomodado. E se ela estava assim por causa do beijo? Não porque estava apaixonada e encantada por mim mas sim por eu ser o paciente maluco e esquizofrênico dela que a beijou enquanto estava bêbado demais para se segurar na droga do sofá — e acrescentando – estava sentado.
Depois daquilo, corri para uma ducha imediata e silenciosa. Aquele banho proporcionou-me um certo alivio, fazendo com que minha mente relaxasse ao ponto de não me importar com mais nada, apenas que meu corpo precisava de uma cama imediatamente, e foi o que fiz. Deitei-me e em alguns segundos já estava fora de qualquer ciência, desfrutando do conforto e da escuridão do meu quarto.
[…]
Charlie's POV
Naquele sábado de manhã, levantei-me motivado a escrever mais, finalizar alguns trabalhos e por fim ligar para Sam. Tive uma semana difícil e por isso não havia falado com ela desde a semana passada, não só ela, Patrick também.
Estava em frente ao meu notebook quando o telefone da sala tocou e atendi na esperança animada de ser Sam ou Patrick, propondo alguma atividade para nosso fim de semana.
– Alô! – minha voz soou com uma animação até assustadora.
– Charlie, querido! – e a voz da minha mãe devolveu em resposta – É tão bom ouvir sua voz viva dessa maneira.
Apesar de não ter sido Sam, ouvir a voz da minha mãe me fez sorrir.
– Que bom, mãe! – respondi em intusiasmo – Mas...como está?
– Estou ótima, querido, aliás, estamos todos ótimos. – sua voz estava animada – E estou te ligando para lembrar do encontro em família na casa de Candace. Não se esqueceu, certo?
– Claro que não. Como poderia? – respondi, batendo a palma da mão no rosto, acabando de lembrar disso. Minha mente andava tão presa a Sam que me esquecera de algumas coisas, e com certeza esse encontro familiar era uma delas.
– Ótimo, filho! – ela comemorou – Candace pediu que trouxesse algo para o bebê. Traga fraldas, serão de mais utilidade. Peça para Jennifer te ajudar, ela deve entender melhor desse assunto, mas falando nisso, como ela está?
Senti como se tivesse engolido um limão, ela falara de Jennifer com tanta empolgação que me fazia sentir aflito internamente.
– Claro. Por que não? – respondi – ela está viajando, mãe, só voltará daqui a um mês.
– Bem á altura em que acontecerá o encontro na casa de Candace. Já a informou desse almoço? Sua irmã a quer nesse dia, todos nós queremos, Charlie. – minha mãe respondeu-me cobrando e suspirei lembrando-me que não havia informado.
– Sim, mãe, eu falei. – menti – e quando ela voltar, iremos a casa de Candace com as fraldas, não se preocupe.
– Perfeito! – ela comemorou – Fico feliz de ouvir isso, querido.
Conversei com minha mãe por longos minutos e quando desliguei o telefone, já estava frustrado por ela falar tanto de Jennifer, aquilo me deixara em pânico. Não seria o tipo de assunto a se falar pelo telefone.
O susto com o telefone não parecia ser o único. De repente, a porta da sala se abriu de forma cuidadosa e a encarei. Meu coração acelerou de forma devastadora. Quem poderia ser?
Ter a chave do meu apartamento era algo que somente Jennifer tinha.
A porta se abriu por completo e atrás dela surgiu o rosto de Jennifer, com um olhar um pouco sério.
Meu coração acelerou ao ponto de surtir-me uma falta de ar poderosa.
Corri até a porta para ajudá-la com as malas. Haviam três delas, muito grandes.
Entramos e ela se sentou, parecendo estar exausta. Sentei ao seu lado, tão tenso que ao menos não saberia o que falar.
– Você disse que passaria um mês fora. – a encarei, sem conseguir esconder a tensão. Se ela voltara, não foi por um bom motivo afinal – O que aconteceu?
– Não poderei continuar, Charlie. – ela disse, visivelmente abalada – Aconteceu algo inesperado.
A olhei aguardando que terminasse. O que poderia ser aquela altura?
Ela suspirou.
– Eu passei mal no primeiro dia, e me levaram para um hospital – ela começou, com a voz um pouco chorosa – e então, descobrimos que estou grávida.
A última palavra bateu com tanta intensidade nos meus ouvidos que senti meu coração quase sair pela boca, ou pelo menos algo que parecia ser próximo aquela sensação. Nem toda respiração do mundo seria capaz de encher meus pulmões naquele momento.
– Grávida? – minha voz, um pouco abalada procurou se certificar, eu poderia ter ouvido errado.
– Sim, e no contrato diz que em caso de gravidez eu não poderia permanecer. – ela respondeu, suspirando de forma tensa – Droga! E agora, Charlie? O que faremos?
[…]
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