Notas iniciais
Espero que gostem da one-shot! Comentários são apreciados, o feedback ajuda. Não estou acostumada a escrever sobre/como o Berwald :v
Link da música que eu mencionei nas notas: https://www.youtube.com/watch?v=Bpfw47x5a90

Acontecia sempre que estava entediado. Berwald nunca foi um tipo criativo, e sempre prestava muita atenção no que estava fazendo, mas agora, tudo parecia ter mudado. Tino entrou em sua vida, e num piscar de olhos, virou tudo de cabeça pra baixo: Não conseguia mais focar em atividades, escutava outro tipo de música, participava de eventos bizarros que nunca pensou que existissem, passava tardes em sites de nomes para um bebê que nem sequer existia, e sua imaginação parecia ter se despertado de vez. Berwald não tinha mais um momento livre: sempre que parecia desocupado, sua mente tratava de fazê-lo imaginar o futuro. Um futuro tão diferente do que ele pensava que teria..era mais alegre, eclético, e muito mais bonito. O único passo que precisava tomar para que começasse a se realizar era dizer duas palavras: Casa comigo?

Mas mesmo que faltasse tão pouco, mesmo que fosse um ato tão simples na teoria, Berwald não conseguia colocá-lo na prática. Tentou várias vezes: Já tinha um anel, e já havia reservado mesas em restaurantes caríssimos em várias ocasiões, sempre com o intuito de propor o noivado, mas quando a hora chegava..ah, não. O sueco estremecia só de se lembrar disso. Era sempre a mesma coisa: suas bochechas coravam, o coração acelerava a ponto de ele poder ouvi-lo, a testa começava a suar, e Berwald se transformava numa pilha de nervos, sem conseguir fazer uma frase que tivesse sentido. E se ele disser não? Pensava, encarando o chão como se fosse interessante, só para não ter que olhar nos olhos do outro. Tino era bom demais, gentil demais, especial demais para ele. No fundo, Berwald tinha medo de que qualquer coisa que fizesse pudesse assusta-lo, e fazer com que o deixasse. Sabia que estava exagerando, afinal, Tino não se irritaria por qualquer coisa, como o fato de que o sueco sempre preferiu almôndegas ao invés de peixe, mas ele sempre arrumava uma maneira de pensar que sim.

Apesar de toda a dificuldade e ansiedade, Berwald não queria perder as esperanças. Bastava deixá-los a sós por um momento, e era fácil deduzir que se davam bem. Adorava o jeito amigável, e em sua opinião, adorável do finlandês. Tino, por sua vez, não se cansava de enchê-lo de beijos e fazê-lo sorrir. Não diria o contrário nem que fosse pago para isso. Ambos adoravam inventar situações, ocasionalmente absurdas, mas também possíveis. “E se a gente se casar domingo?” foi uma das favoritas de Tino. A resposta era sempre parecida: Berwald corava, e resmungava alguma coisa quase inaudível, mas que era com certeza de aprovação. Tino ria, e beijava a bochecha do maior, com um sorriso inocente no rosto. “Eu ficaria muito feliz.” Dizia, tentando fazer com que entendesse o recado, mas o sueco não parecia captar a ideia. O mesmo sueco que passava um anel entre os próprios dedos todas as noites, demorava a dormir só para que pudesse observá-lo por um pouco mais de tempo, e sempre conseguia faze-lo feliz. Tino não sabia que seu namorado já entendera a mensagem há muito tempo. Continuava propondo a mesma situação, e esperando que a questão surgisse.

Mas ele não desistiria tão cedo assim. Tino amava aqueles olhos azuis, amava aquele sorriso discreto, quase sempre involuntário, amava como Berwald sempre o fazia sentir-se especial, e acima de tudo, o amava muito. Se precisasse, Tino poderia esperar. Esperaria mil anos, ou mais, se pudesse escutar aquelas palavras, e claro, responde-las com um “sim”. Já havia considerado perguntar ele mesmo, mas abandonou a ideia: Não poderia fazer com que o momento fosse bom o suficiente. Era uma das coisas que Berwald fazia de melhor: tornar cada minuto o melhor de todos. Tino preferiu cruzar os dedos, e persistir com o plano de enche-lo de carinho, até que a hora chegasse. Sabia com certeza que aquele era o homem com quem queria passar toda a sua vida. Sabia também que o amor era correspondido. Só não sabia que era tanto assim.

Não acreditava em telepatia, mas Tino conseguia ver o futuro perfeitamente. Tinha certeza de que ficariam juntos, e que o pedido chegaria em breve. Sempre que era convidado para sair, mantinha a esperança alta, e um sorriso permanente de quem mal pode esperar pelo que vem a seguir. Somos feitos um para o outro. Repetia, mentalmente. Acreditava que, se mantivesse o otimismo e positividade, coisas boas aconteceriam. Claro, já estavam acontecendo, mesmo que não fosse perfeito. Tinha de admitir, Berwald tinha falhas. Não compartilhavam um gosto musical, e às vezes, sua paciência inesgotável e calma o tiravam do sério. Às vezes, Tino gostaria que fosse um pouco mais impulsivo, extrovertido, espontâneo. Mas eles equilibravam um ao outro: O jeito tradicional e quieto do sueco era o oposto do modo criativo e amigável que estava presente em Tino. Também tinham coisas em comum: ambos eram determinados, e mais fáceis de irritar do que admitiriam. Mesmo assim, Tino o defenderia até o fim em uma discussão, e se sentia feliz em saber que o mesmo valia do outro lado.

Concordaram silenciosamente em esperar. Esperarem até que Berwald estivesse pronto, e fizesse a tão esperada pergunta. Quando a ansiedade do sueco finalmente deu a oportunidade, deixaram de imaginar. Não era mais só uma ocasião fantasiosa. Não existia mais o ‘E se’, ou o ‘Quem sabe’. Se casaram no Domingo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!