Victor camiava com o pai e aproveita pra conversar com ele algo que estava passando.

— pai eu ando tendo alguns sonhos bem estranhos.

— e de que tipo Victor?

— na verdade eu acho que são lembranças que eu não lembro de ter vivido.

— droga Victor — fala nervoso — sabia que isso poderia acontecer um dia, mas você nunca falou nada.

— do que está falando pai?

— eu não sou seu pai e você não é Victor Fernandes — fala rápido para não perder a coragem.

— do que está falando? Que loucura é essa pai? — falou surpreso.

— te achei quando meu filho tinha sido morto em uma emboscada naquela mesma estrada — fala com a voz embargada — quando vi você todo machucado perto de um carro em chamas sabia que era Deus me dando uma nova chance e agora era com você meu filho.

— como é meu nome verdadeiro?

— não sei — suspira pesadamente — você não tinha documentos e seu rosto estava irreconhecível quando eu vi que estava vivo o levei pro hospital imediatamente, mas dei o nome do meu filho pra o hospital.

— e porque não procurou a polícia? E se estavam me procurando?

— você estava quase morto no chão quando te achei e penso que alguém quis te matar com certeza.

— seja quem for, depois de vinte anos acho que nem existe.

— e o que pretende fazer? Não tem como achar a sua família tão fácil — olha Victor com desespero — eu Carlos Fernandes sou seu pai e sua família.

— vou tentar senhor Fernandes — fala derramando uma lágrima — e se essas lembranças forem minhas? Eu sou um homem que viveu uma mentira — olha Carlos a sua frente — se não sou Victor Fernandes, que sou eu e de onde eu vim?

— tão pouco sei responder tais questões — tenta se aproxima mas é afastado — você é Victor meu filho.

— quer saber? Eu me sinto um ninguém — sai correndo até a casa mas no meio do caminho tem mais uma lembrança.

"Você vai esquecer da minha filha pelo bem dela e do filho que ela carrega no ventre"

Ele sente uma pontada na cabeça e cai desacordado no chão.

Ele é levado de volta para fazenda e depois de um tempo acorda e fica pensativo e toma uma decisão.

— quero saber o que houve no dia do acidente e quem mais sabe dessa mentira.

— eu e Macário que infelizmente já não está entre nós.

— porque eu acho que está mentindo? — o encarando — me diz o que sabe por bem.

— eu não sei de nada — se exaltando — você é meu filho e nunca vai deixar de ser.

— certeza? Porque eu tenho certeza que você sabe algo a mais e não quer falar pra mim — em tom de ameaça — se eu souber por mau não me queira ver na sua frente.

— não me pergunte como, mas isso estava no bolso da sua calça — entrega uma foto — não é muita coisa, mas poderá ajudar.


— obrigado — pega a foto e sai em direção ao quarto.

Dentro do consultório junto a Ana estava Inês é Máximo.

— o que fazemos aqui Ana? Tem alguma coisa grave com o Fernando — em seus olhos se percebia a sua grande preocupação — não esconda nada de mim.

— eu preciso falar um segredo que prometi pra minha mãe no leito de morte nunca revelar, ma dele pode salvar a vida do meu menino.

— já estou preocupada Ana — fala Inês preocupada.

— que segredo é esse?

— primeiro quero dizer que o Fernando tem leucemia e precisa de um doador compatível e é com urgência.

— e onde podemos ajudar? — pergunta Inês.

— quando minha mãe se envolveu com o pai do Nando ela acreditou em todas as suas promessas e foi assim que ela engravidou e esperou aquele homem assumir aquele bebê — se põe calada por alguns segundos e logo depois volta a falar — não sabia a identidade desse homem até uns dez anos atrás e quando me contou me pediu que prometesse que nunca ia falar nada com a verdadeira família.

— quem sãos? Eu posso ajudar Ana — fala Máximo com entusiasmo — eles vão salvar o Fernando né?

— ainda tem uma coisa na história que não contei — já estava com a voz embargada — eu sempre estive perto da família do meu irmão e tive que calar por muito tempo por medo do homem ameaçador que era o pai de Fernando — respira fundo — Fernando é filho de Máximo Huerta.

— ele é meu irmão? — estava surpreso — como ele pode fazer isso?

— porque não falou comigo Ana? — Inês ainda tentava compreender a revelação — onde ele ficou todo esse tempo depois que a sua mãe morreu?

— morava com a madrinha e resolveu vim morar comigo.

— Máximo Huerta — começa a se alterar — o desgraçado acabou com a vida dos três filhos de maneiras diferentes — levanta — eu vou fazer o exame pra ser doador de medula pro meu irmão — segura nas mãos de Ana lhe passando segurança — eu vou estar presente em todo momento e agora muito mais que antes de saber.

— pode contar comigo também — se aproxima dos dois — também vou fazer o exame de compatibilidade — sorri para o irmão — tenho mais um irmão mais novo.

— Inês me perdoa por ter sido fraco diante o nosso pai — se ajoelha e abraça a cintura dela chorando muito.

— vc errou e sabe disso, o meu perdão? Um dia poderá receber de mim mais no momento não consigo vamos pensar em Fernando somente nele que é quem precisa de nos no momento.

Máximo se levanta enxugando as lágrimas.

— ta bem Inês, eu sei que o que eu fiz não tem perdão e que agora temos que nos esforçar para salvar o Fernando.

— vou falar com o médico — estava emocionada — não sabe o quanto estou agradecida.

— apesar de tudo ele é nosso irmão e não vamos deixar ele morrer — Inês fala terna com ela — você só vai ter que dividir o Fernando comigo.

— vou fazer uma ligação e depois já vou fazer o exame de compatibilidade de médula — sai deixando Inês e Ana sozinhas.

— meu pai nunca prestou, mas fazer isso com uma mulher?

— o seu pai nunca foi um santo e digo isso não só pelo que fez com o Fernando e a minha mãe.

— o Máximo contou o que aconteceu com ele e Victoriano?

— ele falou com um arrependimento que nunca vi tão indefeso.

— ele errou e eu infelizmente não estou com condições de perdoar.

— e porque não dá uma nova chance pra ele?

— Ana — falou firme — ele vai ter que pensar muito no que fez.

Dia seguinte pela manhã Inês estava no hospital para fazer o teste.

— então esse resultado sai em alguns dias enfermeira?

— sim senhorita Huerta

— tomara que dê positivo

— no caso de o doente ser irmão do possível doador a chances de ser compatível é bem maior.

— me deixa muito feliz com a possibilidade de salvar o meu irmão.

— já terminamos, agora é só esperar o resultado — sai da sala.

— tomara que eu possa salvar você Fernando — sai da sala e vai encontrar Ana na recepção.

— já acabou Inês?

— agora temos que esperar os resultados.

— o senhor Máximo pediu os documentos do Fernando, você sabe pra que foi?

— ele quer adicionar o sobrenome Huerta.

— mas eu não posso aceitar Inês, o Fernando não sabe de nada e prefiro assim por enquanto.

— Ana, nem eu muito menos o Máximo íamos fazer mal a o Fernando e pensa que ele também tem direito de conviver com os irmãos.

— eu preciso pensar Inês — fala compreensiva — ainda tenho que falar com ele.

— eu preciso comer bolo de chocolate e café sem açúcar — da um sorriso maroto — até parece que eu estou grávida.

— Inês — olha Inês com certa estranheza — você desmaiou e anda vomitando.

— tudo por conta dos problemas e porque o Victor não ta comigo.

Alguém tampa os olhos de Inês com uma mão.

— agora não precisa mais sentir minha falta meu amor — ele vira Inês pra ficarem frente a frente — tava morrendo de saudades mi morenita — a beija apaixonado e cheio de saudade.

— Victor você demorou — fala manhosa se aninhando nos braços dele — eu tava muito triste sem você aqui.

— meu amor...Inês o que houve? — vendo que ela já derramava algumas lágrimas — me perdoa meu anjo — fala preocupado com ela.

— Victor leva ela pra casa.

— não sem meu bolo de chocolate e café se açúcar — ri e chora ao mesmo tempo.

— Victor você compra pra ela por favor? Faz ela se sentir bem Victor.

— ta bem Ana, qualquer coisa me avisa?

— vou avisar sim Victor, mas leva ela pra sua casa e não deixa ela sozinha.

— Victor? — fala ainda chorando — não me deixa mais sozinha.

— nunca mais minha vida.

Eles saem e Máximo chega com alguns documentos e entrega a Ana.

— o que é isso? — pergunta com os papéis na mão.

— são os novos documentos e não se preocupe porque já falei para trocar o nome dele aqui no hospital também.

— porque você pensa ser o dono de tudo? — fala contrariada — eu pedi pra pensar e a Inês respeitou.

— mas, Ana ele é meu irmão também poxa.

— não tinha o direito Máximo.

— meu pai tirou o direito do Fernando conviver com os irmãos e agora quero recuperar o tempo perdido.

— ta bem eu vou dar um voto de confiança — já tinha se convencido das boas atitudes dele.

— aceita tomar um café comigo?

— não posso sair agora, mas, prometo que quando tudo isso passar podemos tomar um café e conversar.

— eu vou esperar — se aproxima e toca delicadamente o rosto dela — eu gosto muito de você Ana Leal.

— esse sentimento é recíproco Máximo Huerta — se aproxima dos labios dele é lhe rouba outro beijo.

— seus beijos roubados são os melhores, mas agora é minha vez — pega na cintura dela e a aproxima para um beijo.