Se Eu Pular

1 Se eu pular...


Notas iniciais
Hey!
Espero que gostem! boa leitura ♥

Fecho o olhos e começo a contar.

Um...

É necessário...

Dois...

...já basta de tanto sofrimento...

Três...

...é agora ou nunca.

Abro os olhos e encaro a infinidade do azul abaixo. Temeroso, solto um dos braços grudados fortemente ao ferro da ponte. Ouço os murmúrios críticos as minhas costas, enquanto um grupo da polícia faz uma barreira, separando-me das pessoas curiosas que pararam seus carros no meio da pista e agora observam-me.

‘’pobre garoto... o que será que se passa pela cabeça de uma pessoas prestes a se suicidar?’’

Imagino este pensamento dentro da cabeça de todos.

- Vamos lá, meu jovem – tenta mais uma vez o policial – não há coisa tão ruim a ponto de você querer morrer. Tem a vida inteira pela frente, veja bem... 23 anos muito pouco.

Mordo meus próprios dentes com mais força, e respiro fundo. Eles não entenderiam o inferno que passei durante esse ano na faculdade... mesmo adultos, a mente das pessoas da minha classe são de apenas 10 anos de idade...

‘’Lá vai o viado!’’ ou ‘’Olha lá pessoal. Com que cara será que ele vai ficar hoje?’’ já basta de provocações desse tipo, eu não aguento mais... meu suposto melhor amigo parou de andar comigo por causa disso, e não quero mais fazer com que Matheus seja tachado junto comigo. Tenho certeza que ele não assumiu que também era gay porquê viu pelo que passaria...

Minha linha de pensamentos é interrompida por uma confusão atrás de mim. Por reflexo, talvez curiosidade, me viro para trás.

- Me larguem, seus imbecis! Eu quero falar com ele! – choco-me ao ver Matheus tentando atravessar a barreira da polícia – Dani! – exclama ele, ao perceber que estava o observando. Como todas as vezes em que converso com ele, sinto meu rosto avermelhar.

- O que tá fazendo aqui?! – questiono, com lágrimas ameaçando brotar – você me largou e agora quer me salvar?! Seu idiota, volte pro meio da multidão! – pronto, estou derramando minhas tão bem seguradas lágrimas – SAIA DAQUI!

- Mas...

- APENAS SAIA DAQUI!

- Dani, eu sinto mui...

- EU JÁ FALEI! – grito mais alto ainda – apenas... saia – agora estou sussurrando... volto a olhar pra imensidão azul do mar. Os policiais liberaram Matheus...

- Dani... – sussurra ele – por favor, não faça isso.

- Você não entende Math! Você simplesmente não compreende como é...

- Eu compreendo sim... – fala, em um tom tão baixo que eu não consideraria sussurro – Vamos lá, você consegue superar... juntos, o que acha?

- J-juntos? – indago, corando fortemente – eu... e você?

- Sim – fala ele, e ignorando todas as pessoas a nossa volta, puxa meu rosto mais pra perto do dele e me beija, como se estivesse completamente desesperado, e o mundo fosse acabar em alguns segundos – juntos.

Ele sorri com compaixão, e me ajuda a sair daquele lugar, da barra da ponte, onde há alguns minutos eu estava quase me suicidando. Ainda sorrindo, segura em minha mãos e me guia pelo corredor que se formou para nossa saída. Sem soltar minha mão, começa a correr e aos poucos eu vou correndo junto. Sem perceber, nossa corrida se torna uma competição de quem é o mais rápido. Paramos os dois na frente de uma sorveteria.

- Vamos lá! – exclama Math, animado.

Entro logo depois dele, fazendo com que a funcionária, aparentemente vidrada na TV do estabelecimento virasse a cabeça em nossa direção. Não gosto de ser encarado, então corro pra trás de Matheus.

Encaro a TV, que antes estava passando um programa de artesanato. Um homem de cabelos castanho escuros cortou a programação.

‘’URGENTE! URGENTE! Um homem tentou se matar! Repetindo, um homem tentou se matar. Felizmente, foi interrompido pelo que parecia ser seu namorado! Na tela, temos fotos dos dois rapazes. Se forem vistos, por favor, tragam-nos eles para uma entrevista!’’

Alterno meu olhar para funcionária. Ela pareceu ligar o cara de olhos verdes e de cabelo marrom claro comigo e o outro, moreno de pele e cabelo, com Matheus.

- Pelo amor de Deus, não nos leve até ele! – imploro, saindo de trás de Math.

Estática, a funcionária de cabelos loiros e aparentando ter no máximo 18 anos, assente com a cabeça e aponta para uma mesa próxima a parede azul do lugar – Sem problemas – fala, sorrindo – são namorados? Que fofos! – exclama, fazendo eu e Math enrubescer.

- Obrigado, eu acho – fala Math. Sentamo-nos na mesinha, e logo recebemos dois cardápios.

- Sorvete de chocolate – falamos, ao mesmo tempo. Ele me encara.

- Credo, falamos juntos – e, novamente, falamos em uníssono.

- Dois sorvetes de chocolate, anotado. Mais alguma coisa? – fala a funcionária, prestativa.

- Água. Bem gelada – falo, e ela anota.

Depois que ela volta pra ‘’cozinha’’, Math começa o sermão:

- O que raios te deu pra quase se matar? Ficou louco?

- Eu não aguentava mais, Matheus!

- Não é motivo, Daniel!

- Não fala meu nome completo, dá agonia...

- É bom que dê, Daniel, porque eu quase tive um ataque! Seu imbecil, como pode fazer uma coisa dessas?

- Desculpa... – sussurro.

Ele me encara, solta um suspiro e relaxa as sobrancelhas até então franzidas.

- Apenas me prometa que nunca, nunca mais vai fazer isso.

- Eu prometo – falo, encarando ele.

- Aqui o sorvete! – exclama a moça que nos atendeu, completamente feliz em poder nos atender. Ela coloca os dois potinhos e duas colheres de plástico sobre a mesa, e vai embora.

- Só tem uma coisa que eu não entendo...

- O que, Math? – pergunto, colocando uma colherada de sorvete na minha boca.

- Como você tá tão calmo depois de, tipo, quase se matar? – indaga, confuso.

- Eu estou, hm, ‘’empurrando pro fundo da minha mente, e tentando esquecer, sabe? Mas você não tá ajudando muito – falo, rindo um pouco. Ele me encara, e depois volta ao seu sorvete.

- Eu assumi faz três dias...

- Jura? Que bom! Nós podemos, hm, sei lá.... namorar? – pergunto, inseguro.

- Bem... eu sempre fui meio afim de você......... então, sim, podemos!

Sorrindo, ele leva sua mão a minha, e formalmente, pergunta:

- Você me daria a honra de ser meu namorado, Dani? – e, todo pomposo, faz um olhar de ‘’aceita aí cara!’’

- Ora pois, mas é claro – falo, imitando a voz de algum cara português por aí.

- Fico feliz que não tenha pulado...

- Eu também Math, eu também.

Notas finais
E aí? mereço meus preciosos comentários?
Ps: sei que mudei um monte de coisas... mas espero que tenham gostado do mesmo modo :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!