Notas iniciais
Quanto vocês me odiariam se soubessem que tenho esse capítulo pronto desde maio? Pois é... ~~enjoy

Dois meses para o casamento

Ash sabia que aquilo era errado de todas as maneiras possíveis. Ele tinha consciência de que não devia continuar fazendo o que fazia, tanto é que prometia a si mesmo que não repetiria o erro. Então por que continuava acordando na cama de Dawn quase todas as semanas? Por que continuava bebendo daquela maneira?

Nunca era algo premeditado, nunca era algo que ele queria que acontecesse de novo. Ele simplesmente estava lá, conversando com ela, quando uma garrafa de alguma coisa surgia. E ele não chegava a realmente ficar bêbado, mas a saudade que sentia de Misty — e a raiva — eram sempre tão intensas que ele jogava tudo para o alto. Por que sentia uma ira tão profunda?

Não era como se tentasse perdoá-la, porque isso ele não conseguiria fazer. Mas gostava de pensar que, em algum momento, os sentimentos que nutria desapareceriam. Acreditava que era capaz de criar uma caixinha imaginária para colocar seu amor. Era boa a sensação de não depender emocionalmente dela, mas nunca durava mais do que alguns segundos. A verdade era que não podia apenas trancafiar um sentimento tão grande e profundo em uma caixinha imaginária.

Suspirou e continuou a olhar para Dawn, que brincava no mar com Piplup. Estavam em Hoenn, perto da cidade de Dewford, curtindo um dia na praia. Não era surpresa ele estar pensando em Misty naquele momento. Estavam perto do mar, afinal, e ela sempre fora uma garota aquática.

— E aí, vai me dizer o que tá te incomodando?

Desviou o olhar, sem conseguir encarar Brock. O amigo sabia que havia algo de errado — Ash estava cada vez mais cabisbaixo, e Dawn mais contente —, então finalmente viera indagar a respeito. Pensara que Ash viria falar consigo por vontade própria, porém não fora o caso. O garoto estava muito envergonhado para fazer isso.

— Não sei, Brock… o de sempre.

— Não é só Misty dessa vez. Me conta sobre a Dawn.

Suspirou e escondeu a cabeça entre os joelhos. O que fazia da sua maldita vida? E a vitalidade de quando era mais novo, e os sonhos, os desejos que tinha? Por que deixava esses dois sentimentos — a ira e o amor — ditarem sua rotina?

— Eu não sei, Brock. Eu não sei mesmo.

— Ash…

— É confuso, ok?

— Ela não acha confuso. Eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas a Dawn acha que é sério.

— Ela sabe que eu ainda amo a Misty.

— Pensei que a odiasse.

Depende o dia.

Riu um pouco da própria piada, mas acabou percebendo que não havia graça.

— Dawn sabe que não é sério. E eu realmente não sei o que dizer. Não é como se eu planejasse, só… acontece.

— Ash, essas coisas não “só acontecem”.

No fundo, Ash sabia que era verdade.

— Eu sei que não. O que eu faço?

— Conversa com ela.

— E dizer o quê?

Dawn ainda brincava com Piplup. Independente do quanto amasse Misty, não podia negar que Dawn era linda. E ela parecia feliz. Sentiu-se um completo cafajeste.

— Não sei. Diz a verdade.

— Oi, Dawn. Então, eu tava bêbado e carente, porque a Misty vai casar e me trocou, aí eu fiquei contigo só por ficar. Tudo bem, podemos ser amigos?

— É, acho que é melhor tentar de outro jeito.

Ash suspirou. Que outro jeito? Como sair daquela situação? Pior: como desejar que mudasse? Porque, bem no fundo, ele até gostava de ter alguém para quem correr quando as lembranças de Misty se tornavam dolorosas demais.

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O dia estava bonito para ir à praia. Paul não gostava muito de praias, mas foi mesmo assim. Havia um ginásio ali, portanto precisava batalhar. Conversara com Brawly, o líder, e tentara se convencer de que não estava em Dewford só por ter certeza de que Dawn estaria. Entretanto, sabia que aquele era o único motivo para ter se desviado do seu caminho.

Era ridículo o quanto gostava dela, mas Paul não conseguia mudar o que sentia. Amava-a mais do que já amara qualquer outra garota. Ela gostava de praia, ele sabia. Por isso estava ali, sentado naquela areia nojenta, olhando o mar fedorento e os amigos perdedores dela.

Decadente, não é mesmo?

Mas nada poderia ser mais decadente do que estar apaixonado.

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Aquele certamente era um dia estranho. May nunca imaginara que Misty resolveria ir até o fim, que seguiria com aquele casamento sem sentido. Entretanto, a amiga não desistira. Ela ainda casaria e agora, como madrinha, May precisava ajudá-la com a despedida de solteiro (se resolvessem fazer alguma coisa) e com os preparativos remanescentes.

Chegou ao ginásio com aquela sensação de que tudo estava errado. Não era novidade, afinal, o que havia de certo naquele casamento?

— Olá, querida madrinha. Que bom que veio.

Aquela voz irônica quase fez o punho da garota voar para o rosto arrogante. Mas May controlou a vontade de espancar Rudy e se contentou em expressar sua insatisfação cruzando os braços e revirando os olhos.

— Cadê a Misty?

— Dormindo no quarto dela.

May entrou e caminhou até o quarto da melhor amiga. Ignorou completamente as irmãs sensacionais, que conversavam na sala sobre alguma besteira qualquer. Violet estava com um humor horroroso, mas não poderia se importar menos com ela. Tentou entrar no quarto, mas percebeu a porta trancada ao chegar. Era estranho, porque Misty não costumava trancar portas. Bateu algumas vezes, ansiosa para se afastar dos habitantes daquela casa. Rudy, Margarida, Violet e Lily a deixavam extremamente desconfortável.

Misty atendeu com uma expressão sonolenta que era muito engraçada. May riu e a amiga acabou rindo também. Era bom ver Misty rindo.

— May, esqueci que vinha!

Ela entrou, e as duas se abraçaram. Ficaram assim por algum tempo, porque sentir o conforto de alguém de quem realmente gostava era algo que Misty já não sentia há algum tempo. A Waterflower precisava daquilo.

— Dorminhoca.

— Eu tava exausta, precisei limpar a piscina ontem e fui dormir tarde. Sabia que lançaram um filme incrível?

— Qual filme?

Sentaram-se na cama dela, uma de frente para a outra.

— “Os dias de glória”. É sobre um Mestre Pokémon velho que conta pros seus netos sobre… bom… os seus dias de glória. O nome é meio que autoexplicativo. Mas é muito legal.

— Parece ser…

Misty bocejou e deitou a cabeça nas pernas de May. Sentia medo do casamento, porque sabia que estava se condenando ao continuar com aquilo, entretanto não havia escapatória. Saber que ao menos uma pessoa que realmente se importava consigo estaria presente era um alívio.

— Misty… eu não queria ser chata nem nada, mas…

Ela sabia que May queria falar sobre o casamento, mas não queria tocar naquele assunto. Apertou a perna dela e escondeu o rosto ali. Os dedos delicados começaram a acariciar seus cabelos. Há quanto tempo não recebia um carinho assim? Desde Ash, é claro.

— Vou casar, May. Não há mais o que se discutir.

— Mas e Ash?! Como vai simplesmente casar com Rudy e deixar Ash sozinho? Você sabe que ele tá viajando com a Dawn, não sabe? Vai simplesmente deixar seu homem pra ela?!

A simples ideia fazia uma raiva absurda brotar do estômago de Misty. Queria sair dali correndo, pegar a cara de Dawn e a esfregar no chão. Sentia vontade de espancar Ash até fazê-lo entender que era a única mulher que o amaria e que pertenciam um ao outro, entretanto tentou se manter indiferente. Não era como se quisesse deixar seu homem para Dawn, porém não tinha escolha. Se May ao menos soubesse… mas não podia falar nada. Era seu segredo mais profundo.

— Ele não é meu, May.

— Você sabe que é. Por enquanto. Mas não vai ser pra sempre.

Misty sabia daquilo. E doía muito saber daquilo. Imaginar que Ash podia deixar de amá-la para amar Dawn fazia seu coração doer tanto que ela quase abandonara o casamento. Queria ser tão indiferente quanto aparentava, porém como não amar Ash? Como deixar o amor da sua vida para Dawn? Infelizmente não tinha escolha. Ela não aguentaria de novo.

— Eu amei o Ash, May. Amei tanto, mas tanto, que morreria por ele. Mataria também. Mas não amo mais o Ash assim. Não do jeito que eu achei que amava. As coisas mudam, entende? Ele sempre vai ser importante pra mim, eu sempre vou me importar com ele, mas não o amo mais da maneira que você acha. Se ele quiser ficar com a Dawn, bom, então que sejam felizes.

Aquelas eram, provavelmente, as palavras mais falsas que Misty já dissera na vida. E May sabia.

— Você pensar que eu vou acreditar nessa besteira é muito ofensivo, sabia? Por quanto tempo treinou essas mentiras na frente do espelho?

Muito. Muito, muito, muito tempo.

— Não são mentiras.

— Misty, por favor, eu sou a sua melhor amiga.

— E preciso de você. Preciso que acredite em mim e que fique comigo até o meu casamento. Ainda estou escolhendo o vestido.

— Eu vou ficar, ok? Mas eu não acredito que você não ama mais o Ash. Eu acho que tá mentindo pra si mesma.

Não, eu sei que ainda o amo. Estou mentindo pra ti.

— Não estou. O Ash é meu passado, May. Preciso pensar no futuro, em Rudy.

May fez uma nota mental de falar com Ash assim que tivesse a chance: não podia deixar Misty fazer a besteira de se casar com Rudy, mas não podia mesmo.

Notas finais
Olá 0// Então, quero dizer que adoro todos vocês. Hehe... Eu queria terminar a fanfic ANTES de postar o resto dos capítulos, mas minha última atualização foi em fevereiro, então decidi parar de ser pau-no-cu e postar esse. Não tenho o próximo pronto, mas, se tudo der certo, em breve o terei. Por favor, não desistam de mim! Sem ideia de quando "Em busca da verdade" será atualizada ~~mas será Bjs e teh + ^3^//
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.