Se Eu Não Fosse Você
2 Eu ainda mato essa desgraçada!
Notas iniciais
Fics curtas e aleatórias são boas por isso. Enfim, boa leitura!
A aula começou, e eu já estou a tempo de chorar. O motivo? Ser tratada da pior forma possível em um espaço de tempo curtíssimo.
Como eu sempre fui popular, nunca soube qual era o sentimento de alguém que é odiado por todo mundo. Na verdade, eu era a que incentivava esse ódio mortal pelos excluídos, seres que não deveriam nem existir na minha sociedade perfeita. Mas agora que eu estou no corpo de um deles, eu posso dizer...
Isso não é nada legal, cara.
Palavras de baixo calão, olhares de reprovação, coisas atiradas em você; simplesmente porque eu ― no corpo daquela lésbica desgraçada ― entrei na sala. E coisas muito piores que eu não tenho coragem nem de descrever.
Enquanto isso, ela ― no meu corpo ― era recebida com sorrisos e palavras carinhosas, todas falsas, claro; mas era uma situação incomparável em relação à minha. E ela ainda tinha a coragem de sorrir e agir idiotamente como se fosse eu!
Eu ainda mato essa desgraçada, assim que ela sair do meu corpo!
Mas agora que eu estou em seu corpo, percebi que talvez a vida dela fosse realmente um saco. Até a professora me olhava ― no caso, ela ― diferente dos demais. Bem, quem manda ela ser tão diferente das outras garotas? Essa machona insuportável...
Eu realmente a odeio. Completamente!
As aulas acabaram e logo todo mundo saiu da sala, gritando coisas comigo. Era simplesmente horrível! Tudo bem que não era exatamente comigo mas... A sensação era a pior possível.
Quando todos foram embora, não aguentei mais: Comecei a chorar.
Chorei por alguns minutos, pensando como poderiam ser tão cruéis, mesmo sabendo que eu incentivava esse tipo de coisa. Mas era que realmente doía. Como ela conseguia passar por tudo aquilo? Naquele momento então, achei que eu não deveria fazer mais isso, mesmo se voltasse ao meu antigo corpo e...
Meu Deus. E se eu nunca voltar...?
Logo mais lágrimas apareceram em meus olhos, mas fui surpreendida por uma voz que há pouco tempo atrás nunca pensei escutar em outra pessoa.
A minha própria.
― Pare de chorar. Eu não choro. ― Rosalinda disse, me olhando do mesmo jeito insuportável de sempre. A diferença é que em meu corpo ela parecia muito mais linda, porque eu sou linda, claro.
De qualquer forma, aquilo me irritou.
― A culpa é sua! ― gritei, mesmo sabendo que não era verdade. Era claro que ela não queria isso. Quem iria querer?
― Você acha que é fácil pra mim agir como uma patricinha estúpida? ― falou rispidamente. Mesmo sendo uma ofensa, eu não tinha mais forças para revidar. Tudo aquilo que estava acontecendo... Era tão horrível...!
Então, de repente, o mundo rodou.
Acordei com uma voz grave me chamando. Pisquei, e o rosto da Rosalinda entrou em foco. Por que é que ela tem que ser a primeira coisa que eu vejo quando acordo...? Praguejei mentalmente. Então finalmente percebi. Se eu via seu rosto, então quer dizer que...
― Eu voltei! ― me levantei rapidamente, olhando minhas mãos. Nunca senti tal felicidade na vida. Não se pode imaginar o quão bom é ser você mesma!
― Sim, eu sei. ― a garota masculina disse, suspirando. ― Mas não aguento mais olhar na tua cara, então tchau.
Ela foi embora a passos longos, e eu só fiquei olhando seu cabelo curto por trás. Neste momento, um pensamento estranho passou na minha cabeça, ao achar que ela parecia um garoto sexy por trás...
Ai meu Deus, o que estou pensando?
Fui para casa com ódio de mim mesma. Amanhã eu iria fazer a vida dela um inferno por ela ter provocado esse sentimento estranho em mim. Quero ela longe de mim, longe!
Entrei em meu quarto e fui logo tomar banho. Não jantei, pois soube que aquela sapatão maldita comeu demais enquanto estava no meu corpo. Certamente vou matá-la amanhã...!
Fechei meus olhos, esperando ter uma boa noite de sonhos sem ela. Mas o que tive foram pesadelos estranhos, distorcidos, em que alguém tentava falar comigo...
Acordei sobressaltada, arfando. O que foi aquilo, Jesus? Levei minhas mãos ao rosto, mãos que pareciam grandes demais para serem as minhas.
Só percebi o que estava acontecendo quando alguém me abraçou por trás.
― O que foi, Linda, teve um pesadelo? ― a voz de uma garota preencheu o espaço do quarto. Quarto que estava extremamente bagunçado, e que com certeza não era meu. Senti nas costas algo parecido com seios, no mesmo instante que percebi que eu estava nua.
Não, eu não estava nua. Rosalinda estava. E eu estava novamente no corpo dela, com uma garota pelada me abraçando por trás em um quarto que fedia a cigarro.
Nem precisei dizer que gritei o suficiente para acordar a vizinhança toda, preciso...?
Notas finais
Anyway. Postarei algum dia desses aí. Até o próximo capítulo!
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