Se Eu Fosse Você [Hiatus]
5 Capitulo 4
Notas iniciais
Temari
Shikamaru pediu que eu abrisse a porta e entrasse na frente com uma expressão um tanto cômica. Fiz o que ele pediu e visualizamos Naruto inclinado sobre papéis em sua mesa, quase coberto por pilhas e mais pilhas. Perguntei-me como que eles conseguiam deixar tanto trabalho acumular trabalhando tanto. Ele levantou os olhos e bufou, olhando para mim
—Até que enfim você chegou! –ele exclamou, se levantando –Você devia estar revendo aque...
—Naruto! – Shikamaru cortou rapidamente, como quem não quer que a outra pessoa fale demais. –Temos um problema.
—Temari? –ele perguntou franzindo o cenho e se virou para mim –O que está acontecendo, Shikamaru?
Revirei os olhos, Shikamaru suspirou.
— Acordamos hoje de manhã numa situação totalmente inusitada. –Shikamaru respondeu e Naruto se virou para ele.
—O que quer dizer com isso, Temari? –ele perguntou.
—Eu sou o Shikamaru. –ele disse
—E eu a Temari. –me pronunciei
Naruto olhou de um para o outro e o vinco em sua testa cresceu.
—Não sei o que deu em vocês hoje. –ele disse –Mas não estamos em um bom momento para brincadeiras.
—Não estamos brincando, Naruto. –respondi e continuei irônica, cansada de não saber nada –E porque o momento é tão inoportuno assim?
Shikamaru me olhou com a sua melhor cara de drama, eu ignorei.
—Shikamaru... –Naruto ficou sem fala por um momento.
—Não é uma brincadeira. –Shikamaru reafirmou
—Mas, isso é impossível! –Naruto exclamou.
Shikamaru suspirou de novo e se adiantou até Naruto, pegando em seu braço. Naruto arregalou os olhos, espantado pela intimidade com que “eu” o puxava para o canto. Cruzei os braços, encarando os dois enquanto Shikamaru sussurrava algo para ele.
—É o que? –Naruto perguntou espantado e alto.
—É, é isso ai. –Shikamaru disse –Não teria como eu saber disso se eu não fosse o Shikamaru.
Ele olhou para mim.
—Não acredito que você contou essas coisas pra ela! –ele soou quase magoado.
Eu revirei os olhos.
—E eu lá sei do que vocês estão falando? –disse, gesticulando e voltando a cruzar os braços
Os dois me fitaram por um tempo e depois Naruto olhou para Shikamaru.
—Certo, é a Temari ali. –ele disse. –Como isso aconteceu?
Shikamaru levantou as sobrancelhas e apertou os lábios, segurando o riso. Eu quis bater nos dois.
—Não sabemos. –Shikamaru respondeu –Fomos dormir ontem, estava tudo normal. Acordamos hoje dessa forma.
Naruto encarou Shikamaru, talvez pensando no que dizer. De repente, ele começou a rir.
—Naruto...?! –exclamei indignada.
—Que situação vocês dois se meteram? –ele perguntou ainda rindo.
Revirei os olhos e Shikamaru bateu a mão na própria testa. Naruto podia estar mais responsável, ser pai e Hokage, mas ainda era Naruto.
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Shikamaru
Quando Naruto parou de rir depois de uma ameaça de apanhar da Temari, ela estava no meu corpo, mas continuava sendo ameaçadora, eu sabia que precisava conversar com ele a sós. Porém, minha esposa estava claramente irritada e eu sabia que ela não ia aceitar que eu pedisse que ela saísse. Esse era um dos motivos pelos quais queria ter vindo falar com Naruto primeiro sozinho. Troquei um olhar com Naruto, que pareceu entender a situação e deu a volta em sua mesa, sentando e suspirando longamente.
—Temari –ele chamou. –Preciso que você espere lá fora enquanto falo com o Shikamaru.
Temari fuzilou o Hokage com os olhos, mas eu sabia que esse olhar dela tinha muito menos efeito no meu rosto.
—Você não pode me excluir disso. –ela esbravejou –Também estou envolvida e...
—Sou o kage e estou dando uma ordem, Temari. –Naruto a interrompeu –Por favor, aguarde lá fora.
Temari apertou os olhos, cerrou os punhos e dirigiu seu olhar para mim, magoado. Agradeci internamente por ela estar em meu corpo. Não era o tipo de olhar que eu gostaria de ter gravado em minha mente vindo de minha esposa. Ela me encarou por um momento e, vendo que eu não iria me pronunciar, ela saiu sem dizer nada. A porta fechou com um pouco mais de força do que seria o normal, mas não chegou a bater. Olhei para Naruto e me joguei na cadeira de frente pra sua mesa, suspirando cansado.
—Vocês... brigaram? –Naruto perguntou.
—E eu tenho feito outra coisa além disso com ela? –respondi sofrido.
—Sinto muito. –Naruto disse com sinceridade.
—Eu também. –respondi –Mas vamos ao que interessa, quanto mais rápido resolvermos tudo, mais rápido eu posso tentar salvar meu casamento.
Naruto me olhou pesaroso por mais um momento e assentiu.
—Você acha que isso pode ter ligação com as informações que Sasuke vem trazendo e você está investigando? –Naruto perguntou.
—Eu não tive muito tempo pra pensar sobre. –admiti –Mas eu acho possível. Estive fora da vila a dois dias e Temari também, podem ter feito algo no caminho de volta sem que nós notássemos. –de uma pausa –Mas não podemos descartar a possibilidade de ter sido feito dentro da vila.
—É uma possibilidade. –Naruto admitiu, passando a mão no rosto –Vou acionar alguns ninjas para verificarem se ouve algum tipo de invasão ontem à noite. Mas qual vantagem eles teriam em trocarem vocês de corpos?
—A princípio, não vi lógica também. –respondi –Depois, eu e Temari tentamos fazer dois jutsus simples e não conseguimos. Não estamos acostumados a controlar o fluxo de chackra do corpo que estamos habitando.
—Isso tira vocês de ação. –Naruto concordou. –Quer dizer que pode ser tentado com outros ninjas.
—Sim. –eu respondi –Teremos que ficar em alerta. E acho melhor isso ficar em segredo até conseguirmos resolver. –Naruto concordou novamente –E precisamos investigar uma solução. Sakura, talvez?
—Sim, ela é uma boa escolha. –Naruto disse –Mas temos um problema aqui em relação as investigações, Shikamaru. Temari não pode ser envolvida nisso. Os outros kages foram bem claros quanto a isso.
—Ela não vai. –respondi. Já tinha feito o inferno no meu casamento, não era uma troca de corpos que ia fazer minha mulher descobrir tudo –Mas eu e ela vamos ter que assumir a rotina um do outro para não levantar suspeitas em relação a isso. Deve-se acreditar, quem quer que tenha feito isso, que não deu certo.
—Isso vai complicar ainda mais as coisas. –Naruto disse em um suspiro.
—Sim. –respondi e suspirei também –mas vamos dar um jeito. Sasuke trouxe mais alguma novidade?
—Nada. –ele responde, se encostando na cadeira e olhando pra cima –Sem notícias a quase três meses agora.
Assenti, as coisas estavam se complicando mais e mais.
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Temari
Depois de ser expulsa da sala pelo Hokage, fiquei parada do lado de fora, os braços cruzados e o corpo encostado na parede ao lado da porta, com a esperança vã de talvez escutar alguma coisa, por mais infantil e irresponsável que isso fosse. Apurei os ouvidos e esperei, mas aquelas paredes pareciam ter sido feitas para não passar indícios de conversa. Passei longos minutos ali, olhando para a parede da frente e querendo muito socar aquela porta ao meu lado até ela virar farelo e exigir uma explicação dos dois idiotas lá dentro.
—Shikamaru-senpai! –escutei uma voz feminina chamar do outro lado do corredor, mas não dei atenção, ainda nos meus pensamentos destrutivos –Shikamaru-senpai! –a voz chamou mais perto depois de alguns segundos e eu finalmente lembrei que eu estava no corpo de Shikamaru e olhei para frente no corredor. –Finalmente chegou! O Hokage-sama já estava perguntando de você, já falou com ele?
A mulher que vinha em minha direção era mais baixa que Shikamaru e eu podia dizer que provavelmente seria mais baixa que eu se estivesse em meu corpo. Parecia ter uns vinte e poucos anos. Ela era loira, os cabelos compridos e brilhantes caindo pelos ombros até quase a cintura. Os olhos, que também brilhavam, eram azuis piscina e límpidos, o rosto não chegava a ser infantil, mas tinha um ar inocente que não me convenceu. Ela vestia uma saia preta e uma blusa amarela clara, que destacava seus seios e delineava um corpo bonito. Tinha um hitaiate preso ao braço e usava sandálias ninjas, mas pela minha percepção não tinha postura de uma kunoichi. Levantei uma sobrancelha, pensando o que aquela mulher podia querer com meu marido.
—Shikamaru-senpai, estou falando com você! –ela pediu minha atenção novamente quando estava mais perto.
—Ah, oi... –eu respondi debilmente e quase revirei os olhos para mim mesma.
—Você está bem? –ela perguntou desconfiada.
—Estou e você? –respondi.
Ela riu, a risada era limpa e pareciam sininhos.
—Estou. –ela respondeu e sorriu –Estava preocupada. Seu filho apareceu mais cedo sozinho e falou com o Hokage, mas nada de você chegar. Pensei que algo podia ter acontecido.
—Não aconteceu nada. –garanti, mesmo que não fosse verdade.
—Bem, que bom. –ela respondeu e sorriu de novo –Já falou com o Hokage? –ela tornou a perguntar.
—Ele está discutindo uma questão com a... minha esposa. –respondi.
—Oh, Temari-san está aqui? –ela perguntou, seu rosto inocente e o fato dela saber meu nome me fez estreitar de leve os olhos. –Vou para minha sala então, espero você por lá. Preciso de uma indicação sobre um documento. –ela piscou para mim e tomou seu caminho.
Eu fiquei estarrecida ali, vendo a mulher se afastar, o quadril balançando e o traseiro proeminente na saia apertada. Menos de um minuto depois, a porta se abriu e ali estava eu... Ou Shikamaru. Céus, isso era confuso!
—Você... –ele pigarreou –Você pode entrar.
Olhei-o nos olhos e ele sustentou meu olhar. Eu não soube dizer o que seus olhos me diziam e isso me deixou mais uma vez frustrada. Eu e Shikamaru sempre nos comunicamos bem por olhares, mas até isso parecia ter se perdido.
—Já terminaram os segredinhos? –perguntei ferina.
Ele revirou os olhos e me deu passagem, eu entrei. Naruto ainda estava sentado em seu lugar. Shikamaru voltou para a cadeira de frente pra mesa do Hokage e eu sentei na outra.
—Vocês vão precisar assumir as atividades um do outro. –Naruto começou –Até descobrimos o que está acontecendo.
—Por que? –eu perguntei.
—Porque não sabemos se tem uma motivação por trás disso, Temari. –Shikamaru respondeu –Seja lá quem fez, é melhor achar que tenha dado errado.
Olhei de Shikamaru para Naruto, sabendo que eles estavam escondendo coisas de mim. A impotência diante da situação se apoderou e eu senti a raiva querer brotar. A muito tempo eu já não era mais uma garota impulsiva, então a sufoquei.
—Que seja. –respondi. –Como vamos fazer isso?
Discutimos por quase uma hora a situação, para sabemos como faríamos com que a troca passasse despercebida. Percebi em vários momentos que Shikamaru e Naruto já tinham alinhado varias coisas previamente e isso fez minha desconfiança se multiplicar. Segredos e mais segredos. Coisas e mais coisas ocultadas. Shikamaru trataria das minhas obrigações na Embaixada de Konoha, onde eu trabalhava cuidando de assuntos referente a Suna e as vezes outras vilas. Eu ficaria no escritório aqui no prédio, cumprindo as demandas de auxiliar do Hokage. Eu não via como isso não acabaria em alguma confusão, mas não tinha o que se fazer. Iria ser dessa forma e eu torcia que tudo desse certo na medida do possível até acharmos uma solução para nossa situação. E quem sabe eu pudesse enfim descobrir o que estava acontecendo com Shikamaru.
Quando finalmente decidimos como as coisas iriam acontecer, Naruto, eu e Shikamaru nos dirigimos ao Hospital de Konoha.
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Shikamaru
Assim que chegamos ao hospital, os olhares se dirigiram para nós. Ver por aí o Hokage e seu braço direito andando juntos não era uma novidade, mas se tornava algo preocupante quando adentravam um hospital. Naruto solicitou a recepcionista que localizassem a Dra. Uchiha e a recepcionista mais que depressa acionou quem pudesse achá-la.
Ficamos parados desconfortavelmente na recepção recebendo olhares por alguns minutos, Temari vez ou outra me lançava um olhar. Ela estava calada desde que deixamos o prédio e eu me sentia cada vez mais inquieto com isso. Tentei não focar em meu problema, mesmo que estar do meu próprio lado fosse um tanto perturbador, e me lembrei de uma das tantas vezes que estive nesse hospital, inclusive com ela. De repente, uma lembrança de quando Shikadai tinha cinco anos e quebrou o braço caindo de uma árvore após tentar resgatar um gato de cima dela me fez sorrir de leve e procurar os olhos de Temari. Encontrei os meus próprios olhos me encarando com o cenho franzido e até pensei em dividir a lembrança, mas me contive e suspirei.
—Naruto! –a voz de Sakura finalmente se fez ouvir e olhamos na direção que ela vinha. –Ah, Shikamaru... Temari... Aconteceu algo? –ela questionou preocupada.
Naruto suspirou.
—Podemos conversar em sua sala? –ele perguntou.
Sakura franziu o cenho, assentiu e me olhou. Percebi um tanto tarde demais que era uma daquelas comunicações de mulheres por olhares e ela levantou uma sobrancelha. Eu acenei discretamente com a cabeça, pensando que isso fosse algo como “você já vai saber” e ela me olhou estranho. O braço de Temari esbarrou no meu e eu percebi que ela continha o riso, percebendo a situação.
Seguimos Sakura até a sala da diretoria do hospital. Ela abriu a porta com uma chave e nos deu passagem para entrar antes dela própria entrar e fechar a porta atrás de si.
—O que está acontecendo? –ela perguntou tão logo se virou e encontrou nossos olhos sobre ela.
Nós três trocamos um olhar e Naruto tomou a frente, como o bom líder que era, e explicou a situação. Não foi mais fácil falar com Sakura do que foi com o Naruto e ao fim de tudo, tendo eu e Temari adicionado alguns detalhes, ela cruzou os braços e nos encarou com uma expressão neutra por um longo tempo.
—Vocês estão brincando comigo, não é? –ela finalmente se pronunciou, incrédula.
—Era tudo que eu mais queria. –Temari respondeu com ironia.
Sakura franziu o cenho para Temari em meu corpo, provavelmente tentando associar a ironia típica de minha mulher saindo de minha boca.
—Isso é muito estranho. –ela determinou por fim.
—Jura? –Temari ironizou novamente.
Sakura olhou-a estranho.
—Temari, você simplesmente não amedronta ninguém com essa expressão. –ela disse por fim.
—Eu quero meu corpo de volta. –Temari determinou –Você pode ajudar ou não?
Sakura revirou os olhos. Ela e Ino eram muito amigas e, quando Temari se mudou para Konoha após se casar comigo, Ino a trouxe para seu círculo de amizade. Temari acabou fazendo uma grande amizade com as outras duas e elas saiam constantemente juntas, de maneira que Sakura estava totalmente acostumada a uma Temari de mal humor.
—Vou tentar. –Sakura disse por fim.
E assim se iniciou uma longa e exaustiva bateria de exames. Naruto deixou um clone e voltou para o prédio do Hokage enquanto Sakura fazia as perguntas que pareciam pertinentes a situação. Depois, examinou eu e Temari com seu chakra por longas horas. Mais tarde, ela pediu alguns exames com máquinas de alta tecnologia que haviam chegado recentemente no hospital, e eu sabia disso porque ela explicou e não por estar diretamente envolvido na disponibilização de tecnologias pela vila, e, quando já era noite, sentou em sua cadeira com os resultados dos exames e uma expressão confusa e cansada, como as nossas deviam refletir.
—Não entendo. –ela declarou –O fluxo de chakra de vocês está normal, assim como as atividades cerebrais. Não há nada de errado e eu não tenho nenhum conhecimento sobre um jutsu que possa ter feito isso.
Suspiramos em conjunto, o que seria cômico se não fosse trágico.
—Acho melhor irmos para casa. –Naruto-clone determinou –Sakura, eu preciso que você dê atenção total a isso. Shikamaru e Temari estão disponíveis para você a qualquer hora que precisar para examiná-los novamente. Como te expliquei, não sabemos se isso pode se repetir, se foi intencional ou não.
Sakura assentiu.
—Amanhã vou revisar todos os exames novamente. –ela decretou.
Naruto se virou para gente.
—Vocês seguem o plano. –ele pediu. –E não contem a mais ninguém sobre a situação. O melhor é manter segredo.
Nós concordamos e o Naruto-clone desapareceu em uma nuvem de fumaça.
—Obrigada, Sakura. –agradeci.
—Não tem de que. –ela respondeu e se virou para Temari. –Acho melhor desmarcarmos aquela reunião com a Ino-porca na sexta a noite.
—Eu espero estar no meu próprio corpo até lá. –Temari respondeu e suspirou –Mas ela não pode saber de qualquer forma. Além do que Naruto falou, você sabe o tamanho da língua dela.
Sakura riu. Eu sabia que elas não estavam falando mal de verdade de Ino, era apenas brincadeira.
—Vamos? –perguntei.
—Sim. –Temari respondeu.
Nos despedimos de Sakura e saímos do hospital. Já era um pouco tarde e me sentia exausto e preocupado com toda a situação. Temari andava ao meu lado, calada. Ela estava absolutamente monossilábica comigo, ou apenas quieta. Acabei resmungando em voz alta:
—Isso está sendo muito problemático.
—Sim. –ela respondeu, mesmo eu achando que ela iria reclamar.
Suspirei e continuamos o caminho em silêncio. Andar ao lado de Temari era algo que eu fiz praticamente toda minha juventude e vida adulta, tanto literalmente quanto figurativamente. Nós estávamos sempre envolvidos em atividades conjuntas das duas vilas, depois, mais do que colegas de trabalho, viramos amigos e, após a Guerra, namorados e posteriormente marido e mulher. Ela estava presente na minha vida, ao meu lado, me apoiando e me impulsionando pra frente desde que eu me tornei um chuunin bundão, primeiro sem nenhuma pretensão, depois, talvez por achar que um dia eu poderia me tornar um homem digno dela. E eu a amava. Provavelmente desde sempre, apesar de ter demorado algum tempo até eu perceber isso. Eu já havia dito para ela como eu era grato por ela estar sempre ali, ao meu lado. Nunca atrás, nunca na frente. Sempre ao meu lado. Ela tinha dito que não era nada, mas eu sabia que sem ela eu não seria metade do homem que eu sou hoje e ela sabia disso também.
—Por que você se calou de repente? –ela perguntou, cortando minha divagação.
Suspirei.
—Você está me respondendo de forma seca.–respondi, mas sem a intenção de brigar, apenas explicando –Não quero brigar de novo, então resolvi ficar calado.
—Você não pode me culpar. –ela respondeu defensiva, mas sem agressividade.
—Não, não posso. –concordei.
Ela me encarou, a expressão indecifrável. Parecia querer dizer algo, mas se refreou. Era uma das coisas que tinham mudado com toda essas brigas e segredos: Temari sempre dizia tudo que achava que tinha que dizer. Era um traço de sua personalidade. Ela tinha trabalhado isso e sabia se conter quando necessário, mas ela nunca julgava ser necessário quando estava comigo. Era um tipo de liberdade que eu havia dado e um traço de seu eu que eu gostava imensamente. Porém, com todos os problemas conjugais que estávamos enfrentando, ela freava suas palavras para mim também agora. Eu já não era sua exceção. Isso me feria muito mais do que eu gostaria de admitir, até porque, parte da culpa era minha e a parte que não era, também não era dela.
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Temari
Chegamos em casa em um silêncio incômodo, Shikamaru não tendo se pronunciado novamente depois de dizer que não podia me culpar pela situação. Eu me via confusa com tudo aquilo e só queria deitar na minha cama e acordar no dia seguinte no meu próprio corpo e com meu marido agindo normal, sem segredos e turnos estendidos de trabalho.
As luzes da sala e da cozinha estavam acesas, o que indicava que Shikadai estava em casa. Nós nos entre olhamos, dividindo o mesmo pensamento sobre ter que fingir que nada estava acontecendo para nosso filho. Eu sentia que Shikadai já desconfiou de algo errado pela manhã e iria se complicar mais se tivéssemos que continuar com esse teatro perto dele. Nosso filho era tão inteligente quanto o pai, não era algo fácil enganá-lo. Adentramos a casa ainda em silêncio e eu parei na cozinha, Shikamaru prosseguiu para a sala. As vezes Shikadai chegava cansado demais e dormia sem nem mesmo jantar, outro traço herdado de Shikamaru.
Alguns minutos depois, Shikamaru voltou com um sorrisinho no rosto.
—O que foi? –perguntei.
—Ele dormiu no sofá. –ele respondeu –Ia levá-lo para o quarto, mas lembrei que estou no seu corpo e ele ia estranhar se te visse fazendo isso. Além do que, acho que ele já está grande demais pra isso.
Eu sorri de leve, as tantas vezes que Shikadai adormeceu no sofá e Shikamaru levou nosso pequeno garoto nos braços até sua cama eram lembranças doces para mim, da época que Shikadai era só uma criança marrenta e que dependia de nós para quase tudo.
—Você o mandou dormir na cama? –perguntei depois de um momento perdida naquelas lembranças boas.
Ele soltou um riso anasalado.
—No maior estilo Temari. –respondeu.
Revirei os olhos e o sorrisinho que ele trazia nos lábios morreu. Me virei para a geladeira.
—Vou fazer o jantar pra gente.
Ele assentiu, os ombros caídos. Senti por um momento arrependimento por tratá-lo dessa forma e quase fui até ele, mas me contive. Pensei, olhando para Shikamaru daquela forma em meu corpo, que minha expressão devia estar se mantendo bastante daquela forma ultimamente.
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