Notas iniciais
Bom gente, eu tinha começado a escrever essa fanfic e por motivos pessoais e resolvi tirar do Nyah porque não sabia quando poderia finalizar ela. Agora estou retomando e dessa vez é pra valer, eu garanto.

Espero que vocês gostem e riam tanto quanto eu tô rindo ao escrever.

Boa leitura!

Se eu fosse você

Ele estava sentado no sofá da oitava casa do zodíaco, peitoral a mostra, uma calça jeans escura com o botão aberto, os sapatos jogados a um lado. O ambiente estava na penumbra, uma meia luz iluminando uma meia cena. Os braços abertos no espaldar da cadeira, um sorriso cínico e faminto nos lábios finos e sensuais. Os olhos entreabertos olhava o objeto do seu desejo sem nenhum pudor.

– Gata, onde você se escondia? – dizia ele com uma meia voz – Que belo traseiro, por Atena!

A moça, com seus cabelos louros e selvagens esvoaçantes, seus olhos verdes pintados pesadamente de preto, fechavam-se enquanto suas mãos deslizavam por seu corpo escultural, tirando cada uma das peças que lhe vestia.

– E tudo isso de graça! – continuou Miro – Tira, safada, tira tudo...

– O que você quer hoje? – perguntou ela com voz manhosa – Quer uma colegial inocente ou uma sádica violenta e fatal? – e fez um grunhido.

Ela foi até o homem e sentou-se sobre seu colo, uma perna de cada lado. Miro tomou nas suas mãos os firmes seios da jovem.

– Prefiro uma gata no cio! – disse, beijando seu pescoço – Vem, gostosa, vem pro teu escorpião rei!

Ela o beijou com fúria. Miro a ergueu em seus braços e a levou até sua cama. Um lençou de cetim negro recobria o leito. Deitou-a, ficando entre suas pernas. A mulher, com seus ágeis pés, terminou de tirar a calça masculina, virando Miro e ficando por cima dele.

– Eu acho que tem um ferrão querendo sair pra picar aqui! – falou ela como uma criancinha vendo um brinquedo.

– O ferrão tá louco pra picar você! – dizia Miro, apertando sua cintura.

– Vai doer? – ela fez biquinho. – Você tem um grande e perigoso ferrão!

– Só um pouquinho! Mas eu sou bonzinho com minhas vítimas! Pico várias vezes antes de dar o golpe final!

– Várias vezes...- ela usava seus lábios para enloquecê-lo, fazendo um delicioso sexo oral – Que escorpião malvado!

– Isso! – Miro excitado, fechando os olhos – Continua!

De repente ele toma o domínio da situação. Vira-a sobre a cama, ficando por cima dela. Ajeita-se sobre seu corpo bronzeado e a penetra com força e vontade. A mulher começa a gemer sensualemente.

– Vamos, papi, me dá o veneno do escorpião! – gritava ela, no ápice do gozo, batendo nas costas dele. – Me fura, me fura...

– Isso aqui é muito melhor que derrotar hades...- falava Miro, movimentando-se.

Miro sentiu que chegava ao final e com um forte espasmo, jogando-se contra a garota, encontrou o auge do ato sexual. Exausto, rolou para a cama, refugiando-se ao lado de uma ofegante mulher. Ela sorria.

– Você é melhor a cada noite! – comentou ela, refestelada.

– Eu sei...- disse Miro, a respiração voltando ao normal – Não é a primeira que me diz isso!

– Metido! – cínica – Você é um homem de várias mulheres, nunca se prende a nenhuma...

– As mulheres são descartáves: abraço, me satisfaço e descarto. Uma regra simples que mantêm minha vida em ordem!

– Nunca pensou em casar? – ela franziu as sobrancelhas.

– Casarei no dia em que eu morrer, assim morro feliz com a idéia de que o amor é todas aquelas baboseiras que fala o padre! Além disso, economizo sogra!

– Tem fome? – perguntou ela – Quer que eu prepare algo?

Miro a olhou. Sabia que aquela era a senha para perguntar se podia dormir em sua casa. Com uma piscada de olho, deu-lhe um amistoso tapinha no bumbum bem definido.

– Prefiro comer sozinho, além disso estou imundo, necessito um bom banho e um bom descanso. Amanhã tenho treinamento. Hades morreu, mas Atena segue, ou seja, jamais teremos paz!

A garota o olhou por um segundo. Fazia alguns dias que vinham tendo relações, mas era só isso. Miro ligava, ela vinha, ou se encontravam em algum lugar, faziam amor e ele a descartava, como um brinquedo com o qual estava cansado de brincar.

– Eu vou me vestir, então. Caso mude de idéia...

– Não mudarei de idéia. Além disso, esta foi nossa última noite! Obrigado por ter vindo, Dani!

E levantando-se, deu-lhe um beijo nos lábios, que ela não correspondeu.

– De nada, e meu nome é Júlia!

E levantando, ela agarrou suas coisas e saiu. Miro se dirigiu ao banheiro, voltou com a toalha amarrada na cintura. Balançou os cabelos molhados e abrindo a geladeira, retirou de lá uma garrafa de vinho. Agarrou o celular e discando um número, alguém atendeu do outro lado.

– Então, Livia, o que vai fazer esta noite? Sozinha?

Em outra casa zodiacal

– BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

– BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!

Ele agarrou a almofada que tinha embaixo da sua cabeça e pôs por cima, para tapar a orelha. Mas um segundo grito, ainda mais forte, o fez encolher suas feiçoes, um arrepio subindo por seu corpo. Escutou a esposa movimentar-se na cama. Por fim ela resolvera levantar-se e calar aquelas duas feras. Sorriu aliviado pelos minutos de silêncio que ainda teria antes do amanhecer.

– Querido, é a sua vez de ir ver os bebês! – gemeu a mulher, a voz sonolenta.

– Mas eu levantei pra vê-los na última vez. Agora quem vai é você. – respondeu ele, o travesseiro em cima da cabeça.

– Você foi na última vez antes de eu ir. Faz 30 minutos que eu fui vê-los, agora é sua vez, levante-se já e faça-os calar a boca!

– Mas se faz 30 minutos que você foi, faz só uma hora que eu fui.

– Pois é, eles resolveram fazer intervalos curtos esta noite.

– Você tem peitos, eu não. O que posso fazer para calá-los? Não sou mágico.

– Pois vire um, levante seu traseiro preguiçoso dessa cama e vá ver as crianças. – rosnou uma mãe, quase enfiando os travesseiros nos ouvidos.

– BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ

– BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ

– Eles são seus filhos. – rebateu o marido.

– Voltarão a ser meus quando amanheça o dia. AGORA SAI JÁ DAQUI!

Um cansado e sonolento pai se ergue de sua confortável cama, entre este mundo e o dos sonhos. Sem conseguir abrir os olhos, caminha pelo corredor da décima primeira casa do zodíaco até o quarto montado para os gêmeos. Mas, ou porque estava escuro, ou porque talvez estivesse sonâmbulo, o fato é que não vira que tinha obstáculos pelo caminho. Tropeça num andador e cai estatelado no chão.

– PUTA QUE PARIU...- segura um grito de dor – Mon dieu! – agarrou os cabelos – Eu preciso acordar. Lavemos o rosto, é um ótimo remédio.

Camus desviou do seu objetivo e caminhou até o banheiro. Acendeu a luz e abriu a torneira. Ainda com os olhos fechados, esperou o líquido sagrado, que não veio. Kamus abriu os olhos preguiçosamente, mas por mais que girasse a torneira, nem uma gota de água descia dela.

– AH, TÁ BRINCANDO COMIGO? – disse irritado – Vamos, porcaria! – e golpeava a mesma.

Desistiu. Olhando-se no espelho, teve uma idéia. Molhou os dois dedos indicadores na língua e os passou sobre as pálpebras.

– Quem não tem água...lava com saliva mesmo!

BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ

BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ

Contraiu a cara numa feia careta, fechando os olhos por um momento. Saindo do banheiro, arrastando-se pelo corredor, chegou até o quarto dos filhos, um belo par de gêmeos, robustos e fortes como o pai.

– O que vocês têm contra uma boa noite de sono? — perguntou, aproximando-se dos berços — Por acaso não vêm com botão de desliga, não?

Os bebês voltaram a gritar ainda com mais força, levando Camus a tapar as orelhas com as duas mãos.

– Por que não perdi dez segundos da vida botando a camisinha? — gritava olhando aos céus — Agora perco dez anos assistindo Teletubbies!

Finalmente decidiu agir. Acendeu a luz do quarto e encaminhou-se para o primeiro bebê, uma linda menina. Levantando-a por uma perna a fim de verificar sua fralda, franziu o rosto ao sentir o cheiro nada agradável vindo de baixo.

– Como você pode fazer algo tão fedorento assim? Isso não é uma coisa para uma dama!

Pegou uma fralda nova, as toalhinhas úmidas e pôs-se a limpar o delicado bumbum. A garotinha parou de chorar, fazendo o pai dar um suspiro de alivio.

– Mon Dieu, o senhor é esperto. Nos dá o sexo e depois nos pune por transar! — comentava consigo.

Por fim a nenê dormiu. O cansado pai se dirigiu então ao varão da família. Analisou a fralda. Limpa. Ofereceu mamadeira. Não quis. Mas seguia chorando.

– Algum problema, mon amour?

Amelie apareceu na porta do quarto ao sentir que o choro do filho aumentara consideravelmente.

– Nenhum, só tenho vontade de socar o garoto! — respondeu Camus, maquinalmente.

– Ele deve tá com coliquinhas! — disse a mãe, fazendo biquinho carinhoso.

– Eu ficaria com a coliquinha e jogaria o garoto fora! — sussurrou Camus, mais dormido que acordado.

– Não fale assim, querido. Ter um filho é padecer no paraíso! — a mãe fala, embalando a criança nos braços.

– Só um louco pode achar que uma bola de carne que caga e chora o dia inteiro é padecer no paraiso. Agora se me der licença, vou urinar no meu pé!

E saindo do quarto, bateu a porta. A última coisa que viu foi as listras do seu confortável travesseiro de pena de ganso.

TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMMMMMMMMM!

– OS ESPECTROS ESTÃO ATACANDO!

Gritou, atirando-se para fora da cama e agarrando um taco de madeira, colocando-se em posição de ataque. Amelie o olhou aturdida, enquanto terminava de se pentear.

– O que houve? — perguntou Camus.

– O despertador despertou...- falou ela, em tom óbvio.

Ele baixou o taco, uma gota na cabeça.

– O que todos vocês têm contra uma boa noite de sono! — começou a dar chutes no ar — Deus é um menino malvado com uma lupa na mão olhando pra mim! — e fazia gesto indicando a lupa.

– Querido, o que você precisa é sair um pouco! Está muito estressado! Por que não chama o Milo para dar uma volta hoje? É sexta-feira, vai te fazer bem! Agora arrume-se, pois está atrasado para os treinamentos!

Na arena

– Bom dia, Camus! Dormiu bem?

Aiolia, com um sorriso cínico nos lábios, saudou um sonolento pai quando o viu entrando na arena onde os novos aprendizes eram treinados diariamente. O leonino fez um gesto de cabeça para o irmão mais velho, indicando o amigo francês.

– Olha só essa cara, como tem coragem de sair na rua com ela? — Aiolia seguia irritando.

– Isso demonstra uma coisa...- o cavaleiro de Sagitário se aproximou — Você é muito valente!

Ambos cairam na gargalhada sob o olhar mortal e rendido do cavaleiro de Aquário.

– Mas que feio perturbar um amigo que necessita do nosso apoio! — repreendeu Shaka, que chegava naquele momento — Camus, se você precisar conversar com alguém, desabafar os problemas, eu estou aqui. Entendo muito de psicologia, estudei 8 anos!

– E é paciente há exatos 20! — rebateu Máscara da Morte, provocando risadas escandalosas em Aiolia e Aioros.

– Buda, por que eu teria de te agradecer por seu um cavaleiro de ouro? — Shaka erguendo seus olhos aos céus.

– Porque se você não o faz, nossa querida deusa mandaria você agradecer pessoalmente! — respondeu Aiolos, cínico.

– Bom dia a todos!

Milo, com um farto sorriso no rosto resplandecente, deu as caras, devidamente trajado com sua armadura de ouro. Deu palmadinhas no abdômen, como se tivesse acabado de comer e espreguiçando-se, olhou de forma feliz seus companheiros.

– O que foi, paspalho, viu passarinho verde? — perguntou Máscara da Morte, com seu velho tom de galhofa.

– Verde, branco, rosa, vermelho...Ontem foi um verdadeiro arco-iris de prazer! — metido.

– Sei, eu vi bem a última que entrou na tua casa...- O cavaleiro de Gêmeos chegou — O Milo tá saindo com uma mulher que perdeu a virgindade na segunda guerra mundial!

– Qual é, Saga? Preconceito com as coroas! Panela velha é que faz comida boa! — disse Aldebarán, aproximando-se do grupo.

– Vou fingir que não escutei isso! — disse Mu, corando pelos comentários.

– Eu não pegaria aquela velha nem se meu sêmen curasse o câncer! — rebateu Aiolos. — Ela fazia mais barulho que as molas do colchão do Miro! Da minha casa dava pra escutar tudinho!

– É por isso que ele faz tanto sexo, o colchão faz metade do serviço! — ironizou Aiolia.

– Alguám falou em sêmen? — Afrodite entrou na conversa — O dia nem bem amanheceu e eu já escuto poesias!

– Por Atena, será que não pode ser menos gay na frente das pessoas? — Camus impacientou-se. — E eu posso saber por que se juntaram todos aqui? Eu quero descansar antes de terminar de surrar meu pupilo!

– Eu vi o que você fez com o pobre do menino! — olhou Saga, observando o garoto ainda estatelado pelo treino — Isso é sadismo infantil!

– Quando a pressão aumenta em casa, o pau come na rua! — comentou Camus — Minha vida virou um inferno!

– Nem todos os homens são burros, alguns ainda são solteiros, como nós! — disse Máscara da Morte — O ruim do casamento é que não se pode pedir o reembolso!

– O que você precisa é de descanso, meu amigo. — falou Milo, dando atenção ao companheiro — Vou te levar num lugar maneiro!

– Miro, eu sou pai de familia, acha que tenho dinheiro pra tá gastando nos seus lugares "maneiros"? — Camus o fitou, irritado.

– Eu sei que você gosta de economizar desde que nasceram os bebês, mas infelizmente não existem prostitutas nas lojinhas de $1,99! — completou o Escorpião.

– Camus, você não pode dar ouvidos a este depravado! Você precisa dar o exemplo aos seus filhos! — Shaka dando lição de moral — Além disso, Buda ajuda a quem cedo madruga, devia agradecer por seus filhos lhe tirarem da cama em hora tão matutina.

– Buda ajuda a quem cedo madruga...- Saga sarcástico — E quem cedo madruga não conseguiu uma trepada!

– Do jeito que o Camus anda, não arranja mulher nem debaixo d'água usando tanque de oxigênio! — comentou Sagitário, fazendo todos gargalharem.

– Não permitirei que zoem o meu amigo! — Milo aproximou-se dele — Esta noite é nossa noite de folga, vou te buscar pra gente dá um passeio, só nós dois!

Camus nao respondeu. Seus olhos piscaram diversas vezes antes de que ele deixasse a cabeça pender para frente, sobre o tampo da mesa. Alguns segundos depois fortes roncos podiam ser escutados a quilômetros de distância.

À noite

Camus, devidamente trajado, uma calça de pregas, cor bege e uma camisa de botões, um pouco formal, de mangas curtas e sapatos socias, desce as doze casas com ar de quem ia pra cadeira elétrica. Milo, esportemente vestido, calça jeans com rasgões e uma camisa preta, o esperava na entrada do Santuário. Shura, o cavaleiro de Capricórnio, também estava e de braços cruzados, também sensualmente vestido, abriu um sorrisinho cínico nos lábios ao ver o pobre pai se aproximando.

– Não está tendo um bom dia, Camus? — perguntou o espanhol, com seu forte sotaque sevilhano.

– Vou fingir que não ouvi isso! Hoje acordei com as cachorras! Prometi a mim mesmo que o próximo que me zoasse eu lhe enfiava a espada da armadura de Libra no apêndice!

Respondeu secamente o cavaleiro, muito sério, fazendo Milo levantar os braços em forma de rendiçao.

– Tranquilo, meninos! Hoje a noite é uma criança! — sorriu sarcástico.

– Correção Milo, a noite faz uma criança! — completou Shura, com insinuação pra Camus.

– Ei, espanhol, continua querendo dá uma de machão e vai terminar com meu sapato enfiado na sua bunda!

– Calma, amigo, você anda muito estressado! Chamei o Shura para me ajudar na difícil tarefa de fazê-lo se divertir esta noite! — falou Milo.

– Eu sei muito bem como vocês se divertem! — disse Camus, olhando a ambos — Vinho e mulheres!

– Bom, melhor viver no pecado do que morrer no matrimônio! — comentou Shura, cínico. — Mas isto não vem ao caso. Esta noite será sua libertação, mon ami, eu prometo.

– Vamos logo que tenho de estar em casa antes da 01:00 para dar o leite das crianças!

No bar...

– Lar doce lar! — sorriu Milo, batendo no tórax e sorrindo. — A gente se sente até em casa num lugar desses!

– Com essa cara até parece que comeu algo suculento...- ironizou Camus, tomando um gole da sua cerveja.

– Não comi, meu amigo, mas comerei em breve! — piscou um olho.

– Milo, você não presta! — sorriu Shura, comendo com os olhos um avião loiro que havia acabado de entrar — É um mulherengo de marca maior!

– É como dizem: ninguém gosta do álcool, se gosta do efeito dele! — comentou Camus, desinteressado.

– Cada um pensa naquilo que lhe faz falta, amigo espanhol! E no meu caso...- Milo tira do bolso um maço de fotos — Eu sempre levo meus pensamentos comigo!

– O que quer dizer? — Camus franziu o cenho.

– Olhem isso, rapazes! — escolheu uma delas e virou para os amigos — Um verdadeiro colírio para os olhos masculinos!

– Madre mía! Aonde você arrumou esta? — Shura agarrou a foto com sofreguidão. — Isso não é um avião, é uma nave espacial! Desde quando você sai com uma coisa desta e não me conta? — ofendido.

– Desde que criou juízo! — falou Camus, olhando a foto — Quem é ela?

– Tatiana! — Miro lambeu os lábios ao pronunciar o nome — Uma russa que faturei nas sessões de terapia de casal!

– Mas você nao é casado! — Camus levantou uma sobrancelha.

– Mas ninguém precisa saber! Além disso, é um ótimo lugar pra conhecer MBSNS!

– O que? — Camus faz uma careta horrível.

– MULHER BONITA SOLÍTARIA NECESSITANDO SEXO! — respondeu Shura imediatamente.

– Vocês não se cansam dessa vida? — Camus exasperado — Não cansam de viver de modo tão vazio, sem nenhum sentimento?

– Isso é como um jogo de pôquer, Camus, mon ami! — respondeu Milo, cinicamente — E como um bom jogador, eu sempre sei a hora de parar!

– Nunca! — completou Shura.

Shura e Miro caíram na gargalhada diante do olhar mortal de Camus. Este suspirou.

– Não sei porque as mulheres buscam homens como vocês! Não entendo porque elas têm tantos problemas com o orgasmo! Sempre o orgasmo! Um dia, quando a Amelie não queria, tive um orgasmo com um alfinete enfiado no dedão do pé!

– Por Dios, hombre! Um anão cheio de verruga trepa mais que você! — Shura debochou.

– Estou satisfeito com minha vida sexual! — falou Camus, orgulhoso.

– Não podes falar sobre isso, não tens experiência! — disse Milo.

– Como que não tenho experiência?

– Você é casado! O que um casado sabe sobre vida sexual? — Milo em tom óbvio.

– Olhem esta! — disse Shura, pegando outra foto. — Isso é simplesmente a melhor coisa desde que Saori pôs luz elétrica no Santuário!

– Essa é meu programa das terças! Cada uma tem um dia da semana, assim eu nunca me entedio! A Tatiana é a dos sábados.

– E elas topam todas as posições? — perguntou Shura — Eu adoro a "sardinha enlatada"!

– Meu Deus! — Milo fecha os olhos de satisfação — Você já fez o "sapo inchado"?

– Nao há nada como o "coelhinho desdentado"!- disse o espanhol com os olhos brilhantes.

– Eu vou denunciar vocês ao Ibama! — falou Camus, assustado — Do que estão falando? Nunca escutei falar sobre estas posiçães!

– Normal, você é casado! — disse Milo.

– Vocês me trouxeram aqui pra me ajudar ou pra zoar com a minha cara?

– As duas coisas! — respondeu Shura.

– Olha aqui, espanholzinho de merda...

Camus agarrou Shura pelo colarinho, ameaçando-o com o punho. Milo separou os amigos.

– Desculpe, amigo! — pediu o cavaleiro de Escorpião — Nós iremos te ajudar, sim!

Sentaram-se, Shura ajeitando a camisa. De repente, uma morena entra pela porta do bar, chamando a atenção dos amigos.

– Desculpa digo eu, Milo, mas a terapia do Camus fica pra outra hora. Boa sorte!

E batendo no ombro de Milo, levanta da mesa e vai na direçao da garota. Dez minutos depois, ambos saem do bar abraçados.

– Esse é meu aluno! — diz Milo com orgulho.

– Vamos pra casa, isso aqui tá um saco! — reclama Camus, com um suspiro.

Pagam a conta e saem.

– Ah, meu amigo, você reclama tanto da sua vida, pois eu te invejo! — falou Milo, enquanto caminhavam pelas ruas tranquilas da madrugada de Atenas.

– Me inveja? Você é louco? Você é livre, não tem uma esposa que grita no seu ouvido todo dia, nem filhos que só cagam e choram todo tempo! Não queira filhos, Milo. São como cocaína, mas sem adrenalina!

– Pois eu acho o contrário. deve ser legal ter uma família! Ás vezes me sinto tão sozinho. Eu sou tão solitário que nem meus pais foram no meu nascimento! E a Amelie é uma mulher e tanto!

– Pois eu acho a sua vida uma delícia! Dorme a hora que quer, transa com quem quer, come o que quer e pode deixar a tampa do vaso levantada sem que o mundo caia por isso!

– Falando em vaso, tenho vontade de fazer xixi, acho que bebi muita cerveja! — disse Milo.

– Eu também! Mas não há banheiros por aqui!

– Ali tem uma fonte! — falou Milo, abrindo a calça e andando até lá.

– Você ficou louco? — Camus o seguiu — Urinar no meio da praça pública?

– Não seja chato! Não tem ninguém aqui, estamos só nós dois! Anda, Camus, faz algo errado ao menos uma vez na vida!

– Já fiz duas coisas erradas e estou me arrependendo até hoje! — falou o francês, cedendo e abrindo a calça.

– Bonita fonte! — comentava Milo, enquanto urinavam.

– Esta é a estátua da deusa Minerva adormecida! — explicou Camus.

– Pois eu a farei acordar! — disse Milo, cínico.

– Eu gostaria de ter sua vida e poder dizer coisas imbecis! — disse Camus, olhando o amigo.

– Pois eu gostaria de ter a sua e ter sempre uma vaca pegando no meu pé! — comentou Milo, também olhando o outro.

– Você é louco, Miro! Eu gostaria de ter a sua vida!

– Não, Kamus! Eu gostaria de ter a sua!

– EU GOSTARIA DE TER A SUA VIDA!

Sem querer, ambos terminaram gritando aquela frase ao mesmo tempo. E nem bem a haviam dito, todas as luzes se apagaram. Toda a cidade de Atenas, ou talvez o mundo, havia afundado na mais completa escuridão. Os dois amigos, atônitos, se entreolharam, interrompendo o que faziam, completamente paralisados, com o júnior nas mãos. Mas ao final de um minuto, as luzes se acenderam aos poucos e tudo pareceu voltar a normalidade.

– O que será que houve? — perguntou Milo, voltando ao que fazia.

– Talvez uma queda de energia, sei lá! — completou Camus, também terminando o trabalho.

Após terminarem, ambos fecharam as roupas e olhando a fonte uma última vez, onde uma estátua de mármore antigo os observava, partiram rumo ao Santuário, pois já era quase uma hora da manha e Camus tinha de dar o leite das crianças.

...V...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.